terça-feira, 24 de abril de 2018

O Mecanismo

O Mecanismo (Brasil, 2018)
Criador – José Padilha
Elenco – Selton Mello, Caroline Abras, Enrique Diaz, Jonathan Haagensen, Otto Jr, Lee Taylor, Antonio Saboia, Leonardo Medeiros, Giulio Lopes, Sura Berditchevsky, Arhur Kohl.

A Operação Lava Jato escancarou a verdadeira face do Brasil. O maior escândalo de corrupção da história deste país é detalhado com maestria nesta série criada por José Padilha. 

Com os nomes dos personagens alterados, mas facilmente identificados com as pessoas reais, o roteiro de Padilha mostra ponto a ponto como a operação desmantelou (e ainda está desmantelando) um esquema de corrupção bilionário que levou o país a uma crise econômica e criou um verdadeiro clima de guerra entre a população. 

Um dos grandes acertos de Padilha foi imprimir uma narrativa típica de filme policial, explorando a chamada “liberdade artística” para colocar como “heróis” dois policiais obcecados vividos pelo ótimo Selton Mello e pela surpreendente Caroline Abras. 

O personagem de Selton Mello é a alma da série. Sua narração em off descreve a desesperança de um policial que deseja combater a corrupção, mas que precisa enfrentar obstáculos até mesmo entre seus superiores. Sua descrição da corrupção no país como sendo um câncer é perfeita. Os braços da corrupção se estendem do mais alto posto do país, chegando até o funcionário da prefeitura que precisa tapar um buraco na rua. 

É uma série que chegou para registrar este momento histórico, que pode ser o início de um país melhor, mesmo que isso ainda demore muitos anos ou talvez algumas gerações. 

Agora é esperar pela segunda temporada.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Trailers ou Resumos de Filmes?

Quando comecei a frequentar cinema em meados dos anos oitenta, os trailers eram praticamente o único caminho para os cinéfilos descobrirem quais filmes chegariam ao país nas próximas semanas ou nos próximos meses. Não existiam revistas de cinema ou programas sobre o tema.

A situação mudou somente em 1987 quando a revista Set foi lançada, bem no meio da explosão do VHS, que por seu lado traziam diversos trailers de filmes novos e também antigos que por vários motivos nunca haviam chegado ao país de forma oficial. A revista e os trailers das fitas se tornaram uma nova fonte de informação para o cinéfilo.

Com o passar dos anos, os trailers foram sendo produzidos de uma forma muito mais elaborada, inclusive criando cenas promocionais que não estão no filme e vários outros tipos de jogadas de marketing para chamar a atenção do público. O problema é que muitos trailers se transformaram em resumos de filmes, o que me irrita profundamente.

Entendo que existe um público enorme que adora trailers. Os fãs das grandes franquias aguardam ansiosamente qualquer nova cena que é divulgada e parecem não se preocupar em saber a história inteira antes de assistir ao filme. Fui ao cinema neste final de semana e durante os trailers vi praticamente inteiro o filme brasileiro “Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos” em que Edson Celulari interpreta um deficiente visual. Qual a motivação para ver um filme após conferir um trailer que conta toda a história de forma linear? Na minha opinião é Zero.

Isso é muito semelhante ao que ocorre com as novelas. As pessoas compram revistas de fofoca e procuram em sites todas as informações do próximo capítulo. Eu pergunto, onde fica o fator surpresa? Por mais que eu veja uma quantidade grande de filmes e muitas vezes histórias semelhantes, o prazer está em se surpreender a cada cena ou pelo menos com o final, mesmo que ele não seja satisfatório.

