sexta-feira, 29 de abril de 2016

Clip

Clip (Klip, Sérvia, 2012) – Nota 7
Direção – Maja Milos
Elenco – Isidora Simijonovic, Vukasin Jasnic, Sanja Mikitisin, Jovo Maksic.

Em uma cidade do interior da Sérvia, Jasna (Isidora Simijonovic) é uma adolescente rebelde que odeia a mãe, ignora o pai doente e a irmã pequena. Sua vida se resume a festas, bebidas, drogas e sexo. Apaixonada por um violento jovem (Vukasin Jasnic), Jasna se entrega a relação como se fosse um brinquedo sexual. 

A Sérvia é um país marcado por muitos como o grande vilão da sangrenta Guerra dos Balcãs que esfacelou a antiga Iugoslávia no início dos anos noventa. De lá saíram as milícias que atacavam principalmente bósnios e croatas. 

Esta marca de país violento se reflete no seu cinema, mesmo deixando de lado o exagerado e sanguinário “A Serbian Film”. Outros longas como “Skinning” e “Parada” focam no ódio racial e no preconceito que se disseminou no país durante a guerra. Neste “Clip”, o foco é a juventude atual, que em parte carrega os traços da violência pós-guerra, misturados com as loucuras dos adolescentes. 

A personagem principal é o exagero em pessoa. Seu ódio pela família é demonstrado através da violência nas palavras que dirige para mãe, ao mesmo tempo em que aceita ser “vítima” dos jogos sexuais do garoto, inclusive filmando os atos, sendo alguns de sexo oral explícito. 

A escolha ousada da diretora Maja Milos lembra os filmes do americano Larry Clark (“Kids”, Bully” e “Ken Park”), com o detalhe de que as cenas de sexo se casam perfeitamente com a vida louca da protagonista. 

É um filme forte, que não tem medo de mostrar o lado B da vida adolescente. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Atraídos Pelo Crime

Atraídos Pelo Crime (Brooklyn’s Finest, EUA, 2009) – Nota 7,5
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke, Wesley Snipes, Will Patton, Michael Kenneth Williams, Bryan F. O’Byrne, Lili Taylor, Shannon Kane, Ellen Barkin, Logan Marshall Green, Vincent D’Onofrio.

Três policiais que trabalham na violenta periferia do Brooklyn em Nova York enfrentam sérios problemas relacionados a profissão. 

Eddie (Richard Gere) é um policial de uniforme que está prestes a se aposentar. Desiludido com o trabalho e com a vida pessoal, Eddie conta as horas para encerrar a carreira. 

Tango (Don Cheadle) está infiltrado na gangue de traficantes comandada por Caz (Wesley Snipes), mas deseja voltar à vida normal sem prejudicar o sujeito que se tornou seu amigo. 

O terceiro policial é o detetive Sal (Ethan Hawke), que está desesperado para conseguir dinheiro para comprar uma nova casa e assim melhorar a vida da esposa (Lili Taylor) que está grávida de gêmeos e de seus outros cinco filhos. 

A vida de policiais em Nova York beirando a marginalidade é um verdadeiro clichê cinematográfico, porém quando bem explorado pode resultar em um bom filme, como neste caso. 

O diretor Antoine Fuqua (do ótimo “Dia de Treinamento”) consegue acertar o tom nas três narrativas, incluindo em algumas sequências importantes intercalando três ações paralelas, até chegar ao clímax cruzando a vida dos personagens. 

O roteiro de Michael C. Martin aborda situações que aumentam a pressão nas vidas dos policiais e que em algum momento faz com que eles sejam obrigados a tomar decisões extremas. 

O elenco recheado de astros segura muito bem seus papéis. 

O resultado é um competente filme policial.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Sem Ar

Sem Ar (Air, EUA, 2015) – Nota 6
Direção – Christian Cantamessa
Elenco – Norman Reedus, Djimon Hounsou, Sandrine Holt.

Após o holocausto nuclear, restaram alguns abrigos subterrâneos onde pessoas com conhecimentos específicos foram mantidas vivas numa espécie de hibernação, com o objetivo reerguer a civilização na Terra assim que o ar voltar a se tornar respirável. 

