sábado, 18 de abril de 2015

Lansky - A Mente do Crime & Dillinger e Capone


Lansky – A Mente do Crime (Lansky, EUA, 1999) – Nota 6,5
Direção – John McNaughton
Elenco – Richard Dreyfuss, Eric Roberts, Anthony LaPaglia, Max Perlich, Beverly D’Angelo, Illeana Douglas, Matthew Settle, Ryan Merriman, Dean Norris, Robert Miano.

No final da vida, o gângster de origem judaica Meyer Lansky (Richard Dreyfus) está sendo investigado pelo governo e com medo de ir para cadeia, procura uma chance de sair do país. Enquanto isso, ele relembra sua vida, desde criança no início do século XX, quando vivia num bairro pobre de Nova York, passando pela juventude quando começou a cometer delitos, até a idade adulta quando se tornou um dos chefões mais poderosos do país, sendo parceiro de figuras como Charlie “Lucky” Luciano (Anthony LaPaglia) e Bugsy Siegel (Eric Roberts). 

O roteiro de David Mamet foca em acontecimentos importantes na vida do sujeito, como o relacionamento com outros gângsteres e com a esposa (Beverly D’Angelo), passando por situações como a sua influência no crescimento dos cassinos em Las Vegas, além é claro, das disputas por poder que resultaram em um enorme número de assassinatos. 

Mesmo tendo a qualidade técnica das produções HBO, este longa para tv resulta numa obra razoável, que vale apenas como curiosidade para quem gosta do tema.

Dillinger e Capone (Dillinger e Capone, EUA, 1995) – Nota 4
Direção – Jon Purdy
Elenco – Martin Sheen, F. Murray Abraham, Stephen Davies, Catherine Hicks, Don Stroud, Michael Oliver, Jeffrey Combs, Michael C. Gwynne.

Chicago, 1934, um sujeito é assassinado dentro de um teatro e todos acreditam que seja o famoso assaltante John Dillinger (Martin Sheen). Seis anos depois, Dillinger vive como outro nome em uma área rural ao lado da esposa (Catherine Hicks) e do filho (Michael Oliver). No mesmo ano, Al Capone (F. Murray Abraham) é liberado da prisão e deseja recuperar uma fortuna em dinheiro que deixou escondida em Chicago, local dominado por um novo chefão. Com ajuda apenas de um fiel assistente (Stephen Davies), Capone descobre que Dillinger está vivo. Ele arma um plano onde sequestra a família de Dillinger e o obriga a voltar ao mundo do crime para roubar seu próprio dinheiro. 

A premissa de utilizar personagens reais para criar uma trama de ficção é interessante, porém o problema é que neste caso nada mais funciona. Os diálogos primários, os tiroteios mal filmados, as explosões toscas e as interpretações exageradas dão tom desta produção do lendário Roger Corman, que aos oitenta e nove anos de idade e após mais de quatrocentos filmes produzidos, ainda continua na ativa. 

Por sinal, a interpretação de F. Murray Abraham (Oscar de Melhor Ator por “Amadeus”) é uma das mais exageradas da história do cinema, ao criar um Al Capone totalmente maluco por causa da sífilis. Martin Sheen ainda interpreta o seu Dillinger com dignidade, mas é pouco para salvar o longa.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Sem Lei e Sem Esperança

Sem Lei e Sem Esperança (The Great Northfield Minnesota Raid, EUA, 1972) – Nota 6
Direção – Philip Kaufman
Elenco – Cliff Robertson, Robert Duvall, Luke Askew, R. G. Armstrong, Dana Elcar, Donald Moffat, Matt Clark, Elisha Cook Jr, John Pearce.

Após ajudaram colonos que estavam sendo atacados por bandidos, os irmãos James (Cliff Robertson e John Pearce) e Younger (Robert Duvall, Luke Askew e Matt Clark) são anistiados de seus crimes pelas autoridades do Missouri. 

O perdão preocupa os banqueiros e a ferrovia, que temem que os irmãos continuem cometendo assaltos. Eles estavam certos, as duas quadrilhas se juntam para roubar o maior banco de Minnesota. O plano falha e os assaltantes passam a ser perseguidos pelos agentes da Pinkerton. 

