quinta-feira, 30 de junho de 2016

Garage

Garage (Garage, Irlanda, 2007) – Nota 7,5
Direção – Lenny Abrahamson
Elenco – Pat Shortt, John Keogh, George Costigan, Anne Marie Duff, Conor Ryan.

Josie (Pat Shortt) trabalha como frentista em um posto de gasolina numa pequena cidade do interior da Irlanda. Na casa dos quarenta anos, Josie é um sujeito solitário com a mentalidade de uma criança. 

Sua ingenuidade é vista de forma diferente por cada pessoa, com alguns se aproveitando de sua bondade e outros o tratando com carinho. 

A vida de Josie muda quando o dono do estabelecimento envia seu futuro enteado, um garoto de quinze anos para auxiliá-lo no posto durante o final de semana. 

O diretor irlandês Lenny Abrahamson ficou conhecido no ano passado com o drama “O Quarto do Jack”, mas antes disso, comandou outros filmes menores, entre eles está “Garage”. 

O ritmo lento, a falta de uma trilha sonora e o protagonista simplório, passam uma impressão inicial de que a história não irá a lugar algum, porém as entrelinhas do roteiro e o final forte revelam algo bem mais complexo. 

O ponto principal é a relação do protagonista com os moradores da cidade, que deixa claro como o diferente é tratado pela sociedade, sempre com uma razoável distância. 

É um filme que faz pensar sobre como é difícil a vida para as pessoas que não se enquadram nos padrões considerados normais da sociedade. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O Crítico

O Crítico (El Critico, Argentina / Chile, 2013) – Nota 6,5
Direção – Hernan Guerschuny
Elenco – Rafael Spregelburd, Dolores Fonzi, Ignacio Rogers, Telma Crisanti, Ana Katz, Daniel Kargieman.

Victor Tellez (Rafael Spregelburd) é um veterano crítico de cinema que escreve para um jornal de Buenos Aires. Frustrado com a vida, Tellez também não sente prazer algum com cinema. Suas críticas geralmente detonam os filmes românticos. 

Sua vida muda quando cruza o caminho de Sofia (Dolores Fonzi), uma mulher com temperamento completamento diferente. Sem entender, aos poucos Tellez se envolve com Sofia como se fosse uma história de amor igual aos filmes que ele detesta. 

A proposta do roteiro escrito pelo diretor Hernan Guerschuny funciona apenas em parte. É interessante como Tellez e seus colegas de crítica assistem aos filmes em uma pequena sala como obrigação, sem entusiasmo ou reação alguma. Parecem aqueles funcionários que cumprem o horário pensando em ir para casa, para depois se reunirem no bar e falarem mal do emprego. 

A escolha de fazer com que o protagonista sofra por amor, da mesma forma que os personagens dos filmes que ele crítica, é uma espécie de piada que brinca com os clichês dos filmes românticos. 

Um ponto falho está na subtrama que se mostra caricata sobre um jovem cineasta que odeia Tellez e o persegue.

Como opinião pessoal, acredito que o filme seria melhor se o roteiro explorasse mais a questão da relação pessoal do crítico com o cinema, deixando um pouco de lado o envolvimento amoroso que em momento algum engrena. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Decisão de Risco

Decisão de Risco (Eye in the Sky, Inglaterra / África do Sul, 2016) – Nota 7,5
Direção – Gavin Hood
Elenco – Helen Mirren, Aaron Paul, Alan Rickman, Barkhad Abdi, Phoebe Fox, Jeremy Northam, Richard McCabe, Monica Dolan, Iain Glenn, Michael O’Keefe, Laila Robins, Gavin Hood.

Um ação conjunta entre os governos americano e britânico localiza uma célula terrorista em uma pequena vila no Quênia. Entre os terroristas procurados estão dois americanos e uma inglesa que se aliaram a uma facção muçulmana radical. 

O que seria uma missão de captura, se transforma em uma dilema de vida ou morte quando imagens mostram que os terroristas estão planejando um ataque suicida. 

O tema extremamente atual é muito bem explorado pelo roteiro do inglês Guy Hibbert e valorizado pela direção segura do sul-africano Gavin Hood, que consegue misturar drama e suspense em alta tensão com praticamente apenas uma cena de ação. 

A trama se divide em três narrativas. Na Inglaterra, a Coronel Powell (Helen Mirren) é a frieza em pessoa, enquanto seu superior (Alan Rickman) negocia a estratégia de ação com políticos. Nos Estados Unidos, dois pilotos de drones (Aaron Paul e Phoebe Fox) ficam na expectativa da ação e no Quênia, um espião (Barkhad Abdi) tenta descobrir detalhes sobre o local onde os terroristas estão escondidos. 

