domingo, 23 de abril de 2017

O Presente

O Presente (The Gift, EUA / Austrália / China, 2016) – Nota 7,5
Direção – Joel Edgerton
Elenco – Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton, Allisomn Tolman, Tim Griffin, Busy Phillips, Adam Lazzarre White, Beau Knapp, Wendell Pierce.

Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) formam um casal que volta para a cidade natal do marido, local onde ele conseguiu um novo emprego como executivo. 

Ao visitar uma loja, Simon é abordado por um antigo colega de colégio, Gordon (Joel Edgerton). Simon apresenta sua esposa e após alguns minutos de conversa básica, os antigos colegas ficam de voltar a se falar para marcar algo. 

Para Simon seria apenas um contato que ficaria por ali mesmo, porém ele se surpreende e sente-se incomodado quando alguns dias depois, Gordon aparece na porta de sua casa tentando reativar a antiga relação. 

Este longa dirigido e escrito pelo ator australiano Joel Edgerton tem como ponto principal o roteiro que esconde segredos e que apresenta pelo menos duas reviravoltas em relação a amizade e ao caráter dos personagens principais. 

Outros pequenos detalhes que vão surgindo no desenrolar da trama ajudam a manter o clima de constrangimento que atinge principalmente a vulnerável esposa vivida por Rebecca Hall. 

É um daqueles das filmes que a princípio parece ser um suspense corriqueiro, mas que aos poucos revela uma trama mais profunda. 

Não espere sustos ou violência, a proposta é manter o interesse do espectador através das surpresas.

sábado, 22 de abril de 2017

O Homem que Burlou a Máfia

O Homem que Burlou a Máfia (Charley Varrick, EUA, 1973) – Nota 7,5
Direção – Don Siegel
Elenco – Walter Matthau, Joe Don Baker, Felicia Farr, Andrew Robinson, Sheree North, Normal Fell, Benson Fong.

Uma quadrilha assalta um banco em uma pequena cidade, porém algo dá errado e um assaltante termina morto. Charley (Walter Matthau) e Harman (Andrew Robinson) escapam junto com Jewell (Sheree North), que ferida também morre. 

Os dois sujeitos se assustam ao encontrar 750 mil dólares no malote roubado, valor muito acima da capacidade do banco. Logo, eles entendem que o dinheiro era da Máfia, que envia um assassino (Joe Don Baker) para recuperar a grana e matar os assaltantes. 

Este competente longa policial dirigido pelo especialista Don Siegel se apoia numa história bem amarrada conduzida pelo protagonista vivido por Walter Matthau, que mesmo com toques de ironia, interpreta aqui um personagem diferente dos papéis em comédia que estava acostumado. 

Destaque também para o gélido assassino vivido por Joe Don Baker e para a sequência final com uma perseguição entre um carro e um pequeno avião. 

É um típico filme policial dos anos setenta. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Lar

O Lar (Home, França, 2008) – Nota 6
Direção – Ursula Meier
Elenco – Isabelle Huppert, Olivier Gourmet, Adelaide Leroux, Madeleine Budd, Kacey Mottet Klein.

O casal Marthe  (Isabelle Huppert) e Michel (Olivier Gourmet) moram com os filhos em um casa na beira de uma rodovia que há anos está inacabada. 

A filha mais velha (Adelaide Leroux) passa o verão de biquini tomando sol em uma cadeira no quintal. A irmã do meio (Madeleine Budd) é tímida e morre de medo de germes e sujeira. O irmão mais novo (Kacey Mottet Klein) é o explorador da região com sua bicicleta. 

A vida isolada da família sofre uma revés quando finalmente a rodovia é inaugurada e aos poucos os carros tomam conta da região. 

Este estranho longa francês brinca com o tema do “paraíso perdido”, que de uma hora para outra se transforma em um inferno barulhento. Aos poucos, o espectador descobre porque a família vive naquele local isolado e também como a grande mudança influenciará na vida de cada personagem. 

Algumas situações são simbólicas a respeito da perda da privacidade e das consequências nem sempre agradáveis que surgem junto com as mudanças. Por mais que a proposta inicial seja curiosa, as excentricidades da família aumentam em uma escala que resulta em uma parte final absurda, que beira a loucura. 

É um filme tão estranho quanto seus personagens.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Armas na Mesa

Armas na Mesa (Miss Sloane, França / EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – John Madden
Elenco – Jessica Chastain, Mark Strong, Gugu Mbatha Raw, Sam Waterston, Alison Pill, John Lithgow, Michael Stuhlbarg, Jake Lacy, Dylan Baker.

