quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Doador de Memórias

O Doador de Memórias (The Giver, EUA, 2014) – Nota 6
Direção – Phillip Noyce
Elenco – Jeff Bridges, Meryl Streep, Brenton Thwaites, Alexander Skarsgard, Katie Holmes, Odeya Rush, Cameron Monaghan, Taylor Swift, Emma Tremblay.

Após o caos que se abateu sobre a Terra, uma nova sociedade emergiu. A nova geração vive sob o controle de um grupo de anciões liderados por Elder (Meryl Streep), que prega uma vida igual para todos, sem emoções e por consequência sem conflitos. 

Para manter as pessoas sem emoções, diariamente elas recebem uma injeção imaginando ser algum tipo de vitamina. Sem emoções, as pessoas não conseguem ver cores, não podem se tocar e nem mesmo questionar a situação. 

Neste contexto, quando os jovens terminam o colégio, Elder faz a designação de trabalho para cada um deles. Quando Jonas (Brenton Thwaites) é escolhido para ser o “recebedor de memórias”, tudo muda. Jonas se torna aluno do antigo “recebedor” (Jeff Bridges), a única pessoa que tem o dom de guardar todas as memórias do mundo antes do caos. Conforme Jonas começa a descobrir como era o mundo antigo, seu lado questionador vem à tona. 

Este longa une duas vertentes do cinema atual voltadas para o público jovem: Ficção científica e best seller adolescente. A premissa recicla ideias de filmes como “A Vida em Preto e Branco”, “1984” e vários outros longas futuristas sobre sociedades totalitárias. 

Infelizmente, a tentativa do diretor australiano Phillip Noyce em criar sequências com simbolismos falha. A narrativa se mostra frouxa e algumas cenas são desconexas e sem explicação, principalmente na parte final, quando o personagem principal decide desbravar o resto do mundo. 

As presenças de Meryl Streep e Jeff Bridges tentam um dar algo a mais ao filme, o que funciona apenas na interpretação de Bridges como o desiludido ancião que guarda as memórias. 

Basicamente é um filme com uma bela produção e um ótimo cuidado visual, porém genérico na história e até piegas em alguns momentos.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Need For Speed

Need For Speed (Need For Speed, EUA / França / Inglaterra / Filipinas, 2014) – Nota 6
Direção – Scott Waugh
Elenco – Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots, Michael Keaton, Scott Mescudi, Rami Malek, Ramon Rodriguez, Harrison Gilbertson.

Tobey Marshall (Aaron Paul) é um piloto de corridas clandestinas que tem uma oficina mecânica com um grupo de amigos especializados em equipar carros de corrida. Passando por grande dificuldade financeira, Tobey aceita a proposta de um rival, o arrogante Dino Brewster (Dominic Cooper), que deseja restaurar um carro clássico que valerá uma fortuna numa provável venda. Uma aposta entre Tobey e Dino termina em tragédia, com o primeiro sendo condenado injustamente. Ao sair da cadeia, Tobey deseja vingança. 

Baseado em um game de sucesso, este longa é uma colcha de retalhos que recicla ideias de filmes como a série “Velozes e Furiosos”, de “Agarra-em se Puderes”, sucesso nos anos setenta com Burt Reynolds e até do clássico “Corrida Contra o Destino”, principalmente pelo papel de Michael Keaton, que é uma espécie de homenagem ao radialista interpretada por Cleavon Little naquele filme. Por sinal, em relação ao elenco, Michael Keaton é o único destaque.

É basicamente um produto para a geração atual que gosta de carros tunados, com sequências de perseguições do início ao fim, um roteiro requentado e diálogos constrangedores. 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Dose Dupla

Dose Dupla (2 Guns, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Baltasar Kormakur
Elenco – Denzel Washington, Mark Wahlberg, Paula Patton, Edward James Olmos, Bill Paxton, Robert John Burke, James Marsden, Fred Ward.

Bobby (Denzel Washington) e Stig (Mark Wahlberg) são parceiros que estão intermediando uma compra de cocaína com o traficante mexicano Papi Greco (Edward James Olmos). Quando Papi se mostra relutante em fechar o negócio, a dupla decide lucrar de outra forma. Eles planejam assaltar um banco de uma pequena cidade mexicana onde o traficante supostamente guarda sua fortuna. Os dois picaretas se conhecem há poucos meses e não imaginam que o outro é um agente disfarçado. Bobby é um detetive da narcóticos, enquanto Stig é um investigador da marinha. 

