quarta-feira, 28 de junho de 2017

Logan

Logan (Logan, EUA / Canadá / Austrália, 2017) – Nota 8,5
Direção – James Mangold
Elenco – Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Elizabeth Rodriguez, Richard E. Grant, Eriq La Salle, Elise Neal.

Em 2029 o mundo trata os mutantes com desprezo. Há mais de vinte e cinco sem nascer novos mutantes, Wolverine/Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como motorista de limousine e utiliza o dinheiro para cuidar do nonagenário Professor Charles Xavier (Patrick Stewart), que está doente. 

Ao ser procurado por uma enfermeira mexicana (Elizabeth Rodriguez), que pede ajuda para levar ela e a filha Laura (Dafne Keen) até Dakota do Norte, Logan se torna alvo de um grupo de mercenários liderados por Pierce (Boyd Holbrook). Sem a mesma força da juventude e com dificuldade para se regenerar, Logan precisará lutar também contra seus demônios. 

A saga X-Men é um caso curioso. São três trilogias aparentemente independentes, mas que na verdade se cruzam em vários momentos e personagens. O ponto comum entre todos os filmes é Wolverine e por uma coincidência, este “Logan” que encerra um ciclo é na minha opinião o melhor filme de toda a série. 

Mais do que as tramas apocalípticas, as cenas de ação explosivas repletas de efeitos especiais e os duelos entre heróis e vilões, este último longa é cinema puro, com um roteiro sobre frustrações, relacionamentos e redenção. O ar de decadência da história consegue unir com competência drama e violência.

Até mesmo as sequências de ação se mostram muito mais realistas do que os filmes anteriores, lógico que levando em conta que é uma ficção com personagens fora do comum. Hugh Jackman e Patrick Stewart aproveitam para eternizar seus personagens da melhor forma possível.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Jersey Boys

Jersey Boys (Jersey Boys, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Clint Eastwood
Elenco – John Lloyd Young, Vincent Piazza, Erich Bergen, Michael Lomenda, Christopher Walken, Mike Doyle, Renée Marino, Joseph Russo, Katherine Narducci, Lou Volpe.

New Jersey, anos cinquenta. Tommy DeVito (Vincent Piazza) é um ladrão pé-de-chinelo protegido pelo mafioso Gyp DeCarlo (Christopher Walken). Além dos pequenos delitos, Tommy também é guitarrista. 

Pensando em profissionalizar a carreira, Tommy e seu parceiro Nico Massi (Michael Lomenda) convidam o jovem Francis Castelucci (John Lloyd Young) para ser o vocalista da nova banda. A garoto decide mudar seu nome para Frankie Valli. 

Frankie é dono de uma voz diferenciada que chama a atenção. O grupo é fechado com a entrada do compositor e tecladista Bob Gaudio (Erich Bergen). É o início do grupo “The Four Seasons”, que faria grande sucesso nos anos sessenta. 

O diretor Clint Eastwood aproveitou o sucesso de um show da Broadway sobre a carreira do grupo para levar a história ao cinema. O roteiro segue o esquema comum das biografias de grupos ou pessoas que chegaram ao sucesso artístico. Começa pela dificuldade do início de carreira, a sorte de aparecer a chance para gravar, passando pelo sucesso, as brigas, os problemas familiares até a redenção. 

Mesmo sem grandes surpresas ou reviravoltas, a forma como Eastwood conduz a narrativa prende a atenção, auxiliado pela narração de Tommy DeVito, que conversa com o espectador olhando para câmera, além de intercalar ótimos números musicais. 

Vale citar que o protagonista John Lloyd Young foi escolhido por ser um ótimo cantor e ter a voz muita parecida com o verdadeiro Frankie Valli. Sua atuação deixa a desejar, porém a parte musical compensa a falha. É destaque ainda a presença do carismático Christopher Walken como o mafioso amigo da banda. 

Como informação, o ator Joe Pesci ("Os Bons Companheiros", "Cassino") foi a primeira pessoa que ajudou o grupo. Ele era amigo de Tommy DeVito e foi uma espécie de primeiro empresário da banda. No filme ele é interpretado por Joseph Russo. 