Esta questão dos trailers contando um filme inteiro explica um pouco o desejo do grande público em ver continuações e remakes. Muitos preferem ver o que já conhecem do que experimentar o novo. Isso se aplica a diversas situações também na TV. Por isso que programas de auditório, novelas e debates de futebol continuam tendo audiência, apesar do formato jurássico de cada um deles.

domingo, 22 de abril de 2018

Vírus & Pontypool


Vírus (Carriers, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – David & Alex Pastor
Elenco – Lou Taylor Pucci, Chris Pine, Piper Perabo, Emily VanCamp, Christopher Meloni, Kiernan Shipka, Mark Moses.

Um vírus desconhecido transmitido pelo sangue e pela saliva está dizimando a população. Os irmãos Danny (Lou Taylor Pucci) e Brian (Chris Pine) fogem de carro com Bobby (Piper Perabo) e Kate (Emily VanCamp) em direção a uma praia isolada onde eles passavam férias quando crianças. Na estrada, ao cruzar o caminho de um pai (Christopher Meloni) que tenta salvar a filha doente (Kiernan Shipka), a situação fica ainda mais complicada. 

O roteiro escrito pelos irmãos espanhóis David e Alex Pastor explora um fio de história. Tudo se resume a um road movie em que os protagonistas tentam chegar ao destino antes de serem contaminados. Conflitos, decisões erradas e tragédias são os ingredientes. A curta duração atrapalha um melhor desenvolvimento da trama e dos personagens, mesmo entendendo que as cenas de suspense são bem construídas. 

É basicamente um filme independente sobre o apocalipse que não consegue explorar todo o potencial da premissa.

Pontypool (Pontypool, Canadá, 2008) – Nota 5
Direção – Bruce McDonald
Elenco – Stephen McHattie, Lisa Houle, Georgina Reilly, Hrant Alianak.

Pontypool, Canadá. Grant Mazzy (Stephen McHattie) é um radialista cansado da rotina da pequena cidade que procura algo diferente para esquentar o programa. Quando um repórter entra ao vivo informando que algumas pessoas estão agindo de forma violenta, Mazzy vê a chance de mudar o patamar do programa, enquanto sua produtora (Lisa Houle) acredita que seja um caso isolado. Novos focos de violência estouram pela região e aos poucos radialista, produtora e assistente (Georgina Reilly) descobrem que estão sitiados na rádio. 

A premissa de explorar o apocalipse através de uma infecção desconhecida é um dos temas mais batidos dos últimos anos. Mesmo assim, um pouco de criatividade sempre pode render um bom filme. Nesta caso a história começa interessante, principalmente pelo carisma do protagonista vivido pelo estranho Stephen McHattie, porém aos poucos o filme vai perdendo força, mesmo com algumas cenas violentas. A explicação que surge para enfrentar a infecção é uma das mais idiotas da história do cinema. 

O resultado é uma perda de tempo para o espectador.

sábado, 21 de abril de 2018

Mar de Fogo

Mar de Fogo (Hidalgo, EUA / Marrocos, 2004) – Nota 7
Direção – Joe Johnston
Elenco – Viggo Mortensen, Omar Sharif, Zuleikha Robinson, Louise Lombard, Said Taghmaoui, Adam Alexi Malle, Silas Carson, J. K. Simmons, Peter Mensah, Floyd Red Crow Westerman.

Em 1890, Frank Hopkins (Viggo Mortensen) trabalha no famoso circo de Buffalo Bill Cody (J. K. Simmons). Frank é conhecido por ter vencido longas corridas no deserto com seu cavalo Hidalgo. Ele também sofre por não poder ajudar a tribo de índios a qual pertencia sua mãe. 

Sua fama e a de seu cavalo chamam a atenção de um sheik (Omar Sharif), que o convida para participar de uma corrida de cinco mil quilômetros pelo deserto do Saara. Em busca do dinheiro para ajudar a tribo, Frank aceita o desafio que pode inclusive lhe custar a vida. 

Baseado numa história real, este longa produzido pela Touchstone, o braço de filmes adultos da Disney, segue o estilo das aventuras dos anos oitenta, misturando ideias de “O Corcel Negro”, “A Joia do Nilo” e os filmes de Indiana Jones. 