Baseado em uma história em quadrinhos, este longa tem algumas ideias interessantes, como mostrar que não existe pessoa totalmente honesta e os divertidos diálogos que resultam em uma ótima química entre a dupla de protagonistas. 

Infelizmente, o filme perde pontos por ficar em cima do muro entre ser uma trama séria de tráfico ou uma comédia policial. O diretor ainda escolhe dar ênfase as cenas de ação e violência, deixando a desejar no desenvolvimento da trama. A sequência final no rancho no deserto mexicano é exagerada, típica dos filmes em que o diretor quer resolver tudo de uma só vez. 

No final, fica a sensação de que o resultado poderia ser bem melhor. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Wayward Pines

Wayward Pines (Wayward Pines, EUA, 2015) – Nota 7,5
Criador – Chad Hodge
Produtor – M. Night Shyamalan
Elenco – Matt Dillon, Carla Gugino, Shannyn Sossamon, Toby Jones, Melissa Leo, Charlie Tahan, Reed Diamond, Hope Davis, Siobhan Fallon, Terrence Howard, Juliette Lewis, Sarah Jeffery.

O agente do FBI Ethan Burke (Matt Dillon) viaja pela região de Idaho ao lado do parceiro quando sofre um violento acidente. Ethan, que estava investigando o desaparecimento de outra agente, Kate Hewson (Carla Gugino), acorda em um hospital numa pequena cidade chamada Wayward Pines. 

Tratado de forma estranha por uma enfermeira (Melissa Leo) e um médico (Toby Jones), que não dão informações sobre seu parceiro, Ethan abandona o hospital para procurar o sujeito e tentar contato com seus superiores e sua esposa (Shannyn Sossamon). Sem explicação, Ethan não consegue completar as ligações e logo percebe que a cidade parece um contos de fadas sinistro, onde o dinheiro é falso,  as pessoas agem como robôs e tudo parece certinho demais. Para ficar mais estranho ainda, ao tentar sair da cidade de carro, Ethan descobre que não existe saída, a estrada volta para o mesmo local que é cercado por uma floresta e algumas montanhas. 

Produzida como uma minissérie de dez episódios, “Wayward Pines” passa a impressão inicial de ser uma mistura de “Twins Peaks” com “Lost”. Os primeiros episódios também deixam o espectador com um pé atrás, perdido em meio a uma trama repleta de perguntas sem respostas. A reviravolta ocorre no quinto episódio, quando é revelada a verdade sobre o local e a minissérie se volta para a ação. 

Os episódios finais, ao mesmo em que são mais agitados, por outro lado aceleram algumas situações que se mostram mal explicadas, como a participação dos jovens estudantes da cidade na trama. Sem entrar em detalhes, o final também deixa um pouco a desejar, como se fosse uma volta ao início da trama. 

Fica a sensação de que a história tinha um potencial para algo melhor, com leque para desenvolvimento de outras tramas, mas também da forma como terminou, uma nova temporada não faria sentido. 

Como informação, M. Night Shyamalan dirigiu apenas o episódio piloto.

domingo, 26 de julho de 2015

Beijos Que Matam, Na Teia da Aranha & A Sombra do Inimigo


Beijos que Matam (Kiss the Girls, EUA, 1997) – Nota 7
Direção – Gary Fleder
Elenco – Morgan Freeman, Ashley Judd, Cary Elwes, Tony Goldwyn, Alex McArthur, Bill Nunn, Jeremy Piven, Brian Cox, Richard T. Jones, Gina Ravera, Roma Maffia, William Converse Roberts, Gregg Henry, Jay O. Sanders

Ao ser avisado que sua sobrinha desapareceu da universidade na Carolina do Sul, o detetive forense Alex Cross (Morgan Freeman), que trabalha em Washington para o FBI, segue para o local com o objetivo de investigar o caso. Cross descobre que várias jovens desapareceram na região e que a única que conseguiu escapar do cativeiro foi uma médica, Kate McTiernan (Ashley Judd). Kate confirma que outras garotas estão presas no local e que uma delas é a sobrinha de Cross. Mesmo com dificuldades em dividir informações com a polícia local, Cross e Kate se unem para localizar o cativeiro. 

