sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Codinome Cassius 7

Codinome Cassius 7 (The Double, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Michael Brandt
Elenco – Richard Gere, Topher Grace, Martin Sheen, Tamer Hassan, Stephen Moyer, Chris Marquette, Odette Annable.

Um senador que estava sob investigação é assassinado. A CIA e o FBI acreditam que o crime foi cometido por um antigo assassino russo conhecido como Cassius. 

Um diretor da CIA (Martin Sheen) pede auxílio ao aposentado agente Paul Shepherdson (Richard Gere), que durante anos perseguiu Cassius sem sucesso. Para trabalhar com Shepherdson é designado o novato agente do FBI Ben Geary (Topher Grace), que estudou a fundo os crimes de Cassius. 

O roteiro deste longa de espionagem trabalha basicamente com duas reviravoltas. A primeira ocorre com menos de meia hora de filme e não chega a ser uma surpresa. A segunda é mais complexa e acontece no clímax, ao mesmo tempo em que se revela um grande furo no roteiro. A premissa nas mãos de um diretor e roteirista melhor teria potencial para um longa interessante. 

O filme perde pontos pelos inexpressivos coadjuvantes, além do jovem Topher Grace passar longe de convencer como agente do FBI. O veterano astro Richard Gere não compromete, mas também pouco pode fazer para melhorar o longa. 

O resultado é um filme totalmente esquecível.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Invasão Zumbi

Invasão Zumbi (Busanhaeng ou Train to Busan, Coreia do Sul, 2016) – Nota 8
Direção – Sang Ho Yeon
Elenco – Yoo Gong, Soo An Kim, Yu Mi Jeong, Dong Seok Ma, Woo Sik Choi, Ahn So Hee, Eui Sung Kim.

Enquanto várias pessoas se preparam para viajar de trem de Seul, capital da Coreia do Sul, com destino a cidade de Busan, explode uma terrível epidemia. Pessoas infectadas atacam desconhecidos de forma selvagem, que ao serem mordidos também se transformam em predadores. 

Uma jovem infectada que consegue entrar no trem pouco tempo antes dele partir, é o ponto zero da epidemia no local, dando início a uma verdadeira viagem ao inferno para os passageiros. 

Este ótimo filme que mistura terror e ação explora a premissa das primeiras temporadas de “The Walking Dead”, quando a grande ameaça as pessoas ainda eram o zumbis, diferentes das disputas quase paramilitares das últimas temporadas. A escolha do diretor em filmar pelo menos oitenta por cento das cenas dentro do trem resultam numa assustadora tensão crescente. 

Os personagens também são bem desenvolvidos. Temos o executivo egoísta que precisa aprender a trabalhar em grupo para salvar sua filha pequena e a si mesmo, o sujeito forte que enfrenta os zumbis na porrada e faz de tudo para ajudar a esposa grávida, o jovem jogador de beisebol que transforma seu taco em arma e por fim, o covarde canalha que não hesita em trair as pessoas para tentar se salvar. 

Apesar de muitas cenas violentas, o filme não chega a ser um gore, acaba assustando muito mais pelo desespero em busca da sobrevivência. 

De forma ousada, a trama ainda apresenta uma sequência final de cortar o coração.  

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Viagem de Meu Pai

A Viagem de Meu Pai (Floride, França, 2015) – Nota 7,5
Direção – Philippe Le Guay
Elenco – Jean Rochefort, Sandrine Kiberlain, Laurent Lucas, Anamaria Marinca, Clement Metayer.

Claude Lherminier (Jean Rochefort) é um industrial aposentado que vive numa belíssima casa de campo e que sofre com demência em fase inicial. Para mantê-lo em casa, sua filha Carole (Sandrine Kiberlain) está sempre à procura de uma empregada que consiga entender a situação e que não desista do trabalho. Conforme a doença avança, fica mais difícil tomar conta do pai, além da situação interferir diretamente nas relações pessoais de Carole. 

