terça-feira, 21 de outubro de 2014

Padre & Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros


Padre (Priest, EUA, 2011) – Nota 5,5
Direção – Scott Stewart
Elenco – Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q, Lily Collins, Brad Dourif, Stephen Moyer, Christopher Plummer, Alan Dale, Madchen Amick.

Num futuro pós-apocalíptico, as cidades estão sob o domínio da Igreja, que comanda com mão de ferro após ter vencido a guerra contra os vampiros. A Igreja treinou padres guerreiros que derrotaram os vampiros e acredita que estes não mais existem. Tudo muda quando um padre (Paul Bettany) é avisado por um xerife (Cam Gigandet) que sua sobrinha fora raptada por vampiros em um local no interior. O padre tenta liberação para buscar a sobrinha, porém é negada pelo Monsenhor (Christopher Plummer). Assim ele decide romper com a Igreja e parte em busca da garota com a ajuda do xerife. 

Baseado em um mangá, esta ficção tem uma premissa interessante ao criar um guerra entre padres e vampiros, porém pouco se salva no desenvolvimento da trama. O roteiro e os diálogos são repletos de clichês, sendo os mais previsíveis possíveis. As cenas de ação que poderiam ajudar, também não são grande coisa, pelo menos para o meu gosto. Estas sequências são exageradas, seguindo o estilo “videogame” comum a muitos longas de ficção atuais. 

O final dá margem a uma continuação, porém não acredito que saia do papel.  

Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter, EUA, 2012) – Nota 6
Direção – Timur Bekmambetov
Elenco – Benjamin Walker, Dominic Cooper, Anthony Mackie, Mary Elizabeth Winstead, Rufus Sewell, Marton Csokas, Jimmi Simpson.

No início do século XIX, o futuro presidente americano Abraham Lincoln é um garoto que vê sua mãe ser assassinada por um traficante de escravos (Marton Csokas). Uma década depois, Lincoln (interpretado por Benjamin Walker) ainda planeja se vingar da morte da mãe, sem saber que seu alvo é na verdade um vampiro. O inexperiente Lincoln acaba salvo por Henry Sturges (Dominic Cooper), que se apresenta como um caçador de vampiros e se torna uma espécie de mentor para o jovem. Henry treina Lincoln para enfrentar os vampiros, com a condição de que ele espere o momento certo para a vingança. 

Baseado em uma graphic novel, este longa também tem uma interessante premissa ao transformar o mito Abraham Lincoln em herói de ação e fazer um paralelo com a história americana ao mostrar os escravagistas do sul como vampiros. 

A primeira hora prende a atenção com o desenvolvimento do personagem de Lincoln e seu namoro como Mary Todd (Mary Elizabeth Winstead), porém na segunda parte o roteiro desanda na confusa passagem de tempo, quando a história pula vinte ou trinta anos sem explicação e nas cenas de ação exageradas, principalmente o absurdo climax. 

Nesta segunda parte vem à tona o estilo histriônico do diretor russo Timur Bekmambetov, responsável por filmes exagerados como “Guardiões da Noite” e “Guardiões do Dia”.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Mudança de Hábito

Mudança de Hábito (Sister Act, EUA, 1992) – Nota 6
Direção – Emile Ardolino
Elenco – Whoopi Goldberg, Maggie Smith, Harvey Keitel, Bill Nunn, Lori Petty, Kathy Najimi, Wemdy Makkena, Richard Portnow.

Deloris (Whoopi Goldberg) trabalha como cantora em um casino em Las Vegas e namora o chefão do local, o violento Vince LaRocca (Harvey Keitel). Quando por acaso Deloris testemunha Vince assassinando um sujeito, ela foge e pede ajuda à polícia antes de ser assassinada também. 

Para manter Deloris a salvo antes de levar Vince a julgamento, o FBI decide escondê-la em um convento, mesmo a contragosto da madre superiora (Maggie Smith), que aceita com uma condição: Deloris terá de agir como freira e não revelar sua verdadeira identidade para as outras freiras. Lógico que a agitada e desbocada cantora arrumará diversas confusões no local. 