Elizabeth Sloane (Jessica Chastain) é uma lobista especializada em influenciar políticos em Washington. 

Considerada implacável em seu trabalho, Sloane compra uma enorme briga com seu empregador (Sam Waterston) ao se negar a auxiliar um senador em busca de apoio para aprovação de uma lei que facilitaria a venda de armas. 

O foco do senador seria conseguir apoio das mulheres. Sloane abandona a empresa e se une a Rodolfo Schmidt (Mark Strong), lobista que luta contra o desejo do senador. 

No mundo inteiro, o lobista é visto como uma pessoa amoral, que tem o único objetivo de fazer valer a vontade do seu cliente, mesmo que as consequências sejam péssimas para um grande número de pessoas. 

O complexo roteiro explora os bastidores sujos deste tipo de política, incluindo dossiês, corrupção, chantagens e a exploração de inocentes úteis. 

As várias pequenas reviravoltas da trama prendem a atenção, até a grande surpresa na sequência final. 

É basicamente um filme para quem gosta de tramas políticas. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Fragmentado

Fragmentado (Split, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – M. Night Shyamalan
Elenco – James McAvoy, Anya Taylor Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Izzi Coffey, Brad William Henke, Sebastian Arcelus.

Um sujeito (James McAvoy) sequestra três garotas que acordam em um quarto de subsolo em um local desconhecido. Para deixar a situação ainda mais sinistra, cada vez que o homem entra no quarto para falar com as garotas, ele demonstra uma personalidade completamente diferente da outra. 

Duas garotas (Haley Lu Richardson e Jessica Sula) ficam desesperadas, enquanto a terceira chamada Casey (Anya Taylor Joy) tenta se manter fria e analisar a situação para tentar se salvar. 

O roteiro explora duas outras narrativas. Logo, descobrimos que o homem trata do seu distúrbio de múltiplas personalidades com uma veterana psiquiatra (Betty Buckley). A terceira narrativa são flashbacks que mostram a adolescente Casey ainda criança (Izzi Coffey), enfrentando um sério problema familiar. 

Depois de alguns trabalhos que dividiram público e crítico, o diretor M. Night Shyamalan voltou a velha forma com este instigante suspense. O roteiro vai além das tramas sobre psicopatas ao explorar como um trauma pode mudar completamente a forma de uma pessoa encarar a vida ou até mesmo resultar em um distúrbio como o do protagonista. 

As atitudes do personagem de James McAvoy variam do assustador ao caricato, de acordo com a proposta do roteiro, dando uma ótima oportunidade para o ator demonstrar seu talento. 

Quem curte os trabalhos de Shyamalan ainda terá uma bela surpresa na cena final.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Oslo, 31 de Agosto

Oslo, 31 de Agosto (Oslo, 31, August, Noruega, 2011) – Nota 8
Direção – Joachim Trier
Elenco – Anders Danielsen Lie, Hans Olav Brenner, Petter Width Kristiansen, Kjaersti Odden Mostraum.

Após meses internado em uma clínica para reabilitação de drogados nos arredores de Oslo, Anders (Anders Danielsen Lie) recebe autorização para visitar a cidade e participar de um entrevista de emprego. 

Durante um dia inteiro, Anders reencontrará amigos, ex-namoradas e familiares, numa dolorosa jornada em busca de curar feridas do passado para tentar seguir em frente. 

O ponto principal do roteiro escrito pelo diretor Joachim Trier é retratar de forma humana a dificuldade que um viciado em recuperação tem em restabelecer laços com amigos, familiares e voltar a vida profissional. 

Suas mentiras e atitudes movidas pelo vício deixaram marcas em todos que com ele conviveram e que em sua maioria não demonstram vontade em voltar a ter alguma relação. Por mais que o viciado seja o grande culpado por sua vida derrotada, a forma como ele é visto e tratado é um verdadeiro empurrão para o fundo do poço. 

Vale destacar também as várias sequências na rua, que exploram com competência a nublada e cinzenta cidade de Oslo, além da melancólica interpretação de Anders Danielsen Lie, que passa toda a angústia do personagem na luta contra o vício e também na frustração por ter desperdiçado a vida.   

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Brutalidade & Rebelião no Presídio


Brutalidade (Brute Force, EUA, 1947) – Nota 7,5
Direção – Jules Dassin
Elenco – Burt Lancaster, Hume Cronyn. Charles Bickford, Sam Levene, Jeff Corey, John Hoyt, Roman Bohnen.

