sábado, 25 de fevereiro de 2017

The Killing

The Killing (The Killing, EUA, 2011 a 2014) – Nota 7,5
Criador – Veena Sud
Elenco – Mireille Enos, Joel Kinnaman, Billy Campbell, Brent Sexton, Michelle Forbes, Brendan Sexton III, Elias Koteas, Gregg Henry, Peter Sarsgaard, Joan Allen, Liam James, Annie Corley.

Esta interessante série policial que teve quatro temporadas é um remake de uma famosa série dinamarquesa. Por incrível que pareça, a série quase foi cancelada ao final de cada temporada. No final da primeira, a Fox anunciou o cancelamento, mas voltou atrás por causa das reclamações do fãs, que ficaram revoltados pelo grande mistério da trama não ter sido resolvido. 

Após o final da segunda temporada, com a trama solucionada e novamente beirando o cancelamento, a Fox se associou a Netflix para continuar a série. Com uma grande mudança de elenco, a terceira temporada deixou um gancho enorme para a última, que foi produzida sozinha pela Netflix e que fechou a série com seis episódios. A primeira e a segunda temporada tiveram treze episódios cada e a terceira doze. 

A trama principal das duas primeiras temporadas gira em torno do assassinato de uma adolescente na cidade de Seattle. O corpo é encontrado no porta-malas de um carro dentro de um rio. O carro pertence a campanha de um candidato a prefeito (Billy Campbell). A detetive Sarah Linden (Mireille Enos) e seu parceiro Stephen Holder (Joel Kinnaman) são os encarregados de investigar o caso. 

Os vinte e seis episódios se passam em vinte e seis dias em que ocorrem um número enorme de situações e pistas que levam a vários suspeitos. O próprio candidato a prefeito, seus assessores, os pais da vítima (Brent Sexton e Michelle Forbes), um professor, um mafioso polonês, um garoto em busca de vingança, um a índia que comanda um cassino, entre outros. A trama é rocambolesca, incluindo as crises pessoais na vida dos detetives. 

A terceira temporada muda o foco. O assassinato de uma jovem prostituta deixa em dúvida a condenação de um assassino (Peter Sarsgaard) que está no corredor na morte. Os detetives seguem novas pistas para encontrar um provável serial killer. O episódio final desta temporada termina de forma assustadora. 

Os últimos seis episódios que fecham a série são angustiantes. A trama explora o gancho da temporada anterior, inserindo o assassinato de um família em que o principal suspeito é o filho mais velho que sobreviveu a chacina e que cursa uma escola militar. Nestes episódios dois personagens ganham destaque. Um detetive rival (Gregg Henry) e a coronel que comanda a escola militar (Joan Allen). 

É uma ótima opção para quem curte drama policial.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Vídeo de Benny

O Vídeo de Benny (Benny’s Video, Áustria / Suíça, 1992) – Nota 7
Direção – Michael Haneke
Elenco – Arno Frisch, Angela Winkler, Ulrich Muhe, Ingrid Stassner, Stephanie Brehme, Stefan Polasek.

Benny (Arno Frisch) é um adolescente de classe média que tem como hobby filmar a cidade pela janela de seu quarto e também as pessoas que visitam seu apartamento. No tempo que fica em casa, ele dedica também a assistir vídeos estranhos e filmes B. 

Sua relação com a mãe (Angela Winkler) é distante e do pai (Ulrich Muhe) só recebe cobranças. Um determinado dia, Benny conhece uma garota na frente de uma locadora de vídeo (Ingrid Stassner) e a convida para conhecer seu apartamento. Seus pais estão trabalhando. A visita terminará da pior forma possível. 

Para quem já assistiu algum filme de Michael Haneke, sabe que o estilo do diretor é seco. Ele não utiliza trilha sonora, preferindo músicas incidentais, o ritmo é lento e seus personagens sempre carregam segredos ou agem de forma fora do comum. 