Este incursão do então novato Philip Kaufman na direção de um westen, resulta num filme irregular, com algumas passagens mortas e uma narrativa lenta, pecados mortais para ao gênero. A história dos irmãos James e Younger já renderam diversos filmes melhores. Este filme vale apenas como curiosidade. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A Taberna do Inferno

A Taberna do Inferno (Paradise Alley, EUA, 1978) – Nota 7
Direção – Sylvester Stallone
Elenco – Sylvester Stallone, Armand Assante, Lee Canalito, Anne Archer, Frank McRae, Kevin Conway, Terry Funk, Tom Waits.

Meados dos anos quarenta, em Hell’s Kitchen, Nova York, os irmãos Carboni tentam sobreviver em meio a pobreza da região. Lenny (Armand Assante) é um veterano que voltou ferido da Segunda Guerra, que se tornou um sujeito triste e que trabalha em uma funerária. Cosmo (Sylvester Stallone) é o malandro que deseja ganhar dinheiro para sair do bairro e que utiliza a força do irmão mais novo Victor (Lee Canalito) para armar lutas clandestinas num bar chamado “Paradise Alley”. A chance de ganhar uma bolada surge quando Cosmo consegue marcar uma luta entre Victor e o campeão do bairro, o violento Frankie “O Batedor” (Terry Funk). 

Com o sucesso de “Rocky, um Lutador”, Stallone decidiu escrever um novo roteiro incluindo elementos semelhantes, como os personagens pobres vivendo à margem da sociedade e a chance de mudança de vida através da luta, mesmo neste caso sendo uma disputa clandestina. 

O roteiro ainda desenvolve conflitos entre os personagens, principalmente entre Lenny e Cosmo. Lenny acredita que Cosmo se aproveita da força e da inocência de Victor para lucrar, enquanto Cosmo tem certeza que esta é a única chance de mudar a vida da família. 

É uma história simples, que tenta emocionar em alguns momentos e que se aproveita da empatia dos personagens perdedores. 

Também é legal ver Stallone em um papel diferente dos heróis durões que marcaram sua carreira. 

Como informação, este foi um primeiro trabalho de Stallone como diretor. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

A Casa da Rua 92

A Casa da Rua 92 (The House on 92nd Street, EUA, 1945) – Nota 6,5
Direção – Henry Hathaway
Elenco – William Eythe, Lloyd Nolan, Signe Hasso, Gene Lockhart, Leo G. Carroll.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ainda na universidade, Bill Dietrich (William Eythe) é procurado pelos alemães para se tornar um espião. Filho de alemães e com nacionalidade americana, Dietrich seria o agente perfeito, porém o jovem faz de conta que aceita a proposta, mas se apresenta ao FBI. Dietrich se torna um agente duplo. 

Ele segue para Hamburgo e inicia um treinamento de seis meses, até voltar para os Estados Unidos com o objetivo de espionar o governo americano ao lado de um grupo de agentes alemães que vivem disfarçados na América. Com apoio do agente do FBI Briggs (Lloyd Nolan), Dietrich fará de tudo para desbaratar a conspiração. 

Pontuado por uma narração formal, que logo no início cita que a trama é uma mistura de vários casos reais, para em seguida explicar passo a passo a atuação do FBI, citando que as cenas foram filmadas em locais onde aconteceram os fatos originais, este longa é uma verdadeira propaganda do trabalho do FBI. 

Mesmo com o roteiro “chapa branca”, o diretor Henry Hathaway (“Bravura Indômita” e “Os Filhos de Katie Elder”) consegue prender a atenção do espectador com a interessante trama de espionagem. 

Vale como curiosidade cinematográfica.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Homem que Mudou o Jogo

O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, EUA, 2011) – Nota 7,5
Direção – Bennett Miller
Elenco – Brad Pitt, Jonah Hill, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright, Chris Pratt, Stephen Bishop, Reed Diamond, Brent Jennings, Ken Medlock, Jack McGee, Nick Searcy, Glenn Morshower.