O ponto alto filme é a trama, que vai sendo decifrada aos poucos, como se fosse uma quebra cabeças montado através da inteligência do personagem de Morgan Freeman. O longa perde alguns pontos na narrativa arrastada em alguns momentos. Vale destacar ainda o elenco repleto de coadjuvantes conhecidos. 

Na Teia da Aranha (Along Came a Spider, EUA, 2001) – Nota 7
Direção – Lee Tamahori
Elenco – Morgan Freeman, Monica Potter, Michael Wincott, Dylan Baker, Mika Boorem, Anton Yelchin, Jay O. Sanders, Billy Burke, Michael Moriarty, Penelope Ann Miller, Anna Maria Horsford.

Após sua parceira morrer numa ação policial para captura de um serial killer, o agente do FBI Alex Cross (Morgan Freeman) decide se aposentar. Alguns meses depois, Cross recebe a ligação de um psIcopata (Michael Wincott) que acabou de sequestrar a filha de um senador. Obrigado a retornar ao trabalho, Cross se une a agente Jezzie Flannigan (Monica Potter), que era responsável pelo segurança dos alunos do colégio onde estudava a garota e onde outros jovens de famílias ricas estudam, inclusive o filho do presidente da Rússia (Anton Yelchin). Este é o início de uma caçada em que os agentes tentam seguir as pistas deixadas pelo meticuloso sequestrador. 

Assim como “Beijos Que Matam”, esta sequência tem como ponto principal a trama investigativa e o carisma do personagem de Morgan Freeman. Não é um filme de ação, o foco é o suspense.

A Sombra do Inimigo (Alex Cross, EUA / França. 2012) – Nota 5,5
Direção – Rob Cohen
Elenco – Tyler Perry, Edward Burns, Matthew Fox, Jean Reno, Carmen Ejogo, Cicely Tyson, Rachel Nichols, John C. McGinley, Werner Daehen.

Alguns filmes se mostram equivocados desde antes das filmagens. Este “A Sombra do Inimigo” é um exemplo. O personagem Alex Cross já havia sido interpretado por Morgan Freeman em dois filmes. Os suspenses “Beijos que Matam” e “Na Teia da Aranha” eram filmes interessantes, nada mais do que isso. Os produtores decidiram ressuscitar o personagem neste prequel e ao invés de criar um suspense, preferiram dar ênfase às cenas de ação. 

Aqui Cross (Tyler Perry) está trabalhando como policial em Detroit, pouco tempo antes de entrar para o FBI. Ao investigar o assassinato de um empresário, Cross e seu parceiro Thomas Kane (Edward Burns) cruzam o caminho de um violento e inteligente ex-militar (Matthew Fox), que aparentemente tem outros alvos, entre eles um magnata francês (Jean Reno). 

A trama é toda voltada para a caçada dos policiais, situação comum aos filmes do gênero, mas infelizmente pouca coisa se salva no geral. As reviravoltas do roteiro são puro clichê, inclusive o final forçado. A história parece um episódio de seriado policial. O elenco também é sofrível. Tyler Perry é um ator de seriados que não convence como protagonista e Matthew Fox cria um exagerado vilão, totalmente canastrão. Uma ou outra cena de ação se mostra interessante, o que é pouco. 

sábado, 25 de julho de 2015

Carta Selvagem

Carta Selvagem (Wild Card, EUA, 2015) – Nota 5
Direção – Simon West
Elenco – Jason Statham, Michael Angarano, Dominik Garcia Lorido, Hope Davis, Milo Ventimiglia, Anne Heche, Max Casella, Stanley Tucci, Sofia Vergara.

Las Vegas, véspera de Natal. Nick Wild (Jason Statham) é um ex-militar que trabalha como segurança particular e que sonha em ganhar dinheiro suficiente para passar cinco anos nos mares da Córsega.