Na penitenciária de Westgate, localizada em uma ilha, os detentos sofrem violência física e psicológica comandada pelo capitão Munsey (Hume Cronyn), que se aproveita da passividade do diretor (Roman Bohnen). Revoltado com os maus tratos, Joe Collins (Burt Lancaster) lidera um grupo de detentos que planeja fugir do local.

Este é mais um dos vários bons filmes dirigidos por Jules Dassin. O roteiro escrito pelo também diretor Richard Brooks, além do plano de fuga, explora outras situações paralelas, como o jogo político de Munsey para puxar o tapete do diretor.

Outro ponto interessante são as cenas em flahsbacks que mostram a vida de alguns detentos antes de serem presos e o sofrimento por estarem longe de suas mulheres.

Vale destacar também a violenta e criativa sequência final da tentativa de fuga.

Rebelião no Presídio (Riot in Cell Block 11, EUA, 1954) – Nota 7,5
Direção – Don Siegel
Elenco – Neville Brand, Emile Meyer, Frank Faylen, Leo Gordon, Robert Osterloh.

Revoltado com as péssimas condições do presídio onde está detido, James V. Dunn (Neville Brand) comanda uma rebelião tomando vários guardas como reféns. Ele consegue chamar a atenção da imprensa e assim pressiona o comissário (Frank Faylen) a negociar. A situação piora quando os outros pavilhões da prisão também iniciam rebeliões. 

Este filme B é uma pequena pérola dirigida por Don Siegel (“Alcatraz – Fuga Impossível” e “Perseguidor Implacável”) que foca no eterno problema das rebeliões em prisão. Foi com certeza um dos primeiros filmes a tratar do tema de forma realista, mostrando todo o ódio que os detentos colocam para fora quando tem chances de dominar o local e os guardas. A destruição de camas, colchões e mesas, a disputa pelo comando da rebelião e por fim a violência entre eles mesmos são retratados duramente. 

A questão política também é ponto importante no roteiro. A negociação entre detentos e autoridades sofre mudanças de acordo com a pressão da imprensa. 

Para quem gosta de filmes B dos anos cinquenta e do tema prisão, esta obra é uma interessante e curiosa opção.

domingo, 16 de abril de 2017

O Segundo Rosto

O Segundo Rosto (Seconds, EUA, 1966) – Nota 7
Direção – John Frankenheimer
Elenco – Rock Hudson, John Randolph, Richard Stanley, Murray Hamilton, Jeff Corey, Will Geer, Salome Jens.

Arthur Hamilton (John Randolph) é um banqueiro de meia-idade, frustrado com a vida monótona do subúrbio e com um casamento sem paixão. Ao receber um telefonema de um amigo que ele acreditava estar morto e um convite para conhecer um local secreto, Arthur descobre uma empresa especializada em criar novas identidades. 

A empresa tem uma extensa rede de colaboradores para forjar a morte de uma pessoa e fazê-la renascer com outro rosto após uma cirurgia plástica. Após o procedimento, Arthur se transforma no pintor de sucesso Tony Wilson (Rock Hudson) e inicia uma vida totalmente nova, porém não demora para suas angústias existenciais voltarem à tona. 

Este interessante drama pode ser considerado o fechamento de um trilogia sobre a paranoia dirigida pelo grande John Frankenheimer. Os ótimos “Sob o Domínio do Mal” de 1962 e “Sete Dias em Maio” de 1964 exploravam a paranoia política, com o medo de uma terceira guerra mundial. Neste terceiro longa, o roteiro do também diretor Lewis John Carlino foca no medo e na contradição do ser humano em relação as mudanças. 

Ao mesmo tempo em que sofre quando percebe que está acomodada na vida, a pessoa também morre de medo das mudanças e muitas vezes após o primeiro obstáculo, faz de tudo para voltar a sua zona de conforto. O filme mostra esta contradição de forma extrema e explorando a ficção, lembrando em parte obras posteriores como “O Show do Truman”. 

Vale destacar o então astro Rock Hudson também deixando de lado sua zona de conforto nas comédias para enfrentar um papel que exigia muito mais. 

Apesar de muitos críticos elogiarem o longa, o estilo cansa um pouco. Alguns diálogos são quase filosóficos, ao estilo dos anos sessenta, assim como a fotografia em preto e branco e os inusitados ângulos de câmera. 

