terça-feira, 2 de setembro de 2014

Roubo a Máfia

Roubo a Máfia (Rob the Mob, EUA, 2014) – Nota 6,5
Direção – Raymond De Felitta
Elenco – Michael Pitt, Nina Arianda, Andy Garcia, Ray Romano, Griffin Dunne, Michael Rispoli, Yul Vazquez, Frank Whaley, Brian Tarantina, Ainda Turturro, Burt Young, Cathy Moriarty, Adam Trese.

No início de 1991, os namorados Tommy (Michael Pitt) e Rosie (Nina Arianda) são presos após assaltarem uma floricultura com o objetivo de conseguir dinheiro para comprar drogas. No ano seguinte, Tommy sai de cadeia e com ajuda de Rosie começa a trabalhar em uma empresa de cobranças, onde o dono (Griffin Dunne) é um ex-presidiário que acredita em segunda chance, porém seu verdadeiro intuito é contratar pessoas para pagar um baixo salário. 

O casal tenta levar uma vida normal, mas sofre com a falta de dinheiro. Esta dificuldade, somada ao ódio de Tommy pela Máfia que extorquia seu pai, um pequeno comerciante dono de uma floricultura, faz nascer uma ideia maluca no sujeito. Ao acompanhar o julgamento do chefão mafioso John Gotti, que fora entregue aos federais por um de seus capangas, Tommy anota os endereços dos clubes que eles frequentam e descobre que mafioso algum usa arma nestes locais. Tommy e Rosie decidem assaltar os clubes, acreditando que bandidos jamais dariam queixa na polícia, porém não imaginavam que estariam se envolvendo em algo maior que um simples roubo. 

Esta inacreditável história sobre um casal de jovens malucos e ao mesmo tempo ingênuos é baseada em um fato real que influenciou decisivamente no julgamento de vários mafiosos. 

A trama por si só tinha tudo para render um grande filme, o problema está no roteiro frouxo que aproveita mal vários personagens e na direção que não se decide entre fazer uma comédia ou um drama policial, resultando numa narrativa irregular. A tentativa de criar uma história de amor ao estilo “Bonnie & Clyde” também não funciona. 

Mesmo com personagens mal aproveitados, vale destacar Andy Garcia como outro chefão mafioso, o comediante Ray Romano como um jornalista especializado na Máfia e a pequena e importante participação do veteraníssimo Burt Young, o Paulie da série “Rocky”. 

No final, fica a sensação de uma boa história desperdiçada.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Religulous

Religulous (Religulous, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Larry Charles
Documentário com Bill Maher

O comediante e apresentador Bill Maher entrevistou diversas pessoas ligadas a várias religiões com o objetivo de desmistificar os dogmas que elas tanto acreditam, sempre utilizando de argumentos racionais, ironias e até debochando dos entrevistados em algumas situações. 

Mesmo não assumindo ser ateu, Maher deixa claro que não acredita em religião alguma, além de enfatizar que elas são nocivas por disseminarem separação, ódio e até guerras. Por mais ofensivo que pareça aos olhos de uma pessoa religiosa, os argumentos de Maher se sustentam frente ao abstrato defendido pelos entrevistados, principalmente quando alguns deles tentam disseminar ideias absurdas, daquelas que brincam com a inteligência das pessoas. 

Entre as figuras que passam pela tela temos o ex-cantor que se transformou em pastor picareta e que se veste com ternos e sapatos caros, ostentando um relógio de ouro e que tem a cara de pau de dizer que Cristo deseja que ele se vista bem. Outro pastor diz ser descendente de Cristo, um rabino maluco nega o Holocausto, um ex-gay que se tornou pastor “ajuda” homossexuais a se tornarem héteros e um muçulmano questionado sobre como sua religião considera a mulher inferior, se defende mostrando uma jovem rezando em um minúsculo canto na enorme Mesquita, com todo o restante do espaço reservado para os homens. 

Como citei anteriormente, o documentário com certeza será considerado ofensivo para uma pessoa religiosa, enquanto o sujeito mais racional dará boas risadas com o embate de pensamentos entre Maher e os entrevistados, principalmente pelas cenas inseridas entre os diálogos que na maioria das vezes contradiz a afirmação do religioso.

domingo, 31 de agosto de 2014

O Beijo no Asfalto

O Beijo no Asfalto (Brasil, 1981) – Nota 7
Direção – Bruno Barreto
Elenco – Tarcísio Meira, Ney Latorraca, Christiane Torloni, Lídia Brondi, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro.

Um homem é atropelado por um ônibus e antes de morrer pede um beijo para Arandir (Ney Latorraca), que foi a primeira pessoa que chegou para tentar ajudá-lo. Arandir beija o homem e vê sua vida virar de ponta cabeça. 

O fato foi presenciado por um repórter sensacionalista (Daniel Filho), que leva o caso a um violento delegado (Oswaldo Loureiro) com o objetivo de criar polêmica para vender jornal. Os dois canalhas decidem procurar Arandir para pressioná-lo a confirmar que conhecia o sujeito. O acidente também teve como testemunha o sogro de Arandir, Aprigio (Tarcísio Meira), um professor moralista que não entende o porquê da atitude do genro. A esposa Selminha (Christiane Torloni) faz de tudo para defender o marido, enquanto sua irmã mais nova, a bela Dália (Lídia Brondi), esconde ser apaixonada por Arandir. 