Ao mesmo tempo em que é contratado por um jovem solitário (Michael Angarano) para acompanhá-lo aos cassinos da cidade, Nick é procurado por uma ex-namorada (Dominik Garcia Lorido), que é prostituta e que foi espancada por um valentão e seus capangas. A jovem deseja vingança, o que o relutante Nick acaba aceitando, mesmo descobrindo que o agressor é um perigoso gângster. 

Por mais que Jason Statham seja um craque em pancadaria e o filme tenha cenas criativas e violentas de brigas, pouca coisa se salva nesta trama fraca e requentada sobre o submundo de Las Vegas. 

A motivação do personagem principal e seu vício em jogos são puro clichê, assim como os coadjuvantes caricatos e os cenários cafonas dos cassinos. O personagem de Michael Angarano parece perdido na trama, com uma explicação sem sentido para ter procurado ajuda do protagonista. 

É um verdadeiro desperdício de tempo, mesmo para o espectador que gosta do estilo do ator e de filmes de ação. 

Como curiosidade, o título nacional também é ridículo. O “Wild Card” é um trocadilho que mistura o nome do protagonista com um cartão de crédito que ele utiliza como arma durante uma cena.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Quando os Jovens se Tornam Adultos

Quando os Jovens se Tornam Adultos (Diner, EUA, 1982) – Nota 7,5
Direção – Barry Levinson
Elenco – Mickey Rourke, Steve Guttenberg, Daniel Stern, Tim Daly, Kevin Bacon, Paul Reiser, Ellen Barkin, Michael Tucker, Kathryn Dowling.

Baltimore, Natal de 1959. Um grupo de jovens amigos que se reúne diariamente em uma lanchonete, se prepara para o casamento de Eddie (Steve Guttenberg). Nos poucos dias que antecedem a cerimônia, cada um precisa lidar com seus problemas. 

Boogie (Mickey Rourke) deve dois mil dólares a um bookmaker, Billy (Tim Daly) retornou a cidade para o casamento e também para reencontrar um velho amor, Shrevie (Daniel Stern) passa por uma crise no casamento com Beth (Ellen Barkin), enquanto Fenwick (Kevin Bacon) e Modell (Paul Reiser) se deixam levar pela vida. 

Este simpático longa foi a estreia do diretor Barry Levinson no cinema. Levinson nasceu em Baltimore e vários de seus filmes são ambientados na cidade (“Avalon”, “Os Rivais”, “Ruas da Liberdade”), sempre retratada com carinho pelo diretor. 

Este filme é o que chega mais próxima de uma autobiografia, com o diretor utilizando suas lembranças de juventude para criar uma história sobre amadurecimento e amizade. 

Além da história, o destaque aqui fica para o elenco de jovens promessas que se tornariam realidade nos trabalhos seguintes. Mickey Rourke, Kevin Bacon e Ellen Barkin construíram boas carreiras e mesmo com altos e baixos, ainda estão na ativa com algum destaque. Paul Reiser (“Mad About You”) e Tim Daly (“Wings”) foram astros de seriados nos anos noventa, enquanto Steve Guttenberg (“Loucademia de Polícia”) e Daniel Stern (“Esqueceram de Mim”) tiveram alguns bons papéis no cinema nos anos oitenta e início dos noventa. 

É um filme que lembra o clássico “American Griffith” de George Lucas.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Até a Eternidade

Até a Eternidade (Les Petits Mouchoirs, França, 2010) – Nota 7,5
Direção – Guillaume Canet
Elenco – François Cluzet, Marion Cotillard, Benoit Magimel, Gilles Lellouche, Jean Dujardin, Laurent Lafitte, Valérie Bonneton, Pascale Arbillot, Anne Marivin, Louise Monot.

Na sequência inicial, a câmera segue Ludo (Jean Dujardin) dentro de uma casa noturna. O sujeito mexe com algumas garotas, conversa com um amigo e se mostra extremamente agitado por causa das drogas e da bebida. De repente ele fica quieto, se despede do amigo e sai do local. Vemos que é início da manhã. Ele acende um cigarro, sobe em sua moto e poucos metros depois é violentamente atropelado. 

A câmera corta para o hospital, onde várias pessoas se encontram na sala de espera. Rapidamente descobrimos que é um grupo de amigos de Ludo. Eles entram na UTI e se assustam com a aparência do amigo. Mesmo assim, ao sair do hospital, eles decidem manter a viagem de férias para o litoral francês, sem o amigo ferido, é claro. A partir daí, aos poucos o espectador conhecerá cada um dos personagens, suas virtudes, seus defeitos e as várias mentiras que contam para manter as aparências de uma vida normal. 