Início de 2002, Billy Beane (Brad Pritt) é o manager do Oakland Athletics, a equipe de beisebol com menor orçamento da Liga Americana. Desanimado pela sucessão de resultados ruins e a falta de dinheiro que faz o clube perder os melhores jogadores a cada nova temporada, Beane procura novas ideias para remontar o time. 

A novidade surge quando Beane conhece o jovem economista Peter Brand (Jonah Hill), um sujeito gordinho que jamais jogou beisebol, mas que criou uma fórmula matemática para analisar o desempenho individual dos jogadores em cada fundamento. Percebendo que os resultados continuariam ruins se seguisse o caminho normal de contratar jogadores indicados por olheiros na base da intuição, Beane contrata Brand como seu assistente e juntos decidem montar uma nova equipe baseada nas estatísticas de desempenho, o que a princípio é considerado uma loucura pelos “especialistas” do esporte, mas que aos pouco revoluciona a forma de administrar uma equipe. 

Baseado numa história real, este longa de Bennett Miller (“Capote” e “Foxcatcher”) é centrado na vontade do protagonista em deixar um legado para o esporte, como uma espécie de compensação pelo seu fracasso como jogador. Ainda adolescente, enquanto jogava por ligas menores, Billy Beane foi encontrado por um olheiro que lhe ofereceu um contrato para jogar na equipe do New York Mets, dizendo com todas as palavras que ele tinha talento para se tornar um astro do esporte. A previsão não se confirmou e Beane, que desistiu da universidade para ser jogador, sentiu que a forma de escolher atletas estava longe de ser perfeita. O relativo sucesso da análise das estatísticas dos jogadores no caso de Beane, fez com que as outras equipes adotassem o mesmo modelo, hoje utilizado em vários outros esportes, inclusive no futebol.

A história mostrada aqui é um pouco romanceada. Por exemplo, o personagem de Peter Brand é fictício, na verdade, quem auxiliou Billy Beane em parte do processo foi Paul DePodesta, um ex-jogador de futebol americano que entrou em conflito com a produção do longa e por este motivo teve seu nome retirado do personagem, que sofreu várias modificações até ser encarnado por Jonah Hill. Por sinal, as interpretações de Brad Pitt e Jonah Hill merecem elogios, tendo os dois sido indicados aos Oscar. 

Mesmo se você não gosta de esportes, não se preocupe, as cenas de jogos não são exageradas e servem principalmente para dimensionar a emoção e a angústia sentida pelo personagem de Brad Pitt, que não consegue assistir as partidas, preferindo ficar sozinho fazendo outras coisas, enquanto ouve algumas informações pelo rádio ou vê uma ou duas jogadas pela tv.  

domingo, 12 de abril de 2015

O 5º Passo & No Limite do Silêncio


O 5º Passo (Levity, EUA / França, 2003) – Nota 6,5
Direção – Ed Solomon
Elenco – Billy Bob Thornton, Morgan Freeman, Holly Hunter, Kirsten Dunst, Manuel Aranguiz, Geoffrey Wigdor.

Após cumprir pena de vinte e um anos pelo assassinato de um jovem balconista de uma loja de conveniência, Manuel Jordan (Billy Bob Thornton) é solto por bom comportamento. Sem saber o que fazer da vida em liberdade, Manuel vaga pela cidade, até que uma situação inusitada o faz conhecer Miles Evans (Morgan Freeman), um pastor que cuida de um estacionamento ao lado de uma casa noturna. Ao invés de cobrar pelo estacionamento, Miles obriga os jovens que vão para balada a ouvir quinze minutos do seu culto antes da diversão. Manuel passa a trabalhar com Miles, que também distribui comida para moradores de rua e deixa os jovens pobres do bairro utilizarem o local para ficarem longe de problemas. 

Arrependido do crime que cometeu, Manuel deseja cumprir cinco passos como uma espécie de penitência, sendo o quinto passo o mais complicado, que seria se desculpar com alguém que sofreu pela sua atitude. Ele se aproxima de Adele (Holly Hunter), irmã do rapaz que assassinou, mas não tem coragem de contar a verdade. 

O tema principal é a redenção, tanto do personagem de Billy Bob Thornton, quanto dos coadjuvantes. Todos carregam traumas e cada um enfrenta seus problemas de uma forma diferente. Morgan Freeman tenta ajudar os abandonados, Holly Hunter sofre para educar sozinha o filho adolescente e Kirsten Dunst foge da realidade nas baladas regadas a drogas e bebidas. 