Com o avanço da medicina e a expectativa de vida cada vez mais longa, a quantidade de pessoas idosas também aumenta e por consequência as doenças degenerativas que são incuráveis se tornam mais comuns e visíveis para sociedade. 

Nos últimos anos o cinema vem explorando este tema em vários filmes, algumas vezes focando apenas na parte do sofrimento e em outras criando histórias duras, porém sem apelar para o melodrama. Este sensível “A Viagem do Meu Pai” segue a segunda linha, mostrando as dificuldades enfrentadas pelo protagonista e sua filha de um modo sóbrio. 

A proposta do roteiro é detalhar a fase inicial deste tipo de doença, quando a pessoa começa a confundir nomes, datas e locais, variando de conversas normais para situações em que passa a agir como criança. 

O ponto interessante do filme é intercalar o avanço da doença com a sequência de uma viagem de avião para Miami, local que o protagonista tem obsessão por causa de uma filha que se mudou da França para lá. O problema é que a filha faleceu e o homem não se lembra do ocorrido. 

O destaque do elenco fica para o veteraníssimo Jean Rochefort (“O Marido da Cabeleireira”), que entrega uma sensível e belíssima interpretação do alto dos seus oitenta e cinco anos de idade. 

Para quem conhece ou convive com alguma pessoa que sofre de demência, com certeza vai entender as situações enfrentadas por pai e filha.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chape

A paixão que tenho por cinema é do mesmo tamanho da paixão pelo Palmeiras. Este sentimento pelo clube foi passado pelo meu pai que nos deixou em julho último após sofrer por alguns anos com uma terrível doença.

A tristeza pela passagem do meu pai foi confortada por saber que ele não sofreria mais. Como diz a linguagem popular, ele acabou descansando.

Tenho quarenta e cinco anos de idade e desde os oito frequento estádios e acompanho o Palmeiras. Vou em praticamente todos os jogos em nosso estádio, agora uma belíssima arena.

Domingo passado estive lá e festejei muito o título brasileiro ao lado de amigos que conquistei nestes anos. Por uma coincidência do destino, o adversário era a brava Chapecoense, que hoje infelizmente protagonizou o momento mais triste da história do esporte brasileiro, talvez semelhante a morte de Ayrton Senna. Com certeza, é o momento mais triste do futebol brasileiro, derrota alguma jamais irá doer tanto como esta tragédia.

É difícil imaginar o sofrimento dos familiares dos jogadores, da comissão técnica e dos jornalistas que perderam suas vidas, além é claro da comoção que a cidade de Chapecó enfrenta. Para potencializar ainda mais a tragédia, o clube faria amanhã na Colômbia o jogo mais importante de sua história. Para os envolvidos, seria como uma decisão de mundial. É um destino cruel demais.

E este destino cruel ligou a última partida desta equipe contra o Palmeiras. Nossa torcida com certeza é uma das mais sensibilizadas. As mais de quarenta mil pessoas que assistiram ao jogo na Arena com certeza estão com o coração apertado. É muito difícil lembrar que estivemos perto de várias pessoas que perderiam a vida dois dias depois, mesmo que não existisse outra ligação naquele momento. Além disso, algumas das vítimas trabalharam no Palmeiras. O treinador Caio Júnior, os jogadores Ananias e Josimar, além do comentarista Mário Sérgio que foi jogador nos anos oitenta.

A direção do Palmeiras está tomando a frente para prestar homenagens e ajudar a Chapecoense. É um gesto pequeno que não mudará o sofrimentos dos envolvidos, mas que mostra o mínimo que o ser humano deveria ter: "solidariedade".

Que Deus conforte os familiares.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Mistério da Viúva Negra & Tentação Perigosa


O Mistério da Viúva Negra (Black Widow, EUA, 1987) – Nota 6,5
Direção – Bob Rafelson
Elenco – Debra Winger, Theresa Russell, Sami Frey, Dennis Hopper, Nicol Williamson, James Hong, Terry O'Quinn, Diane Ladd, D. W. Moffet, Lois Smith, Leo Rossi, Rutanya Alda, Mary Woronov.