Esta despretensiosa comédia se tornou um grande sucesso de bilheteria graças ao desempenho de Whoopi Goldberg, que com seu jeito espontâneo fez o espectador dar algumas boas risadas. Whoopi estava no melhor momento da carreira, logo após ter se transformado em estrela por seu papel em Ghost. 

O filme em si é não é grande coisa, a trama é fraca, repleta de clichês e o final forçado, o que vale é a interpretação de Whioopi. 

O sucesso gerou uma inevitável sequência, sem o mesmo sucesso. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum

Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, EUA / Inglaterra / França, 2013) – Nota 8
Direção – Joel & Ethan Cohen
Elenco – Oscar Isaac, Carey Mulligan, Justin Timberlake, John Goodman, Garrett Hedlund, Ethan Phillips, Robin Bartlett, Max Casella, Jerry Grayson, Jeanine Serralles, Adam Driver, Stark Sands, F. Murray Abraham.

Nova York, inverno de 1961, Llewyn Davis (Oscar Isaac) é um cantor de música folk que não sabe qual caminho seguir após a morte do amigo com quem fazia dupla. Sua vida está um caos, ele não tem dinheiro, toda noite procura a casa de alguma pessoa conhecida para dormir e sua carreira está estagnada. 

A proposta dos irmãos Cohen aqui foi mostrar a vida de um talentoso perdedor, do sujeito que poderia ter uma bela carreira, mas que se torna vítima do destino, em seguida se perde completamente em decisões equivocadas e na falta de coragem para assumir responsabilidades. 

A trajetória do cantor é contada através da relação com diversos personagens que cruzam seu caminho. Temos o casal de cantores Jean e Jim (Carey Mulligan e Justin Timberlake), os intelectuais pais de seu parceiro morto (Ethan Phillips e Robin Bartlett), sua irmã dona de casa (Jeanine Serralles), o canalha dono da casa de shows (Max Casella) e o empresário picareta (Jerry Grayson). 

Entre todos os coadjuvantes, o destaque fica por conta de John Goodman, que interpreta um veterano e arrogante músico de jazz, que está no fundo do poço, mas que ainda faz de tudo para se mostrar superior. 

Com participações em vários filmes dos irmãos Cohen, coloco John Goodman ao lado de Bill Murray como dois comediantes que conseguiram se reinventar na carreira através de personagens que misturam comédia com melancolia, fazendo rir da própria tristeza e das frustrações. 

Por sinal, para amenizar a melancolia da trama, o toque de comédia dado pelos irmãos Cohen é fundamental para criar um filme agradável, sem exageros. 

Estou longe de ser especialista em música folk, posso citar apenas Bob Dylan e Joan Baez, mas reconheço que a trilha sonora aqui é sensacional, a melancolia das canções interpretadas pelo próprio Oscar Isaac se casa perfeitamente com a trama. 

A interpretação de Oscar Isaac é outro grande acerto, ele que também é cantor é já interpretou papel semelhante em “10 Anos de Pura Amizade”, tem aqui seu melhor trabalho na carreira até agora. 

Como curiosidade, os irmãos Cohen utilizaram livremente o clássico “A Odisséia” de Homero como premissa do divertido “E Aí Meu Irmão, Cadê Você?” e aqui a jornada de Llewyn Davis novamente tem o clássico como referência, inclusive  no nome do gato que tem papel importante na trama. O bichano é batizado de Ulisses, mesmo nome do herói de “A Odisséia”.

sábado, 18 de outubro de 2014

À Procura

À Procura (The Captive, Canadá, 2014) – Nota 7
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Ryan Reynolds, Scott Speedman, Rosario Dawson, Mireille Enos, Kevin Durand, Alexia Fast, Bruce Greenwood, Peyton Kennedy.

Em Niagara Falls no Canadá, Matthew (Ryan Reynolds) estaciona sua caminhonete para comprar uma torta em uma lanchonete na beira da estrada, deixando sua filha Cass (Peyton Kennedy) no banco traseiro. Ele demora menos de cinco minutos no estabelecimento e quando retorna percebe que Cass desapareceu. 