A crueldade é outro ponto comum em sua filmografia. O protagonista aqui é quase um versão mais jovem dos psicopatas que Haneke levaria as telas cinco anos depois no angustiante “ViolênciaGratuita”, onde por sinal, o garoto Arno Frisch é um dos malucos e Ulrich Muhe uma das vítimas. 

Como curiosidade, em uma sequência que mostra uma festa, os convidados discutem sobre uma “pirâmide financeira”, investimento picareta que estava em alta naquela época e que lesou muitas pessoas gananciosas que acreditavam que ganhariam dinheiro fácil com esta “ação entre amigos”. 

Este longa não chega a ser tão bom quanto seus trabalhos posteriores, apesar de deixar o espectador incomodado ao final da sessão. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Lion: Uma Jornada Para Casa

Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, Austrália / EUA / Inglaterra, 2016) – Nota 8
Direção – Garth Davis
Elenco – Dev Patel, Rooney Mara, Nicole Kidman, David Wenham, Sunny Pawar, Abhishek Bharate, Priyanka Bose.

Algumas histórias são tão inacreditáveis, que o melhor é escrever o menos possível, deixando a o espectador descobrir por ele mesmo. É o caso deste sensível longa baseado numa história real. 

O filme é dividido em duas partes. A primeira hora se passa em uma cidade do interior da Índia em 1986. A câmera segue os irmãos Guddu (Abhishek Bharate) e Saroo (Sunny Pawar). Duas crianças que lutam dia a dia em busca de pequenos trabalhos para ganhar algum dinheiro e ajudar a mãe (Priyanka Bose) que trabalha em uma espécie de pedreira, além de uma irmã bebê. Um acontecimento insólito mudará a vida de todos para sempre. 

A segunda parte da história pula para 2012, com Saroo (Dev Patel) tendo uma vida melhor, completamente diferente da pobreza na infância, porém angustiado por não ter respostas para algumas situações de seu passado. 

A primeira parte do longa é sensacional. Com extremamente sensibilidade, o diretor australiano Garth Davis conta uma história que mistura amor pela família, desespero e suspense, com destaque total para o garotinho Sunny Pawar. Seu desempenho espontâneo amolece o coração de qualquer um. 

A segunda parte perde pontos por exagerar um pouco na angústia do personagem de Dev Patel. Por mais atormentado que ele estivesse por causa de seu passado, algumas atitudes e explosões se mostram cinematográficas demais. O filme volta a crescer na meia-hora final, quando as respostas começam a surgir. 

Mesmo tendo sido produzido para emocionar, não se pode negar que a história por si só tem uma força incrível.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Chegada

A Chegada (Arrival, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Dennis Villeneuve
Elenco – Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg, Mark O’Brien, Tzi Ma.

Quando naves alienígenas pousam em doze lugares diferentes da Terra, a especialista em línguas Louise Banks (Amy Adams) é convocada pelo coronel Weber (Forest Whitaker) para tentar encontrar uma forma de “conversar” com os visitantes. 

Em parceria com o físico Ian Donnelly (Jeremy Renneer), Louise precisa conseguir uma resposta antes que os governos dos países envolvidos decidam tentar expulsar as naves. 

É basicamente uma ficção pacifista, que busca inspiração em “O Dia em que a Terra Parou”, clássico que Robert Wise dirigiu em 1951. Diferente daquele filme, este trabalho de Dennis Villeneuve insere no roteiro uma reviravolta que é revelada na parte final, transformando a história em algo mais sensível e quase poético, deixando de lado o suspense comum ao gênero. 

Este caminho que o roteiro toma e a escolha do diretor em levar a narrativa em banho-maria, resulta em uma obra que entrega muito menos do que promete. Por outro lado, é preciso destacar a parte técnica caprichada, tanto nas cenas que envolvem a nave, como nas belas e melancólicas sequências que revelam a vida da protagonista. A atuação de Amy Adams é outro ponto positivo. 

Pela premissa e pelo talento do diretor, eu esperava algo a mais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Até o Último Homem

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, Austrália / EUA, 2016) – Nota 8,5
Direção – Mel Gibson
Elenco – Andrew Garfield, Vince Vaughn, Sam Worthington, Teresa Palmer, Luke Bracey, Hugo Weaving, Rachel Griffiths, Richard Roxburgh, Robert Morgan, Milo Gibson.