É um típico filme independente, com uma narrativa lenta, que foca em personagens problemáticos e que não se aprofunda nas discussões propostas.  

No Limite do Silêncio (The Unsaid, EUA / Canadá, 2001) – Nota 7
Direção – Tom McLoughlin
Elenco – Andy Garcia, Vincent Kartheiser, Linda Cardellini, Teri Polo, Chelsea Field, Brendan Fletcher, Sam Bottoms.

Após do suicídio do filho adolescente, o psiquiatra Michael Hunter (Andy Garcia) sente o mundo desabar sobre sua cabeça. Ele se culpa pela ocorrido, fato que faz acabar seu casamento com Penny (Chelsea Field), que também acredita que o suicídio do filho esteja ligado ao relacionamento do garoto com o pai. 

Três anos depois, Michael abandonou o atendimento clínico, se tornou escritor e palestrante. Quando uma ex-aluna (Teri Polo) o procura pedindo para analisar o caso de um jovem (Vincent Katheiser), que vive em um orfanato e que mostra sinais de distúrbio psicológico, Michael aceita atender o jovem ao saber que anos atrás ele testemunhou o próprio pai assassinando sua mãe. O caso despertará em Michael e em sua filha (Linda Cardellini) sentimentos confusos pela semelhança do garoto com o filho suicida. 

O roteiro foca nas consequências de uma tragédia na vida das pessoas envolvidas e na questão do limite no relacionamento entre psiquiatra e paciente. No primeiro quesito vemos que cada pessoa reage de uma forma, algumas se culpam e outros se fecham tentando esquecer. No segundo ponto, a questão emocional vem à tona. O personagem de Andy Garcia deixa seus sentimentos em relação ao filho morto influenciarem na relação com o jovem traumatizado. 

É um filme indicado para quem gosta de drama familiar com toques de psicologia. 

sábado, 11 de abril de 2015

Caça aos Gângsteres

Caça aos Gângsteres (Gangster Squad, EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Ruben Fleischer
Elenco – Josh Brolin, Ryan Gosling, Sean Penn, Emma Stone, Anthony Mackie, Robert Patrick, Michael Peña, Giovanni Ribisi, Nick Nolte, Mirelle Einos, Holt McCallany, Troy Garity, Jon Polito, John Aylward, Jack Conley, Jack McGee.

Los Angeles, 1949, a cidade está dominada pelo gângster Mickey Cohen (Sean Penn), que comanda uma rede de tráfico, prostituição e jogatina. Com vários policiais corruptos trabalhando para Cohen, que tem ainda em seu bolso alguns políticos e um juiz, a única chance de desmantelar sua quadrilha seria agir à margem da lei. 

Neste cenário, o chefe de polícia (Nick Nolte) oferece ao honestíssimo sargento John O’Mara (Josh Brolin) a chance de criar uma esquadrão clandestino para destruir o império de Cohen. O’Mara é um herói de guerra que aceita o desafio e recruta cinco policiais para a missão, tendo como seu braço direito o sargento Jerry Wooters (Ryan Gosling). 

Apesar de ser baseado numa história real, a narrativa imposta pelo diretor Ruben Fleischer foca basicamente nas cenas de ação, resultando em um filme que pode ser considerado uma diversão passageira. 

As cenas de ação citadas são competentes, com brigas, torturas e tiroteios extremamente violentos, embalados por uma trilha sonora que em alguns acordes lembra a fantástica trilha de Enio Morricone para “Os Intocáveis”. 

O roteiro é totalmente previsível, assim como os personagens são unidimensionais. Temos o policial honesto até a médula (Josh Brolin), a esposa dedicada (Mirelle Einos), o gângster psicopata (Sean Penn) e a amante tratada como propriedade do sujeito (Emma Stone). O único personagem um pouco melhor desenvolvido é o de Ryan Gosling, que demonstra atitudes mais próximas da realidade. 

Quem gosta de um filme de ação ágil e não se importar com estes defeitos citados, vai se divertir com a caçada.   

