sábado, 16 de agosto de 2014

Robocop (1987, 1990, 1993 & 2014)


Robocop (Robocop – O Policial do Futuro, EUA, 1987) – Nota 8
Direção – Paul Verhoeven
Elenco – Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Ronny Cox, Kurtwood Smith, Miguel Ferrer, Robert DoQui, Ray Wise, Paul McCrane, Jesse D. Goins, Del Zamora.

Em Detroit, num futuro próximo,  a megacorporação OCP falha ao testar um robô policial que seria a solução para diminuir a criminalidade na cidade. Para não perder um contrato milionário, a OCP decide criar um policial meio homem, meio robô. Para isso é necessário conseguir um “voluntário”, que surge quando o policial Murphy (Peter Weller) é baleado por uma gangue de traficantes e considerado morto. O policial é utilizado como cobaia e transformado em “Robocop”, que se torna o grande sucesso da empresa. O que eles não imaginavam é que alguns fatos fizessem com que a consciência humana de Murphy fosse reativada e suas memórias viessem à tona, fazendo com que o sujeito decida resolver seus problemas por vontade própria. 

Além das ótimas e violentas cenas de ação, especialidade de Verhoeven, o que ajudou no sucesso do longa foi o interessante roteiro que critica a ganância das corporações, a mídia, a corrupção e até o uso da ciência para fins de enriquecimento. 

Mesmo longe de ser um grande ator, o rosto duro de Peter Weller é perfeito para o policial robô, assim como estão competentes os vilões, com Ronny Cox como um dos cabeças da OCP, o puxa-saco sarcástico de Miguel Ferrer e o violento líder da gangue feito por Kurtwood Smith. 

Algumas cenas são clássicas, como o “fuzilamento” do policial Murphy e a sequência do bandido que derrete no ácido. 

Clássico absoluto dos anos oitenta.   

Robocop 2 (Robocop 2, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – Irvin Kershner
Elenco – Peter Weller, Nancy Allen, Daniel O'Herlihy, Belinda Bauer, Tom Noonan, John Glover, Roger Aaron Brown, Gabriel Damon, Mark Rolston.

Um ano após os acontecimentos do filme original, a cidade de Detroit está ainda mais violenta, principalmente pela chegada de uma droga chamada Nuke, que vicia rapidamente deixando os usuários alucinados e violentos. 

Robocop tenta combater as várias gangues que traficam o produto, que é distribuído por um maluco chamado Cain (Tom Noonan). Em paralelo, a corporação que criou Robocop está prestes a falir. A chance de salvar a empresa surge através de uma cientista (Belinda Bauer), que tem o projeto de criar um novo Robocop, ainda mais forte e violento que o original. 

O sucesso do filme de Verhoeven gerou esta inevitável sequência que apresenta uma trama fraca que serve apenas como escada para as cenas de ação. Toda a critica embutida no roteiro do primeiro filme inexiste aqui, o que vemos são violentas sequências de ação e diálogos engraçadinhos que resultam num filme pipoca sem conteúdo, daqueles que divertem sem se exigir muito. 

Como curiosidade, o roteiro foi escrito por Frank Miller, o homem do cult “Sin City”. E como informação, este foi o último longa do diretor israelense Irwin Kershner, que deixou como grande trabalho da carreira o melhor filme da série “Star Wars”, o clássico “O Império Contra Ataca”.  

Robocop 3 (Robocop 3, EUA, 1993) – Nota 4
Direção – Fred Dekker
Elenco – Robert John Burke, Nancy Allen, CCH Pounder, Rip Torn, Mako, John Castle.

Para evitar a falência, a corporação OCP é vendida para um grupo japonês liderado por Kanemitsu (Mako), que tem como principal objetivo levar adiante o projeto de transformar a decadente Detroit na futurista Delta City. Para isso, a OCP cria uma espécie de grupo paramilitar liderado por um sádico (John Castle), que tem a missão de expulsar os moradores de algumas áreas, que por seu lado tentam defender suas casas. No meio da disputa surge Robocop (Robert John Burke), que se une aos moradores para enfrentar a corporação. Percebendo o problema em que se meteu, Kanemitsu envia um robô policial made in Japão para enfrentar Robocop. 

O roteiro absurdo foi novamente escrito por Frank Miller, agora em parceria com o diretor Fred Dekker, que por seu lado tinha no currículo o terror cult “A Noite dos Arrepios” e o péssimo “Deu a Louca nos Monstros”. A dupla conseguiu enterrar a carreira do personagem no cinema, pelo menos até 2014. Algumas decisões malucas deixaram o filme ainda pior, como trocar a mão do Robocop por uma metralhadora e até fazer o personagem voar. 

O ator Peter Weller desistiu de voltar ao papel alegando que estava com problemas na coluna e que não poderia usar a armadura do personagem. Sendo verdade ou não, ele se livrou de uma grande bomba, que caiu no colo de Robert John Burke, ator que não se firmou como protagonista, fazendo carreira como coadjuvante em seriados de tv.

Robocop (Robocop, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – José Padilha
Elenco – Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish, Jackie Earle Haley, Michael K. Williams, Jennifer Ehle, Jay Baruchel, Marianne Jean Baptiste, Samuel L. Jackson, Aimee Garcia.