Após acontecer o ataque a Pearl Harbor e seu irmão mais velho se alistar no exército, o jovem Desmond Doss (Andrew Garfield) decide seguir o mesmo caminho com o objetivo de ser médico em combate, mesmo contra a vontade de seus pais (Hugo Weaving e Rachel Griffiths) e de sua noiva Dorothy (Teresa Palmer). 

O pai é um veterano da Primeira Guerra que ainda sofre por causa dos horrores que presenciou e não deseja ver o filho passando pela mesma situação. Religioso e pacifista, Desmond é obrigado a enfrentar também a perseguição dos oficiais do exército após comunicar que não deseja utilizar uma arma em combate, ele quer apenas cuidar do feridos. 

Baseado numa história real quase inacreditável, este belíssimo longa coloca novamente o nome do ator e diretor Mel Gibson em evidência. 

O longa pode ser dividido em duas partes. Após uma pequena sequência na infância, a primeira parte segue o protagonista na juventude, passando pelo início do namoro com Dorothy, até os problemas durante o treinamento. 

A parte final acompanha o jovem e seus companheiros de farda em meio ao inferno da guerra contra os japoneses numa ilha do Pacífico. Os oponentes são mostrados como kamikazes que lutam até a morte para defender seu país. 

As batalhas estão entre as mais sangrentas já mostradas no cinema, daquelas em que o espectador parece sentir o cheiro do sangue e da pólvora. Por mas que seja contraditório, o pacifismo do personagem principal, junto com sua religiosidade e coragem, se tornam combustíveis para os companheiros. 

Vale destacar a ótima interpretação de Andrew Garfield, que consegue fazer o espectador acreditar em um personagem complexo e completamente fora do comum. 

É um filme que já pode ser colocado entre os melhores de todos os tempos sobre a Segunda Guerra.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Estranha Compulsão

Estranha Compulsão (Compulsion, EUA, 1959) – Nota 7
Direção – Richard Fleischer
Elenco – Orson Welles, Dean Stockwell, Bradford Dillman, Diane Varsi, E. G. Marshall, Martin Milner, Richard Anderson, Edward Binns.

Chicago, 1924.  Judd (Dean Stockwell) e Arthur (Bradford Dillman) são jovens estudantes universitários de famílias ricas que criam um sinistro laço de amizade. Arthur é falastrão e dominador, enquanto Judd é arrogante e nutre uma adoração pelo amigo. 

Os dois acreditam serem mais inteligentes que a maioria das pessoas. Para provar a teoria, eles planejam um assassinato que seria o crime perfeito, sem imaginar que uma pequena pista possa colocá-los no banco dos réus. 

Richard Fleischer foi um típico diretor hollywoodiano que explorou vários gêneros, sempre comandando filmes comerciais dos anos cinquenta até meados dos oitenta, entre eles “20 Mil Léguas Submarinas”, “Tora!, Tora!, Tora!” e “Conan – O Destruidor”. 

Este “Estranha Compulsão” apresenta uma interessante premissa, colocando dois sujeitos aparentemente normais agindo como psicopatas apenas para provar uma teoria absurda. 

A primeira hora prende a atenção através da estranha relação entre os dois amigos, que inclusive deixa implícita até mesmo uma atração de Judd por Arthur, além da investigação policial comandada por um veterano detetive (E. G. Marshall) e a curiosidade de um jovem jornalista (Martin Milner) que estuda na mesma universidade dos assassinos. 

A meu ver, a parte final perde pontos por tentar defender uma causa, que deixarei de citar para não estragar a surpresa para quem quiser assistir. Neste momento entra em cena o advogado vivido por Orson Welles, que faz um cansativo discurso de quase dez minutos. 

Eu esperava mais do filme, que na minha opinião resulta em uma obra apenas mediana. 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Comédias Românticas com Meg Ryan

Nos anos noventa, atriz alguma protagonizou tantas comédias românticas como a belíssima Meg Ryan.