Matthew procura a polícia e se torna suspeito aos olhos do detetive Jeffrey (Scott Speedman), enquanto a detetive Nicole (Rosario Dawson) se mostra apreensiva com a situação. Ao mesmo tempo, sua esposa Tina (Mireille Enos) o culpa pelo sumiço da filha. Apenas oito anos depois, a dupla de detetives descobre uma pista do paradeiro de Cass, fato que dá nova esperança ao casal, que mesmo ainda vivendo junto, se distanciaram por causa da culpa e do sofrimento. 

Os filmes do diretor Atom Egoyan (“Exótica”, “A Verdade Nua”) geralmente apresentam uma narrativa fria, com personagens que sofrem com segredos, tragédias ou situações mal resolvidas. É o caso de “À Procura”, que começa de forma instigante, apresentando o desaparecimento da criança e posteriormente criando idas e vindas na trama para o espectador entender o que realmente aconteceu. 

O diretor acerta também em não esconder o vilão e ao desenvolver a crise no casamento dos pais da criança em paralelo com o envolvimento romântico entre os detetives, porém algumas situações do roteiro deixam a desejar. 

A citada frieza da narrativa também incomoda, em alguns momentos a trama parece não sair do lugar e em outros alguns personagens somem por muito tempo da tela. 

O resultado é um filme mediano, sem grandes cenas de ação ou suspense, que se apoia no drama para manter o interesse do espectador.

Como informação, a trama é livremente baseada numa história real ocorrida no Canadá.

domingo, 12 de outubro de 2014

No Limite do Amanhã

No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, EUA / Austrália, 2014) – Nota 8
Direção – Doug Liman
Elenco – Tom Cruise, Emily Blunt, Brendan Gleeson, Bill Paxton, Noah Taylor, Jonas Armstrong, Tony Way, Kick Gurry, Franz Dameh, Dragomir Mrsic, Charlote Riley.

De uma forma engraçadinha, o filme pode ser definido como uma mistura de “Feitiço do Tempo” com “Guerra dos Mundos”. O que pode parecer bizarro, resulta num interessante filme de ação, com efeitos especiais de primeira e uma história bem bolada, mesmo com pequenos furos no roteiro e um final duvidoso. 

A trama começa como o oficial Cage (Tom Cruise) chegando em Londres, onde uma espécie de coalizão mundial se prepara para uma ofensiva contra os invasores alienígenas que tomaram grande parte da Europa. No local, Cage encontra o General Brigham (Brendan Gleeson), que o surpreende informando que sua a missão é registrar o ataque da coalização ao vivo, o que ele não aceita. 

Cage é na verdade um publicitário especialista em fazer propaganda para o exército, que jamais foi treinado para ser soldado. Sua negativa faz com que Brigham mande prendê-lo. Cage tente fugir e acaba dominado por soldados. Ele acorda em uma base militar, descobrindo que foi tratado como desertor e que será enviado ao combate como um soldado normal. 

O desespero de Cage aumenta quando um determinado fato durante a batalha, faz com que volte para o início do dia, acordando na base militar e vivendo uma espécie de looping eterno naquele fatídico dia. 

Desde “A Identidade Bourne” de 2002, que o bom diretor Doug Liman não acertava um grande filme. Mesmo com as falhas citadas, a diversão é garantida pela narrativa ágil e a trama que prende a atenção. 

É um filme pipoca para se divertir sem exigir muito. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Sombras do Mal

Sombras do Mal (Night and the City, Inglaterra, 1950) – Nota 8
Direção – Jules Dassin
Elenco – Richard Widmark, Gene Tierney, Googie Withers, Hugh Marlowe, Francis L. Sullivan, Herbert Lom, Stanislaus Zbyszko, Mike Mazurki.

Em Londres, Harry Fabian (Richard Widmark) é um pequeno golpista que trabalha enviando clientes para a boate do casal Helen (Googie Withers) e Philip Nosseross (Francis L. Sullivan), mesmo local onde sua namorada Mary (Gene Tierney) se apresenta cantando. 