Finalizando, o verdadeiro Frankie Valli foi coadjuvante em alguns episódios de “A Família Soprano”.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Em Nome da Honra, Assassinato Sob Custódia & Sarafina!


Em Nome da Honra (Catch a Fire, França / Inglaterra / África do Sul / EUA, 2006) – Nota 7
Direção – Philip Noyce
Elenco – Derek Luke, Tim Robbins, Bonnie Henna, Mncedisi Shabangu, Tumisho Masha.

África do Sul, 1980. Patrick Chamusso (Derek Luke) nasceu em Moçambique e migrou ainda criança com sua família para África do Sul. Seu pai o abandonou e Patrick foi criado pela mãe. Mesmo com dificuldades pela pobreza e pelo terrível Apartheid, Patrick conseguiu emprego em uma usina e leva uma vida digna ao lado da esposa (Bonnie Henna) e das duas filhas pequenas. Quando ocorre um atentado na usina, Patrick e dois amigos são presos como suspeitos e interrogados sem piedade pelo coronel Nic Vos (Tim Robbins). O fato mudará para sempre sua vida e a forma dele encarar o mundo.

Baseado em uma história real, este longa dirigido pelo australiano Philip Noyce (“Jogos Patrióticos”, “Perigo Real e Imediato”) foca na injustiças e na opressão sofrida pela população negra na África do Sul durante os anos do Apartheid. Tratados como cidadãos de segunda categoria, as pessoas negras tinham dois caminhos a seguir. Abaixar a cabeça e rezar para não ter problema com a polícia ou revidar através de protestos e até mesmo de atentados.

Analisando como cinema, a quantidade de acontecimentos da história poderia render um filme mais longo. A parte final passa a impressão de ser um pouco corrida, assim a passagem do tempo que também é rápida. Mesmo com algumas falhas, o longa é um forte retrato de uma época de violência e injustiças na África do Sul.

Assassinato Sob Custódia (A Dry White Season, EUA, 1989) – Nota 7
Direção – Euzhan Palcy
Elenco – Donald Sutherland, Janet Suzman, Zakes Mokae, Jurgen Prochnow, Susan Sarandon, Marlon Brando, Winston Ntshona.

África do Sul, 1976. Ben du Toit (Donald Sutherland) é um professor de história que leva uma vida tranquila com a família. Quando seu jardineiro que é negro (Winston Ntshona) pede ajuda para encontrar o filho que foi preso em uma manifestação escolar, Ben acredita que procurando seus amigos poderosos conseguirá resolver a situação. Ao descobrir que o garoto está morto e que as autoridades não se importam com o que ocorreu, Ben procura o advogado especialista em causas de direitos humanos Ian McKenzie (Marlon Brando) para defender a família do jardineiro, sem imaginar as consequências. 

O regime do Apartheid que separava brancos e negros é uma terrível mancha na história da África do Sul. Além dos negros não terem direito algum, o regime também ficou marcado pela violência utilizada para conter qualquer tipo de manifestação, mesmo sendo pacífica. Uma das primeiras sequências deste longa mostra este situação ocorrida em Soweto, local que ficou marcado pela luta da população negra e pelos terríveis confrontos com a polícia nos anos setenta e oitenta. 

O protagonista vivido por Donald Sutherland e seus familiares principalmente, eram os típicos cidadãos brancos que fechavam os olhos para a situação. O roteiro mostra como tentar defender o outro lado transformou a vida da família em um inferno. A força do filme está na história que é contada de forma crua. A narrativa é um pouco irregular e as participações de Marlon Brando e Susan Sarandon são pequenas. Brando ainda se destaca nas sequências do julgamento, enquanto Sarandon é mal explorada como uma jornalista liberal. O filme é indicado para quem tem curiosidade em saber um pouco sobre o terrível Apartheid. 

Sarafina! O Som da Liberdade (Sarafina! África do Sul / Inglaterra / França / EUA, 1992) – Nota 7
Direção – Darrell James Roodt
Elenco – Whoopi Goldberg, Miriam Makeba, Leleti Khumalo, John Kani.