A atriz diminuiu bastante o ritmo de trabalho na última década. Seu papel mais recente foi no drama "Ithaca" em 2015, quando contracenou com o astro Tom Hanks pela quarta vez na carreira.

Nesta postagem, comento rapidamente oito filmes com a atriz.

Para quem sentir falta de "Harry Sally - Feitos um Para o Outro", pode ler uma postagem antiga.

Joe Contra o Vulcão (Joe Versus the Volcano, EUA, 1990) – Nota 5,5
Direção – John Patrick Shanley
Elenco – Tom Hanks, Meg Ryan, Lloyd Bridges, Dan Hedaya, Robert Stack, Abe Vigoda, Barry McGovern, Ossie Davis. Amanda Plummer.

Joe (Tom Hanks) abandona um tedioso serviço burocrático para aceitar uma proposta maluca feita por um milionário (Lloyd Bridges). Ele poderá usufruir de uma vida de rei durante algum tempo, ao final do período acertado terá de se jogar dentro de um vulcão como sacrifício. Antes da dar fim a vida, Joe se envolve com três mulheres (todas interpretadas por Meg Ryan). Esta comédia maluca fracassou merecidamente, mesmo com a presença de Tom Hanks. Na época, duas situações chamaram a atenção. O longa foi a estreia do roteirista John Patrick Shanley na direção, ele que era famoso por vencer o Oscar de Roteiro por “Feitiço da Lua”. O outro fato foi um boato de que o longa marcaria o retorno ao cinema do então ex-presidente americano Ronald Reagan. O que acabou não ocorrendo.

Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle, EUA, 1993) – Nota 7,5
Direção – Nira Ephron                      
Elenco – Tom Hanks, Meg Ryan, Ross Malinger, Bill Pullman, Rosie O'Donnell, Rob Reiner, Rita Wilson, Gaby Hoffman, Carey Lowell.

O garoto Jonah (Ross Malinger) liga para um programa de rádio de Seattle para tentar conseguir um namorada para o pai viúvo Sam (Tom Hanks). Uma das muitas mulheres que ouvem programa é Annie (Meg Ryan), que mesmo vivendo longe de Seattle, se apaixona pela descrição do garoto. Aqui, a química entre Tom Hanks e Meg Ryan funciona perfeitamente, dando um plus para uma simpática história de amor, mesmo que previsível. O final é uma homenagem ao clássico “Tarde Demais Para Esquecer”.

A Teoria do Amor (I.Q., EUA, 1994) – Nota 6,5
Direção – Fred Schepisi
Elenco – Tim Robbins, Meg Ryan, Walter Matthau, Charles Durning, Stephen Fry, Frank Whaley, Tony Shalhoub, Lou Jacobi, Gene Saks.

Albert Enstein (Walter Matthau) utiliza sua inteligência para fazer sua sobrinha (Meg Ryan) abandonar o noivo arrogante (Stephen Fry) para se casar com um jovem mecânico (Tim Robbins). É uma comédia com uma premissa absurda que faz rir principalmente pelo talento do veterano Walter Matthau, impagável como Einsten. O restante segue a fórmula da comédias românticas comuns. 

Surpresas do Coração (French Kiss, Inglaterra / EUA, 1995) – Nota 7
Direção – Lawrence Kasdan
Elenco – Meg Ryan, Kevin Kline, Timothy Hutton, Jean Reno, François Cluzet, Suzan Anbe.

Kate (Meg Ryan) e Charlie (Timothy Hutton) estão prestes a se casar. Pouco tempo antes da cerimônia, Charlie viaja a trabalho para França e por lá acaba se apaixonando por um jovem. Ele termina o relacionamento com Kate por telefone, que não aceita a situação e decide buscar o noivo. No avião, ela senta ao lado de um vigarista francês (Kevin Kline), que a envolve numa confusão envolvendo um valioso colar. Os destaques deste simpático longa são as belíssimas locações no interior da França e a química entre uma esquentada Meg Ryan e um falastrão Kevin Kline.