Catharine (Theresa Russell) é uma vigarista especializada em casar com homens ricos e assassiná-los para ficar com a herança. Após um destes crimes e uma fuga para o Havaí, Catharine é perseguida pela investigadora Alexandra (Debra Winger). Ao mesmo tempo em que Alexandra de forma disfarçada faz amizade com Catherine, ela também se apaixona por uma empresário (Sami Frey) que é o novo alvo da assassina. 

O diretor Bob Rafelson estava há seis anos sem filmar desde o ótimo “O Destino Bate à sua Porta” e terminou por decepcionar um pouco a crítica e o público com este suspense que em momento algum engrena, nem mesmo no clímax.

O destaques ficam para a sensualidade de Theresa Russell e Debra Winger, duas atrizes que eram musas dos anos oitenta.

Tentação Perigosa (Impulse, EUA, 1990) – Nota 6
Direção – Sondra Locke
Elenco – Theresa Russell, Jeff Fahey, George Dzundza, Alan Rosenburg, Lynne Thigpen, Shawn Elliott.

Lottie Mason (Theresa Russell) é uma detetive que trabalha disfarçada de prostituta nas ruas de Los Angeles. Envolvida com um promotor (Jeff Fahey) com quem trabalha em um caso e ex-amante de um tenente da polícia (George Dzundza), Lottie termina por se enrolar ainda mais quando aceita dinheiro de um desconhecido para fazer um programa. O sujeito termina assassinado por outro desconhecido enquanto ela se escondia no banheiro do quarto de hotel. Ela tenta apagar seus rastros e foge do local com medo de ser descoberta. 

Este razoável longa policial com toques de suspense fez algum sucesso na época do lançamento por causa de dois fatores. A presença da voluptuosa Theresa Russell como protagonista em um papel até certo ponto ousado. O outro fator é a direção de Sondra Locke. O destaque não vai para o talento da diretora, mas por ter sido seu primeiro trabalho após uma barulhenta separação do astro Clint Eastwood, com quem ela viveu por quinze anos e também protagonizou vários filmes. Sua carreira como diretora jamais decolou e a de atriz também terminou por aqui.  

domingo, 27 de novembro de 2016

Traffic (2000 & 2004)



Traffic (Traffic, EUA / Alemanha, 2000) – Nota 8
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Michael Douglas, Catherine Zeta Jones, Benício Del Toro, Don Cheadle, Dennis Quaid, Luis Guzman, Steven Bauer, Erika Christensen, Topher Grace, Jacob Vargas, Clifton Collins Jr, Miguel Ferrer, Amy Irving, Peter Riegert, James Brolin, Benjamin Bratt, Tomas Milian, Albert Finney.

Três histórias principais e diversos personagens tem seus destinos cruzados pelo tráfico. O juiz Robert Wakefield (Michael Douglas) é indicado para ser o líder do governo americano no combate às drogas, sem saber que sua filha (Erika Christensen) está viciada em crack.

Em San Diego, um dupla de agentes do DEA (Don Cheadle e Luis Guzman) trabalha em um caso com o objetivo de prender o traficante Carlos Ayala (Steven Bauer), que é o representante do Cartel de Tijuana nos EUA. Sua fútil esposa Helena (Catherine Zeta Jones) leva uma vida de luxo sem saber de onde vem o dinheiro do marido.

A terceira história se passa em Tijuana, onde dois policiais mexicanos (Benício Del Toro e Jacob Vargas) se envolvem com o General Salazar (Tomas Milian), que diz lutar contra o tráfico, mas que esconde seus verdadeiros interesses. 