Fabian sonha em se tornar empresário, sempre se mostrando empolgado com oportunidades que apenas ele vê e que invariavelmente se transformam em frustração, além do prejuízo financeiro. 

Sem saber o que é desistir, Fabian acredita ter descoberto um pote de ouro quando presencia a briga entre o empresário de luta-livre Kristo (Herbert Lom) e seu pai Gregorius (Stanislaus Zbyszko), este um famoso lutador aposentado. Fabian se aproxima do velho Gregorius e consegue seu apoio para promover lutas, dando início a uma perigosa disputa com Kristo. 

Praticamente esquecido, este clássico noir ambientado no submundo de Londres foge dos clichês do gênero, deixando de utilizar detetives, policiais e mulheres fatais, para colocar como protagonista um golpista cego de ambição e até ingênuo em alguns momentos. 

Este personagem é valorizado pela interpretação de Richard Widmark, ator que ficou marcado por personagens durões e que no mesmo ano protagonizou outro clássico esquecido, o ótimo “Pânico nas Ruas”

Aqui vale destacar ainda o talento do diretor Jules Dassin, que tinha preferência por filmar em locações e que explora bem a cidade de Londres, inclusive os locais decadentes. Dassin era americano, mas preferiu sair do país quando foi pressionado pelo “Macartismo” para delatar os supostos comunistas em Hollywood. Ele continuou sua carreira na Eupora e não mais voltou aos Estados Unidos. 

Uma nova versão da história foi produzida em 1992 com Robert De Niro e Jessica Lange nos papéis principais, porém com resultado inferior.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Santo Marcos

Santo Marcos (Brasil, 2013)
Direção – Thiago Di Fiore, Fabio Di Fiore & Adolfo Rosenthal
Documentário

Numa época em que praticamente todos os jogadores de futebol citam a palavra “profissionalismo” como desculpa para trocarem de times ou quebrarem contratos quando recebem propostas de um salário maior, o goleiro Marcos se notabilizou por fazer uma carreira de quase vinte dentro do Palmeiras, dizendo não para propostas milionárias e assim se tornando ídolo eterno do clube. 

Como ele mesmo disse várias vezes, em um determinado momento da carreira ele deixou de ser profissional para se tornar um torcedor dentro do campo. Sua paixão pelo clube e a retribuição dos torcedores foram o combustível para enfrentar como poucos uma sequência de contusões que atrapalharam sua carreira, que poderia ter sido ainda mais vencedora. 

Este documentário detalha toda a vida do jogador, desde o inicio no interior de SP, passando pelos grandes momentos no Palmeiras e na Seleção Brasileira, até a famosa “Procissão para São Marcos”, que a torcida organizou no início de 2012 antes do jogo contra o Ajax da Holanda. Mais de cinco mil torcedores saíram do estádio Palestra Itália e foram a pé até o Pacaembu como homenagem ao jogador, que havia anunciado o final da carreira alguns dias antes. 

O doc apresenta depoimentos de jogadores, treinadores, dirigentes, jornalistas e amigos que contam histórias divertidas da convivência com Marcos. 

O ponto alto são as defesas do goleiro, principalmente na Libertadores de 1999 e o pênalti defendido contra nosso inimigo em 2000. 

Como doc o resultado é apenas correto, mas o conteúdo vale como ouro para torcida palmeirense.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Interlúdio

Interlúdio (Notorius, EUA, 1946) – Nota 7,5
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains, Louis Calhern, Leopoldine Konstantin, Reinhold Schunzel.

Quando seu pai é condenado a vinte de anos de prisão por ter sido espião para a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, a bela Alicia Huberman (Ingrid Bergman) se torna alvo do serviço secreto americano, que envia o agente Devlin (Cary Grant) para fazer uma proposta. 

Devlin convence Alicia a trabalhar para o governo, tendo como primeira missão viajar para o Rio de Janeiro e se aproximar de um velho conhecido de seu pai, o milionário Alex Sebastian (Claude Rains), sujeito que participa de um grupo que trama algo contra os americanos. 