A Lente do Amor (Addicted to Love, EUA, 1997) – Nota 5,5
Direção – Griffin Dunne
Elenco – Meg Ryan, Matthew Broderick, Kelly Preston, Tcheky Karyo, Maureen Stapleton.

O astrônomo Sam (Matthew Broderick) não se conforma por ter sido abandonado pela namorada Linda (Kelly Preston), que mudou para Nova York para viver com o novo amor, um francês chamado Anton (Tcheky Karyo). Sam segue a garota e consegue um apartamento em frente ao ninho de amor do novo casal, com o objetivo de espionar a ex. Logo, Sam descobre que a ex-noiva de Anton, a fotógrafa Maggie (Meg Ryan) planeja se vingar do sujeito. Os dois terminam por unir forças para destruir a vida de Linda e Anton. Explorando um premissa de filme pastelão, o longa se torna cansativo e sem graça ao criar situações forçadas, levando a um final totalmente previsível.

Mensagem Para Você (You've Got Mail, EUA, 1998) – Nota 7,5
Direção – Nora Ephron
Elenco – Tom Hanks, Meg Ryan, Greg Kinnear, Parker Posey, Jean Stapleton, Steve Zahn, Heather Burns, Dave Chappelle, Dabney Coleman, John Randolph, Michael Badalucco.

Kathleen (Meg Ryan) é a dona de uma pequena livraria que pertence a sua família há décadas. Vivendo um relacionamento desgastado com Frank (Greg Kinnear), ela todos os dias troca emails utilizando um apelido com um sujeito que conheceu pela internet. O homem é Joe Fox (Tom Hanks), que também está em um relacionamento com Patricia (Parker Posey). O que os dois amantes virtuais não sabem, é que estão prestes a se tornar concorrentes, pois a empresa de Joe planeja abrir uma grande livraria na mesma rua do estabelecimento de Kathleen. O roteiro não apresenta surpresas, porém funciona por causa da simpatia e da química entre Tom Hanks e Meg Ryan e pelos ótimos diálogos escritos pela diretora Nora Ephron. O sucesso do filme também se deve por ter explorado temas que estavam em ebulição na época. A internet estava se popularizando através de emails e chats, enquanto as grandes livrarias também estavam tomando o lugar das livrarias de bairro. É uma simpática diversão. 

Linhas Cruzadas (Hanging Up, EUA, 2000) – Nota 5,5
Direção – Diane Keaton
Elenco – Meg Ryan, Diane Keaton, Lisa Kudrow, Walter Matthau, Cloris Leachman, Adam Arkin.

Quando o velho Lou (Walter Matthau) está prestes a falecer, suas três filhas precisam acertar as pendências da família. Eve (Meg Ryan) é uma esposa dedicada, Georgia (Diane Keaton) é uma editora de revista e Maddy (Lisa Kudrow) uma atriz. As três sofrem desde que os pais se divorciaram. É basicamente um drama familiar com toques de comédia que não convence. O filme fica no meio termo entre os dois gêneros e jamais decola. O longa é mais lembrado por ter sido o último trabalho do grande Walter Matthau.

Kate e Leopold (Kate & Leopold, EUA, 2001) – Nota 6,5
Direção – James Mangold
Elenco – Meg Ryan, Hugh Jackman, Liev Schreiber, Breckin Meyer, Bradley Whitford, Philip Bosco, Natasha Lyonne, Paxton Whitehead.

Kate (Meg Ryan) e seu irmão Charlie (Breckin Meyer) moram em um apartamento em Nova York. O ex-namorado de Kate é o cientista Stuart (Liev Schreiber), que durante suas pesquisas descobre um portal do tempo que se abre na Ponte do Brooklyn. Ele decide atravessar o portal até 1870 e ao voltar é seguido por Leopold (Hugh Jackman), que fica maravilhado com o novo mundo. Ele é acolhido por Charlie, que acredita que o novo amigo seja um ator e também não demora para despertar o interesse romântico em Kate. Explorando a premissa de misturar ficção com romance, este simpático longa faz rir em algumas sequências por causa da diferença de costumes entre passado e presente. No restante, o roteiro é quadradinho e previsível. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Círculo

Círculo (Circle, EUA, 2015) – Nota 7,5
Direção – Aaron Hann & Mario Miscione
Elenco – Michael Nardelli, Allegra Masters, Molly Jackson, Jordi Vilasuso, Rene Heger, Julie Benz, Kaiwi Lyman, Lisa Pelikan, Matt Corboy.