Para manter um destes abrigos funcionando, dois técnicos, Bauer (Norman Reedus) e Cartwright (Djimon Hounsou) acordam a cada seis meses para fazer a manutenção dos equipamentos. Após o trabalho, eles voltam a hibernar. Em uma destas manutenções, ocorre um problema com o equipamento. Ao tentar resolver a situação, eles descobrem que a realidade é ainda mais complicada do que parece. 

Bancado por Robert Kirkman e David Alpert, produtores de “The Walking Dead” e protagonizado por Norman Reedus, o “Daryl” do mesmo seriado, este longa de ficção tem um premissa interessante, mesmo não apresentando novidades. 

O roteiro foca basicamente na relação entre os dois protagonistas e na busca pela sobrevivência em um mundo que aparentemente não tem futuro. 

Os computadores e o maquinário do abrigo lembram aparelhos dos anos setenta e oitenta, deixando indefinido qual seria a época em que ocorreu a catástrofe. 

É um filme simples, que prende a atenção de quem gosta do tema e nada mais.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Locke

Locke (Locke, Inglaterra / EUA, 2013) – Nota 7
Direção – Steven Knight
Elenco – Tom Hardy, Olivia Colman, Ruth Wilson, Andrew Scott, Ben Daniels.

Após um dia normal de trabalho, o engenheiro de obras Ivan Locke (Tom Hardy) toma uma decisão radical. Ele resolve viajar de carro de sua cidade Birmingham até Londres. Durante a viagem, Locke conversará pelo telefone do carro com sua esposa, os filhos, com seu braço-direito no trabalho, com o diretor da empresa e com uma personagem que o espera em Londres. 

O diretor Steven Knight (do razoável “Redenção” com Jason Statham) consegue prender a atenção do espectador durante quase uma hora e meia tendo apenas o ator Tom Hardy em cena dirigindo seu carro na estrada. Os demais personagens conversam com o protagonista apenas por telefone, todos sofrendo consequências pela atitude do sujeito. 

O interessante é que o dilema enfrentado pelo protagonista é consequência de um erro, aparentemente o único passo em falso que cometeu na vida, porém a forma que ele encontra para resolver a situação é discutível, deixando a questão: É melhor mentir para manter a vida perfeita ou contar a verdade para ter a consciência limpa tendo de arcar com as consequências? 

É um longa que faz pensar, indicado para o cinéfilo que gosta de tramas com enfoque original. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Sr. Holmes

Sr. Holmes (Mr. Holmes, Inglaterra / EUA / Japão, 2015) – Nota 7,5
Direção – Bill Condon
Elenco – Ian McKellen, Laura Linney, Milo Parker, Hiroyuki Sanada, Hattie Morahan, Patrick Kennedy, Roger Allam.

Com mais de noventa anos de idade, o aposentado detetive Sherlock Holmes (Ian McKellen) vive em uma casa numa vila do litoral inglês, tendo apenas a companhia de uma governanta (Laura Linney) que tem uma filho pré-adolescente chamado Roger (Milo Parker). 

Sofrendo com os problemas da idade, principalmente com falhas na memória, Holmes tenta relembrar os detalhes de seu último caso, para entender porque abandonou a carreira. 

O diretor Bill Condon e o astro Ian McKellen repetem aqui a parceria do ótimo “Deuses e Monstros” que eles fizeram em 1998. Os dois longas tem algumas semelhanças, principalmente ao mostrar o final da vida de personagens que foram famosos, além do relacionamento do protagonista com a governanta e o flerte com a juventude perdida. 

Neste longa, a narrativa se divide em três pontos. A primeira segue a velhice de Holmes (no caso, meados dos anos setenta) e sua luta contra as dificuldades da perda de memória. A segunda narrativa volta alguns meses e descreve a viagem que Holmes fez ao Japão à procura de uma erva que ajudaria no seu problema de memória. A terceira trama se passa em 1947 e em flashbacks desvenda o fatídico caso que marcou a vida do detetive, envolvendo um casal em crise. 

Depois de encher o bolso dirigindo dois filmes da saga ”Crespúsculo”, Bill Condon decidiu investir em um tema muito mais interessante, entregando uma sensível obra valorizada pela marcante interpretação de Ian McKellen e pela ótima reconstituição de época, inclusive nas cenas no Japão.  

domingo, 24 de abril de 2016

Trocando os Pés

Trocando os Pés (The Cobbler, EUA, 2014) – Nota 5,5
Direção – Tom McCarthy
Elenco – Adam Sandler, Cliff “Method Man” Smith, Steve Buscemi, Melonie Diaz, Dustin Hoffman, Ellen Barkin, Lynn Cohen, Yul Vazquez, Fritz Weaver.