Este complexo painel do tráfico de drogas entre México e Estados Unidos é na minha opinião o melhor filme do diretor Steven Soderbergh. Com uma parte técnica perfeita que utiliza cores de fotografia diferentes para cada história e uma narrativa muito bem intercalada apesar dos vários personagens que passam pela tela, o longa prende a atenção do início ao fim. 

Vale citar que a história é uma versão de uma minissérie inglesa produzida em 1989 com seis episódios.

Traffic (Traffic, EUA, 2004) – Nota 6,5
Direção – Stephen Hopkins & Eric Bross
Elenco – Cliff Curtis, Elias Koteas, Martin Donovan, Mary McCormack, Balthazar Getty, Ritchie Coster, Nelson Lee, Tony Musante, Justin Chatwyn, Eden Roundtree, Brian George.

Vários personagens tem o destino ligado por ações em Seattle e no Afeganistão. Em solo americano, um imigrante checheno (Cliff Curtis) fica obcecado em descobrir o que aconteceu com esposa e filha que viajavam clandestinamente em um navio que naufragou próximo a Seattle.

Na mesma cidade, um jovem recém formado (Balthazar Getty) descobre que o pai (Tony Musante) utiliza sua empresa de importação para fazer negócios com um mafioso chinês (Nelson Lee).

A terceira trama se passa no Afeganistão, onde um agente de CIA (Elias Koteas) aparentemente abandona tudo para se juntar a um contrabandista local (Ritchie Coster) em busca de uma carga de ópio. Enquanto isso, sua esposa (Mary McCormack) sofre para cuidar do filho adolescente (Justin Chatwin). 

Esta minissérie em três episódios de uma hora e meia cada, mistura a premissa do longa “Traffic” de Steven Soderbergh, com o medo que se espalhou nos americanos nos anos seguintes aos atentados de 11 de Setembro.

Assim como o filme de Soderbergh, os personagens aqui tem suas vidas complicadas por causa do tráfico, seja de drogas ou de pessoas. O roteiro tenta fazer uma crítica a esta situação e a facilidade com que este comércio ilegal consegue funcionar.

A narrativa falha por ser muito entrecortada, as histórias são intercaladas com rapidez e as vezes cortadas abruptamente. O final das histórias também é simplista, deixando a sensação de que faltou algo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Viagem à Lua de Júpiter

Viagem à Lua de Júpiter (Europa Report, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Sebastian Cordero
Elenco – Michael Nyqvist, Sharlto Copley, Anamaria Marinca, Christian Camargo, Daniel Wu, Karolina Wydra, Embeth Davidtz, Dan Fogler, Isiah Whitlock Jr.

Uma expedição internacional é enviada para Júpiter após cientistas acreditarem que existe água embaixo do gelo que cobre aquele planeta. O grupo de astronautas é composto por quatro homens e duas mulheres. 

Tudo segue perfeito até metade do caminho, quando por algum problema a nave perde contato com a Terra. Mesmo assim, eles decidem seguir a missão sem imaginar os perigos que poderão enfrentar. 

Produzido com um baixo orçamento, esta competente ficção apresenta a maioria das cenas gravadas dentro do pequeno espaço da nave, criando uma tensão crescente de acordo com a aproximação do destino. 

O diretor equatoriano Sebastian Cordero explora uma narrativa não linear, utilizando imagens das câmeras de segurança da nave, intercaladas com depoimentos dos astronautas e das autoridades que comandavam a missão na Terra. 

A parte técnica também é destaque. Ela é extremamente clean e com interessantes variações de ângulos, além dos depoimentos em close ao estilo documentário. 

É curioso que o filme tenha sido produzido pouco tempo antes do sucesso de “Interestelar” e “Perdido em Marte”, que são melhores e que exploram temas semelhantes. O normal seria este filme ter sido produzido depois, para tentar faturar no rastro do sucesso destes blockbusters.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Enquanto Somos Jovens

Enquanto Somos Jovens (While We're Young, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Noah Baumbach
Elenco – Ben Stiller, Naomi Watts, Adam Driver, Amanda Seyfried, Charles Grodin, Matthew Maher, Adam Horovitz, Maria Dizzia.