O roteiro escrito pelo ator e diretor Guillaume Canet lembra em parte “O Reencontro” que Lawrence Kasdan dirigiu nos anos oitenta. Naquele filme, um grupo de amigos da universidade se reencontravam após alguns anos para o funeral de um colega, sendo que aqui, as férias na praia são um encontro anual que se torna mais complicado por causa do acidente. 

O desenvolvimento dos personagens é um dos pontos altos. François Cluzet faz o líder do grupo, sujeito com boa vida financeira, mas que sofre por ser exigente e mal humorado. Benoit Magimel faz o jovem casado, pai de três filhos, que ao contar um segredo para o personagem de Cluzet, dá início a um conflito silencioso. Marion Cotillard é a ex-esposa do acidentado, que não consegue manter os relacionamentos. Temos ainda o solteirão irresponsável de Gilles Lellouche e o apaixonado que sofre por ter sido abandonado interpretado por Laurent Lafitte. 

É uma boa opção para quem gosta de dramas sobre amizade e relacionamento. 

Como curiosidade, a tradução literal do título original seria “Mentirinhas”. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Jogo Duplo

Jogo Duplo (Focus, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Glenn Ficarra & John Requa
Elenco – Will Smith, Margot Robbie, Adrian Martinez, Gerald McRaney, Rodrigo Santoro, BD Wong, Brennan Brown, Robert Taylor.

Nicky (Will Smith) é um vigarista profissional que “recruta” a batedora de carteiras Jess (Margot Robbie) para participar de seu “grupo de trabalho”. Ao lado de Horst (Brennan Brown) e do hacker Farhad (Adrian Martinez), Nick comanda uma rede de ladrões especializados em pequenos roubos durante grandes eventos. A premissa é esta, o restante da trama precisa ser descoberta pelo espectador, mesmo sendo um filme bastante irregular.

O melhor do filme é a primeira parte que se passa durante um fictício Super Bowl em New Orleans, principalmente a sequência dentro do camarote com o personagem do milionário chinês interpretado por BD Wong. 

Infelizmente, na segunda parte a história vai por água abaixo. A trama pula três anos e segue para Buenos Aires durante os preparativos para uma corrida de Fórmula Um. As reviravoltas desta parte final são forçadas, assim como a própria história de espionagem industrial. 

As cenas românticas entre Will Smith e Margot Robbie também não convencem, sem contar um canastrão Rodrigo Santoro interpretando um empresário argentino corrupto. 

É uma pena, sozinha, a divertida primeira parte é pouco para resultar em um bom filme.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Robin Hood - Quatro Versões

O ladrão Robin Hood é um dos personagens que mais foi explorado na história do cinema. São várias versões, inclusive uma comédia maluca de Mel Brooks e tendo como a mais recente um longa de Ridley Scott produzido em 2010 (clique aqui para ler a resenha).

Nesta postagem, comento quatro versões sobre a vida do personagem.

Robin Hood – O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves, EUA, 1991) – Nota 7,5
Direção – Kevin Reynolds
Elenco – Kevin Costner, Morgan Freeman, Mary Elizabeth Mastrantonio, Christian Slater, Alan Rickman, Brian Blessed, Michael Wincott, Geraldine McEwan, Michael McShane, Nick Brimble, Sean Connery.

Após voltar das Cruzadas, Robin de Locksley (Kevin Costner) descobre que seu pai foi assassinado e suas terras roubadas. Perseguido pelo xerife de Nothingham (Alan Rickman), Robin e seu amigo Azeem (Morgan Freeman), um mouro que lhe deve a vida, fogem para a floresta onde se unem a um bando de ladrões que lutam contra o exército e o xerife. Em meio à luta, Robin se casa com a bela Marian (Mary Elizabeth Mastrantonio). 