José Padilha merece os elogios pela coragem de estrear em Hollywood aceitando comandar a refilmagem de um longa que é um verdadeiro ícone pop. O “Robocop” do holandês Paul Verhoeven foi um dos filmes de ação e ficção mais importantes da década de oitenta, o que num mundo perfeito não seria necessário um remake. O resultado desta nova versão fica no meio do caminho, longe de ser ruim, mas também inferior ao original. 

As mudanças não trama são normais, algumas interessantes como a importância do canastrão âncora de tv interpretado por Samuel L. Jackson, enquanto outras escolhas são ruins, como a previsível sequência final. Os problemas surgem também em alguns personagens que não convencem, como o vilão de Michael Keaton e o executivo engraçadinho de Jay Baruchel, este totalmente deslocado no meio da trama. 

Além de Samuel L. Jackson, o destaque fica por conta do cientista interpretado por Gary Oldman, além das cenas de ação e dos ótimos efeitos especiais. O protagonista Joel Kinnaman deixa a impressão de ser um ator sem carisma, ainda mais fraco que Peter Weller, protagonista do original. Weller pelo menos tinha uma voz marcante e um rosto duro, quase como um vilão. 

Para quem gosta do original, este remake diverte mas deixa um sabor de repeteco.  

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Na Corda Bamba

Na Corda Bamba (Sling Blade, EUA, 1996) – Nota 8
Direção – Billy Bob Thornton
Elenco – Billy Bob Thornton, Lucas Black, Dwight Yoakam, J. T. Walsh, John Ritter, Natalie Canerday, James Hampton, Robert Duvall, Brent Briscoe.

Karl Childers (Billy Bob Thornton) é um sujeito com deficiência mental que quando criança assassinou a mãe e o amante desta enquanto eles transavam. Como consequência, Karl foi internado em um sanatório, local de onde é libertado após muitos anos. Ele volta para a pequena cidade onde nasceu e consegue emprego em uma oficina mecânica. 

Tentando se readaptar a sociedade, Karl faz amizade com um garoto, o solitário Frank (Lucas Black), que sofre com os maus tratos do padrasto (Dwight Yoakam). A mãe do garoto (Natalie Carneday) a princípio não aceita a amizade do filho com Karl, porém aos poucos ela percebe que os dois estão criando um forte laço de amizade, fato que desagrada ainda mais o violento padrasto. 

Antes deste filme, Billy Bob Thorton era quase um desconhecido relegado a pequenos papéis. O sucesso deste “Na Corda Bamba” alavancou o carreira do ator, que tinha apostado tudo neste trabalho. Thornton escreveu o roteiro, dirigiu e protagonizou este drama que merecidamente lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator e estátua de Melhor Roteiro Adaptado. 

Além do roteiro e da atuação do protagonista, vale destacar o cantor country Dwight Yoakam como o cruel padrasto e principalmente a espontaneidade do garoto Lucas Black, dono de um carregado sotaque sulista. O trabalho de Black no posterior “Loucos do Alabama” comprovava o potencial do garoto, porém a difícil transição para a carreira adulta não o confirmou como astro. Seu papel mais conhecido como adulto foi em “Velozes e Furiosos – Desafio em Tóquio”, personagem que ele retornará no próximo ano no sétimo filme da franquia.   

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O Barato de Grace

O Barato de Grace (Saving Grace, Inglaterra, 2000) – Nota 7
Direção – Nigel Cole
Elenco – Brenda Blethyn, Craig Ferguson, Martin Clunes, Tcheky Karyo, Leslie Phillips, Jamie Foreman.

Numa cidade do interior da Inglaterra, Grace (Brenda Blethyn) sofre com o suicídio do marido e descobre que além da tragédia, o sujeito deixou também diversas dívidas, inclusive uma que pode fazer com que ela perca a casa. 

Sem saber como sair do buraco, Grace recebe uma inusitada proposta de seu empregado Matthew (Craig Ferguson), que a auxilia no trabalho de jardinagem. A proposta seria utilizar o talento de Grace no cultivo de Cannabis Sativa, a popular maconha. 

A princípio Grace se assusta com a sugestão, porém a falta de perspectivas em conseguir dinheiro de outra forma faz com que a respeitável senhora decida aceitar a proposta de Matthew. O cultivo se torna um sucesso, até que os problemas começam quando a dupla de inexperientes negociantes precisa vender o produto, fato que resulta nas situações mais engraçados da trama. 

O relativo sucesso do longa se deve principalmente a química e a simpatia da dupla principal, que ajuda a transformar uma trama que poderia descambar para o clichê dos filmes de maconheiros, para uma comédia leve com o tipico humor inglês. 

A atriz Blenda Blethyn era conhecida por papéis em filmes de destaque como “Segredos e Mentiras” e “Laura: A Voz de uma Estrela”, enquanto o escocês Craig Ferguson, que também assina o roteiro aqui, era famoso por seu trabalho em comédias na tv inglesa e na época tinha um engraçado papel de coadjuvante na sitcom “The Drew Carey Show”. 

Mesmo com uma ambientação bem diferente, com certeza o criador do seriado “Weeds” usou a mesma premissa como inspiração.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

007 Contra GoldenEye

007 Contra GoldenEye (GoldenEye, EUA / Inglaterra, 1995) – Nota 7,5
Direção – Martin Campbell
Elenco – Pierce Brosnan, Sean Bean, Izabella Scorupco, Famke Janssen, Joe Don Baker, Judy Dench, Tcheky Karyo, Desmond Llewellyn, Robbie Coltrane, Gottfried John, Alan Cumming, Samantha Bond.