O nível é um pouco inferior aos longas citados, principalmente por se alongar demais na história e pelos efeitos especiais ruins. As cenas da tempestade de areia e do ataque dos gafanhotos deixam a desejar. 

Vale destacar Viggo Mortensen à vontade como o protagonista aventureiro e o veterano Omar Sharif relembrando seus tempos de astro. 

O resultado é uma divertida sessão da tarde.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Zoológico de Varsóvia

O Zoológico de Varsóvia (The Zookeeper’s Wife, República Tcheca / Inglaterra / EUA, 2017) – Nota 7
Direção – Niki Caro
Elenco – Jessica Chastain, Johan Heldenberg, Daniel Bruhl, Timothy Radford, Efrat Dor, Iddo Goldberg, Shira Haas, Michael McElhatton.

Varsóvia, Polônia, 1939. Jan (Johan Heldenberg) e Antonina Zabinska (Jessica Chastain) são os proprietários do zoológico local. Mesmo preocupados com a provável invasão do nazistas, eles decidem ficar na cidade. A invasão ocorre e os nazistas tomam conta do zoológico, utilizando o local como posto do exército. 

O zoólogo alemão Lutz Heck (Daniel Bruhl), que antes da guerra era amigo dos Zabinski, retorna para cidade como oficial nazista e leva a maioria dos animais para a Alemanha. Acuados e vendo seus amigos judeus sendo perseguidos, Jan e Antonina decidem utilizar o zoológico como refúgio para ajudá-los, mesmo colocando as próprias vidas em risco. 

Baseado em mais uma história real sobre resistência ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, este longa tem como destaques a interpretação do trio principal e a própria inusitada história da utilização do zoológico como esconderijo. 

As sequências no gueto dos judeus de Varsóvia também são bem produzidas. Mesmo com algumas cenas emotivas, inclusive com os animais e outras de suspense, o filme não chega a empolgar como outras obras do gênero. 

É interessante citar a pequena participação de um famoso personagem histórico. Em algumas sequências no gueto o personagem de Jan encontra o Dr. Korczak, que dedicou sua vida a cuidar de órfãos e que morreu no campo de concentração de Treblinka. Para quem tiver interesse em saber mais sobre esta história, procure no Youtube o documentário “As 200 Crianças do Dr. Korczak”.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Supremacia

Supremacia (Supremacy, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Deon Taylor
Elenco – Joe Anderson, Danny Glover, Dawn Olivieri, Derek Luke, Evan Ross, Lela Rochon, Mahershala Ali, Julie Benz, Nick Chinlund, Robin Bobeau, Anson Mount.

Após cumprir uma pena de quinze anos, Garrett Tully (Joe Anderson) é libertado. Ele faz parte de uma irmandade racista que prega a supremacia branca. O líder do grupo enviou a viciada Doreen (Dawn Olivieri) para buscar Tully. 

No trajeto de volta para casa, o carro é parado por um policial negro (Mahershala Ali). Tully mata o policial e os dois fogem. Perseguidos pela polícia, Tully e Doreen invadem uma casa e tomam como refém uma família de negros. O dono da casa, Mr. Walker (Danny Glover), é também um ex-presidiário que tenta acalmar a situação. 

Baseado numa história real, este longa é um daqueles exemplos de como desperdiçar uma premissa forte. O filme não chega a ser ruim, mas peca em alguns aspectos. O elenco é fraco, apenas o veterano Danny Glover consegue entregar uma boa atuação. Algumas situações também parecem exageradas, como por exemplo a forma com que os policiais são avisados. 

O ponto positivo é o clima de desespero dentro da casa e as sequências em flashback que mostram um pouco de como pensam os dois bandidos. 