Depois do clássico “As Aventuras de Robin Hood” de Michael Curtiz, esta é a melhor versão da história do personagem para o cinema. Filmado quase como uma obra pop, repleto de cenas de ação competentes, um bom elenco e um roteiro bem amarrado, além de uma gigantesca campanha publicitária, o longa foi um grande sucesso de bilheteria. O grande investimento rendeu exageros, como a famosa cena da flecha cortando uma árvore, que foi filmada apenas para o trailer e a participação de um minuto de Sean Connery, que dizem ter cobrado um cachê de um milhão de dólares. 

A presença do astro Kevin Costner no auge da carreira foi outro ponto que ajudou no sucesso do longa. Costner vinha de uma incrível sequência de grandes bilheterias: “Os Intocáveis”, “Sem Saída”, “Sorte no Amor”, “O Campo dos Sonhos” e o premiado “Dança com Lobos” o transformaram no grande astro da época. 

Robin Hood – O Herói dos Ladrões (Robin Hood, EUA, 1991) – Nota 7
Direção – John Irvin
Elenco – Patrick Bergin, Uma Thurman, Jurgen Prochnow, Jeroen Krabbé, Edward Fox, David Morrissey.

O saxão Robert Hode (Patrick Bergin) é um dono de terras que ao defender um pobre camponês, entra em conflito com dois normandos, Sir Folcanet (Jurgen Prochnow) e o Barão Daguerre (Jeroen Krabbé), que confisca suas terras e manda seus soldados prendê-lo. Robert foge para a floresta e se une a outros excluídos, que juntos começam a roubar os ricos par ajudar os pobres, se tornando um lenda entre o povo que o batiza de Robin Hood. 

Sua fama se transforma em ameaça para o Príncipe John (Edward Fox), que comanda o reino enquanto o Rei Ricardo Coração de Leão está lutando nas Cruzadas. Robin Hood ainda rouba o coração de Lady Marian (Uma Thurman), que é noiva de Folcanet e sobrinha de Daguerre. 

Produzido em paralelo com o Robin Hood de Kevin Costner, este bom filme naufragou nas bilheterias, sendo um exemplo de falta de timing dos produtores. Enquanto o filme de Costner era um blockbuster, este longa apresentava um enfoque mais forte sobre vida de Robin Hood, criando um herói um pouco mais bruto e uma Lady Marian muito mais forte do que as versões puritanas da personagem em outros filmes. 

O protagonista Patrick Bergin sempre foi um grande canastrão, mas na época estava no auge da carreira e seu desempenho chega a ser interessante, assim como as atuações do restante do elenco internacional.   

Robin e Marian (Robin and Marian, EUA, 1976) – Nota 6
Direção – Richard Lester
Elenco – Sean Connery, Audrey Hepburn, Robert Shaw, Nicol Williamson, Richard Harris, Denholm Elliott, Ian Holm.

Muitos anos após os acontecimentos da história original, Robin Hood (Sean Connery) e seu amigo Little John (Nicol Williamson) retornam para a floresta de Sherwood e reencontram Lady Marian (Audrey Hepburn), agora vivendo como freira em um convento. O retorno de Robin faz renascer o ódio do xerife de Nothingham (Robert Shaw), que para tentar capturar o inimigo, decide prender Lady Marian e utilizá-la como isca. 

Esta releitura da história de Robin Hood tem como pontos positivos a originalidade do enfoque e o elenco repleto de grandes atores britânicos, além da bela Audrey Hepburn, que na época estava há nove anos longe do cinema. Audrey ainda faria mais quatro filmes antes de falecer em 1993. 

O filme tem um ritmo irregular e algumas cenas de ação que não empolgam. Vale apenas como curiosidade. 

O Filho de Robin Hood (The Bandit of Sherwood Forest, EUA, 1946) – Nota 6,5
Direção – George Sherman & Henry Levin
Elenco – Cornel Wilde, Anita Louise, Jill Esmond, Edgar Buchanan, Henry Daniell.

Quando William de Pembroke (Henry Daniell), príncipe regente da Inglaterra, decreta a prisão da família real, a rainha (Jill Esmond) e sua filha, a princesa Catherine (Anita Louise), conseguem fugir para a floresta de Sherwood, onde procuram ajuda com Robert de Nothingham (Cornel Wilde), filho do lendário Robin Hood, para tentar salvar o rei que está preso na masmorra do castelo. 