Em 1986, os agentes James Bond (Pierce Brosnan) e Alex Trevelyan (Sean Bean) são enviados para a União Soviética com o objetivo de destruírem uma fábrica de armas químicas. A dupla consegue explodir o local, porém Alex acaba morto pelo oficial Ourumov (Gottfried John). 

Nove anos depois, Bond está em Monte Carlo investigando um grupo criminoso conhecido como Janus, quando novamente cruza com Ourumov, que tem ajuda da bela mercenária Xenia Onatopp (Famke Janssen). A dupla de bandidos consegue fugir junto com um programador (Alan Cumming) após roubarem os segredos de um satélite chamado GoldenEye, equipamento que pode destruir a economia inglesa apagando os dados das transações bancárias através de um pulso magnético. A aventura de Bond para deter os bandidos passará ainda pela Rússia e por Cuba. 

Depois de seis anos longe das telas, James Bond retornou com Pierce Brosnan estreando de forma competente neste bom longa de ação, que deu um novo gás a série. Misturando personagens antigos como o agente americano interpretado por Joe Don Baker e o veterano Q vivido por Desmond Llewellyn, as novidades ficaram por conta de Judi Dunch com M e de Samantha Bond como a secretária Moneypenny. Os artefatos criados por Q continuam sendo um dos destaques, assim como as belas Bond Girls, aqui com Izabella Scorupco e Famke Janssen. 

Brosnan voltaria ao papel de Bond em mais três filmes, até ser substituído por Daniel Craig.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Bom Dia Vietnã

Bom Dia Vietnã (Good Morning, Vietnam, EUA, 1987) – Nota 8
Direção – Barry Levinson
Elenco – Robin Williams, Forest Whitaker, Robert Wuhl, Bruno Kirby, J. T. Walsh, Noble Willingham, Richard Edson, Richar Portnow.

A morte trágica de Robin Williams é ainda mais chocante por ser um possível suicídio. É triste pensar que um sujeito que dedicou toda sua carreira para fazer o público sorrir, termine sua vida desta forma. Como homenagem, cito seu papel mais popular da carreira, o do radialista Adrian Cronauer de “Bom Dia Vietnã”. 

O filme é baseado na história real de Cronauer, que em 1965 é enviado ao Vietnã para ser locutor da rádio oficial do exército e que diferente dos colegas extremamente sérios, ele vira a rádio de ponta cabeça tocando rock e black music, fato que o transforma em celebridade com os soldados e que desperta a ira dos superiores. 

É um filme com uma trama simples e sensível, onde o destaque é a grande interpretação de Robin Williams, que teve aqui sua primeira indicação ao Oscar. Williams concorreria ainda por “Sociedade dos Poetas Mortos” e “O Pescador de Ilusões”, mas venceria apenas o de Coadjuvante por “Gênio Indomável”.     

sábado, 9 de agosto de 2014

Mediterrâneo

Mediterrâneo (Mediterraneo, Itália, 1991) – Nota 8
Direção – Gabriele Salvatores
Elenco – Diego Abatantuono, Claudio Bigagli, Giuseppe Cederna, Claudio Bisio, Vanna Barba.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados italianos é enviando para uma isolada ilha grega no Mar Egeu com o objetivo de defender o local dos inimigos. O tenente Montini (Claudio Bigagli), que também narra a história, logo comenta que a importância da localização da ilha na guerra é igual a zero. 

Assim que desembarcam na ilha, eles não encontram pessoa alguma, como se o local fosse deserto. Logo, um acidente causado por um atrapalhado soldado destrói o rádio, o único meio de comunicação com o resto do mundo. Para piorar, o navio que estava atracado a poucos metros da praia é atacado por inimigos e afunda, deixando o grupo de soldados isolados na ilha. 

O fato faz com que os gregos moradores do local resolvam aparecer para conversar. Eles abandonaram suas casas e estavam escondidos nas montanhas, até perceberem que os soldados são jovens inofensivos. A interação entre soldados e moradores faz todos esquecerem a guerra. O tenente aos poucos deixa seus deveres de lado para ajudar na pintura da igreja da vila, passando o comando para Nicola Lorusso (Diego Abatantuomo), enquanto o soldado Farina (Giuseppe Cederna) se apaixona por uma prostituta (a bela Vanna Barba). 

Esta simpática comédia que venceu o Oscar de Filme Estrangeiro tem como ponto principal fazer uma crítica à guerra como extremo bom humor e simplicidade. Os soldados retratados aqui são jovens que foram jogados para dentro da guerra e que o destino quis que tivessem uma chance de viver algo diferente longe das batalhas. Esta convivência com as pessoas humildes da ilha desperta o verdadeiro caráter de cada um, com a guerra se tornando algo distante. 

O roteiro também cria um final onde cada personagem pode decidir seu destino, seguir a vida naquele paraíso simples, ou voltar para a Itália e ajudar na reconstrução do país após a guerra. 

Como informação, o diretor Gabrielle Salvatores e o ator Diego Abatantuono trabalharam juntos em seis filmes, inclusive no trabalho mais comercial do diretor, a ficção “Nirvana” protagonizada por Christopher Lambert.  