Cinquenta pessoas despertam de pé em uma espécie de câmara futurista. Cada pessoa está em um pequeno espaço no chão demarcado pela cor vermelha. Quem tenta sair ou encostar na pessoa ao lado é morta por um raio disparado por um estranho objeto que está no meio do círculo. 

Para deixar a situação ainda mais absurda, a cada dois minutos um sinal sonoro avisa que alguém será morto. Desesperados, eles tentam descobrir o que está acontecendo e como as pessoas são escolhidas para serem sacrificadas. 

A dupla de diretores estreantes pegou a premissa da ficção “Cubo”, em que seis pessoas desconhecidas acordavam presas em um quarto e potencializou a história dando ênfase a luta do ser humano pela sobrevivência a qualquer custo através de diálogos que desmascaram preconceitos, ódio, caráter e valores de cada pessoa. 

Por mais que possa parecer clichê, são muito interessantes os diálogos entre o heterogêneo grupo de personagens. Temos o militar, o executivo, a mulher doente, a grávida, a criança, o negro rebelde, o ateu, o manipulador, o calado, entre vários outros. 

Quando pensamos que determinado personagem pode se tornar o protagonista, o mesmo é eliminado daqui dois minutos. Estes dois minutos de intervalo entre cada execução ajuda em acelerar os diálogos e variar os temas, sempre com algum personagem utilizando argumentos para tentar salvar a própria pele. 

O final pode desagradar alguns por não trazer uma explicação definitiva. Isso pode ser entendido como uma escolha dos diretores em criar uma discussão entre os espectadores ou também um gancho para uma sequência com uma história mais ampla. 

É uma ótima opção para o cinéfilo que gosta de filmes diferentes.    

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Being Charlie

Being Charlie (Being Charlie, EUA, 2015) – Nota 6,5
Direção – Rob Reiner
Elenco – Nick Robinson, Morgan Saylor, Devon Bostick, Cary Elwes, Susan Misner, Common.

Após abandonar novamente uma clínica de reabilitação, o jovem Charlie (Nick Robinson) é obrigado pelo pai (Cary Elwes) a se internar em outro local. Caso Charlie não aceite, o próprio pai ameaça entregá-lo para polícia por causa de um problema que ele causou na antiga clínica. 

Além de ajudar o filho, a preocupação do pai é também sua candidatura ao governo da Califórnia. Charlie termina por aceitar a ordem do pai. Na nova clínica, ele tenta mudar de vida e se envolve com Eva (Morgan Saylor), que também é paciente. 

O longa segue a fórmula do “pobre menino rico” que não sabe o que fazer da vida e utiliza as drogas como desculpa para sua infelicidade. O roteiro é bem quadrado, segue os clichês do gênero, começando com a total rebeldia do protagonista, a tentativa de mudança, a recaída e por fim um recomeço de vida. 

Nada que se aprofunde no tema, talvez a única mensagem que fique seja que as terapias das clínicas de reabilitação tenham pouco efeito sobre os viciados, o que realmente faz diferença é a vontade da pessoa em abandonar o vício. 

O filme ganha pontos pela boa interpretação de Nick Robinson. Por mais que seu personagem seja um rebelde clichê, principalmente na primeira parte, o garoto consegue criar empatia com o público no desenrolar da trama. 

O resultado é um longa razoável e totalmente esquecível.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Manchester À Beira Mar

Manchester À Beira Mar (Mancheste by the Sea, EUA, 2016) – Nota 8,5
Direção – Kenneth Lonergan
Elenco – Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges, C. J. Wilson, Susan Pourfar, Anna Baryshnikov, Gretchen Mol, Heather Burns, Matthew Broderick, Tate Donovan, Josh Hamilton, Kara Hayward.