Max Simkin (Adam Sandler) é o dono de uma antiga sapataria em Nova York. O estabelecimento pertence a família de Max há quatro gerações. Mesmo assim, Max é um sujeito solitário e desiludido com a vida, que cuida da velha mãe (Lynn Cohen). 

Quando um bandido (Cliff “Method Man” Smith) deixa os sapatos em sua loja para trocar o solado, Max precisa utilizar uma velha máquina que está no subsolo. Após recuperar o calçado, Max decide experimentá-lo e para sua surpresa, descobre que a máquina transformou os sapatos em algo especial, que pode mudar sua vida. 

É difícil acreditar que Tom McCarthy, o mesmo diretor e roteirista do vencedor dos Oscar “Spotlight”,  seja o responsável por este filme maluco com uma história absurda e um final totalmente bobo. 

Antes de assistir, eu imaginava um drama com pitadas de comédia baseadas em uma família judia, mas para minha surpresa, logo surgiu a história dos “sapatos mágicos”. 

A primeira parte quando o personagem de Sandler tenta usufruir das vantagens do poder da máquina e consequentemente dos sapatos é até interessante, porém tudo desaba quando o roteiro insere a questão da especulação imobiliária e uma trama policial sem pé nem cabeça. 

As comédias idiotas com Sandler eu já desisti há bastante tempo, mas aqui esperava algo mais. Considero Adam Sandler até um ator razoável, porém suas escolhas de papéis são quase sempre ruins. 

sábado, 23 de abril de 2016

O Céu de Outubro

O Céu de Outubro (October Sky, EUA, 1999) – Nota 8
Direção – Joe Johnston
Elenco – Jake Gyllenhaal, Chris Cooper, Laura Dern, Chris Owen, William Lee Scott, Chad Lindberg, Natalie Canerday, Elya Baskin, Chris Ellis, Scott Thomas, Randy Stripling.

Em outubro de 1957, a União Soviética lançou o foguete Sputnik, o primeiro satélite artificial criado na Terra. O fato despertou a inveja do governo americano, que a partir daí transformou em prioridade o seu programa espacial. 

O Sputnik também fascinou o adolescente Homer Hickam (Jack Gillenhaal), que vivia em uma pequena cidade onde o ocupação principal era a exploração de uma mina de carvão. Contrariando seu pai (Chris Cooper), que era supervisor da mina e que desejava ver o filho seguindo sua mesma carreira, Homer se juntou a três amigos e apoiados por uma professora (Laura Dern) decidiram criar um foguete para disputar a Feira de Ciências Estadual e assim tentar conseguir uma bolsa de estudos de uma universidade. 

Baseado numa inusitada história real, este longa é uma daquelas obras que se tornam exemplos de luta por um sonho. Longe de ser fantasioso, o roteiro é sóbrio ao descrever a dificuldade dos garotos em montar o foguete, além dos problemas pessoais de cada um, que a princípio estavam fadados a desperdiçar a vida dentro de uma insalubre mina de carvão. 

O filme ganha pontos nos créditos finais, quando vemos imagens reais dos jovens durante a época em que criaram o foguete. 

É um filme quase esquecido que merece ser relembrado ou descoberto. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Purple Rain

Purple Rain (Purple Rain, EUA, 1984) – Nota 6
Direção – Albert Magnoli
Elenco – Prince, Apollonia Kotero, Morris Day, Clarence Williams III, Olga Karlatos.

Excêntrico, avesso a entrevistas e considerado uma pessoa difícil. Em contrapartida, músico brilhante que tocava vários instrumentos, ótimo cantor e um ícone dos anos oitenta. O cantor Prince deixou um importante legado na música, principalmente o disco “Purple Rain”, que fez um enorme sucesso e rendeu o filme semi-autobiográfico, que também se transformou em sucesso nos cinemas. 

A trama não tem surpresas, ela aborda a vida do cantor chamado Kid (Prince), que junto de sua banda Revolution, tenta fazer carreira se apresentando num clube noturno de Minneapolis. O roteiro foca na disputa com uma banda rival chamada “Time”, com os problemas pessoais, principalmente os conflitos com o violento pai alcoólatra (Clarence Williams III) e o relacionamento com uma jovem cantora (Apollonia Kotero) que também deseja fazer sucesso. 