No auge do terrível Apartheid na África do Sul, a professora de história Mary Masembuko (Whoopi Goldberg) tenta conscientizar seus alunos negros da forma como eles são discriminados no país. A adolescente Sarafina (Leleti Khumalo), que sonha em se tornar estrela, aos poucos começa a entender a difícil situação do seu povo e também a luta de sua mãe (a cantora Miriam Makeba) em conseguir sustento para família. Ao lado de colegas de colégio, Sarafina organiza um protesto que terminará em confronto com a polícia. 

Baseado em uma peça teatral, este longa mistura drama, música e violência para mostrar como a cidade de Soweto se tornou o epicentro dos confrontos entre a população negra e a polícia durante os anos setenta e oitenta. A luta da protagonista vivida por Whoopi Goldberg também é pela libertação de Nelson Mandela, que na vida real havia saída da cadeia dois anos antes e já se preparava politicamente para tentar chegar a presidência, algo que aconteceria em 1994. A força do filme está no tema que ainda era atual na época do lançamento do longa e também nas interpretações de Goldberg e da jovem Leleti Khumalo. 

domingo, 25 de junho de 2017

A Prova

A Prova (Proof, Austrália, 1991) – Nota 6,5
Direção – Jocelyn Moorhouse
Elenco – Hugo Weaving, Russell Crowe, Genevieve Picot.

Martin (Hugo Weaving) nasceu sem visão e mesmo assim, anda criança sua mãe o presenteou com uma máquina fotográfica. Adulto, Martin continua a fotografar tudo ao seu redor, mesmo se ver absolutamente nada. Ele mantém também uma estranha relação com sua empregada doméstica Celia (Genevieve Picot). 

O acaso leva Martin a conhecer Andy (Russell Crowe), que trabalha em um restaurante. Eles criam um laço de amizade, com Andy explicando para Martin o conteúdo de suas fotos, como se fosse um tradutor de imagens. A partir daí, inicia-se um complicado triângulo entre Martin, Andy e Celia. 

Na época do lançamento, este longa ganhou um ar de cult e fez com que muitos críticos acreditassem que a australiana Jocelyn Moorhouse se tornaria uma grande diretora. O tempo passou e a diretora não vingou, mesmo tendo comandado alguns filmes americanos. 

Além disso, o tempo também mostrou que apesar de inusitado, o filme não era tão bom assim. A narrativa apresenta alguns tempos mortos e flashbacks estranhos que tentam explicar os traumas do protagonista. 

Os destaques ficam para os então desconhecidos Hugo Weaving e Russell Crowe, que tiveram as portas de Hollywood abertas após este trabalho. 

sábado, 24 de junho de 2017

Vida

Vida (Life, EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Daniel Espinosa
Elenco – Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Olga Dihovichnaya, Ariyon Bakare.

Um grupo de cientistas em uma estação espacial internacional consegue capturar um ser microscópico que comprova existir vida em Marte. 

A alegria pela descoberta dura pouco. Os cientistas percebem que o organismo vivo cresce rapidamente. O vacilo de um dos cientistas faz com que a espécime escape e se torne um perigo para vida dos astronautas e também das pessoas na Terra. 

Ao mesmo tempo em que a ótima produção, o competente elenco e a boa narrativa são pontos positivos, não dá para deixar de lado a grande semelhança com o clássico “Alien – O Oitavo Passageiro”. 

As ideias do clássico de Ridley Scott foram recicladas em um novo roteiro, que tenta explorar ainda o filão de sucessos do gênero dos últimos anos, como “Gravidade” e “Perdido em Marte”. Este novo longa fica abaixo na comparação com os filmes citados, mas está longe de ser ruim. 

O roteiro ainda entrega uma pequena reviravolta no final que poderia render até mesmo uma continuação. 