É um material que renderia um filme explosivo nas mãos de um cineasta mais talentoso e um elenco melhor.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Corte

A Corte (L’Hermine, França, 2015) – Nota 6,5
Direção – Christian Vincent
Elenco – Fabrice Luchini, Sidse Babett Knudsen, Eva Lallier, Victor Pontecorvo.

Michel Racine (Fabrice Luchini) é um juiz criminal visto como chato pelos colegas de trabalho. Tratado com respeito pela frente e desprezado pelas costas, Michel enfrenta ainda a separação da esposa e uma terrível gripe que o atinge no dia em que começa o complicado julgamento de um sujeito (Victor Pontecorvo) acusado de assassinar a filha que ainda era bebê. 

Durante a escolha dos jurados, Michel se surpreende ao sortear Ditte (Sidse Babbet Knudsen), uma bela mulher que ele demonstra conhecer de alguma forma. Aos poucos, o espectador descobre qual a relação entre Michel e Ditte, além de tentar entender se realmente o acusado cometeu o crime. 

No início do julgamento fica a impressão de que a história seguiria a linha clássica de filmes do gênero, como o sensacional “Doze Homens e uma Sentença”, porém logo a narrativa se divide entre as sequências no tribunal e a complexa relação entre juiz e jurada. 

Infelizmente o filme perde um pouco o foco quando descobrimos a ligação entre os protagonistas. A partir daí, a história não vai para lugar algum, terminando ainda de forma fria. 

É um filme que pode interessar apenas quem tiver a curiosidade de conhecer como funciona um julgamento criminal na França.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Premonições & Dominação


Premonições (Premonition, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Menna Yapo
Elenco – Sandra Bullock, Julian McMahon, Shyann McClure, Courtney Taylor Burness, Nia Long, Kate Nelligan, Amber Valletta, Peter Stormare, Marc Macaulay.

Linda Hanson (Sandra Bullock) leva uma aparente vida perfeita numa casa de subúrbio ao lado do marido Jim (Julian McMahon) e das duas filhas (Shyann McClure e Courtney Taylor Burness). Tudo vira de ponta cabeça quando um policial avisa que Jim faleceu em umacidente de automóvel.

O desespero e a tristeza se transformam em incredulidade quando no dia seguinte Linda acorda e descobre que Jim está vivo e que sua vida está normal. A vida antes e depois da morte do marido se repete nos dias posteriores e ela não sabe se está vivendo a realidade, um sonho ou tendo premonições. 

O roteiro segura bem o filme até a metade da história, deixando o espectador em dúvida sobre o que está realmente acontecendo. Infelizmente na metade final a trama cai no absurdo. As idas e vindas na vida da protagonista escondem alguns furos na história, lembrando o estilo das produções para tv. 

O final faz o espectador se é possível alterar nosso destino ou se ele já está traçado. 

Dominação (Lost Souls, EUA, 2000) – Nota 5
Direção – Janusz Kaminski
Elenco – Winona Ryder, Ben Chaplin, John Hurt, Philip Baker Hall, Elias Koteas, John Diehl, Alfre Woodard, John Beasley, Sarah Wynter, Brad Greenquist.

Quando jovem, Maya (Winona Ryder) foi possuída por um espírito maligno e salva através de um exorcismo. Tempos depois, ela auxilia o padre Laroux (John Hurt) e o diácono John Townsend (Elias Koteas) para exorcizar um sujeito (Brad Greenquist). A terrível sessão afeta o padre que entra em coma profundo.

Maya encontra na casa do homem um manuscrito indicando que o escritor Peter Kelson (Ben Chaplin) seria o escolhido para ser possuído pelo anticristo. Ela procura Kelson e juntos tentam decifrar se os escritos podem ser tornar realidade. 

O famoso fotógrafo polonês Janusz Kaminski estreou na direção deste longa que prometia ser assustador ao explorar uma premissa semelhante ao clássico “O Exorcista”. Infelizmente Kaminski erra a mão na narrativa irregular repleta de tempos mortos e na falta de sustos até mesmo no esperado clímax. 