Lee Chandler (Casey Affleck) trabalha como zelador em um conjunto de edifícios em Boston. Num certo dia, ele recebe um telefonema com a notícia de que seu irmão Joe (Kyle Chandler) faleceu. Lee é obrigado a voltar para a cidade litorânea de Manchester, sua terra natal e assim relembrar situações que marcaram sua vida para sempre. 

O grande acerto do diretor e roteirista Kenneth Lonergan foi desenvolver uma história extremamente triste de forma sóbria, sem apelar para o drama exagerado ou grandes reviravoltas. O diretor opta por dividir a história em duas narrativas. 

A principal segue o protagonista nos preparativos do funeral, nas decisões do que fazer com os bens do irmão e principalmente na questão do sobrinho adolescente (Lucas Hedges). Em paralelo, a segunda narrativa mostra em flashbacks os acontecimentos que mudaram a vida de Lee e do irmão Joe, fazendo o espectador entender o porquê da dificuldade de Lee em se readaptar ao local de nascimento e do seu temperamento introspectivo. 

É um filme que se apoia em personagens próximos da realidade, que enfrentam problemas que fogem do seu controle e que tentam seguir a vida mesmo assim. 

É extremamente interessante a forma como se desenvolve o personagem de Casey Affleck. A diferença de comportamento entre passado e presente exemplifica como uma vida pode entrar em parafuso após o destino ser cruel com a pessoa. A cena do diálogo na rua entre Casey Affleck e Michelle Williams é de cortar o coração. 

O resultado é um belíssimo drama.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Kóblic

Kóblic (Kóblic, Argentina, 2016) – Nota 7,5
Direção – Sebastian Borensztein
Elenco – Ricardo Darin, Oscar Martinez, Inma Cuesta.

Argentina, 1977. Tomás Kóblic (Ricardo Darin) é um piloto da Força Aérea Argentina que abandonou o trabalho após entrar em conflito com os superiores por ter sido obrigado a pilotar um “voo da morte”. Na época, a terrível ditadura argentina organizava voos noturnos clandestinos para jogar inimigos políticos no oceano. 

Kóblic despacha uma mulher de volta para Buenos Aires, provavelmente a esposa e segue para uma pequena cidade chamada Colonia Elena onde trabalhará com um velho amigo dono de aviões que pulverizam plantações na região. A presença do estranho no local chama a atenção do delegado corrupto (Oscar Martinez) e de uma jovem sofrida (Inma Cuesta). 

Este interessantíssimo longa tem como ponto de partida os problemas que a sociedade argentina vivia na época da ditadura, inseridos num contexto que lembra um western. O personagem de Darin é o estranho que chega ao pequeno povoado despertando curiosidade e inveja, enquanto sofre internamente com o trauma que carrega. Os personagens e as situações convergem para um inevitável e violento desfecho. 

Vale destacar que o diretor Sebastian Borenztein e o astro Ricardo Darin repetem a parceria do também competente “Um Conto Chinês"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

À Espera de Turistas

À Espera de Turistas (Am Ende Kommen Touristen, Alemanha, 2007) – Nota 7
Direção – Robert Thalheim
Elenco – Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski, Barbara Wysocka, Piotr Rogucki, Rainer Sellien.

O jovem alemão Sven (Alexander Fehling) troca a obrigatoriedade do serviço militar, por um trabalho voluntário no memorial de Auschwitz  na Polônia. 

A principal obrigação de Sven é cuidar de Krzeminski (Ryszard Ronczewski), um senhor de oitenta anos que foi detido pelos nazistas no campo de concentração durante a Segunda Guerra e que até hoje continua vivendo no local, sendo uma espécie de memória viva do Holocausto. 

Não demora para Sven perceber a dificuldade de um alemão ser aceito na Polônia. Por mais que ele tente ajudar aos pessoas ao seu redor e até crie um laço com uma jovem guia (Barbara Wysocka), ele é sempre visto como um intruso, alguém que não deveria estar naquele local. 