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

The Real Football Factories International

The Real Football Factories International (The Real Football Factories International, Inglaterra, 2007) – Nota 8,5
Documentário apresentado por Danny Dyer

Em 2004, o ator inglês Danny Dyer protagonizou o longa “Violência Máxima” (“The Football Factory”) que mostrava o violento mundo dos hooligans ingleses. O sucesso do filme gerou este documentário em que o ator viajou por dez países para registrar a ação e o depoimento de torcidas organizadas. A proposta do doc fez ainda com que o ator assistisse pelo menos uma partida em cada país, geralmente um clássico entre times rivais, para captar a emoção e o estilo de torcer em cada parte do mundo. 

Mesmo com grande diferença de culturas entre os países, todas as torcidas organizadas são muito parecidas. São formadas por jovens de classe baixa, desejam se impor frente aos rivais na base da violência e gostam muito mais do seu próprio grupo do que do time que torcem. Para estes grupos o resultado das partidas é o que menos importa.

Vou resumir os detalhes de cada episódio, citando os pontos principais.

Inglaterra – Pode ser considerado o berço dos hooligans, que nos anos setenta e oitenta apavoravam os estádios ingleses e causavam conflitos gigantescos. Estes grupos conhecidos como “firmas” eram formados por trabalhadores que sofriam com a recessão das décadas citadas e utilizavam o futebol no final de semana para extravasar as frustrações na base da porrada. Após as tragédias de Heysel (leia resenha) na Bélgica e de Hillsborough, as autoridades inglesas apertaram o cerco, mudaram as leis e muitos hooligans acabaram banidos dos estádios ou na cadeia. Hoje a violência ainda ocorre nas ruas, mas dentro do estádio ela foi erradicada. Dyer mostra as violentas rivalidades entre West Ham e Milwall, entre os times de Manchester e até a violência das pequenas torcidas de Burnley e Bolton.

Polônia – Na Cracovia, Dyer foca o clássico entre Wisla e Cracovia que divide a cidade. Os clubes tem estádios próximos a conjuntos habitacionais e os grupos marcam antecipadamente os locais para brigar. As brigas utilizando facas são comuns entres as torcidas. O governo tenta mudar a situação aumentando os valores dos ingressos com o objetivo de elitizar o público nos estádios, porém o a Polônia é um país pobre e falta público que tenha poder aquisitivo para comprar ingressos caros.

Russia – A rivalidade entre Zenit e Spartak Moscou é resolvida na porrada, porém os dois lados falam em honra e briga com as mãos, sem armas. A situação lembra um pouco a Inglaterra, onde os estádios estão bem policiados, porém nas ruas a situação continua complicada.

Balcãs – Um dos locais mais explosivos do planeta, que ainda sofre as consequências da guerra dos anos noventa, tem torcidas organizadas extremamente violentas, que se odeiam dentro do país, como os croatas do Split e do Dinamo Zagreb e os sérvios do Estrela Vermelha e do Partizan. Este ódio se multiplica entre os países, cada torcida sonha poder enfrentar um time do país vizinho para se possível até matar o inimigo. Vale tudo nas brigas entre estas torcidas, que inclusive tiveram papel importante durante a guerra nos anos noventa atuando como milícias.

Turquia – Brigas nas ruas, utilização de facas e ódio contra os times ingleses são os aperitivos das torcidas turcas, o diferencial está na atmosfera maluca dentro do estádio, com os torcedores apoiando seu time do início ao fim. Pelo menos mostram interesse em ajudar o time a vencer.

Holanda – Dyer mostra a acirrada briga entre as cidades de Amsterdã e Roterdã, que são representadas por Ajax e Feyernoord. A ação preventiva da polícia ajuda a diminuir os conflitos, mas como em outros países, o perigo está nas ruas. Uma curiosidade é a torcida do Utrecht que tem a sede dentro do estádio do clube, sendo tratada quase como parceira.

Escócia – O país tem uma das maiores rivalidades do mundo entre os católicos do Celtic e o protestantes do Rangers. São os dois maiores times do país e que não tem rivais dentro do campo. Dyer mostra ainda as “firmas” de Motherwell, Hibernian e Aberdeen, estes últimos famosos por desde os anos oitenta utilizarem roupas de marcas para brigar, diferente dos demais hooligans que na época se vestiam no estilo punk.

Itália – Dyer visita a torcida Drughis da Juventus de Turim, time odiado em todo o país e que por seu lado odeiam os ingleses por causa da tragédia de Heysel. O doc enfoca também a rivalidade entre Roma e Lazio, os dois times da capital italiana e a violência que ronda este clássico. É mostrado também a questão do racismo e preconceito, pois a torcida da Lazio é conhecida por ligações com grupos fascistas de extrema direita.

Argentina – É com certeza o país em que as torcidas organizadas tem maior poder. Infliltradas nas diretorias dos clubes e com ramificações com políticos, as chamadas ”Barra Bravas” são um poder paralelo na argentina. Os violentos confrontos dentro dos estádios são comuns. Dyer assiste a um partida entre Independiente e Racing que é suspensa por causa de briga na arquibancada. Ele entrevista também o líder da temida torcida do Boca Juniors chamada “La Doce”, considerada uma das mais violentas do mundo.