É um filme para passar longe.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Guerra

Guerra (Krigen, Dinamarca / França, 2015) – Nota 7,5
Direção – Tobias Lindholm
Elenco – Pilou Asbaek, Tuva Novotny, Soren Malling, Dar Salim.

No Afeganistão, um esquadrão de soldados dinamarqueses tem a missão de manter a paz em uma região onde o homens do Talibã ainda assustam os moradores. 

Claus Michael Pedersen (Pilou Asbaek) é o líder que precisa ter jogo de cintura para resolver os problemas e manter a motivação dos soldados. 

Um determinado fato leva o oficial a responder um processo. Ao ser enviado de volta para Dinamarca, ele precisa se defender em corte, sempre com o apoio da esposa (Tuva Novotny). 

São quases dois filmes em um. A primeira hora foca nas missões dos soldados que precisam enfrentar o inimigo e nas consequências destes confrontos, inclusive no abalo psicológico que atinge aqueles que vivenciaram a violência da guerra. 

Na parte final o longa se transforma num drama de tribunal que coloca em discussão a questão da ética na guerra e também a difícil pergunta de como julgar os atos de alguém que foi enviado para lutar num local isolado sendo obrigado a reagir para sobreviver ou salvar seus companheiros. O absurdo da guerra se torna surreal num julgamento deste tipo. 

O diretor Tobias Lindholm acerta a mão nas sequências de ação extremamente realistas e também nas discussões do julgamento, sempre com uma narrativa sóbria. 

Como curiosidade, o diretor Lindholm e os atores Pilou Asbaek, Soren Malling e Dar Salim trabalharam juntos no longa “Sequestro” em 2012.

domingo, 15 de abril de 2018

Numa Fria

Numa Fria (The Convincer ou Thin Ice, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Jill Sprecher
Elenco – Greg Kinnear, Alan Arkin, Billy Crudup, David Harbour, Bob Balaban, Lea Thompson, Peter Thoemke.

Mickey (Greg Kinnear) é um vendedor de seguros desonesto e falido que vive na gelada Kenosha em Wisconsin. Ele contrata um funcionário (David Harbour) para vender apólices na região. O sujeito termina por fazer amizade com um idoso quase senil (Alan Arkin), que a princípio não deseja adquirir seguro algum. 

Por acaso, Mickey descobre que o idoso tem em seu poder um valioso violino. Desesperado para conseguir dinheiro, Mickey acredita que possa enganar o homem. É o início de uma série de confusões que envolvem ainda um vizinho do idoso (Peter Thoemke), um instalador de alarmes (Billy Crudup) e um restaurador de violinos (Bob Balaban). 

O cartaz e a premissa lembram um pouco o sensacional “Fargo”, porém diferente do longa dos irmãos Cohen, aqui a trama não é tão violenta, focando mais na comédia através dos erros cometidos pela ganância do protagonista e pelos impagáveis Alan Arkin como o idoso confuso e Billy Crudup interpretando um sujeito descontrolado. O roteiro ainda reserva uma divertida reviravolta. 

É uma comédia bem amarrada que faz rir pelas situações absurdas.

sábado, 14 de abril de 2018

Ali

Ali (Ali, EUA, 2001) – Nota 7
Direção – Michael Mann
Elenco – Will Smith, Jamie Foxx, Jon Voight, Mario Van Peebles, Ron Silver, Jeffrey Wright, Mykelti Williamson, Jada Pinkett Smith, Nona Gaye, Michael Michele, Joe Morton, Paul Rodriguez, Bruce McGill, Barry Shabaka Henley, Giancarlo Esposito, Laurence Mason, LeVar Burton, Albert Hall, Ted Levine.