Diversão indicada para quem gosta do gênero.  

sexta-feira, 23 de junho de 2017

X+Y

X+Y (X+Y, Inglaterra, 2014) – Nota 8
Direção – Morgan Matthews
Elenco – Asa Butterfield, Rafe Spall, Sally Hawkins, Eddie Marsan, Jo Yang, Martin McCann, Jake Davies, Alex Lawther, Alexa Davies.

Desde criança, Nathan Ellis (Asa Butterfield) demonstra uma incrível facilidade em aprender matemática e uma tremenda dificuldade em se relacionar com as pessoas, fato potencializado após a morte do pai.

Ao perceber que o filho tem um talento especial, a mãe (Sally Hawkins) procura um colégio melhor. Nathan se torna aluno de Martin Humprheys (Rafe Spall), que também foi uma criança prodígio em matemática, mas que não decolou na carreira por causa de uma grave doença e também pelos seus próprios erros.

Durante alguns anos, Martin prepara Nathan para participar de famosa Olimpíada de Matemática, que terá uma fase de preparação na China. A viagem para o país estranho e o relacionamento com outros jovens prodígios mudará para sempre a vida de Nathan.

Este simpático drama vai além da tramas comuns sobre jovens nerds. A dificuldade em se relacionar, os maneirismos de quem vê o mundo com outros olhos e a pressão para desenvolver todo seu potencial são obstáculos quase intransponíveis para estes jovens encontrarem a felicidade nas coisas simples da vida.

O protagonista vivido pelo garoto Asa Butterfield (“A Invenção de Hugo Cabret”) é quase uma versão mirim do matemátiva interpretado por Russell Crowe em “Uma Mente Brilhante’. Nos dois casos, a mente dos personagens funciona de uma forma extremamente racional. Quando as emoções entram em cena, a vida vira de ponta-cabeça.

Os vários adolescentes que passam pela tela entregam boa atuações, assim como os sempre competentes Sally Hawkins e Eddie Marsan, este último interpretando o professor que comanda a equipe inglesa de matemática. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tempo Limite & Tempo Esgotado


Tempo Limite (Term Life, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Peter Billingsley
Elenco – Vince Vaughn, Hailee Steinfeld, Bill Paxton, Jonathan Banks, Jordi Molla, Terrence Howard, Shea Whigham, Jon Favreau, William Levy, Mike Epps, Taraji P. Henson, Cain Velasquez, Annabeth Gish.

Nick Narrow (Vince Vaughn) é um picareta especializado em planejar assaltos e vender os planos para quadrilhas. Um destes planos resulta na morte dos assaltantes, que se tornam vítimas de policiais corruptos liderados por Joe Keenan (Bill Paxton). A situação de Nick se torna de vida ou morte, pois um dos ladrões mortos era filho de um chefão de drogas mexicano (Jordi Molla). Nick precisa correr para se salvar e também proteger a filha adolescente (Hailee Steinfeld), de quem ele estava afastado.

Baseado numa pouco conhecida graphic novel, este longa policial ganha pontos pelo bom ritmo da narrativa, por algumas cenas de ação interessantes e pela narração cínica do protagonista vivido por Vince Vaughn. Por outro lado, o roteiro é repleto de clichês e com exceção de pai e filha, os demais personagens são mal desenvolvidos, inclusive o policial vivido por Bill Paxton.

É um filme policial básico, daqueles que prendem a atenção, mas que são esquecidos rapidamente após o final da sessão.

Tempo Esgotado (Nick of Time, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – John Badham
Elenco – Johnny Depp, Christopher Walken, Charles S. Dutton, Peter Strauss, Roma Maffia, Marsha Mason, Bill Smitrovich, Gloria Reuben, G. D. Spradlin, Yul Vazquez, Courtney Chase.

Ao voltar do enterro da ex-esposa, Gene Watson (Johnny Depp) é atacado por estranhos e tem sua filha de seis anos sequestrada. De forma inusitada, os sequestradores deixam uma arma e uma fotografia. Logo, Gene entende que para salvar sua filha será necessário assassinar a pessoa da foto, que é ninguém menos que a governadora da Califórnia (Marsha Mason). Ele tem apenas uma hora e meia para descobrir quem sequestrou sua filha, senão será obrigado a cometer o crime. 