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Era Uma Vez em Tóquio

Era Uma Vez em Tóquio (Tokyo Monogatari, Japão, 1953) – Nota 9
Direção – Yasujiro Ozu
Elenco – Chishu Ryu, Chieko Higashiyama, Setsuko Hara, Haruko Sugimura, So Yamamura, Kuniko Miyake, Kyoko Kagawa.

Shukichi (Chishu Ryu) e Tomi (Chieko Higashiyama) são um casal de idosos que vive numa pequena cidade do litoral do Japão e que decide viajar de trem até Tóquio para visitar os filhos. Acostumados com a vida simples da pequena cidade, o objetivo do casal é simplesmente rever os filhos, que por seu lado, mesmo sem admitir para os pais, encaram a visita como um problema. 

O filho mais velho é um médico que atende a população do bairro onde mora, enquanto a outra filha é dona de um salão de beleza. Os dois estão mais preocupados com suas vidas, não tendo tempo para acompanhar o casal de idosos, que acaba sendo mais bem tratado pela nora (Setsuko Hara), que é viúva de outro filho do casal que faleceu na guerra. 

Este sensível drama sobre família e envelhecimento é considerado por muitos críticos uma obra-prima. A câmera do diretor Yasujiro Ozu foca nas pequenas situações do cotidiano, que aparentemente são simples, mas que no fundo são exemplos de egoísmo e de como muitas pessoas olham para os idosos como um estorvo. 

O roteiro também foca nas mudanças de costumes pelo quais o Japão passava após a Segunda Guerra. O respeito pelos idosos e pela família ainda existia, porém a preocupação em pensar primeiro em si próprio e as diferenças entre o ritmo de vida de uma cidade do interior em relação a uma metrópole como Tóquio, já eram fatos que alteravam a relação entre as pessoas. 

O exemplo de que em pouco tempo as mudanças seriam radicais, também está na atitude dos netos. Dois garotos que não demostram o menor interesse em dar atenção ao avós, além de um deles reclamar muito após o pai deixar de levá-lo para passear porque foi obrigado a atender um paciente. 

A sutileza oriental das interpretações do casal principal e da nora, rendem diálogos primorosos. A sequência em que sogra e nora conversam sobre a vida no pequeno apartamento da segunda e a conversa do avó com dois amigos em um bar durante uma bebedeira, são ao mesmo tempo simples e geniais. Nestas duas sequências os personagens comentam sobre família, filhos, casamento, solidão e velhice. 

Muitas vezes li críticos elogiando as obras de Ozu e este é o primeiro filme do diretor que assisto. Com certeza procurarei outros para conferir. 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Brazil, o Filme & 1984


Brazil, o Filme (Brazil, Inglaterra, 1985) – Nota 7.5
Direção – Terry Gilliam
Elenco – Jonathan Pryce, Kim Greist, Robert De Niro, Ian Holm, Michael Palin, Bob Hoskins, Peter Vaughan, Ian Richardson, Katherine Helmond, Jim Broadbent.

Visto nos dias de hoje, “Brazil, o Filme” pode ser considerado uma obra profética, que misturava os problemas que o mundo enfrentava na época, com outros que surgiriam nas décadas seguintes. A história se passa num futuro cinzento, em uma sociedade opressora onde o papel do Estado é basicamente dominar a população na base da burocracia exagerada e do medo. A escolha do “Brazil” como título pode ser uma alusão ao final da ditadura pelo qual o país passava no início dos anos oitenta e também pela sociedade anacrônica da época, onde a burocracia era tão grande que existia até mesmo o Ministério da Desburocratização. 

No filme, o governo totalitário utiliza computadores enormes e máquinas estranhas para catalogar as pessoas, tudo criado pela mente do ótimo Terry Gilliam. O personagem principal é o funcionário público Sam Lowry (Jonathan Pryce) sujeito politicamente alienado, que passa seu tempo livre sonhando em voar, com o mar e também com uma garota (Kim Greist). Quando Sam descobre que a garota realmente existe, o sujeito apaixonado se envolve com a jovem que luta contra o governo. A decisão amalucada de Sam o coloca como um terrorista procurado pelo governo. 