Josh (Ben Stiller) e Cornelia (Naomi Watts) formam um casal sem filhos na casa dos quarenta anos. Sendo incomodados pelos amigos da mesma faixa etária por não terem filhos, eles terminam por fazer amizade com um casal mais jovem. 

Jamie (Adam Driver) planeja começar a carreira de documentarista, utilizando como exemplo a carreira de Josh. Sua namorada Darby (Amanda Seyfried) vive de fazer sorvete. A princípio, a troca de experiências entre os dois casais é uma fonte de energia para a amizade, até que os defeitos de cada um começam a aparecer. 

O diretor Noah Baumbach é um queridinho da crítica, especialista em pequenos dramas sobre relacionamentos. Pelos trabalhos que assisti, por enquanto tenho a impressão de que suas premissas são mais interessantes do que seus filmes. 

O longa aqui foca nas diferenças entre a geração que está na casa dos quarenta anos, que sonhava com dinheiro e sucesso na juventude e a geração atual que tenta esconder estes mesmos desejos se mostrando politicamente correta, mas que revela a verdadeira face através de atitudes manipuladoras. Para muitos desta nova geração, as amizades somente são interessantes se resultarem em vantagens. 

Mesmo sem grandes atuações, o quarteto principal está perfeito como exemplos das gerações. O filme perde pontos por inserir algumas sequências bobas, como a festa regada a ayahuasca comandada por um xamã picareta e a crise no evento de gala na parte final. Vale destacar ainda a participação do veteraníssimo Charles Grodin como pai da personagem de Naomi Watts. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Truque de Mestre: O 2º Ato

Truque de Mestre: O 2º Ato (Now You See Me 2, EUA / China / Inglaterra / Canadá, 2016) – Nota 6
Direção – Jon M. Chu
Elenco – Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson, Dave Franco, Morgan Freeman, Michael Caine, Daniel Radcliffe, Lizzy Caplan, Jay Chou, Sanaa Lathan, David Warshofsky, Tsai Chin.

Um ano após o golpe que quase faliu o empresário Tressler (Michael Caine) e levou para cadeia Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), os ilusionistas conhecidos como “Os Quatro Cavaleiros” (Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Dave Franco e Lizzy Caplan, a última substituindo Isla Fisher) retornam com o objetivo de desmascarar o lançamento de um super chip que funcionará como uma espécie de “Big Brother” virtual. 

O que eles não esperavam eram ser manipulados por um desconhecido. Após a surpresa, eles acordam na China onde são obrigados a trabalhar para um milionário (Daniel Radcliffe). 

Filmes com tramas complexas sobre grandes golpes tendem a cair de qualidade em caso de sequência. É muito difícil manter o frescor da trama e dos personagens. É o caso desta franquia. 

Por mais que o foco principal da trama seja o ilusionismo, nesta sequência os truques em grande escala são absurdos, além de serem montados com uma rapidez sem explicação, como por exemplo a sequência final do avião. 

O quarteto principal pouco se destaca desta vez, assim como Michael Caine que surge apenas na metade da trama. Morgan Freeman tem um pouco mais de destaque, apesar da mudança de perspectiva do personagem. Outros coadjuvantes são péssimos, como o vilão interpretado pelo “Harry Potter” Daniel Radcliffe e o ridículo irmão gêmeo do personagem de Woody Harrelson. 

Apesar de Hollywood ser pródiga em esticar franquias, acredito que esta dificilmente terá uma nova sequência.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ameaça Terrorista

Ameaça Terrorista (Unthinkable, EUA, 2010) – Nota 7
Direção – Gregor Jordan
Elenco – Samuel L. Jackson, Carrie Anne Moss, Michael Sheen, Stephen Root, Lora Kojovic, Martin Donovan, Gil Bellows, Benito Martinez, Vincent Laresca, Holmes Osborne, Brandon Routh, Michael Rose.