É um filme diferente, daqueles que deixam o espectador pensando após a sessão.

sábado, 15 de abril de 2017

A Lei da Noite

A Lei da Noite (Live by Night, EUA, 2016) – Nota 7
Direção – Ben Affleck
Elenco – Ben Aflleck, Zoe Saldana, Elle Fanning, Chris Messina, Chris Cooper, Brendan Gleeson, Remo Girone, Robert Glenister, Sienna Miller, Miguel J. Pimentel, Max Casella, Titus Welliver, Christian Clemenson, J. D. Evermore.

Boston, anos vinte. Joe Coughlin (Ben Affleck) é um veterano da Primeira Guerra Mundial que se torna ladrão de bancos. Seu talento para o crime o coloca no meio de uma disputa por território entre as máfias italiana e irlandesa. 

Para complicar ainda mais a situação, Joe tem um caso com Emma (Sienna Miller), que também é amante do chefão da máfia irlandesa. Esta situação é apenas o ponto de partida de um roteiro que segue a ascensão de Joe Coughlin dentro do mundo do crime. 

A história é baseada em livro de Dennis Lehane, autor de “Sobre Meninos e Lobos”, “Medo da Verdade” e “Ilha do Medo”. Apesar de não ter a mesma força da história dos filmes citados e tendo sido destruído pela crítica, esta adaptação comandada por Ben Aflleck resulta num interessante drama policial sobre o mundo do crime em meio a Lei Seca. 

A história é quase uma saga. O protagonista enfrenta vários desafios no submundo, desde conflitos com pai (Brendan Gleeson), disputas com bandidos concorrentes, questões políticas e até mesmo a ação da Ku Klux Klan. A reconstituição de época é outro ponto alto. Figurinos, carros, móveis e armas estão perfeitos. 

O longa perde pontos pela narrativa irregular. As várias histórias intercalam alguns momentos mortos. Outro ponto negativo é a apática atuação de Ben Affleck. Para quem tem um pouco mais de idade, com certeza imaginou como resultaria este longa nas mãos de Martin Scorsese e de Robert De Niro ou Al Pacino no auge da carreira.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Família Hollar

Família Hollar (The Hollars, EUA, 2016) – Nota 6
Direção – John Krasinski
Elenco – John Krasinski, Richard Jenkins, Sharlto Copley, Margo Martindale, Anna Kendrick, Randall Park, Ashley Dyke, Josh Groban, Charlie Day, Mary Kay Place, Mary Elizabeth Winstead.

Em Nova York, John Hollar (John Krasinski) passa por uma crise pessoal e profissional. Desmotivado com o trabalho e enfrentando a gravidez da namorada (Anna Kendrick), John vê sua vida ficar mais confusa quando recebe a notícia de que sua mãe (Margo Martindale) precisará passar por uma cirurgia no cérebro. Ele retorna para sua cidade natal onde reencontra o pai (Richard Jenkins) à beira da falência e o irmão (Sharlto Copley) arrependido por ter se divorciado da esposa. 

Por mais que os personagens sejam simpáticos, o roteiro é um amontoado de clichês sobre família e relacionamentos, com algumas piadas bobinhas no meio. Mesmo com um fato dramático ocorrendo no meio do trama, o filme peca pelas situações rasas que são resolvidas de forma fácil.

Os dois personagens mais interessantes são o médico descendente de chineses vivido por Randall Park e o enfermeiro falador interpretado por Charlie Day. 

É um filme inofensivo, que não emociona nem faz rir e que será esquecido rapidamente. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Jack Reacher: Sem Retorno

Jack Reacher: Sem Retorno (Jack Reacher: Never Go Back, China / EUA, 2016) – Nota 6
Direção – Edward Zwick
Elenco – Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge, Danika Yarosh, Patrick Heusinger, Holt McCallany, Robert Knepper.

Após ajudar as forças armadas a desmontar uma rede de tráfico de pessoas, o ex-Major Jack Reacher (Tom Cruise) cria um laço de amizade pelo telefone com a Major Turner (Cobie Smulders). 

Ele decide ir até Washington para encontrar a nova amiga, mas se surpreende ao descobrir que Turner está presa acusada de traição. Quando o advogado de Turner é assassinado, Reacher se torna suspeito. Para complicar ainda mais a situação, ele descobre que pode ser pai de uma adolescente que vive na rua (Danika Yarosh). 

O longa original tinha um roteiro com algumas falhas que eram compensadas pelas boas cenas de ação e por ótimos coadjuvantes como Robert Duvall e o diretor alemão Werner Herzog.

Esta sequência apresenta um roteiro ainda mais absurdo, com soluções exageradas e repleto de clichês. Algumas sequências de ação, como o final em New Orleans, acabam salvando o filme do desastre, resultando em uma obra no máximo razoável. 