A profecia que citei no início do texto, pode ser comprovada por situações mostradas no filme, como o hábito das personagens mais velhas em se submeterem a cirurgias plásticos absurdas, a importância dos computadores em “organizar” e “ vigiar” a sociedade e até o terrorismo, perigo comum na atualidade. 

Vale destacar ainda a participação de Robert De Niro como um encanador que também luta contra o governo e os vários bons coadjuvantes com Ian Holm, Bob Hoskins e Michael Palin. Por sinal, Palin e o diretor Terry Gilliam foram companheiros de “Monty Python” e o estilo de comédia visual anárquica do grupo é um dos pontos principais deste filme. 

Alguns críticos citam que “Brazil, o Filme” pode ser considerado uma mistura de “1984” de Orwell, com “O Processo” de Kafka e o humor do Monty Python. 

Não é uma obra para todos os gostos, mas não deixa ter uma grande importância cinematográfica, sendo um verdadeiro cult.

1984 (Nineteen Eighty-Four, Inglaterra, 1984) – Nota 7
Direção – Michael Radford
Elenco – John Hurt, Richard Burton, Susanna Hamilton, Cyril Cusack, Gregor Fisher.

Após a guerra atômica, em uma sociedade futurista totalitária, Winston Smith (John Hurt) é um funcionário do Ministério da Verdade que não se importa em se submeter as vontades do governo, entre elas, a obrigação de diariamente adorar a figura do “Grande Irmão”, uma espécie de Deus. 

Winston praticamente não lembra de seu passado e trabalha publicando novas versões de notícias antigas, sempre de acordo com os interesses do governo. Sua vida passa a correr perigo, quando ele começa a sentir-se atraído por uma colega de trabalho (Susanna Hamilton), lembrando que o sexo é autorizado apenas para procriação. Ao mesmo tempo, um burocrata do partido do governo (Richard Burton) se aproxima de Winston, a princípio como um amigo, mas tendo como verdadeira intenção utilizar o sujeito como um instrumento político. 

O clássico livro de George Orwell escrito em 1949 se baseou no poder que líderes mundiais demonstraram naquela época. Carniceiros como Hitler e Stalin foram exemplos de figuras que controlavam as massas com apoio de uma elite repressora. Neste contexto, o controle do Estado sobre a população seria o ponto principal, situação que por mais de quarenta anos foi comum nos países comunistas e em outras ditaduras espalhadas pelo mundo. 

O filme é frio, o futuro mostrado é cinza e as pessoas parecem zumbis obedecendo cegamente as leis, sem questionamento algum. 

Vale destacar a atuação de um assustado e sofrido John Hurt e citar que este foi o último trabalho do grande Richard Burton, que faleceria no mesmo ano.  

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Regras do Brooklyn

Regras do Brooklyn (Brooklyn Rules, EUA, 2007) – Nota 7
Direção – Michael Corrente
Elenco – Freddie Prinze Jr., Scott Caan, Jerry Ferrara, Mena Suvari, Alec Baldwin.

Brooklyn, 1985, Mike (Freddie Prinze Jr.), Carmine (Scott Caan) e Bobby (Jerry Ferrara) são amigos desde a infância, que agora na vida adulta tem objetivos diferentes. Mike entrou para a universidade pensando em mudar sua vida, principalmente para sair do bairro. Bobby está prestes a se casar e pretende conseguir um emprego nos correios. Carmine é seduzido pela vida fácil de Máfia e passa a fazer pequenos serviços para Caesar (Alec Baldwin), o chefão do bairro. 

Uma briga com um mafioso em um restaurante coloca a vida dos amigos em perigo A situação fica ainda mais complicada com o posterior assassinato do “Chefe dos Chefes” da Máfia de Nova York. O fato transforma o Brooklyn em um palco de guerra entre bandidos. 

O roteiro de Terence Winter utiliza como pano de fundo a história real da guerra entre mafiosos ocorrida em 1985 após o assassinato de Paul Castellano, o chefe da Família Gambino, para contar uma história de amizade entre jovens que cresceram em um bairro marcado pela violência da Máfia. 