Um cidadão americano convertido ao islamismo (Michael Sheen) posta um vídeo ameaçando explodir três bombas atômicas em locais diferentes do país. Pouco tempo depois ele é preso, mas se nega a informar onde estão escondidas as bombas, que conforme sua ameaça, estão programadas para explodir em três dias. 

O governo americano entrega o problema ao exército, que decide utilizar um negociador clandestino conhecido como H (Samuel L. Jackson) para pressionar o terrorista. Os métodos violentos do sujeito entram em choque com a equipe da CIA comandada pela agente Helen Brody (Carrie Anne Moss). Com o passar dos dias e a resistência do terrorista em entregar os locais das bombas, os negociadores precisam decidir entre arriscar a vida de milhões ou tomar medidas drásticas que ferem o limite moral. 

É um filme que precisa ser analisado em dois aspectos. Para um crítico conservador, o roteiro será visto pelas várias falhas, como por exemplo o mal desenvolvimento dos coadjuvantes e algumas decisões inverossímeis em se tratando de uma situação extremamente delicada. 

Por outro lado, as discussões entre o trio de personagens principais e as cenas de tortura resultam numa crescente tensão da narrativa que deixa o espectador em dúvida sobre a veracidade das bombas até a parte final. 

A história ainda coloca em discussão a questão do uso da tortura em casos extremos. Até onde uma autoridade poderia ir para arrancar a verdade de um terrorista e impedir um atentado? Algumas sequências são assustadoras. 

É um filme muito mais interessante pela discussão do tema e a tensão, do que pela qualidade do roteiro.  

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A Primeira Página & Amigos, Amigos, Negócios a Parte


A Primeira Página (The Front Page, EUA, 1974) – Nota 7,5
Direção – Billy Wilder
Elenco – Jack Lemmon, Walter Matthau, Susan Sarandon, Vincent Gardenia, David Wayne, Austin Pendleton, Allen Garfield, Charles Durning, Herb Edelman, Harold Gould, Dick O’Neill.

Chicago, 1929. Hildy Johnson (Jack Lemmon) é o principal repórter de um tabloide comandado por Walter Burns (Walter Matthau). Na véspera do enforcamento de um sujeito que matou um policial, Hildy pede demissão do emprego para se casar com uma jovem (Susan Sarandon). Desesperado por perder seu melhor funcionário no dia em que mais precisava dele, Burns tenta de tudo para mudar a decisão de Hildy.

Mesmo sem ter a mesma qualidade de outros trabalhos, o diretor Billy Wilder ainda consegue fazer o espectador rir em algumas sequências nesta comédia que é uma crítica a atuação da imprensa e das autoridades. A imprensa é retratada como mentirosa e manipuladora, fato que Wilder já havia abordado no ótimo e sério “A Montanha dos Sete Abutres”.

Os diálogos rápidos e repletos de ironia eram marcas registradas de Wilder, aqui valorizados pelo ótimo elenco. Walter Matthau está impagável como o editor canalha e Jack Lemmon perfeito como o repórter que se considera uma celebridade. Entre os coadjuvantes, o destaque fica para o xerife medroso e mentiroso vivido por Vincent Gardenia e o estranho condenado interpretado por Austin Pendleton. Por outro lado, uma ainda jovem Susan Sarandon funciona apenas como enfeite feminino na trama.

Amigos, Amigos, Negócios a Parte (Buddy Buddy, EUA, 1981) – Nota 6,5
Direção – Billy Wilder
Elenco – Jack Lemmon, Walter Matthau, Paula Prentiss, Klaus Kinski, Dana Elcar, Michael Ensign.

Trabucco (Walter Matthau) é um assassino profissional contratado para matar três testemunhas de um caso de corrupção. Ele consegue eliminar duas pessoas, porém o terceiro alvo é o mais complicado por causa da ação das autoridades, que escondem o sujeito e colocam dezenas de policiais em frente ao edifício do tribunal. Para dificultar ainda mais seu trabalho, Trabucco cruza o caminho do temperamental Victor Clooney (Jack Lemmon), que ameaça cometer suicídio caso sua esposa não aceite uma reconciliação. 