Brasil – Em nosso pais, Dyer assista a um Gre-Nal e conversa com as torcidas dos dois clubes. Ele visita ainda as torcidas de Vasco e Flamengo no Rio e Palmeiras e Corinthians em São Paulo. Ele e sua equipe aceitam viajar de ônibus com a torcida do Palmeiras para assistir a um jogo no Rio de Janeiro e na volta o ônibus é atingido por tiros. Aqui também vivemos uma tentativa de elitização do estádios, praticamente inexistindo violência dentro deles, porém com os confrontos ocorrendo nas periferias, no terminais de ônibus e estações de metrô e trem.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A Profecia (1976, 1978 & 2006)

 

A Profecia (The Omen, EUA / Inglaterra, 1976) – Nota 8
Direção - Richard Donner
Elenco - Gregory Peck, Lee Remick, David Warner, Billie Whitelaw, Harvey Stephens, Patrick Troughton, Leo McKern.

Robert Thorn (Gregory Peck) é o embaixador americano em Londres, que sofre quando sua esposa (Lee Remick) dá a luz a uma criança morta. Thorn recebe uma proposta de um padre que está no hospital e que deseja trocar a criança morta pelo filho de uma mulher que faleceu durante o parto. Thorn aceita a proposta, mas não conta a verdade para esposa. 

Quando a criança chega ao seis anos (Harvey Stephens), acidentes e estranhas mortes começam a ocorrer com pessoas que convivem com a família, sem contar que o garoto não demonstra sentimento algum, sempre como uma expressão de vazio. Um fotógrafo (David Warner) intrigado com as mortes descobre que a criança pode ser o anticristo, fato que Thorn reluta em acreditar e posteriormente se vê com uma terrível decisão a tomar. 

O hoje aposentado diretor Richard Donner tinha uma sólida carreira na tv comandando episódios de seriados até o lançamento deste ótimo supense/terror que se transformou em sucesso mundial e abriu caminho para que ele dirigisse “Superman – O Filme” dois anos depois. 

Este “A Profecia” utiliza algumas ideias do clássico “O Exorcista”, sobre a presença do demônio no corpo de uma criança e do esquecido “A Inocente Face do Terror”, produzido nos anos sessenta e que colocava dois garotos gêmeos em conflito, sendo uma criança normal e o outra um pequeno psicopata. 

Aqui o clima de tensão é crescente, as cenas de mortes extremamente violentas e o final trágico.  

Damien: A Profecia II (Damien: Omen II, EUA, 1978) – Nota 6,5
Direção – Don Taylor
Elenco – William Holden, Lee Grant, Robert Foxworth, Jonathan Scott Taylor, Lew Ayres, Nicholas Pryor, Lance Henriksen, Sylvia Sidney, Lucas Donat.

Sete após os acontecimentos do primeiro filme, o garoto Damien (Jonathan Scott Taylor) agora é um adolescente que vive com os tios (William Holden e Lee Grant) e com o primo (Lucas Donat). Como as mortes voltam a ocorrer ao redor do garoto, algumas pessoas passam a desconfiar novamente de Damien, entre eles dois funcionários das empresas do seu tio (Robert Foxworth e Nicholas Pryor) e o sargento (Lance Henriksen) da escola militar onde estuda, todos se transformando em possíveis alvos. Quando o próprio tio começa a acreditar que existe algo de errado com o garoto, fica claro que novamente a história acabará em tragédia. 

O sucesso do original gerou esta inevitável sequência que perde em qualidade muito pela saída de Richard Donner do comando, que abandonou o projeto para dirigir “Superman – O Filme”. Seu substituto Don Taylor era basicamente um diretor de filmes para tv sem grande talento, constando ainda que parte deste longa tenha sido dirigido por Mike Hodges, outro diretor fraco, que tem no currículo o péssimo “Flash Gordon”. Mesmo com falhas e um roteiro requentado muito parecido com o original, o diferencial aqui está na maior quantidade de mortes, ou seja, se perdeu no suspense e ganhou na violência. 

A curiosidade principal é que o veterano astro William Holden havia sido convidado para o papel que fora de Gregory Peck no original, mas declinou supostamente porque não queria trabalhar em um filme sobre o demônio, mas por outro lado e talvez pelo dinheiro oferecido e o provável sucesso, tenha aceitado protagonizar esta sequência. 

Como informação, o sucesso gerou ainda uma parte III com o então desconhecido Sam Neill como Damien adulto, uma tardia parte IV em 1991 com uma garota como a filha do demônio, além de uma versão rasteira para a tv em 1995. Na sequência comento o interessante remake produzido em 2006 que utilizou como gancho a data do lançamento nos cinemas que ocorreu em 06/06/06.    

A Profecia (The Omen, EUA, 2006) – Nota 7
Direção – John Moore
Elenco – Liev Schreiber, Julia Stiles, David Thewlis, Seamus Davei Fitzpatrick, Pete Postlethwaite, Mia Farrow, Michael Gambon.

Depois de refilmar sem grande sucesso “O Vôo da Fênix”, o diretor John Moore investiu em novo remake e praticamente copiou o clássico “A Profecia” de Richard Donner. 

A história começa com Katherine (Julia Stiles), esposa do diplomata Robert Thorn (Liev Schreiber), perdendo um bebê durante o parto na Itália. No mesmo dia, um padre oferece ao diplomata a chance de trocar o bebê morto por outra criança que perdeu a mãe. Ele aceita a sinistra proposta e decide não revelar a verdade para esposa. A partir deste momento, fatos estranhos e coincidências ajudarão seu crescimento na carreira. Alguns anos depois, o filho (Seamus Davei Patrick) se mostra uma criança diferente, com um olhar frio. Para a situação ficar ainda mais esquisita, mortes começam a ocorrer com pessoas próximas da família, desencadeando suspeitas e terror. 