Esta produção B modifica a história de Robin Hood, criando um filho do personagem para combater as injustiças no reino. As cenas de ação são interessantes, com as tradicionais brigas de capa e espada e muito correria. 

O canastrão Cornel Wilde protagonizou vários filmes B de ação até os anos sessenta, tendo seu papel mais importante no clássico “O Maior Espetáculo da Terra” dirigido por Cecil B. De Mille.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cada Dia Uma Vida Inteira

Cada Dia Uma Vida Inteira (Brasil, 2014) – Nota 7
Direção – Cris Azzi
Elenco – Odilon Esteves, Sara Antunes, Cynthia Falabella, Inês Peixoto, Ludmilla Ramalho.

Rafael (Odilon Esteves) e Carol (Sara Antunes) moram juntos e estão se preparando para oficializar o casamento. Poucos dias antes da cerimônia, o casal terá suas respectivas despedidas de solteiro. Enquanto Rafael irá para uma festa no apartamento de um amigo, Carol e suas amigas farão uma noitada em uma boate ao estilo clube das mulheres. O que eles não imaginam é que os acontecimentos daquela noite mudarão completamente sua relação. 

Com um baixo orçamento e alguma criatividade no roteiro, o diretor Cris Azzi entrega um simpático drama sobre relacionamento. O roteiro enfoca as dúvidas antes do casamento. Eles se amam, mas precisam superar a desconfiança, as mentiras e até mesmo o medo de se entregar totalmente ao parceiro. 

É interessante a forma como Azzi desenvolve seus personagens através de atitudes que são “clichês” dos homens e das mulheres em momentos de crise. Enquanto Carol reluta em contar a verdade para o noivo, seja ela qual for, Rafael decide reencontrar suas ex-parceiras para uma última transa antes de casar. 

Vale destacar ainda as várias cenas e diálogos recheados de sexo, tudo muito próximo da realidade. 

domingo, 19 de julho de 2015

Wolverine: Imortal

Wolverine: Imortal (The Wolverine, Inglaterra / EUA, 2013) – Nota 7
Direção – James Mangold
Elenco – Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Will Yun Lee, Brian Tee, Haruhiko Yamanouchi, Ken Yamamura, Jamke Janssen.

Nos dias atuais, Wolverine (Hugh Jackman) vive solitário nas florestas do Canadá, sofrendo pela morte de Jean Grey (Famke Janssen) e tentando renegar seu passado. Em um certo dia, Wolverine é procurado pela jovem japonesa Yukio (Rila Fukushima), que tem o poder de ver a morte das pessoas e que deseja levá-lo ao Japão para encontrar o velho milionário Yashida (Haruhiko Yamanouchi). 

Durante a Segunda Guerra, Wolverine salvou a vida do então oficial Yashida (Ken Yamamura na época), que agora deseja recompensá-lo pela dívida de vida. Ao chegar no Japão, Wolverine descobre que foi chamado por outro motivo, sendo obrigado ainda a se envolver numa violenta disputa de poder pelo controle das empresas da velho moribundo. 

Como já citei em outras postagens, não sou fã de quadrinhos, por isso minhas resenhas sobre este tipo de longa se baseiam apenas no filme. Neste caso, não sei se existe nos quadrinhos alguma aventura de Wolverine no Japão. Para quem assistiu apenas aos filmes, fica um pouco estranho ver o personagem em meio a uma cultura diferente como a japonesa. 

O filme tem boas cenas de ação, como todas as obras da franquia “X-Men”, alguns coadjuvantes interessantes como a vilã russa Svetlana Khodchenkova e o havaiano Will Yun Lee, além de a cada novo filme, o astro Hugh Jackman comprovar que é o sujeito perfeito para o personagem. 

Os problemas surgem no roteiro que insere um romance um pouco forçado, além da própria trama que parece não combinar com o estilo do personagem. 

Apesar de prender a atenção do espectador, o longa é um pouco inferior em relação a “X-Men Origens: Wolverine”, mesmo deixando um gancho para o ótimo “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, que foi lançado no ano seguinte.

sábado, 18 de julho de 2015

2019 - O Ano da Extinção

2019 – O Ano da Extinção (Daybreakers, Austrália / EUA, 2009) – Nota 7
Direção – Michael & Peter Spierig
Elenco – Ethan Hawke, Willem Dafoe, Claudia Karvan, Sam Neill, Michael Dorman, Vince Colosimo, Isabel Lucas.