O boxeador Muhammad Ali é considerado um dos maiores atletas da história do esporte americano e também um dos mais controversos. O diretor Michael Mann escolheu contar fatos importantes que ocorreram na carreira e na vida pessoal do boxeador durante o período de 1964 a 1974. 

O filme começa com a preparação de Ali para a disputa do título mundial contra Sonny Liston. Ali ainda utilizava seu nome de batismo Cassius Clay. O roteiro detalha a ligação de Ali com Malcolm X (Mario Van Peebles), com a Nação do Islã, seus dois casamentos no período (Jada Pinkett Smith e Nona Gaye), o processo que enfrentou do governo por se negar a se apresentar ao exército, a derrota para Joe Frazier e por fim a famosa luta contra George Foreman no antigo Zaire, luta que ficou conhecida como “Rumble in the Jungle”. 

Por mais que a narrativa seja correta e as cenas de lutas até interessantes, o filme não chega a engrenar e nem se aprofunda em várias situações. Muita coisa fica no ar, como a forma em que a Nação do Islã se aproveita da fama de Ali, inclusive na questão financeira, as infidelidades conjugais do lutador que vem à tona apenas numa discussão na parte final e a escolha de deixar de lado até mesmo nos créditos finais a questão da doença que o acometeu por mais de trinta anos, até sua morte em 2016.  

É um filme que vale como registro do período mais importante na vida profissional do lutador, mas passa longe de ser marcante.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Inverno Rigoroso & Walking Out


Inverno Rigoroso (Edge of Winter, Canadá / EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Rob Connolly
Elenco – Joel Kinnaman, Percy Hynes White, Tom Holland, Rachelle Lefevre, Rossif Sutherland, Shiloh Fernandez, Shaun Benson.

Numa pequena cidade do Canadá, Elliott (Joel Kinnaman) é um sujeito desempregado e divorciado. Em um final de semana, sua ex-esposa deixa os dois filhos adolescentes (Percy Haines White e Tom Holland) aos seus cuidados. Tentando criar um laço, Elliott leva os garotos para uma região gelada e afastada para aprenderem a atirar. Um acidente deixa pai e filhos presos em meio ao frio, precisando encontrar um abrigo. 

Os pontos altos do filme são a premissa que foca na desconfortável relação entre pais e filhos adolescentes que não convivem e nas belas paisagens naturais da floresta gelada. O drama funciona até a metade do longa, mas infelizmente a parte final se transforma num suspense com toques de loucura. A atuação do canastrão Joel Kinnaman entrega rapidamente o que iria acontecer. 

Vale citar a participação do então desconhecido garoto Tom Holland, que em seguida foi escolhido para viver o Homem-Aranha na recente versão do personagem. 

Fica claro que o material tinha potencial para um filme bem melhor. 

Walking Out (Walking Out, EUA, 2007) – Nota 6
Direção – Alex Smith & Andrew J. Smith
Elenco – Matt Bomer, Josh Wiggins, Bill Pullman, Alex Neustaedter.

Depois de um ano vivendo no Texas com a mãe, o adolescente David (Josh Wiggins) vai para o Alasca reencontrar o pai Cal (Matt Bomer). Não demora para as diferenças virem à tona. Cal deseja e consegue levar o filho para caçar em uma montanha gelada e isolada. Mais para agradar ao pai do que por vontade própria, o urbano David aceita enfrentar a aventura. Uma fato inesperado ocorre e o dois precisarão lutar contra a natureza para sobreviver. 

O filme foca na sua primeira parte nas diferenças entre pai e filho e na sua metade final tem como ponto principal o drama pela sobrevivência. Os diretores inserem ainda flashbacks onde o pai conta para o filho sua relação com o avô (Bill Pullman), quando este o ensinou a caçar. 