O filme é competente, mas perde em dois aspectos na comparação com o original. Primeiro por praticamente não trazer novidade alguma em relação a trama e a segunda que mais compromete o resultado, é a fraca atuação do garoto Seamus Davei Patrick. 

Como pontos positivos, se destacam as atuações de David Thewlis como um fotógrafo e o ótimo e hoje falecido Pete Postlethwaite como um padre arrependido. 

Para quem gosta do estilo e ainda não assistiu, é melhor conferir primeiro o assustador longa original de Richard Donner.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A Sombra do Vampiro

A Sombra do Vampiro (Shadow of the Vampire, Inglaterra / EUA / Luxemburgo, 2000) – Nota 7,5
Direção – E. Elias Merhige
Elenco – John Malkovich, Willem Dafoe, Cary Elwes, Eddie Izzard, Udo Kier, Catherine McCormack, Ronan Vibert

Em 1922, o diretor alemão F. W. Murnau (John Malkovich) pretendia adaptar para o cinema a obra “Drácula” de Bram Stoker, porém como não conseguiu os direitos autorais, decidiu mudar o nome do filme para “Nosferatu”, além de alterar outros detalhes. 

Obcecado em fazer um filme assustador, Murnau contrata o desconhecido ator Max Schreck (Willem Dafoe) para o papel principal, escondendo do restante do elenco e da equipe de filmagens, que o sujeito é um vampiro de verdade. Murnau faz um acordo com Schreck para que ele se controle até o final da filmagens, prometendo uma espécie de “prêmio” ao vampiro, porém cada vez vê sangue, o ator se mostra perigoso, assustando os que estão a sua volta. 

Esta simpática comédia de humor negro é praticamente uma homenagem ao clássico alemão de 1922 e ao mesmo tempo se alimenta da lenda sobre o ator Max Schreck, que seria um vampiro, pois aparecia no set somente a noite e sempre caracterizado no personagem. 

Aqui os destaques ficam para a dupla principal, com Willem Dafoe criando um sujeito estranho, quase repugnante, enquanto John Malkovich faz o diretor canalha que deseja finalizar sua obra a qualquer custo. 

É um filme para os fãs de cinema antigo se divertirem com as referências ao clássico “Nosferatu”. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

As Bruxas de Eastwick

As Bruxas de Eastwick (The Witches os Eastwick, EUA, 1987) – Nota 7,5
Direção – George Miller
Elenco – Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer, Veronica Cartwright, Richard Jenkins, Carel Struycken.

Numa pequena cidade costeira da Nova Inglaterra, três amigas solitárias, a escultora Alexandra (Cher), a violoncelista Jane (Susan Sarandon) e a tímida escritora Sukie (Michelle Pfeiffer), se encontram semanalmente para conversar, principalmente sobre homens, ou melhor, a falta deles no local onde vivem. 

Num destes encontros, elas decidem listar o que cada uma procura em um homem, porém não imaginam que juntas elas tem um misterioso poder, que faz com que pouco tempo depois apareça na cidade o excêntrico Daryl Van Horne (Jack Nicholson). 

O sujeito compra uma mansão nos arredores da cidade e com seu jeito direto, bruto e até cafajeste, consegue conquistar as três amigas as transformando em suas amantes, até que um estranho acontecimento com outro moradora da cidade (Veronica Cartwright), desperta uma fúria vingadora nas amigas. 

Baseado num livro de John Updike, este longa fez sucesso na época em virtude de alguns fatores como os ótimos efeitos especiais que chegaram a concorrer os Oscar, o clima sensual reforçado pelas três belas atrizes e a atuação de Jack Nicholson, que cria um divertido e perigoso canalha sedutor. 

Vale destacar também o roteiro que brinca com os desejos femininos e apresenta três personagens com características diferentes, porém todas frustradas sexualmente e à procura de um homem para conquistá-las. 

Como curiosidade, este foi o primeiro trabalho do diretor australiano George Miller após a trilogia “Mad Max”, sem contar o episódio que comandou em “No Limite da Realidade”.  Miller faria ainda o drama “O Óleo de Lorenzo” antes de se dedicar as produções infantis como “Babe – O Porquinho Atrapalhado” e “Happy Feet”, o que eu considero pouco para um diretor que tinha potencial para fazer uma carreira mais sólida. A esperança de pelo menos mais um bom trabalho do diretor está na nova versão de “Mad Max” quer será lançada no próximo ano. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

R.I.P.D - Agentes do Além

R.I.P.D. – Agentes do Além (R.I.P.D, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Robert Schwentke
Elenco – Jeff Bridges, Ryan Reynolds, Kevin Bacon, Mary Louise Parker, Stephane Szostak, James Hong, Marisa Miller, Robert Knepper, Mike O’Malley, Devin Ratray, Larry Joe Campbell.

Durante uma operação policial para prender uma gangue de traficantes, o detetive Nick (Ryan Reynolds) é assassinado pelo próprio parceiro, Hayes (Kevin Bacon). Dias antes, os dois haviam apreendido barras de ouro de outro traficante e ao invés de entregá-las como prova na delegacia, decidiram ficar com produto, porém Nick se arrependeu e por isso se tornou alvo do parceiro. 