É um filme totalmente datado, com o figurino exagerado dos anos oitenta e a estética dos videoclipes, influenciada pelo grande sucesso na época da MTV americana. 

Uma curiosidade. O filme e o disco foram produzidos pela Warner, que fez uma ação de marketing unificando os dois segmentos, fazendo com que os fãs do cantor fossem ao cinema e também os cinéfilos comprassem o disco, que tinha várias de suas faixas tocadas no longa. 

A Warner repetiu esta estratégia cinco anos depois no lançamento de “Batman” de Tim Burton, com o mesmo Prince lançando um disco que seria a trilha sonora do filme em paralelo ao tema criado por Danny Elfman. O sucesso de Batman filme e trilha sonora foi um marco na história do marketing no cinema, rendendo uma fortuna aos envolvidos.     

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Evolução

Evolução (Evolution, EUA, 2001) – Nota 6
Direção – Ivan Reitman
Elenco – David Duchovny, Orlando Jones, Seann William Scott, Julianne Moore, Ted Levine, Dan Aykroyd, Ethan Supplee, Michael Bower, Ty Burrell, Dan Aykroyd.

Um meteoro cai no deserto do Arizona e libera micro-organismos que transformam insetos e pequenos animais em perigosos mutantes. A mutação é descoberta por dois professores (David Duchovny e Orlando Jones). 

Quando o exército entra em cena para “cuidar” do problema, a dupla de professores se une a uma cientista (Julianne Moore), um aspirante a bombeiro (Seann William Scott), além de dois irmãos malucos (Ethan Supplee e Michael Bower) para também tentar deter os invasores. 

O roteiro desta comédia de poucas risadas mistura a trama de “Homens de Preto” com um grupo de personagens engraçadinhos semelhantes ao trio de “Os Caça-Fantasmas”, que por sinal foi dirigido pelo mesmo Ivan Reitman. 

Reitman nunca foi um grande diretor, apesar do sucesso de filmes como o citado “Os Caça-Fantasmas”, “Irmãos Gêmeos” e “Júnior”, seu estilo segue a cartilha de Hollywood. 

Neste longa, o ponto principal são os efeitos especiais que resultam em criaturas estranhas e cenas de ação barulhentas. Infelizmente os diálogos são fracos, nem mesmo um bom comediante como Orlando Jones e um ruim como Sean Williann Scott conseguem fazer rir. 

Na época, David Duchovny tentava emplacar a carreira de astro no cinema no rastro do sucesso de “Arquivo X”, mas acabou falhando e continuou na tv. 

É curioso ver a ótima Julianne Moore num papel leve, diferente das personagens que está acostumada a interpretar.

Finalizando, o comediante Dan Aykroyd, um dos astros de "Os Caça-Fantasmas", faz um ponta como o governador.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Anjos de Cara Suja & Scarface - A Vergonha de uma Nação


Anjos de Cara Suja (Angels With Dirty Faces, EUA, 1938) – Nota 8
Direção – Michael Curtiz
Elenco – James Cagney, Pat O’Brien, Humphrey Bogart, Ann Sheridan, George Bancroft.

Em um violento bairro de Nova York, Rocky Sullivan (James Cagney) é um gângster admirado pelas crianças, enquanto o Padre Jerry (Pat O’Brien) faz de tudo para manter os garotos longe da vida de crimes. Os dois eram amigos de infância, mas seguiram caminhos diferentes quando adultos. Quando o Padre Jerry convence Rocky a não matar um inimigo e assim não se mostrar um péssimo exemplo para as crianças, o fato desencadeia duras consequências na vida do gângster. 

Esqueça a Manhattan moderna, aqui vemos uma Nova York pobre, com bairros violentos tomados por bandidos e imigrantes. Neste contexto, o diretor Michael Curtiz explora um tema comum as periferias do Brasil atual, onde os bandidos são vistos com glamour por parte da população influenciando crianças e adolescentes. Do outro lado, a Igreja tentando fazer um trabalho social para salvar as crianças do mundo do crime. 

Os diálogos entre os personagens de James Cagney e Pat O’Brien são tão fortes como as cenas de violência, inclusive o famoso clímax. 

O papel de gângster neste filme marcou a carreira de James Cagney, que se especializou em personagens durões. 

Vale destacar ainda a participação de Humphrey Bogart como um bandido rival de Cagney.  