Não demora para Devlin e Alicia se apaixonarem, porém quando seu chefe (Louis Calhern) informa que o objetivo da missão é infiltrar Alicia na casa de Sebastian, as coisas se complicam, pois o sujeito também é apaixonado por ela. 

Em razão da magnífica carreira de Hitchcock, o patamar de comparação entre seus filmes é sempre o maior possível, por isso não colocaria este longa entres seus melhores trabalhos, mesmo sendo interessante. 

O longa tem vários pontos positivos, como a química entre Cary Grant e a belíssima Ingrid Bergman, reforçada pelos diálogos fortes para época, repletos de conotações sexuais, a bela fotografia do Rio de Janeiro, mesmo com as cenas com Grant e Bergman tendo sido filmadas em estúdio, além da criatividade de Hitch em filmar por ângulos inusitados. A sequência com as chaves, o beijo do lado de fora da adega e a tontura que a personagem de Bergman sofre são alguns exemplos do talento do diretor. 

O filme falha na questão do suspense, falta emoção nos momentos importantes, até mesmo na sequência final. 

A trama é muito mais uma história de amor do que um suspense. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Lobo Atrás da Porta

O Lobo Atrás da Porta (Brasil, 2013) – Nota 8
Direção – Fernando Coimbra
Elenco – Leandra Leal, Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Juliano Cazarré, Paulo Tiefenthaler, Thalita Carauta, Tamara Taxman, Emiliano Queiroz, Isabelle Ribas.

No subúrbio carioca, ao buscar a filha na escola, Sylvia (Fabiula Nascimento) descobre que a menina foi levada por outra pessoa que se apresentou como sua amiga. Ao procurar a polícia, Sylvia é questionada pelo delegado (Juliano Cazarré) sobre detalhes de sua vida e casamento, para logo em seguida chegar o marido Bernardo (Milhem Cortaz) acusando sua amante Rosa (Leandra Leal) de ter sequestrado a criança para se vingar dele. Rosa é levada à delegacia para responder a acusação e a princípio nega o envolvimento no desaparecimento da criança. A partir daí, o espectador verá em flashbacks as versões dos três personagens sobre acontecimentos relativos ao triângulo amoroso que podem ter causado o sequestro. 

Este drama policial é baseado livremente numa história real ocorrida nos anos sessenta, que não vale a pena contar mais detalhes para não estragar as surpresas, principalmente a assustadora cena final. 

O filme marca a promissora estréia do diretor Fernando Coimbra em um longa, que além de amarrar muito bem o roteiro, acerta também ao explorar o subúrbio do Rio de Janeiro como cenário, sem apelar para o clichê da violência ou das favelas. A lente do diretor se vira para os bairros com casas simples, as pessoas comuns e o trem como símbolo principal da região. 

O elenco também merece destaque, tendo bons desempenhos de Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento como o casal em crise, de Juliano Cazarré como o delegado e principalmente de Leandra Leal, que cria uma personagem cheia de nuances, que em boa parte do filme deixa o espectador na dúvida sobre seu caráter. 

É muito bom quando algum diretor brasileiro foge do lugar comum das comédias rasteiras e se arrisca em uma trama mais complexa.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Caçada Mortal

Caçada Mortal (A Walk Among the Tombstones, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – Scott Frank
Elenco – Liam Neesom, Dan Stevens, Brian “Astro” Bradley, David Harbour, Adam David Thompson, Eric Nelsen, Olafur Darri Olafsson.

Matt Scudder (Liam Neesom) é um policial aposentado que agora trabalha como investigador particular. Em uma noite, ele é procurado por um sujeito (Eric Nelsen) que o conheceu na reunião do AA. O rapaz o leva para encontrar seu irmão (Dan Stevens), um traficante que teve a esposa sequestrada e morta, com o detalhe macabro de que os bandidos receberam o dinheiro do resgate e mesmo assim mataram a mulher. A princípio Matt não quer aceitar o caso, mas acaba sendo convencido pelo traficante e assim dá início a uma investigação que o levará a outros sequestros que terminaram da mesma forma. 