A amizade do trio principal é o ponto principal do longa. São três personagens com personalidades e objetivos diferentes, mas que são unidos pela amizade de uma vida inteira. Mesmo sem se aprofundar, a trama mostra como inocentes eram obrigados a conviver com bandidos e muitas vezes se tornavam alvos ou sofriam violência apenas por estarem no lugar errado na hora errada. 

Vale destacar a ótima trilha sonora com sucessos da época, a química entre o trio principal e um Alec Baldwin à vontade como o assustador Caesar. 

É um filme interessante indicado para quem gosta de dramas sobre amizade e também sobre a Máfia.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Ódiquê?

Ódiquê? (Brasil, 2004) – Nota 6,5
Direção – Felipe Joffily
Elenco – Alexandre Moretzsohn, Cauã Reymond, Dudu Azevedo, Leonardo Carvalho, Cássia Kiss, Henri Pagnoncelli.

Monet (Alexandre Moretzsohn), Tito (Cauã Reymond) e Duda (Dudu Azevedo) são três jovens da classe média carioca que planejam passar o carnaval em Arraial D’Ajuda na Bahia. O problema é que eles estão sem dinheiro e Monet é o único que trabalha, mas que pretende pedir demissão para viajar. 

O trio vê a chance de conseguir dinheiro se aproximando de Paulinho Tan Tan (Leonardo Carvalho), um playboy filho de deputado que gosta de se mostrar valentão. O quarteto encara uma verdadeira noite de loucuras que inclui drogas, armas, bebidas, traficantes, violência e até um sequestro. 

Em grande parte do filme, a proposta do diretor é mostrar uma juventude perdida, que não tem limite e não respeita pessoa alguma. Por este motivo, se torna estranho a reviravolta final que ameniza a atitude dos personagens, principalmente por ser num momento em que a tensão da narrativa está no seu auge. 

O filme também tem problemas no exagero das interpretações, apresentando personagens que são esteriótipos. O mais exagerado é Tito interpretado por Cauã Reymond, um jovem debochado, malandro e violento, que protagoniza uma das cenas mais canalhas da história do cinema, ao maltratar por duas vezes um flanelinha que é uma criança negra e deficiente. 

Os exageros citados e a escolha do diretor em deixar de lado na parte final a loucura proposta por quase toda a história, transformam, o filme em uma obra irregular.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo

Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World, EUA / Singapura / Malásia / Indonésia, 2012) – Nota 7,5
Direção – Lorene Scafaria
Elenco – Steve Carell, Keira Knightley, Connie Britton, Adam Brody, Rob Corddry, Martin Sheen, Mark Moses, Melanie Lynskey, William Petersen, Patton Oswalt, Derek Luke.

A última missão enviada para tentar deter um gigantesco asteroide que se aproxima da Terra falha. As autoridades avisam que a colisão deverá ocorrer dentro de trinta dias e a vida na Terra será dizimada. A falta de futuro é a senha para que cada pessoa decida fazer o que quiser. 

Neste contexto, Dodge (Steve Carell) vê sua esposa sair do carro e desaparecer dentro da noite. Diferente da maioria das pessoas que passam a cometer exageros que não teriam coragem em um mundo normal, Dodge sonha em encontrar alguém para viver seus últimos dias. Quando pessoas começam a saquear e destruir o bairro onde mora, Dodge foge junto com a jovem vizinha Penny (Keira Knightley), uma inglesa que gostaria de voltar ao seu país para reencontrar a família antes de morrer. Como última aventura, Dodge convence Penny a acompanhá-lo para reencontrar um velho amor da juventude, carregando a tiracolo um pequeno cão abandonado. 

O tema apocalipse geralmente resulta em filmes sobre caos, destruição e luta pela sobrevivência. Aqui, a grande sacada do roteiro está em mostrar as diferentes formas como as pessoas enfrentam o provável fim do mundo. Os protagonistas presenciam caos e violência, mas também passam por lugares e cruzam com pessoas que tentam viver seus últimos momentos festejando, bebendo, transando ou até mesmo mantendo a mesma rotina, como se não quisessem encarar a tragédia. 

É legal também ver que o personagem de Steve Carell é como uma espécie de espectador, que observa toda a loucura ao seu redor sem deixar que ela interfira em seu sonho. Não se pode deixar de destacar a sensível personagem interpretada pela bela Keira Knightley e a melancolia do âncora de tv vivido por Mark Moses. 