É interessante que o filme ainda coloca em discussão as questões éticas e morais sobre os chamados “danos colaterais” na guerra contra o terrorismo. 

O “Eye in the Sky” do título se refere aos gadgets tecnológicos que propiciam a espionagem através de satélites e o ataque a distância com drones. 

Para quem gosta de uma trama de suspense com toques políticos, este longa é uma boa opção. 

Finalizando, este foi o último trabalho do recentemente falecido Alan Rickman.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A Rota de Colisão

A Rota de Colisão (Scenic Route, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Kevin & Michael Goetz
Elenco – Josh Duhamel, Dan Fogler.

Mitchell (Josh Duhamel) e Carter (Dan Fogler) são amigos que decidem reviver os bons tempos da juventude viajando de carro pela Scenic Route, uma estrada isolada que corta o deserto de Nevada. 

Durante a viagem o carro falha e os amigos se vêem presos no meio do nada. Logo, as diferenças entre dois vem à tona. Enquanto Mitchell abandonou seus sonhos para se casar e ter uma vida ordinária, Carter ainda tenta ser escritor, mas vive desempregado e sem dinheiro. O modo de cada um encarar a vida se torna o estopim de um violento conflito. 

O roteiro explora um fio de história, tendo em cena por quase todo o filme apenas os dois atores. Mesmo com menos de uma hora e meia de duração e até alguma criatividade dos diretores, os irmãos Goetz, o longa é irregular.

A primeira parte da narrativa é interessante, principalmente pelos bons diálogos entre os protagonistas, que colocam em discussão seus sonhos e frustrações. Na metade, o filme se torna cansativo ao criar suspense e tensão misturados com violência. O filme cresce na parte final com uma reviravolta dupla, que parece destoar do resto da história, mas que no fundo faz o espectador pensar sobre mudanças na própria vida. 

domingo, 26 de junho de 2016

Kill List

Kill List (Kill List, Inglaterra, 2011) – Nota 6
Direção – Ben Wheatley
Elenco – Neil Maskell, Michael Smiley, MyAnna Buring, Emma Fryer, Harry Simpson.

Em um subúrbio inglês, Jay (Neil Maskell) e sua esposa Shel (MyAnna Buring) alternam momentos de carinho com violentas discussões. Shel cobra Jay que não trabalha há meses, aparentemente por estar sofrendo de um transtorno de guerra após servir no Iraque.

Quando entra em cena Gal (Michael Smiley), amigo e parceiro de Jay, descobrimos que após a guerra, os dois se tornaram assassinos de aluguel e que precisam finalizar um novo trabalho. Matar três desconhecidos que estão em uma lista entregue por um mafioso ucraniano.

O diretor Ben Wheatley, do estranho “Turistas”, entrega aqui um longa com um clima sinistro, muita violência e um final totalmente maluco.

A crise no casamento e as explosões de loucura do protagonista assustam pelo realismo, mas infelizmente a parte final deixa o espectador sem entender o porquê dos acontecimentos no clímax. 

Por mais que eu goste de filmes diferentes, este “Kill List” resulta num longa mais maluco do que interessante. 

sábado, 25 de junho de 2016

Casa de Areia e Névoa

Casa de Areia e Névoa (House of Sand and Fog, EUA, 2003) – Nota 7,5
Direção – Vadim Perelman
Elenco – Jennifer Connelly, Ben Kingsley, Ron Eldard, Frances Fisher, Kim Dickens, Shohreh Aghdashloo, Jonathan Ahdout, Navi Rawat, Carlos Gomez.

Kathy (Jennifer Connelly) está deprimida após ser abandonada pelo marido. Sua vida fica mais complicada quando ela é despejada de sua casa por uma decisão judicial que a acusa de não pagar impostos. Kathy é auxiliada pelo policial Lester (Ron Eldard), que fica com pena e também sente-se atraído por ela. 

Ao procurar uma advogada para recorrer da decisão, Kathy descobre que foi alvo de uma erro do governo, mas isso não impede que a casa seja arrematada em um leilão por um orgulhoso imigrante iraniano, o antigo Coronel Behrani (Ben Kingsley). O erro judicial dá início a uma verdadeira guerra pela posse da casa entre Kathy e Behrani. 