Diferente dos últimos trabalhos de Liam Neesom voltados mais para ação, este longa foca na trama investigativa prendendo a atenção do espectador. O ritmo da narrativa é cadenciado e a história vai sendo amarrada as poucos, através de um roteiro que não apela para os exageros. 

O filme é baseado em um livro e se passa em 1999, quando a internet ainda estava se popularizando e muito se falava no “Bug do Milênio” ou “Y2K”, fato que não se concretizou e que é citado durante o desenrolar da trama. 

Além de Neesom novamente interpretando o sujeito durão e solitário, vale destacar a presença do garoto Brian “Astro” Bradley que se torna seu parceiro por acaso. 

É um bom filme indicado para que gosta de tramas de investigação.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Zumbilândia

Zumbilândia (Zombieland, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Ruben Fleischer
Elenco – Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin, Amber Heard, Bill Murray.

Um hambúrguer contaminado dá início a um apocalipse zumbi. Em pouco tempo, quase toda a população é dizimada. O jovem estudante Columbus (Jesse Eisenberg) sobreviveu graças a sua covardia e uma lista de regras criadas por ele mesmo para escapar dos ataques dos zumbis. 

Tentando voltar para casa, Columbus cruza o caminho de Tallahasse (Woody Harrelson), um verdadeiro exterminador de zumbis, de quem se torna parceiro de viagem. No caminho, eles encontram duas irmãs (Emma Stone e Abigail Breslin), que pretendem chegar até um parque de diversões em Los Angeles. 

O sucesso de bilheteria desta comédia que tira um sarro dos filmes de zumbis se deve a alguns fatores, como a química entre o nerd vivido por Jesse Eisenberg e o falastrão de Woody Harrelson, as divertidas cenas de ação, com destaque para a sequência final no parque de diversões, a hilária participação de Bill Murray e a narração de Eisenberg. 

Vale destacar também o roteiro que não apela para piadas idiotas, preferindo inserir situações e diálogos que brincam com o próprio cinema. São bem legais as citações a filmes, atores e lugares em Hollywood. 

Circula pela internet a notícia de que uma sequência com o mesmo elenco será produzida. 

domingo, 5 de outubro de 2014

O Tiro

O Tiro (A Single Shot, Inglaterra / EUA / Canadá, 2013) – Nota 6,5
Direção – David M. Rosenthal
Elenco – Sam Rockwell, Jeffrey Wright, Kelly Reilly, William H. Macy, Jason Isaacs, Joe Anderson, Ted Levine, Ophelia Lovibond, Amy Sloan, W. Earl Brown.

John Moon (Sam Rockwell) vive em uma casa simples na área rural de uma pequena cidade. Numa certa manhã, ele acorda e sai para caçar, porém acaba alvejando uma jovem por acidente. Ele decide esconder o corpo e ao procurar um local encontra uma caixa cheia de dinheiro. John vê no dinheiro a chance de reconquistar a esposa (Kelly Reilly), que levou se filho pequeno e está pedindo divórcio. O que John não contava é que seria perseguido por desconhecidos que desejam reaver a fortuna. 

O início do filme é instigante, são pouco de mais de treze minutos desde o personagem de Sam Rockwell acordando, passando pela morte da garota, a localização do dinheiro e o corpo sendo escondido, até o momento em que ele recebe uma ligação e o espectador começa a conhecer a vida do sujeito. 

Não chega a ser um filme ruim, porém o restante do longa decepciona em parte, não pela trama, mas muito pelo diretor que aparentemente quis impor um estilo que resultou numa narrativa irregular, arrastada em alguns momentos. Por exemplo, a sequência final que seria como uma confissão de remorso, se torna exagerada. 

Vale destacar a boa interpretação de Sam Rockwell como o sujeito perdido na vida e o sempre competente William H. Macy como um impagável advogado corrupto. 

sábado, 4 de outubro de 2014

Meu Cachorro Skip & Resgate Abaixo de Zero


Meu Cachorro Skip (My Dog Skip, EUA, 2000) – Nota 8
Direção – Jay Russell
Elenco – Frankie Muniz, Kevin Bacon, Diane Lane, Luke Wilson, Caitlin Wachs.