Desta vez, nem mesmo o carisma de Tom Cruise pode ser destacado, o astro parece atuar no piloto automático. É um filme descartável, uma sequência que não deveria ter saído do papel.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Tigre Branco

Tigre Branco (Belyy Tigr, Rússia, 2012) – Nota 7
Direção – Karen Shakhnazarov
Elenco – Aleksey Vertkov, Vitaliy Kishchenko, Valeriy Grishko, Gerasim Arkhipov.

Rússia, 1943. Durante a Segunda Guerra Mundial, o motorista de tanque Naydenov (Aleksey Vertkov) tem o corpo queimado por inteiro após seu veículo ser atingido. Por um milagre, Naydenov se recupera totalmente e volta ao campo de batalha com o objetivo de encontrar e destruir o tanque que o atacou. 

Este tanque alemão é considerado um fantasma pelo russos. Ele tem uma cor mais clara que os tanques normais e desaparece rapidamente após as batalhas. Apenas um oficial russo (Vitaliy Kishchenko) acredita que Naydenov possa derrotar o temido tanque. 

Esta curiosa produção russa lembra o posterior “Corações de Ferro” misturado com misticismo. As batalhas entre os tanques no front russo é extremamente realista e violenta, ao mesmo tempo em que apresenta uma narrativa com ritmo pausado. 

Na parte final, o filme muda um pouco foco ao mostrar a rendição dos alemães e uma interessante cena em que Hitler fala sobre a Europa e a Guerra. 

É um filme diferente sobre a guerra, indicado para quem gosta do tema explorado de forma incomum.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Visões do Passado

Visões do Passado (Backtrack, Austrália / Inglaterra / Emirados Árabes Unidos, 2015) – Nota 6
Direção – Michael Petroni
Elenco – Adrien Brody, Sam Neill, Robin McLeavy, George Shevtsov, Chloe Bayliss.

Em Sidney, na Austrália, o psiquiatra Peter Bowen (Adrien Brody) passa por uma crise no casamento após a morte da filha pré-adolescente. Ele volta a trabalhar atendendo pacientes em seu consultório para tentar seguir a vida. 

Numa certa noite, o espírito de uma garotinha (Chloe Bayliss) aparece no local e faz Peter reabrir outra ferida consequência de um trauma da adolescência. Desta vez, Peter viaja para sua cidade natal em busca de respostas para a estranha aparição. 

O ponto mais interessante deste razoável longa é o clima de suspense pontuado por uma trilha sonora marcante. O roteiro pode ser dividido em duas partes. A inicial que é mais voltada para a questão sobrenatural e para a angústia que carrega o personagem de Adrien Brody. 

A sequência final que se passa na pequena cidade do interior e coloca em cena o pai do protagonista (George Shevtsov) e a jovem chefe de polícia (Robin McLeavy), acaba transformando o longa numa história policial, com direito a um segredo que cria uma pequena reviravolta na trama. 

O que faz o filme perder pontos é o próprio roteiro que apresenta algumas situações forçadas. A narrativa também explora mal alguns personagens, como o de Sam Neill que é praticamente esquecido no meio da trama. 

É um filme que poderia ser melhor.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Montagem

Montagem (Mong-ta-joo, Coreia do Sul, 2013) – Nota 8
Direção – Geun Seop Jeong
Elenco – Sang Kyung Kim, Jeong Hwa Eon, Young Chang Song, Hie Bong Jo, Hae Kyun Jung.

Em 1997, o rapto de uma garota termina em morte e o assassino consegue escapar sem que o policial Chung (Sang Kyung Kim) consiga descobrir sua identidade. 

Quinze anos depois, faltando cinco dias para o crime prescrever, Sang ainda tenta encontrar o assassino para diminuir a dor da mãe da menina (Jeong Hwa Eon). 

Para deixar a situação ainda mais confusa, ocorre um novo sequestro semelhante ao antigo crime. O desafio de Chung passa a ser descobrir a ligação entre os dois crimes. 

Nos últimos quinze anos, o cinema coreano se tornou especialista em thrillers de dar inveja ao cinema americano. Este “Montagem” é mais um ótimo exemplar do gênero. 

Por sinal, o título faz alusão ao complexo roteiro cheio de reviravoltas e também a ótima montagem que intercala cenas fora da ordem cronológica, deixando o espectador em dúvida até a revelação principal perto do final. 

O protagonista Sang Kyun Kim trabalhou em outro thriller coreano ainda melhor, o sensacional “Memórias de um Assassino”.