Quando este longa foi lançado, muitos críticos o consideraram uma alegoria da disputa entre ocidente e oriente, principalmente porque as feridas de 11 de Setembro ainda estavam expostas nos EUA. 

O filme vai além disso, o roteiro solta farpas contra a ganância capitalista, contra o abuso do Estado, contra a falta de responsabilidade das pessoas e o preconceito. 

É um filme onde não existem heróis ou vilões, cada personagem luta para defender seus interesses, mesmo que claramente não exista uma saída que agradará os dois lados. 

É uma história triste, em que pessoas comuns são tragadas para um inevitável conflito.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Studio 54 & Os Últimos Embalos da Disco


Studio 54 (Studio 54, EUA, 1998) – Nota 6,5
Direção – Mark Christopher
Elenco – Ryan Phillippe, Salma Hayek, Mike Myers, Neve Campbell, Breckin Meyer, Sela Ward, Sherry Stringfield, Michael York, Skipp Sudduth, Lauren Hutton, Heather Matarazzo, Domenick Lombardozzi, Mark Ruffalo.

Nos anos setenta, Steve Rubell (Mike Myers) transformou a discoteca Studio 54 em Nova York em uma atração mundial. Com o auge da música disco, o local era visitado por celebridades e anônimos, que se misturavam em meio a dança, as bebidas e as drogas. 

Do outro lado da cidade, Shane O’Shea (Ryan Phillippe) é um jovem frentista que sonha em trabalhar na discoteca. O destino faz com que ele consiga uma emprego de barman na discoteca e se torne ao mesmo tempo partícipe e testemunha do auge e da decadência do local. 

O Studio 54 representou para a música disco a mesma coisa que o CBGB para o movimento punk. Os dois locais são marcos da música. 

Este longa utiliza personagens fictícios, com exceção do proprietário Steve Rubell, para reviver a magia do tempo da música disco. A trama é rasteira, segue o personagem principal aproveitando a vida durante o trabalho, seus relacionamentos com belas mulheres, até encarar a desilusão e o vazio da vida noturna. Os destaques ficam para Mike Myers como o extravagante Rubell, o figurino, a trilha sonora e a reconstituição da discoteca. 

É um filme mediano indicado para quem gosta do estilo de vida dos anos setenta.

Os Últimos Embalos da Disco (The Last Days of Disco, EUA, 1998) – Nota 7
Direção – Whit Stillman
Elenco – Chloe Sevigny, Kate Beckinsale, Chris Eigeman, Matt Keeslar, Mackenzie Astin, Robert Sean Leonard, Matthew Ross, Jennifer Beals.

Nova York, início dos anos oitenta, o sucesso da música disco está em seus últimos dias. Um grupo de jovens aproveita a noite em um famoso clube classe A, ao som dos sucessos da época. As protagonistas são as amigas Alice (Chloe Sevigny) e Charlotte (Kate Beckinsale), que trabalham como editoras de moda durante o dia e a noite se divertem na pista de dança e nos encontros com jovens ricos. 

A carreira do diretor Whit Stillman é algo inusitado. Com um estilo verborrágico e extremamente crítico em relação a elite, seus trabalhos lembram as obras de Woody Allen, com a diferença de que seu foco é nos jovens. 

Após filmes extremamente interessantes como “Metropolitan” e “Barcelona”, o diretor mirou suas lentes para a relação dos jovens de classe alta com a música da disco, incluindo bebida, sexo e drogas. 

Na época, Stillman foi considerado uma revelação do cinema independente, porém se afastou do trabalho por mais de uma década, praticamente caindo no esquecimento. Neste ano, o diretor está lançando um novo trabalho chamado “Love and Friendship” baseado numa obra de Jane Austen e curiosamente protagonizado também por Chloe Sevigny e Kate Beckinsale.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Alex of Venice

Alex of Venice (Alex of Venice, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Chris Messina
Elenco – Mary Elizabeth Winstead, Don Johnson, Chris Messina, Derek Luke, Jennifer Jason Leigh, Reg E. Cathey, Julianna Guill, Timm Sharp, Skylar Gaertner.

Alex (Mary Elizabeth Winstead) se sente perdida quando o marido George (Chris Messina) decide sair de casa. Com um filho pequeno para criar e a companhia do pai Roger (Don Johnson), um veterano ator que começa a apresentar dificuldades em se lembrar das coisas, Alex tenta equilibrar a nova vida e o trabalho como advogada numa espécie de ONG que defende a natureza. 