Há mais de vinte anos comandando apenas seriados, poucos lembram que o diretor John Badham é responsável por divertidos sucessos dos anos setenta e oitenta. Ele comandou o clássico “Os Embalos de Sábado a Noite” e longas policiais como “Tocaia” e “Alta Tensão”. Aqui, Badham imprime um ritmo agitado com o personagem de John Depp correndo por Los Angeles em busca da filha. As boas cenas de ação seguram o filme que explora uma interessante trama de conspiração. 

Os destaques ficam para Johnny Depp em um papel de pessoa comum, diferente dos personagens excêntricos que está acostumado a interpretar e para o sempre marcante Christopher Walken como o vilão por trás da conspiração.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A Grande Muralha

A Grande Muralha (The Great Wall, EUA / China / Hong Kong / Austrália / Canadá, 2016) – Nota 5,5
Direção – Zhang Yimou
Elenco – Matt Damon, Pedro Pascal, Tian Jing, Willem Dafoe, Andy Lau, Hanyu Zhang. Han Lu.

Um grupo de mercenários viaja pelo oriente à procura de pólvora, a grande descoberta da época. Após serem atacados por outro grupo e em seguida por uma criatura desconhecida, apenas William (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal) sobrevivem. 

Eles chegam até a grande muralha da China e se tornam prisioneiros do exército chinês, que por sua vez aguarda o ataque das mesmas criaturas que mataram os parceiros dos mercenários. O destino e a vontade de sobreviver fazem com que William e Tovar se unam ao chineses para defender a muralha. 

Esta superprodução hollywoodiana tem uma premissa simples e até interessante ao colocar mercenários em busca da pólvora, descoberta que mudou a forma de guerrear na época. Os problemas surgem com a escolha de transformar o filme em uma ficção apoiada apenas nos efeitos especiais. Os diálogos são ruins, assim como as interpretações e o previsível desenrolar da trama. 

Além disso, a forma como é apresentado o exército chinês é um enorme exagero. Desde que aparece na tela pela primeira vez, o exército é mostrado como se estivesse numa parada militar, com todos em posição de ataque com uniformes coloridos e impecáveis, inclusive as mulheres que parecem terem saído de um salão de beleza. As traquitanas utilizadas nas cenas de ação são armas antigas com visual futurista. 

É mais um filme que mistura cinema com game, sendo mais indicado para a nova geração que muitas vezes prefere tecnologia ao invés de história e interpretações.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Uma Caminhada na Floresta

Uma Caminhada na Floresta (A Walk in the Woods, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Ken Kwapis
Elenco – Robert Redford, Nick Nolte, Emma Thompson, Mary Steenburgen, Nick Offerman, Kristen Schaal, R. Keith Harris.

Bill Bryson (Robert Redford) é uma famoso escritor especializado em livros sobre viagens. Após uma entrevista em um programa qualquer, ao ser questionado porque nunca escreveu sobre lugares nos Estados Unidos, Bryson decide percorrer a pé a Appalachian Trail que atravessa o oeste americano por mais de 3500 km. 

Sua esposa (Emma Thompson) considera uma loucura, mas aceita a ideia do marido apenas se ele encontrar alguém para viajar junto. Após ser ridicularizado por amigos por causa da ideia, Bryson recebe um telefonema de Stephen Katz (Nick Nolte), um amigo de viagens e bebedeiras da juventude, que se convida para a aventura. 

Este simpático longa sobre amizade e desafios da terceira idade é uma adaptação de um livro autobiográfico do verdadeiro Bill Bryson, que nos anos noventa percorreu a trilha e relatou a aventura. 

A maior diferença entre a história real e o filme é a diferença de idade. O verdadeiro Bryson estava na casa dos quarenta e poucos anos, enquanto Redford beira os oitenta. Ao mesmo tempo em que levando em conta a idade verdadeira de Redford  e também de Nick Nolte a história fique absurda, por outro lado, o mesmo fato cria possibilidades para o roteiro brincar com a situação através de diálogos irônicos e das dificuldades próprias da idade. 