Em 1942, numa pequena cidade do Mississipi, Willie Morris (Frank Muniz) é um garoto solitário que tem como único amigo o vizinho Dink (Luke Wilson), um atleta famoso no colégio que está prestes a ir para a guerra. Seu pai Jack (Kevin Bacon) é um sujeito durão, veterano da guerra, enquanto sua mãe é a dona de casa Ellen (Diane Lane), que percebendo a solidão do filho, resolve dar de presente um cãozinho, o pequeno Skip. Logo, garoto e cão criam uma forte ligação que marcará para sempre a vida de Willie. 

Baseado em um livro autobiográfico de Willie Morris, este longa é um sensível drama que faz até o sujeito de coração mais duro chorar. É impossível não se emocionar com a história e com a interpretação do garoto Frankie Muniz.

No mesmo ano, Franklie Muniz seria escolhido para ser o protagonista da divertida série “Malcom in the Middle”, uma espécie de “Os Simpsons” de carne e osso, que como curiosidade, tinha Bryan Cranston de “Breaking Bad” como o confuso e engraçado pai de Malcolm.

Resgate Abaixo de Zero (Eight Below, EUA, 2006) – Nota 7,5
Direção – Frank Marshall
Elenco – Paul Walker, Bruce Greenwood, Moon Bloodgood, Jason Biggs, Wendy Crewson, Gerard Plunkett, August Schellenberg.

Jerry Shepard (Paul Walker) trabalha como guia de exploradores em uma estação de pesquisa na Antártida, tendo como parceiros oito cães que ele considera como sua família. Quando o cientista Davis McClaren (Bruce Greenwood) chega ao local para procurar um meteorito que caiu em uma perigosa região, Jerry e seus cães são designados para guiar o sujeito. Após enfrentarem uma forte nevasca, Jerry, Davis e todos trabalhadores da estação são obrigados a abandonar o local rapidamente, deixando os cães para trás. Jerry não se conforma com a situação e fará de tudo para voltar e resgatar os animais. 

Está produção típica dos estúdios Disney é baseada num fato real e destinada principalmente as pessoas que gostam de animais, especificamente cães. 

As cenas de ação são bem filmadas, algumas até violentas, como a sequência com o leopardo-foca, o visual gelado é muito bem captado e as “interpretações” dos cães são ótimas. 

É um filme divertido, inclusive para os adultos, com ação e emoção na medida certa ao estilo sessão da tarde.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Amargo Pesadelo

Amargo Pesadelo (Deliverance, EUA, 1972) - Nota 9
Direção – John Boorman
Elenco – Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox, Ned Beatty, James Dickey, Bill McKinney.

Quatro amigos executivos (Burt Reynolds, Jon Voight, Ronny Cox e Ned Beatty) decidem descer as corredeiras de um rio na região da Georgia antes que ele seja inundado por uma represa. A aventura cheia de adrenalina na descida do perigoso rio se transforma em pesadelo quando surge um bando de caipiras da montanha, que subjugam os amigos com violência e humilhação. 

Este clássico absoluto dos anos setenta ficou marcado pela forma cru e violenta com que o diretor inglês John Boorman conduziu a trama. 

O roteiro baseado em um livro de James Dickey, que inclusive tem um pequeno papel no longa, foca no confronto entre civilização e barbárie, jogando quatro sujeitos comuns em meio ao violento mundo dos homens das montanhas, que se vingam de forma cruel da “invasão” dos homens da cidade. 

Pelo menos três sequências estão entre as melhores da história do cinema. A sequência da descida do rio, o sensacional duelo de banjos entre o personagem de Roony Cox e um garoto com deficiência mental e a angustiante cena do estupro. 

Os quatro atores que interpretam os executivos tem ótimos desempenhos, sendo que para muitos críticos, a interpretação do astro Burt Reynolds é a melhor de sua carreira. Para Ned Beatty sobrou uma das cenas mais cruéis da história do cinema. 

Com mais de oitenta anos e ainda na ativa, John Boorman fez outros ótimos filmes como “Esperança e Glória”, “Excalibur”, “Inferno no Pacífico” e “À Queima Roupa”.