É uma pena que a narrativa seja arrastada. O dramas dos protagonistas e as belas paisagens naturais são pouco para manter o interesse na história.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Nick & Nora: Uma Noite de Amor e Música

Nick & Nora: Uma Noite de Amor e Música (Nick and Norah’s Infinite Playlist, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Peter Sollett
Elenco – Michael Cera, Kat Dennings, Aaron Yoo, Rafi Gavron, Ari Graynor, Alexis Dziena, Jonathan B. Wright, Zachary Boot, Jay Baruchel.

Nick (Michael Cera) é o guitarrista de uma banda independente que está sofrendo por ter sido dispensado pela namorada (Alexis Dziena). Ele monta coletâneas de músicas em CDs, envia para ex que joga no lixo da escola e que termina recolhido por outra garota, Norah (Kat Dennings), que adora as músicas. 

Numa certa noite, Nora e sua amiga maluca Caroline (Ari Graynor) vão para um bar em Nova York e encontram a banda de Nick tocando. Uma determinada situação faz com que Nick e Norah se aproximem. É o início de uma agitada jornada pela madrugada de Nova York. 

Este simpático longa mistura uma história de amor adolescente com pitadas de aventura noturna que lembra filmes divertidos dos anos oitenta como “Depois de Horas” e “Uma Noite de Aventuras”, tudo isso embalado por uma ótima trilha sonora. 

Não é uma comédia para dar gargalhadas, muitos menos um drama adolescente, na verdade é um filme sobre a descoberta da paixão e também sobre como aproveitar a vida. A química entre Michael Cera e Kat Dennings ajuda bastante. São dois personagens que parecem pessoas reais, com virtudes e defeitos, mas longe dos adolescentes afetados comuns aos filmes do gênero. 

É basicamente uma sessão de tarde de qualidade.  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Waco

Waco (Waco, EUA, 2018) – Nota 8
Direção – John Erick Dowdle & Drew Dowdle
Elenco – Michael Shannon, Taylor Kitsch, Paul Sparks, Andrea Riseborough, Rory Culkin, Shea Whigham, John Leguizamo, Melissa Benoist, Julie Garner, Camryn Manheim, Glenn Fleshler, Eric Lange.

No início de 1993, a ATF, agência do governo americano responsável pelo controle de tabaco, bebidas e armas está pressionada após um terrível erro no caso conhecido como “Ruby Ridge” no ano anterior, quando um supremacista branco teve sua esposa e filho assassinados durante um confronto. 

Para tentar mostrar eficiência no trabalho e limpar o nome da agência, os chefes da ATF escolhem um novo alvo a ser investigado. Na pequena cidade de Waco no Texas, um grupo denominado Ramo Davidiano vive sob a liderança de David Koresh (Taylor Kistch), um sujeito que acredita ser um enviado de Deus. 

O que chama atenção da ATF é a compra de muitas armas por parte do grupo. Um grupo de agentes tenta entrar no rancho em busca das armas, porém um confronto se inicia, mortes acontecem e o local termina cercado pelo FBI durante cinquenta e um dias. 

Esta minissérie em seis episódios é baseada em dois livros sobre a tragédia de Waco. Um deles foi escrito pelo negociador do FBI Gary Noesner, interpretado por Michael Shannon, que fez todo o possível para tentar evitar a tragédia. O segundo livro é de autoria de David Thibodeau, papel de Rory Culkin, que viveu com o grupo de Koresh e foi um dos sobreviventes. 

A minissérie acerta em cheio ao detalhar os eventos de uma forma sóbria e principalmente humanizar os envolvidos. Koresh era um maluco que tinha várias esposas, mais de dez filhos, proibia os seguidores de fazer sexo e esperava uma espécie de apocalipse. 

Uma das acusações a Koresh era sobre abuso sexual de crianças, o que nunca foi provado. A minissérie deixa claro que ele tinha esposas menores de idade, porém a lei do Texas na época autorizava o casamento a partir do catorze anos. 

Existem várias versões sobre o que realmente ocorreu. A única certeza é que uma sucessão de erros e absurdos levaram à tragédia.