Por sinal, a química entre Redford e Nolte é um dos pontos altos. Outro destaque são as belas paisagens naturais da trilha. Vale citar que Redford comprou os direitos do livro ainda nos anos noventa e planejava levar a história para o cinema com Paul Newman ao seu lado, reeditando a dupla de sucesso de “Butch Cassidy” e “Golpe de Mestre”. Infelizmente o plano não saiu do papel enquanto Newman estava vivo. 

É um filme simples e despretensioso, uma verdadeira sessão da tarde.    

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O Mago das Mentiras

O Mago das Mentiras (The Wizard of Lies, EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Barry Levinson
Elenco – Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Alessandro Nivola, Nathan Darrow, Hank Azaria, Kristen Connolly, Lily Rabe, Michael Kostroff, Steve Coulter.

Dezembro de 2008. O megainvestidor Bernie Maddof (Robert De Niro) vê seu império ruir com a crise financeira consequência da explosão da chamada “Bolha Imobiliária”. Seus investidores começaram a sacar o dinheiro do fundo e a verdade veio à tona. 

Em paralelo com a companhia de seguros que seus filhos (Alessandro Nivola e Nathan Darrow) administravam de forma correta, Bernie comandava uma empresa fantasma de investimentos que utilizava um esquema de pirâmide. Bernie arrecadava dinheiro com novos investidores e pagava os antigos com o mesmo dinheiro. Sua fama de fazer todo investimento lucrar chamava novos investidores e por este motivo o esquema durou quinze anos até desmoronar em 2008. 

Baseado na história real da maior fraude da história do sistema financeiro americano, este longa dirigido por Barry Levinson e produzido para a HBO por seu parceiro Tom Fontana, responsáveis por ótimas séries como “Oz – A Vida É Uma Prisão” e “Homicide: Life on the Street”, vai além dos detalhes sobre o crime. 

O foco principal é mostrar como a revelação do esquema destruiu a família de Maddof. Seus filhos e sua esposa (Michelle Pfeiffer) não imaginavam que o pai era capaz de algo assim e muito menos que a vida deles se transformaria em um inferno, assim como ocorreu com centenas de pessoas que sofreram prejuízos financeiros com o golpe, sendo que muitos perderam todas as suas economias. 

No elenco são três destaques. O principal vai para Robert De Niro, que depois de muito tempo tem a chance de interpretar um papel complexo e não decepciona. Suas explicações para o crime que cometeu e sua frieza em vários momentos criam um protagonista assustador pela falta de empatia e pelo egoísmo. 

A competente Michelle Pfeiffer, ainda belíssima com quase sessenta anos de idade, volta a interpretar a esposa de Robert De Niro assim como fez em “A Família” de 2013, seu último filme antes deste. O terceiro destaque vai para Hank Azaria. Com uma carreira voltada para comédia, inclusive sendo um dos dubladores de “Os Simpsons”, Azaria tem aqui a chance de brilhar ao interpretar o braço-direito de Maddof na empresa fantasma. Falastrão, cínico e canalha, seu personagem rouba as cenas em que aparece. 

Sei que é um tema que não agrada ao público em geral, mas por outro lado, a história é muito parecida com o que está ocorrendo no nosso país nos dias atuais. A empresa fraudulenta dentro da empresa verdadeira é algo idêntico ao que ocorreu com uma grande construtora por aqui, a diferença é que nos EUA Maddof foi condenado a cento e cinquenta e anos de cadeia e todos os seu bens foram confiscados, enquanto por aqui muitos que enriqueceram de forma ilícita ainda estão soltos ou cumpriram míseros dois, três anos de pena. 

domingo, 18 de junho de 2017

A Nona Vida de Louis Drax

A Nona Vida de Louis Drax (The 9th Life of Louis Drax, Inglaterra / Canadá / EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Alexandre Aja
Elenco – Jamie Dornan, Sarah Gadon, Aaron Paul, Aiden Longworth, Oliver Platt, Molly Parker, Terry Chen, Julian Wadham.