Este longa foi o último trabalho como diretor do grande Billy Wilder. Mesmo inferior a seus filmes anteriores, a história ainda apresenta alguns momentos engraçados, principalmente na relação entre Lemmon e Matthau. A ingenuidade do personagem de Lemmon é o contraponto ao mal humor e a ironia de Matthau. 

Um ponto que na época deve ter sido mais engraçado do que hoje, são as sequências em que entra em cena o médico picareta especialista em sexualidade interpretado pelo maluco Klaus Kinski. 

O filme vale como curiosidade e também para os fãs de Billy Wilder.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

The Night Of

The Night Of (The Night Of, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Steve Zaillian
Elenco – John Turturro, Riz Ahmed, Michael Kenneth Williams, Bill Camp, Peyman Moaadi, Poorna Jagannathan, Jeannie Berlin, Sofia Black D’Elia, Glenne Headley.

Nasir Khan (Riz Ahmed) é um jovem universitário filho de imigrantes paquistaneses que vivem em Nova York. Numa certa noite, Nasir decide pegar o táxi do pai sem avisá-lo, para ir a uma festa em Manhattan. Ele se perde na cidade e estaciona o carro. 

Por acaso, uma jovem (Sofia Black D’Elia) entra na automóvel. Nasir sente-se atraído pela garota e mesmo sem conhecer a cidade, decide levá-la como passageira. Após algumas horas juntos, a jovem o convida para ir em sua casa. Eles bebem, usam drogas e transam. Nasir desmaia e ao acordar encontra a jovem assassinada com diversas facadas. É o inicio de um terrível pesadelo em sua vida. 

Nesta minissérie produzida pelo HBO em oito episódios, o diretor e roteirista Steve Zaillian (vencedor do Oscar de Roteiro Adaptado por “A Lista de Schindler”) detalha o desenrolar completo de um processo penal, desde o crime até julgamento.

A saga enfrentada pelo personagem de Riz Ahmed disseca um sistema que na teoria busca a justiça, mas que na verdade é um emaranhado de situações, procedimentos e pessoas, cada qual defendendo seus próprios interesses. A justiça é apenas um detalhe em meio a estes interesses. 

É interessante a forma como o roteiro mostra os efeitos colaterais do crime, principalmente como afeta a vida da família de Nasir, que sofre a cada triste novidade que precisa enfrentar, como o trato com a polícia, com os advogados, a visita na cadeia, a rejeição dos amigos e assim por diante. 

É complexo também o desenvolvimento dos personagens, principalmente o protagonista, que aos poucos vai modificando seu comportamento de acordo com o ambiente que precisa encarar. 

Entre os demais personagens, os destaques ficam para o advogado de porta de cadeia interpretado por John Turturro, que sofre de uma violenta alergia, o detetive prestes a se aposentar vivido por Bill Camp e o chefão da cadeia de Michael Kenneth Williams, ator que mais uma vez interpreta um presidiário. 

domingo, 20 de novembro de 2016

Um Fim de Semana Diferente & Pais e Filhas


Um Fim de Semana Diferente (The Confirmation, Canadá, 2016) – Nota 7
Direção – Bob Nelson
Elenco – Clive Owen, Jaeden Lieberher, Maria Bello, Robertr Forster, Tim Blake Nelson, Matthew Modine, Patton Oswalt, Stephen Tobolowsky, Spencer Drever, Michael Eklund, Ryan Robbins.

Em uma pequena cidade, Walt (Clive Owen) é um pai divorciado que passa por uma crise financeira e luta para não voltar a beber. Durante um final de semana, Walt se torna o responsável por cuidar do filho Anthony (Jaeden Lieberher), enquanto sua ex-esposa (Maria Bello) viajará com o novo marido. O roubo de uma caixa de ferramentas é o estopim para pai e filho iniciarem uma espécie de investigação que fortalecerá a relação entre eles.