Scarface – A Vergonha de uma Nação (Scarface, EUA, 1932) – Nota 8
Direção – Howard Hawks
Elenco – Paul Muni, Ann Dvorak, Karen Morley, Osgood Perkins, C. Henry Gordon, George Raft, Boris Karloff.

Toni “Scarface” Camonte (Paul Muni) é um bandido ambicioso que não mede atitudes para chegar ao topo do mundo do crime na Chicago dos anos trinta. Ele assassina um rival para ganhar pontos com o chefão da organização,  porém seu objetivo também é tomar o comando. Ao mesmo tempo, Toni sente ciúmes da irmã (Ann Dvorak) que se está envolvida com outro bandido (George Raft). 

Inspirado na carreira de Al Capone, este longa dirigido pelo grande Howard Hawks criou um estilo para os filmes de gângsteres que é explorado até hoje. A ambição pelo poder, a violência, a corrupção e as traições são pontos que se tornaram obrigatórios nos filmes do gênero. 

É interessante destacar a violência acima do padrão normal dos filmes da época, além da caracterização que marcou a carreira do então astro Paul Muni. 

A refilmagem comandada por Brian De Palma cinquenta anos depois também é um grande filme, com a diferença de que a violência é levada as últimas consequências e o personagem de Al Pacino sendo quase um psicopata.  

terça-feira, 19 de abril de 2016

O Sistema

O Sistema (The East, EUA / Inglaterra, 2013) – Nota 6,5
Direção – Zal Batmanglij
Elenco – Brit Marling, Alexander Skarsgard, Ellen Page, Toby Kebbell, Shiloh Fernandez, Patricia Clarkson, Jason Ritter, Julia Ormond, Jamey Sheridan.

Jane (Brit Marling) é uma jovem que consegue emprego em uma grande empresa especializada em segurança corporativa. O primeiro trabalho de Jane é se infiltrar numa organização ecoterrorista denominada “The East”. 

Após rodar por algumas cidades como sem fosse uma jovem sem rumo, sempre se aproximando de outros jovens com o mesmo perfil, Jane cruza o caminho de Luca (Shiloh Fernandez), que se torna seu cartão de acesso a organização. 

Após ganhar a confiança do líder do grupo (Alexander Skargarsd) e dos outros integrantes, entre eles o médico Doc (Toby Kebbell) e a desconfiada Izzy (Ellen Page), Jane passa a fazer jogo duplo, ajudando os novos companheiros, ao mesmo tempo em que envia informações para sua chefe na empresa (Patricia Clarkson). 

A premissa do roteiro escrito em parceria pelo diretor Zal Batmanglij e a atriz Brit Marling é extremamente atual. Existem grupos que utilizam táticas de guerrilha para difundir suas ideias de protesto contra as grandes corporações, ao mesmo tempo em que empresas privadas de segurança crescem prestando os mais variados serviços, não se importando quem são seus clientes, apenas esperando receber uma bolada pelo contrato. 

Infelizmente o desenrolar da trama fica abaixo da premissa, um pouco pela narrativa irregular e muito pela ingenuidade do clímax. Além de explorar o clichê do infiltrado que cria laços afetivos com os investigados, a reviravolta final é voltada para agradar ao público politicamente correto. 

Outro ponto estranho, são as sequências em que o grupo de jovens se diverte, que são inspiradas claramente nas seitas que eram muito comuns nos anos setenta e que parecem destoar da proposta inicial do filme.  

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Teia de Mentiras

Teia de Mentiras (The Trials of Cate McCall, EUA, 2013) – Nota 5
Direção – Karen Moncrieff
Elenco – Kate Beckinsale, Nick Nolte, James Cromwell, Mark Pellegrino, Anna Schafer, David Lyons, Ava Kolker, Clancy Brown, Jay Thomas, Dale Dickey, Brendan Sexton III, Isaiah Washington, Kathy Baker.

O problema com a bebida levou a advogada Cate McCall (Kate Beckinsale) a um colapso, resultando na perda do emprego e no final do casamento, com o marido ficando com a guarda da filha pequena. 

A chance de voltar para a vida normal surge com um trabalho para defender uma jovem (Anna Schafer) que foi condenada a prisão perpétua por um assassinato e que alega ser inocente. Cate acredita na garota e decide revisar o processo, descobrindo negligências da polícia. Ao mesmo tempo, ela luta nos tribunais pela guarda da filha. 