O ator Chris Messina (“Argo” e “Vicky Cristina Barcelona”) estreou na direção com este simpático longa sobre um pequeno período de mudanças na vida de uma jovem. O roteiro acerta ao mostrar a personagem principal perdendo o chão com a separação, além da subtrama que foca na insegurança do personagem de Don Johnson em entender o que está acontecendo com ele. 

Algumas situações são previsíveis, como a coincidência que coloca o personagem de Deerk Luke no caminho da protagonista e a pequena crise com a irmã maluquinha interpretada por Julianna Guill. 

Vale destacar a beleza e simpatia de Mary Elizabeth Winstead. 

É basicamente um drama independente sobre mudanças.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Família Rodante

Família Rodante (Familia Rodante, Argentina / Brasil / França / Alemanha / Espanha / Inglaterra, 2004) – Nota 7
Direção – Pablo Trapero
Elenco – Graciana Chironi, Nicolas Lopez, Liliana Capurro, Ruth Dobel, Marianela Pedano, Bernardo Forteza.

No seu aniversário de oitenta e quatro anos, Emilia (Graciana Chironi) recebe um telefonema de uma parente que mora no interior da Argentina a convidando para ser madrinha de casamento de sua filha. 

Animada, Emilia combina com sua família uma viagem de Buenos Aires até o local do casamento. Em um velho trailer, Emilia, suas duas filhas, os maridos, netos e um bisneto pegam estrada. A longa viagem trará à tona vários problemas familiares. 

O foco dos trabalhos do diretor Pablo Trapero é mostrar o lado obscuro da sociedade argentina. Cada filme destrincha um tema. Em “Leonera” ele mostra a vida em uma prisão feminina, em “Abutres” vemos o mundo das fraudes de seguro, em “Elefante Branco” conhecemos a violência em uma favela argentina e em “Outro Lado da Lei” o tema é a corrupção policial. 

Aqui, Trapero aponta sua arma para a falsidade das relações familiares, que geralmente explodem quando as pessoas são obrigadas a conviver durante algum tempo. 

Algo que incomoda um pouco neste longa é o estilo rústico da narrativa. São muitas cenas na estrada pontuadas por uma estranha trilha sonora, além da pobreza e da falta de estrutura do interior argentino, que por sinal é retratado de forma realista. As interpretações espontâneas é outro ponto que leva realismo a trama. 

É um road movie cheio de dramas e frustrações.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Horas Decisivas

Horas Decisivas (The Finest Hours, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Craig Gillespie
Elenco – Chris Pine, Casey Affleck, Ben Foster, Eric Bana, Holliday Granger, John Ortiz, Kyle Gallner, John Magaro, Graham McTavish, Josh Stewart, Abraham Benrubi, Michael Raymond James, Beau Knapp, Matthew Maher.

Cape Cod, New England, inverno de 1952. Uma violenta tempestade atinge a região e dois navios cargueiros se acidentam em locais diferentes. A guarda costeira é enviada para resgatar os tripulantes de um dos navios, enquanto o outro demora para conseguir contato com a costa. 

Quando a mensagem chega, o único oficial a disposição é o inseguro Bernie Webber (Chris Pine), que há pouco tempo não conseguiu salvar um pescador durante uma tempestade semelhante. Mesmo sendo uma verdadeira loucura, Bernie decide enfrentar a tempestade com um pequeno barco. Três sujeitos o auxiliam na missão quase suicida. 

Baseado numa história real, este longa lembra o superior “Mar em Fúria” com George Clooney e Mark Wahlberg, com a diferença de que aqui são duas narrativas. Enquanto o barco de Bernie tenta chegar ao navio, os tripulantes do cargueiro lutam para manter as motores funcionando. 

As cenas de ação são bem filmadas e extremamente tensas, principalmente a sequência do clímax. O filme ganha pontos pela enorme dificuldade que é filmar na água, mesmo sendo em estúdio. Por outro lado, o protagonista interpretado por Chris Pine é insosso, tanto nas cenas de ação, como nas sequências de romance com sua namorada vivida por Holliday Granger. 

Os personagens de destaque ficam para a namorada, para o líder informal do navio cargueiro interpretado por Casey Affleck e para o sempre estranho Ben Foster como um dos parceiros do protagonista. 

É um filme que prende atenção e diverte os fãs do gênero.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ex-Machina: Instinto Artificial

Ex-Machina: Instinto Artificial (Ex Machina, Inglaterra, 2015) – Nota 7,5
Direção – Alex Garland
Elenco – Domnhall Gleeson, Oscar Isaac, Alicia Vikander, Sonoya Mizuno.