Após morrer, Nick chega numa espécie de limbo, onde uma mulher (Mary Louise Parker) faz uma proposta. Se ele aceitar se tornar um policial do além, terá de trabalhar para capturar bandidos que foram mortos, mas que continuam foragidos na Terra, ou se preferir, terá de enfrentar o julgamento final e provavelmente ser condenado por ter sido um policial corrupto. Nick aceita o emprego do além e ganha como parceiro o cowboy Roy (Jeff Bridges), sujeito que viveu em 1800 e hoje caça bandidos mortos como se estivesse na época do oeste selvagem. 

A premissa é até original e algumas ideias são bem legais, como fazer os policiais mortos retornarem ao mundo dos vivos com corpos diferentes e assim não serem reconhecidos pelas pessoas que conviveram com eles. As cenas de ação e os efeitos especiais também são competentes, o que faz o filme perder força é o roteiro previsível que utiliza clichês das tramas policiais para chegar até o climax mais do que esperado. 

O destaque do elenco é Jeff Bridges se divertindo ao fazer uma sotaque sulista exagerado, enquanto Ryan Reynolds como o herói engraçadinho e Kevin Bacon como o vilão, repetem papéis que interpretaram diversas vezes no cinema. 

O resultado é uma diversão sem compromisso, o típico filme pipoca para ser esquecido rapidamente.  

sábado, 2 de agosto de 2014

Cidade do Medo

Cidade do Medo (Fear City, EUA, 1984) – Nota 7,5
Direção – Abel Ferrara
Elenco – Tom Berenger, Melanie Griffith, Billy Dee Williams, Rossano Brazzi, Jack Scalia, Rae Dawn Chong, Michael Gazzo, Joe Santos, Maria Conchita Alonso.

Em Nova York, strippers estão sendo assassinadas por um psicopata. Os crimes são investigados pelo detetive Al Wheeler (Billy Dee Williams), que pressiona Matt (Tom Berenger) e Nicky (Jack Scalia), que são sócios em uma boate onde trabalhava uma vítima do assassino. Um dos fatos que irrita o investigador é a ligação de Nicky com a Máfia, além do passado de Matt, que é um ex-boxeador marcado por ter matado um oponente durante uma luta e por este motivo ter sido proibido de praticar o esporte. A pressão do policial e o fato de suas strippers serem alvos do assassino, levam Matt a investigar por conta própria, além de tentar se reconciliar com a stripper Loretta (Melanie Griffith) que trabalha em sua boate. 

Depois de filmes quase marginais como “O Assassino da Furadeira” e “Sedução e Vingança”, o diretor Abel Ferrara tentou se aproximar do grande público com este longa policial, mesmo sem deixar de mostrar o lado sujo da sociedade e a violência. Ferrara explora muito bem a noite na Manhattan dos anos oitenta, com os inferninhos cheios de luzes e neon, bem longe do glamour atual da cidade. 

Por estes citados e outros trabalhos posteriores como “Inimigos Pelo Destino” e “O Rei de Nova York”, Ferrara se tornou uma espécie de Scorsese marginal, que mesmo flertando com o cinema comercial, nunca deixou de lado seu estilo, se tornando um diretor cult. 

Este filme se destaca pelo clima e principalmente pelos personagens fortes, com destaque para uma jovem e extremamente sensual Melanie Griffith, que ficaria famosa no mesmo ano pelo papel em “Dublê de Corpo” de Brian DePalma. Tom Berenger tem um dos poucos papéis principais da carreira, trabalho que o ajudou a ser um dos protagonistas de “Platoon”, sucesso de público e crítica dois anos depois. Vale lembrar também que na época, o ator Billy Dee Williams era famoso por ter interpretado Lando Calrissian na série “Star Wars”. 

Finalizando, apesar dos problemas com as drogas e de alguns trabalhos irregulares, a carreira de Abel Ferrara merece uma visita.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Penetras Bons de Bico & Os Estagiários



Penetras Bons de Bico (Wedding Crashers, EUA, 2005) – Nota 7
Direção – David Dobkin
Elenco – Owen Wilson, Vince Vaughn, Christopher Walken, Rachel McAdams, Isla Fischer, Jane Seymour, Keir O’Donnell, Bradley Cooper, Ron Canada, Henry Gibson, Dwight Yoakam, Rebecca DeMornay, Will Ferrell.

John (Owen Wilson) e Jeremy (Vince) são dois amigos especialistas em invadir casamentos com o objetivo de levar garotas para a cama. Eles consideram que a emoção da cerimônia deixa as mulheres solitárias mais suscetíveis a serem conquistadas. 

Em uma de suas investidas, a dupla entra como penetra na festa de casamento de uma das filhas do Secretário do Tesouro do Governo (Christopher Walken). John se encanta pela bela Claire (Rachel McAdams), a quem ele descobre também ser filha do senador e noiva do ciumento Sack (Bradley Cooper). Enquanto isso, Jeremy se envolve com outra filha do Secretário, Gloria (Isla Fisher), que é a mais nova da família e que depois transar confessa que era virgem. Apaixonado por Claire, John aceita o convite de passar o final de semana na casa de campo da família do Secretário, praticamente obrigando Jeremy a acompanhá-lo, que por seu lado gostaria de fugir da espevitada Gloria. 