O foco principal do roteiro é mostrar que as feridas da Segunda Guerra talvez nunca cicatrizem. Por mais que as gerações atuais não tenham ligação alguma com o que ocorreu, a relação entre povos que se enfrentaram jamais será plena. 

É interessante e também triste, ver que a geração atual olha para um sobrevivente como o veterano Krzeminsnki como se fosse uma peça de museu, sem imaginar o sofrimento que ele passou ou entender porque ele continua contando sua história de vida. 

É um filme curto e que não chega a se aprofundar no tema, mas que vale pela sensibilidade de mostrar com delicadeza talvez o lugar mais triste do mundo, o campo de Auschwitz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A Longa Noite de Loucuras

A Longa Noite de Loucuras (La Notte Brava, Itália / França, 1959) – Nota 7
Direção – Mauro Bolognini
Elenco – Jean Claude Brialy, Laurent Terzieff, Franco Interlenghi, Rosana Schiaffino, Elsa Martinelli, Tomas Milian, Mylene Demongeot, Antonella Lualdi.

Em Roma, dois jovens ladrões (Jean Claude Brialy e Laurent Terzieff) contratam duas prostitutas (Mylene Demongeot e Antonella Lualdi) para acompanhá-los enquanto tentam vender armas roubadas. 

Entre o final da tarde e a manhã do dia seguinte, a dupla se envolverá com outros vigaristas, com outras mulheres, entrará em brigas e aproveitará a noite. 

Considerado um clássico do cinema italiano, visto hoje, este interessante longa perde um pouco da força e da originalidade que demonstrava na época do lançamento. Talvez por eu já ter assistido muitos filmes com temas semelhantes, a saga dos jovens vigaristas não parece tão forte quanto o título original. Com exceção das armas roubadas, as outras confusões que os protagonistas amorais e gananciosos se envolvem não são muito diferentes do que faz a juventude atual. 

Vale destacar a beleza do elenco feminino e a interpretação de Antonella Lualdi como a jovem prostituta que sonha em se apaixonar. 

Como curiosidade, o clássico brasileiro “OsCafajestes” tem semelhanças com este longa.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Barry Jenkins
Elenco – Mahershala Ali, Naomi Harris, Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Janelle Monae, André Holland.

Em um bairro negro de Miami, o roteiro acompanha Chiron em três etapas de sua vida. 

A primeira fase foca em Chiron ainda criança (Alex R. Hibbert), quando foi apelidado de Little (Pequeno) pelos garotos da escola que o perseguiam. Sofrendo também em casa com a mãe drogada (Naomi Harris), Little termina por se apegar ao traficante Juan (Mahershala Ali) e sua namorada Teresa (Janelle Monae). 

A segunda parte segue Chiron adolescente (Ashton Sanders). Ainda mostrando timidez e sendo intimidado pelos jovens da escola, Chiron enfrenta uma fase decisiva na vida, onde precisará se impor. Internamente ele sofre com a dúvida sobre sua sexualidade. A fase final apresenta Chiron adulto (Trevante Sanders), que ganha a vida com o tráfico de drogas, mas que não consegue se desamarrar do passado. 

Com um elenco totalmente negro, o diretor e roteirista Barry Jenkins explora a difícil vida das pessoas que vivem em bairros pobres onde o tráfico de drogas e a violência predominam. O personagem principal é tudo o que uma pessoa não pode ser naquele local. Tímido e com bom coração, Chiron é empurrado para decidir entre aceitar ser uma vítima da sociedade ao seu redor ou enfrentar de peito aberto os inimigos e aceitar as consequências. 

Por mais que o longa seja sensível e ao mesmo tempo doloroso, algumas situações não convencem, como a transformação física do protagonista no terceiro ato a o reencontro que começa na lanchonete na parte final. 

Por tocar em temas polêmicos e atuais, com certeza a crítica especializada irá adorar. Como opinião pessoal, considero um bom filme, mas que poderia ser melhor caso tivesse se aprofundado na vida adulta do protagonista sem enfocar apenas na dúvida sexual da parte final.