Caleb (Domnhall Gleeson) trabalha como programador de computadores em uma corporação. Para sua surpresa, ele recebe uma mensagem informando que foi vencedor de um concurso que oferece como prêmio viver uma semana com o proprietário da corporação. 

Caleb é levado para uma local isolado. no meio de uma bela floresta, onde vive o excêntrico Nathan (Oscar Isaac) em um misto de laboratório, casa e bunker. 

O jovem é novamente surpreendido ao descobrir que será o responsável por testar se realmente Nathan conseguiu criar uma inteligência artificial perfeita. Seu trabalho será interagir com a criação de Nathan, Ava (Alicia Vikander). 

O roteiro escrito pelo diretor inglês Alex Garland não apresenta novidades em relação ao tema da inteligência artificial. O desenrolar da trama é previsível, desde o início as pistas estão na tela. 

O ponto principal é o desenvolvimento dos personagens, principalmente a dupla de protagonistas. O Caleb de Domnahll Gleeson é o jovem curioso, inseguro e até ingênuo, que sabe estar sendo manipulado, mas não exatamente por quem, enquanto o Nathan de Oscar Isaac é o típico gênio complicado, daqueles em que o espectador fica sempre em dúvida quanto a sua índole. 

Algumas sequências são desconfortáveis para o personagem de Caleb, como a estranha cena da dança e a discussão sobre sexualidade. 

Está longe de ser um grande filme, mas ganha pontos pelo narrativa estranha e o clima sinistro em alguns momentos.  

domingo, 19 de junho de 2016

Histórias Reais & Stop Making Sense


Nesta postagem comento dois trabalhos indicados para os fãs do músico David Byrne e sua antiga banda Talking Heads.

Histórias Reais (True Stories, EUA, 1986) – Nota 6
Direção – David Byrne
Elenco – David Byrne, John Goodman, Swoosie Kurtz, Spalding Gray, Annie McEnroe.

Em 1986, o cantor David Byrne lançou este filme e o álbum “True Stories” com sua banda Talking Heads. Utilizando as músicas da banda como trilha incidental, Byrne se vestiu como um texano, com direito a chapéu, botas e cinto para passear pela fictícia cidade de Virgil no Texas, filmando o cotidiano de personagens estranhos, como um solteirão (John Goodman) que deseja encontrar uma esposa e uma mulher (Annie McEnroe) especialista na vida de celebridades. 

Na verdade, Byrne selecionou notícias estranhas que saíram em jornais pelo país e filmou esta coletânea de bizarrices sem preocupação em criar um história linear. O filme se tornou um cult, sendo a única aventura de Byrne na direção de uma ficção. Ele ainda dirigiu alguns docs.

Stop Making Sense (Stop Making Sense, EUA, 1984) – Nota 7,5
Direção – Jonathan Demme
Documentário

O diretor Jonathan Demme filmou três shows da banda Talking Heads, que estava no auge da carreira e com um vasto material montou este documentário, que também se tornou cult para os fãs da banda, que podem ouvir os sucessos e assistir as perfomances ao vivo, O Talking Heads ainda ficaria na ativa até 1991, quando David Byrne decidiu seguir carreira solo. 

sábado, 18 de junho de 2016

Minhas Mães e Meu Pai

Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, EUA, 2010) – Nota 6
Direção – Lisa Cholodenko
Elenco – Julianne Moore, Annette Bening, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson, Yaya DaCosta, Kunal Sharma, Eddie Hassell.

Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening) estão casadas há muitas anos e tem um casal de filhos frutos de inseminação artificial. Quando Joni (Mia Wasikowska) está prestes a ir para universidade, seu irmão mais novo Laser (Josh Hutcherson) a convence a procurar o doador de esperma que seria o pai biológico deles. Ao ser encontrado, Paul (Mark Ruffalo) aceita tranquilamente encontrar “seus filhos”. 

Paul é um solteirão dono de um restaurante que fez a doação quando era jovem. Os jovens criam um laço inicial de amizade com Paul, ao mesmo tempo em que as mães se sentem preocupadas com a presença do estranho na família. 

Na sequência do texto citarei uma situação que é em parte spoiler, por isso, quem não quiser saber mais pode parar de ler por aqui. Não é piada, mas ao final do longa lembrei daquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo que acertava todas as perguntas, até responder a última com um absurdo que lhe rendia uma nota zero. 