O roteiro explora com simpatia o clichê do pai irresponsável que tenta se regenerar, mesmo arrastando o filho para um fim de semana com algumas confusões. O que transforma o longa em algo interessante são a relação entre pai e filho e as interpretações da dupla principal. Clive Owen varia entre momentos patéticos, alguns sérios e outros engraçados, enquanto o garotinho Jaeden Lieberher vive um personagem parecido com seu trabalho em “Um Santo Vizinho”, demonstrando a mesma espontaneidade e simpatia, principalmente nas cenas envolvendo a igreja e os dogmas religiosos.

É um filme pequeno, com cara de independente e que deixa uma boa sensação ao final.

Pais e Filhas (Fathers & Daughters, Itália / EUA, 2015) – Nota 7
Direção – Gabriele Muccino
Elenco – Russell Crowe, Amanda Seyfried, Aaron Paul, Kylie Rogers, Diane Kruger, Bruce Greenwood, Quvenzhané Wallis, Janet McTeer, Jane Fonda, Octavia Spencer.

Nova York, 1988. Uma discussão dentro de um carro causa um acidente fatal. O escritor Jake Davis (Russell Crowe) perde a esposa Carolyn (Janet McTeer), precisa lidar com as sequelas do acidente, além de ficar sozinho com a filha de cinco anos Katie (Kylie Rogers). Jake passa a sofrer de perda de controle do corpo que resulta em convulsões. A partir daí, a trama se divide em uma segunda narrativa que acompanha a adulta Katie (Amanda Seyfried) nos dias atuais. Ela está se formando em psicologia e ajudando crianças com problemas, mas por outro lado, ela mesma sofre com a dificuldade em criar laços afetivos.  

O diretor italiano Gabriele Muccino é especialista em dramas lacrimosos que exploram relacionamentos familiares complicados, doenças e problemas financeiros. Todos estes quesitos são encontrados neste longa, porém sem a mesma força de “À Procura da Felicidade”, seu melhor trabalho até o momento. 

A primeira narrativa que foca na infância da garota Katie e os problemas que seu pai enfrenta são a parte mais interessante do roteiro. Apesar das cenas em que o protagonista tem “ataques” serem estranhas, a força da relação entre pai e filha é muito bem conduzida, assim como a química entre Russell Crowe e a surpreendente garotinha Kylie Rogers. A narrativa que segue os problemas temperamentais da personagem de Amanda Seyfried não chega a convencer. 

No geral é um drama mediano, que prende a atenção, mas que logo é esquecido.

sábado, 19 de novembro de 2016

Movimentos Noturnos

Movimentos Noturnos (Night Moves, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Kelly Reichardt
Elenco – Jesse Eisenberg, Dakota Fanning, Peter Sarsgaard, Alia Shawkat, Logan Miller, Kai Lennox, Katherine Waterston, James LeGros.

Os jovens Josh (Jesse Eisenberg) e Dena (Dakota Fanning) se unem a Harmon (Peter Sarsgaad) com o objetivo de explodir uma represa como protesto ecológico, sem imaginar as consequências do ato. 

O roteiro explora um fio de história sobre o tema atual do ecoterrorismo e praticamente não explica as motivações dos envolvidos. Na teoria seria defender a natureza e chamar a atenção das pessoas para os problemas que afetam o planeta, porém o ato de destruir em nome da natureza é absurdo e totalmente vazio. 

Com o desenrolar da trama, descobrimos que Josh trabalha em uma fazenda de orgânicos, Dena é dona de uma espécie de SPA naturalista e Harmon é um veterano ativista que inclusive cumpriu pena na cadeia. 

Fica difícil entender se a diretora tentou fazer uma crítica ao ecoterrorismo, defender a natureza ou simplesmente entregar um drama.