Estamos em 2019 e a quase totalidade da população se transformou em vampiro. O processo iniciado em 2009 por causa de um morcego infectado chegou ao seu limite. Os vampiros dominam o mundo, mas sofrem com a falta de sangue para sobreviver. Os humanos que se tornaram caças e foram utilizados como alimento pelos vampiros, hoje vivem em pequenos grupos que tentam se esconder de seus predadores. 

Neste contexto, o cientista Edward Dalton (Ethan Hawke) trabalha na tentativa de produzir sangue em laboratório, para acabar com a fome dos vampiros e por consequência frear a extinção dos humanos. Um acidente de automóvel coloca Edward em contato com Audrey (Claudia Karvan), uma humana que percebe a chance de conseguir ajuda. Ela vive com Lionel Cormac (Willem Dafoe), sujeito que se transformou em vampiro, mas que conseguiu reverter o processo após um determinado evento aleatório. Edward decide ajudar a dupla de fugitivos com a esperança de encontrar a cura, fato que o transforma em alvo do poderoso Charles Bromley (Sam Neill), presidente da corporação em que ele trabalha. 

A premissa de colocar vampiros dominando o mundo e caçando humanos é instigante, tendo certa inspiração no clássico “O Planeta dos Macacos”. A produção caprichada é um interessante contraste com o clima de filme B criado pelos irmãos Spierig. Os problemas surgem em algumas soluções do roteiro. A coincidência da situação que envolve a filha do personagem de Sam Neill e a sequência final de ação, são clichês que tiram pontos do filme. 

Não é uma longa ruim, tem certa originalidade na primeira parte da trama e criatividade na direção dos irmãos Spierig, que fariam na sequência um filme bem superior, o ótimo “O Predestinado”, também protagonizado por Ethan Hawke.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Hannibal - A Origem do Mal

Hannibal – A Origem do Mal (Hannibal Rising, Inglaterra / República Tcheca / França / Itália, 2007) – Nota 6,5
Direção – Peter Webber
Elenco – Gaspard Ulliel, Gong Li, Dominic West, Rhys Ifans, Richard Brake, Kevin McKidd, Aaran Thomas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, na região da Lituânia que pertencia a União Soviética, a aristocrata família Lecter tenta se esconder do conflito em sua casa de campo. A tentativa se mostra falha. Quando nazistas e aliados se enfrentam no local, quase todos que estão ali são assassinados, sobrevivendo apenas o filho pré-adolescente Hannibal (Aaran Thomas) e sua pequena irmã Mischa. Pouco tempo depois, um grupo colaboracionista local liderado por Grutas (Rhys Ifans) invade a casa e toma as crianças como refém, resultando numa terrível tragédia. 

Oito anos depois, o jovem Hannibal (Gaspard Ulliel) foge do orfanato em que foi criado após a guerra e segue para a França à procura do tio. Em Paris, Hannibal descobre que o tio faleceu, mas acaba adotado pela esposa do sujeito, a oriental Murasaki (Gong Li). Uma estranha relação nasce entre os dois, ao mesmo tempo em que Hannibal sofre com os traumas sofridos durante a guerra e amadurece sua vontade de vingança. 

O roteiro escrito pelo próprio Thomas Harris, criador do personagem Hannibal Lecter, tem como objetivo detalhar os fatos que se tornaram gatilhos para transformar o jovem em um psicopata canibal. As passagens do terrível sofrimento na infância explicam sua falta de empatia com o outro, enquanto a convivência com a tia mostra como nasceu seu gosto por vinhos, comidas finas e principalmente seu talento com objetos cortantes como facas e espadas. 

A trama é interessante, assim como a recriação de época nas sequências na gelada Lituânia e as passagens em Paris, porém alguns detalhes incomodam. A relação de Hannibal com o policial vivido por Dominic West é mal explorada e as interpretações de Gong Li e Gaspard Ulliel são fracas. O canastrão Ulliel faz caras, bocas e olhares que lembram um psicopata de filme adolescente, passando longe da fantástica composição de Anthony Hopkins.