Ao completar nove anos de idade, Louis Drax (Aiden Longworth) despenca de um penhasco para dentro mar. Ele é resgatado e milagrosamente sobrevive, mesmo entrando em coma. 

Narrado pelo próprio Louis, descobrimos que em outras oitos vezes ele passou perto da morte. Sua mãe (Sarah Gadon) alega que desta vez seu ex-marido (Aaron Paul), que está desaparecido, foi quem jogou Louis no mar. 

O médico (Jamie Dornan) que trata de Louis acredita na teoria de que pessoas em coma possam se comunicar com quem estiver próximo. O médico termina também por ser envolver com a mãe do garoto. 

O roteiro que mistura drama, policial e fantasia foi escrito pelo ator Max Minghella (“A Rede Social”), que se baseou em um livro. Foi o primeiro roteiro escrito pelo ator, que este ano deverá estrear também como diretor levando às telas um novo roteiro dele mesmo. 

O ponto alto deste longa é a fluidez da narrativa, muito por causa da interpretação do garoto Aiden Longworth. Seu personagem tem ao mesmo tempo a ingenuidade de uma criança nas pequenas atitudes com a família e também a língua ferina de um adulto que solta verdades doloridas para quem está ao lado. 

As cenas de fantasia também são outro ponto alto. Estas sequências são criadas para ilustrar os pensamentos do garoto enquanto está em coma. Por trás destes detalhes, a história é simples. Não é difícil entender o caráter dos personagens e também o que realmente aconteceu no penhasco, fato que é revelado próximo do final.  

Finalizando, o diretor Alexandra Aja é especialista em filmes de terror e suspense. Este trabalho é uma mudança de foco na carreira do diretor. 

sábado, 17 de junho de 2017

Versões de um Crime

Versões de um Crime (The Whole Truth, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Courtney Hunt
Elenco – Keanu Reeves, Renee Zellweger, Gugu Mbatha Raw, Gabriel Basso, James Belushi, Jim Klock.

O advogado milionário Boone (James Belushi) é assassinado dentro de casa. Seu filho Mike (Gabriel Basso) confessa o crime. Para defender o jovem, a mãe Loretta (Renee Zellweger) contrata o amigo da família Ramsey (Keanu Reeves). 

O julgamento começa e Ramsey não sabe como defender seu cliente, pois Mike se nega a conversar. Resta ao advogado tentar descobrir se as testemunhas estão mentindo e utilizar seus depoimentos para salvar Mike. Para isso, Ramsey tem o auxílio de uma jovem advogada (Gugu Mbatha Raw). 

O ponto principal deste interessante drama que se passa praticamente todo no tribunal é o roteiro escrito por Nicholas Kazan, filho do falecido diretor Elia Kazan. Nicholas explora a ideia de que todos mentem para defender seus interesses. Esta situação é exposta em cada depoimento. Enquanto a testemunha conta sua versão, em flashbacks vemos a situação verdadeira. Mesmo com o roteiro deixando pistas sobre como realmente ocorreu o crime, o final se mostra surpreendente. 

Quem gosta de filmes de tribunal e não se importar com a habitual interpretação robotizada de Keanu Reeves e nem com a voz irritante de Renee Zellweger, vai encontrar aqui um bom passatempo.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

8MM & Morte ao Vivo


8MM – Oito Milímetros (8MM, Alemanha / EUA, 1999) – Nota 7,5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Nicolas Cage, Joaquin Phoenix, James Gandolfini, Peter Stormare, Anthony Heald, Catherine Keener, Chris Bauer, Amy Morton.

Após a morte do marido, que era um velho milionário, sua esposa também idosa encontra um filme em 8MM que mostra uma jovem sendo torturada e morta por um sujeito mascarado. Angustiada em saber se o vídeo é verdadeiro, a velha senhora contrata o detetive particular Tom Welles (Nicolas Cage) para investigar o caso. 