O resultado é um filme que tem o fim do mundo como tema principal, mas que faz o espectador pensar sobre a vida.

domingo, 5 de abril de 2015

Vício Inerente

Vício Inerente (Inherent Vice, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Paul Thomas Anderson
Elenco – Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Katherine Waterston, Joanna Newsom, Benicio Del Toro, Jena Malone, Reese Witherspoon, Martin Short, Peter McRobbie, Martin Donovan, Eric Roberts, Serena Scott Thomas, Maya Rudolph, Michael Kenneth Williams, Hong Chau.

Em 1970, na região de Gordina Beach na Califórnia, Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) é um hippie maconheiro que trabalha como investigador particular. Ao ser contratado por sua ex-namorada Shasta (Katherine Waterston) para investigar o desaparecimento de seu amante, o milionário Wolfmann (Eric Roberts), Doc se envolve numa maluca trama que envolve tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e prostituição. 

A premissa lembra os antigos filmes noir, porém fica nisso, o restante da história é um desfile de personagens excêntricos e situações malucas. Por mais que eu goste e reconheça o talento de Paul Thomas Anderson, neste trabalho o roteiro repleto de personagens e a trama rocambolesca resultam num filme arrastado, onde fica difícil manter o interesse durante as duas horas e meia de duração. 

A parte técnica é perfeita, com ótimos enquadramentos, com uma boa reconstituição de época nas roupas, nos carros e uma trilha sonora marcante, assim como a interpretação maluca de Joaquin Phoenix. 

O roteiro ainda brinca com situações comuns da época, como o preconceito contra os hippies, a liberdade sexual, as drogas e a proliferação de seitas na Califórnia dos anos sessenta e setenta. 

Infelizmente tudo isso fica um pouco perdido por causa do confuso roteiro. 

sábado, 4 de abril de 2015

A Classe

A Classe (Klass, Estônia, 2007) – Nota 8,5
Direção – Ilmar Raag
Elenco – Vallo Kirs, Part Uusberg, Lauri Pedaja, Paula Solvak, Mikk Magi, Riina Ries.

Em um colégio de uma cidade na Estônia, o tímido adolescente Joosep (Part Uusberg) é humilhado diariamente por seus colegas de classe, que são comandados pelo cruel Anders (Lauri Pedaja). Cansado de ver o garoto apanhar, outro aluno da classe, Kaspar (Vallo Kirs), decide tentar protegê-lo dos colegas, fato que dá início a uma verdadeira guerra dentro da escola. 

A princípio, a trama poderia ser comparada com “Elefante”, pois também é baseada em uma história real, porém diferente do filme de Gus Van Sant, que é um olhar pelo lado de fora da tragédia, este ótimo drama estoniano vai fundo nos conflitos diários, nas humilhações e na violência física e mental, resultando numa voadora no peito do espectador, assim como ocorre em uma das cenas mais impressionantes do longa. 

Este “A Classe” está muito mais próximo do ótimo e violento filme dinamarquês “Ondskan – Raízes do Mal”, dirigido pelo sueco Mikael Hafstrom, que mostrava a vida em um colégio interno onde o bullying era considerado uma tradição. 

Além da tensão psicológica da narrativa, o roteiro também mostra que a culpa pela violência adolescente deve ser dividida com todos os que estão ao redor destes jovens. Aqui vemos professores que não sabem como agir com a situação. Alguns fazem vistas grossas, enquanto outros se preocupam apenas com os conflitos em sua aula, fato que fica claro nas brigas nos corredores e arredores do colégio, onde adulto algum se interessa pelo que está acontecendo. A diretora tranquila em sua sala, totalmente fora da realidade do colégio e os pais que não tem preparo algum para lidar com os filhos, ajudam no caos que se torna a relação entre os adolescentes. 

É interessante a escolha do diretor Ilmar Raag em dividir a história em alguns dias, utilizando para cada um deles uma frase que simboliza o que irá ocorrer. 

Poucas vezes o cinema mostrou o bullying e suas consequências de forma tão cruel como neste filme.