Produzida sem grandes pretensões, esta comédia surpreendeu e fez sucesso na época, muito por fugir um pouco do estilo politicamente correto, dando ênfase as piadas adultas sobre sexo e relacionamento. Outro ponto de destaque é a química da dupla Owen Wilson e Vince Vaughn, que faz rir através dos divertidos diálogos e que depois se tornam a própria piada quando se apaixonam. Vale destacar ainda Christopher Walken, como sempre interpretando um sujeito estranho e a pequena participação de Will Ferrell com o mestre das invasões de casamentos, este último impagável.

Os Estagiários (The Internship, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Shawn Levy
Elenco – Vince Vaughn, Owen Wilson, Rose Byrne, Aasif Mandvi, Max Minghella, Josh Brener, Dylan O’Brien, Tiya Sircar, Tobit Raphael, Josh Gad, Will Ferrell, John Goodman.

Billy (Vince Vaughn) e Nick (Owen Wilson) são dois vendedores que perdem o emprego quando o patrão (John Goodman) decide fechar a empresa e se aposentar. Na faixa dos quarenta anos de idade e sem experiência em outros empregos, a dupla vê suas vidas virarem de ponta cabeça. A namorada de Billy o abandona e Nick aceita trabalhar vendendo colchões na loja do insuportável cunhado (Will Ferrell). 

Ao pesquisar vagas de emprego pela internet, Billy tem uma ideia, se candidatar a estagiário para trabalhar no Google. Ele convence Nick a participar da seleção e por incrivel que pareça, a dupla consegue ser aprovada. Com conhecimento zero de tecnologia, a dupla é tratada com descaso por alguns garotos que também foram escolhidos para a estágio, situação que os obriga a se adaptar para competir num mundo totalmente novo. 

O roteiro escrito pelo ator Vince Vaughn apresenta uma premissa bem interessante, fazer rir através das diferenças culturais e de conhecimento entre as gerações dos anos oitenta e os jovens da atualidade. Por exemplo, as citações da música e da trama do clássico “Flashdance” feitas pelo personagem de Vaughn são semelhantes a pegadinha que os jovens nerds criam utilizando o personagem Professor Xavier de “X-Men”. São trinta anos de diferença entre os temas, mas o conteúdo é pura cultura pop. 

O roteiro ainda faz uma crítica rasa e de uma forma um pouco ingênua sobre a competitividade dos dias atuais, fato que leva muitos jovens colocar a carreira e o objetivo de “vencer na vida” em primeiro lugar. O problema surge na previsibilidade do roteiro, principalmente nas disputas entre os estagiários que parecem gincanas, inclusive uma vergonhosa sequência de quadribol. 

A fórmula desgastada de criar um laço de amizade entre alguns personagens, depois ocorrer uma crise, para em seguida inserir uma reviravolta final e colocar tudo no lugar correto também não ajuda. 

Não se pode deixar de citar que o longa é uma verdadeira propaganda mundial do Google.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Kids

Kids (Kids, EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Larry Clark
Elenco – Leo Fitzpatrick, Justin Pierce, Chloe Sevigny, Rosario Dawson.

Em Nova York, vários adolescentes passam o tempo bebendo, usando drogas e fazendo sexo sem proteção. O personagem principal é Telly (Leo Fitzpatrick), um adolescente com atitudes de canalha que tem como objetivo transar com o maior número possível de garotas virgens e depois se vangloriar das conquistas com o amigo Casper (Justin Pearce). 

Uma das garotas que ele deflorou foi Jennie (Chloe Sevigny), que ao acompanhar a amiga Ruby (Rosario Dawson) para fazer um teste de HIV, descobre ser portadora do vírus. A ironia é que Jenny teve apenas um parceiro, enquanto Ruby transou com vários garotos sem proteção e não está infectada. Atordoada com a notícia, Jenny decide procurar Telly para contar sobre a o problema, ao mesmo tempo em que o garoto já tem outra menina virgem como objetivo sexual. 

O então fotógrafo Larry Clark estreou como diretor neste polêmico longa que chegou a ser proibido em alguns países por mostrar adolescentes em cenas fortes de sexo simulado, além dos diálogos diretos sobre sexo. Era uma realidade que muitos não queriam encarar nos anos noventa, de que os adolescentes estavam fazendo sexo cada vez mais cedo e que a AIDS era uma grande ameaça para estes jovens. 

A forma nua e crua com que o diretor abordou o tema também assustou público e crítica. Mesmo após vinte anos, ainda é forte a cena em que várias adolescentes na faixa de doze a catorze anos falam abertamente sobre suas experiências sexuais, como se fossem mulheres maduras, sem contar a chocante sequência final. 

O filme revelou as atrizes Chloe Sevigny e Rosario Dawson, que ainda eram adolescentes e também o ator Leo Fitzpatrick, que não chegou a ser famoso, mas que teve papel interessante na série “The Wire”. 

Este longa pode ser considerado o primeiro de uma trilogia comandada por Clark sobre o mundo adolescente, composta ainda por “Bully” que foca a violência e “Ken Park” que tem como ponto principal o sexo como distúrbio de comportamento. 

Analisando como cinema, estas obras não são grandes filmes, o que chama a atenção é a coragem de mostrar situações que a sociedade prefere esconder debaixo do tapete.