Seguindo a pista de jovens desaparecidas, Welles é levado até Hollywood e cruza o caminho de um balconista de videolocadora (Joaquin Phoenix) que tem contatos na indústria pornográfica. O rapaz o apresenta a um produtor de filmes pornô (James Gandolfini), que por sua vez o leva a conhecer o estranho diretor Dino Velvet (Peter Stormare), que pode estar ligado a produção da fita. 

O roteiro deste polêmico longa tenta criar uma linha tênue entre o cinema pornô e os terríveis snuff movies, estes últimos que muitos acreditam ser apenas uma lenda urbana. A trama não chega a se aprofundar no tema da produção dos snuff movies, resultando muito mais em um filme de suspense e violência. 

O longa não teve boa recepção da crítica muito por causa dos nomes de Joel Schumacher e de Nicolas Cage, porém o filme é competente em sua proposta, com uma narrativa que prende a atenção e bons momentos de suspense. 

Mesmo com bons filmes no currículo como “Um Dia de Fúria” e “Os Garotos Perdidos”, Joel Schumacher carregará para sempre os fracassos dos dois Batmans. O astro Nicolas Cage estava no auge da carreira na época, protagonizando filmes muito melhores dos que as bombas que tem trabalhado nos últimos anos.

Morte ao Vivo (Tesis, Espanha, 1996) – Nota 7,5
Direção – Alejandro Amenabar
Elenco – Ana Torrent, Fele Martinez, Eduardo Noriega, Xabier Elorriaga, Miguel Picazo.

Angela (Ana Torrent) é uma aluna de jornalismo em uma universidade em Madrid. Ao procurar seu professor de mestrado, ela o encontro morto em uma sala de vídeo. O homem passou mal e faleceu ao assistir uma estranha fita de vídeo. 

Curiosa, Angela rouba fita e descobre que o conteúdo é um “snuff movie”. Angela pede auxílio a um estranho aluno chamado Chema (Fele Martinez), especialista em filmes de violentos, que rapidamente identifica a moça assassinada no filme como uma aluna que estava desaparecida há algum tempo. Ao invés de acionar a polícia, a dupla decide investigar por conta própria. 

Este competente suspense marcou a estreia na direção do chileno Alejandro Amenabar (“Os Outros”, “Regressão”). Os pontos positivos do longa são o clima de suspense potencializado por algumas sequências dentro dos porões da universidade e o bom roteiro que até próximo ao final deixa dúvidas quanto ao verdadeiro psicopata. 

Como curiosidade, Ana Torrent, a protagonista assustada, é atriz desde criança, tendo trabalhado com Carlos Saura no clássico espanhol “Cria Cuervos” quando tinha apenas dez anos de idade.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Entre a Vida e a Morte

Entre a Vida e a Morte (The Lazarus Project, EUA / Canadá / Inglaterra, 2008) – Nota 6
Direção – John Patrick Glenn
Elenco – Paul Walker, Piper Perabo, Bob Gunton, Lambert Wilson, Linda Cardellini, Tony Curran, Shawn Hatosy, Malcolm Goodwin, Brooklyn Proulx.

Ben Garvey (Paul Walker) é um ex-detento que retomou a vida normal ao lado da esposa (Piper Perabo) e da filha pequena (Brooklyn Proulx). A chegada do irmão que saiu da cadeia (Shawn Hatosy) e uma inesperada demissão levam Ben de volta ao crime. 

Para não entregar muito da história, pulo direto para a segunda parte do longa que se passa num local isolado, onde Ben tem a chance de recomeçar a vida. O problema é que ele não sabe como chegou naquele local e seu real desejo é voltar para família. 

Este estranho longa começa com uma trama policial, insere pitadas de drama e depois se transforma numa ficção que tenta esconder a explicação até perto do final. O cinéfilo acostumado ao gênero descobrirá esta surpresa na metade da história, sem contar que o título original é quase uma explicação completa para a trama. 

O filme perde pontos também pela narrativa irregular e por algumas sequências que deveriam ser tensas e que na realidade não passam emoção alguma. 

É um filme típico do Supercine, daqueles que esquecemos rapidamente.