Este drama é um amontoado de clichês, com reviravoltas previsíveis, personagens mal desenvolvidos e uma narrativa que parece disputar uma maratona, de tão rápido que o roteiro passa por um grande número de situações em menos de uma hora e meia de duração. Fica até difícil comentar algo mais sobre a trama. 

Resumindo, o filme tem cara de piloto de seriado de tv vagabundo.   

sábado, 16 de abril de 2016

Truman

Truman (Truman, Espanha / Argentina, 2015) – Nota 8
Direção – Cesc Gay
Elenco – Ricardo Darin, Javier Camara, Dolores Fonzi.

O espanhol Tomás (Javier Camara) deixa a família no Canadá onde vive, para visitar em Madrid seu grande amigo Julian (Ricardo Darin), um ator argentino que luta contra um câncer. Um dos motivos da visita é o pedido de Paula (Dolores Fonzi), que é prima de Julian, para Tomás tentar mudar a ideia do amigo de desistir do tratamento contra a doença. 

Nos quatro dias em que Tomás fica na cidade ao lado do amigo, Julian decide colocar sua vida em ordem antes de morrer, inclusive procurando um novo lar para seu cachorro Truman. 

Não sou fã de filmes sobre doenças, pois geralmente as tramas se transformam em melodrama, forçando o espectador a se emocionar. O grande acerto desta obra é o roteiro escrito pelo diretor Cesc Gay em parceria com Tomas Aragay, que ao invés de procurar a emoção fácil, prefere explorar de forma sóbria uma situação triste, criando um personagem que enfrenta a iminente morte como algo natural. 

Os momentos de emoção são sensíveis, sem exageros, como o reencontro de Julian com o filho e as cenas que envolvem o cão Truman. É interessante também a reação das pessoas em relação a como conversar com alguém que está na situação do protagonista. As vezes o gesto mais humano vem de alguém que menos se espera, enquanto outras pessoas mais próximas se mostram insensíveis. 

Vale destacar a ótima química entre Ricardo Darin e Javier Camara. Darin é o bom vivant, que aproveitou a vida ao máximo, enquanto Camara é o sujeito discreto, que prefere ouvir do que falar. 

É um ótimo drama que faz o espectador pensar sobre a finitude da vida.  

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Pequenos Acidentes

Pequenos Acidentes (Little Accidents, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Sara Colangelo
Elenco – Elizabeth Banks, Boy Holbrook, Jacob Lofland, Josh Lucas, James DeForest Parker, Chloe Sevigny, Alexia Rasmussen, Travis Tope.

Em uma pequena comunidade em West Virginia, um acidente em uma mina de carvão mata dez trabalhadores. O único sobrevivente é Amos (Boyd Holbrook), que após ficar vários meses em coma, tenta retomar a vida enfrentando sequelas em um braço e uma perna, além de ser pressionado por seus ex-companheiros, assim como pelas famílias das vítimas. Todos querem que o depoimento de Amos sobre o acidente seja a seu favor. 

A tragédia gera duas outras consequências. O garoto Owen (Jacob Lofland), que é filho de um dos mineiros mortos, é responsável por outro acidente e sofre ao tentar manter segredo. O terceiro elo é o casal Bill (Josh Lucas) e Diana (Elizabeth Banks), que passa por uma crise no casamento que aumenta por causa do trabalho de Bill como supervisor da mina e também em consequência de um problema com o filho (Travis Tope). 

O roteiro escrito pela diretora Sara Colangelo tem como ponto principal mostrar que toda tragédia gera consequências para várias pessoas, não apenas as vítimas, mas também para seus familiares e para terceiros que acabam afetados de forma indireta. Quando isto ocorre em uma comunidade pequena, as consequências são ainda maiores, pois de uma forma ou de outra, a maioria dos moradores estão ligadas. 

Em sua visão de mundo, a diretora entende que cada pessoa defende seu lado, mesmo a compaixão que existe por um sobrevivente como o personagem de Amos, acaba deixada de lado quando outros personagens acreditam que o rapaz possa atrapalhar a vida na cidade se contar a verdade. 

O filme perde pontos pela lentidão da narrativa em alguns momentos, mas não deixa de ser uma história interessante que prende a atenção, daquelas que focam em personagens bem próximos da realidade que precisam enfrentar dilemas pesados.