O filme não merece zero, mas a forma como o roteiro escrito pela diretora Lisa Cholodenko crucifica o personagem de Mark Ruffalo na parte final é absurdo. Por sinal, a história é totalmente previsível até perto do final. Nas entrelinhas, fica a mensagem de que o personagem heterossexual é o vilão que deseja destruir a família perfeita, dando ao filme uma cara de panfletagem em prol do politicamente correto. 

O trio principal defende muito bem seus papéis, mas o enorme deslize do roteiro faz o filme perder vários pontos.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Jack, o Estripador, Do Inferno & e A Volta de Jack, o Estripador


Jack, o Estripador (Jack the Ripper, Inglaterra / EUA, 1988) – Nota 8
Direção – David Wickes
Elenco – Michael Caine, Armand Assante, Jane Seymour, Susan George, Ray McAnally, Harry Andrews, Lysette Anthony, Desmond Askew.

Londres, 1888. Prostitutas são assassinadas com requintes de crueldade. O Inspetor da Scotland Yard Abberline (Michael Caine) é o encarregado da investigação. Minucioso no estudo dos detalhes dos crimes, Abberline encontra pistas que o levam a acreditar que os crimes escondem uma conspiração que pode chegar até a família real inglesa. Entre os vários suspeitos, estão um ator (Armand Assand) e o médico da família real (Ray McAnally). 

Esta caprichada produção para a tv em formato de minissérie com mais de três horas de duração é uma das melhores adaptações da história de Jack, o Estripador. O roteiro desenvolve algumas subtramas explorando personagens periféricos, porém deixando o astro Michael Caine brilhar como o protagonista. Como foi produzido para tv, a minissérie dá maior ênfase a investigação e ao suspense em forma de sugestão, deixando de fora o lado sanguinário da trama. Vale destacar que a minissérie e as atuações de Michael Caine e Armand Assante foram indicadas aos Globo de Ouro.

Do Inferno (From Hell, EUA, 2001) – Nota 7
Direção – Albert & Allen Hughes
Elenco – Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm, Robbie Coltrane, Ian Richardson, Jason Flemyng, Paul Rhys, Lesly Sharp.

Londres, 1888. Prostitutas são extorquidas por uma gangue, ao mesmo tempo em que algumas delas são vítimas de terríveis crimes. O assassino degola as vítimas, para em seguida retirar alguns órgãos. Para investigar o caso é designado o Inspetor Abberline (Johnny Depp), que sofre pela perda da esposa e que está viciado em ópio. Com o auxílio da prostituta Mary Kelly (Heather Graham) e uma espécie de consultoria de Sr. William Gul (Ian Holm), médico oficial da família real, Abberline tenta desvendar a identidade do psicopata. 

Baseado numa graphic novel de Alan Moore e Eddie Campbell, os irmãos Hughes (“O Livro de Eli” e “Perigo Para a Sociedade”) levaram às telas esta versão sobre os crimes de Jack, o Estripador. Com visual no estilo dos quadrinhos recriando uma Londres suja, escura e repleta de pobreza, cenas de terror que ao mesmo tempo criam suspense nos ataques do assassino e jorram sangue na tela, além de um protagonista intrigante, este longa prende a atenção dos fãs do gênero. O ritmo é um pouco irregular, uma duração mais curta deixaria o filme mais ágil. Por outro lado, a teoria sobre os assassinatos e a identidade do criminoso são muito bem amarradas pelo roteiro.

A Volta de Jack, o Estripador (Jack’s Back, EUA, 1988) – Nota 6,5
Direção - Rowdy Herrington
Elenco – James Spader, Cynthia Gibb, Jim Haynie, Robert Picardo, Chris Mulkey.

Los Angeles, 1988. Cem anos após os crimes de Jack, o Estripador em Londres, um novo psicopata copia os crimes assassinando prostitutas de forma brutal. Quando o médico John Wesford (James Spader) é assassinado, a polícia encontra evidências de que ele seria o novo Jack. Seu irmão gêmeo Rick (James Spader em papel duplo), que tem um temperamento completamente diferente de John, não acredita na teoria e decide investigar os crimes por conta própria, principalmente a morte do irmão. 

A premissa é muito interessante ao criar um “copycat” dos crimes de Jack nos dias atuais. Os problemas surgem com o baixo orçamento que obriga o diretor a utilizar a criatividade para entreter, o que infelizmente falha pela falta de talento do mesmo. O roteiro ainda segura o suspense até a reviravolta final. É claramente uma produção B com a cara dos anos oitenta, principalmente no visual e na estranha trilha sonora.