Baseado numa obra de Nelson Rodrigues, a história apresenta todos os conflitos familiares e sexuais habituais das obras do autor. Além dos segredos de família, a trama ainda faz uma crítica a imprensa e aos jornalistas que com o pretexto de vender a notícia não se preocupam com as consequências na vida dos envolvidos. Sobram farpas também para a violência policial, o chamado abuso de autoridade, fato comum em nosso país. 

No elenco se destacam Daniel Filho como o repugnante repórter, o sempre competente Ney Latorraca como o pobre Arandir e a quase adolescente Lídia Brondi como uma espécie de Lolita suburbana que aparece com roupas curtas em boa parte do filme e totalmente nua em duas sequências. 

sábado, 30 de agosto de 2014

Transformers & Transformers: A Vingança dos Derrotados


Transformers (Transformers, EUA, 2007) – Nota 6,5
Direção – Michael Bay
Elenco – Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, Jon Voight, John Turturro, Michael O’Neill, Kevin Dunn, Julie White, Glenn Morshower, Amaury Nolasco, Zack Ward, Travis Van Winkle, Bernie Mac.

Sucesso como desenho animado anos noventa, “Transformers” era considerado um projeto quase impossível de ser transportado para as telas. Com o desenvolvimento da CGI e o dedo de Spielberg na produção, o diretor Michael Bay tomou a frente do projeto e criou uma das franquias mais rentáveis da história do cinema, mesmo que a qualidade dos filmes, principalmente as interpretações e os diálogos sejam fracos. 

A trama coloca em guerra os Autobots e os Decepticons, que destruíram o planeta Cybertron e os sobreviventes se espalharam pelo espaço. Megatron, lider dos Decepticons, veio para a Terra em busca de um objeto chamado All Spark, que tem o poder de dar vida e inteligência aos aparelhos eletrônicos, porém acabou preso e congelado em uma geleira. Muitos anos depois, outros Decepticons chegam ao planeta Terra em busca do líder e iniciam uma nova guerra, agora contra os humanos e os Autobots que também querem o All Spark. No meio desta bagunça surge Sam Witwicky (Shia LaBeouf), um adolescente que é neto do sujeito que encontrou Megatron congelado e que sonha em conquistar a bela Mikaela (Megan Fox). Junte ainda segredos militares, soldados sobreviventes de um ataque dos Decepticons e uma dupla de hackers. 

Os fãs da série adoraram o filme, que é competente nas barulhentas cenas de ação e destruição, especialidade de Michael Bay, porém o espectador comum que deseja diversão com o mínimo de inteligência ficará decepcionado com os diálogos constrangedores e as piadinhas adolescentes sem graça. Neste sentido pouca coisa se salva, como a espontaneidade de Shia LaBeouf e o carisma maluco de Anthony Anderson e John Turturro. Vale destacar ainda a beleza e sensualidade de Megan Fox, que por outro lado é péssima atriz.

Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Michael Bay
Elenco – Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, John Turturro, Ramon Rodriguez, Kevin Dunn, Julie White, Isabel Lucas, John Benjamin Hickey, Glenn Morshower.

Após ajudar os Autobots a vencerem os Decepticons e destruírem o All Spark, Sam Witwicky (Shia LaBeouf) se prepara entrar na universidade e tentar levar uma vida normal, porém um pedaço do All Spark que ficou em seu poder se torna alvo dos Decepticons que sobreviveram e que tem como objetivo reaver o objeto para dar vida a Fallen, seu líder que morreu na Terra há centenas de anos. Ao mesmo tempo, um comando especial do exército e os Autobots lutam para destruírem os Decepticons que restaram, mesmo sem saber do objetivo dos inimigos. 

Esta inevitável sequência recicla a premissa do original, criando um passado distante de lutas na Terra entre Autobots e Decepticons e uma ligação com as culturas antigas do planeta. O que aparentemente parece ser interessante, na verdade é apenas uma desculpa para muita correria e explosões, numa verdadeira overdose de efeitos especiais. A parte técnica de primeira qualidade e a rapidez nos cortes escondem uma história rala, personagens unidimensionais e diálogos constrangedores. 

No elenco, novamente o destaque vai para John Turturro, que parece se divertir no papel e o astro Shia LaBeouf que tem ótima presença de cena. Também é sempre bom apreciar a beleza de Megan Fox, mesmo que ela seja um desastre como atriz.  

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Noite Vazia

Noite Vazia (Brasil, 1964) – Nota 8
Direção – Walter Hugo Khouri
Elenco – Norma Bengell, Odete Lara, Mário Benvenutti, Gabriele Tinti.

Luisinho (Mário Benvenutti) é um sujeito da classe alta, casado e que todas as noites deixa em casa esposa e filho para percorrer bares em busca de amantes, sempre na companhia de Nelson (Gabriele Tinti), jovem trabalhador desiludido com a vida, quase depressivo. 

Após passarem por alguns bares, flertarem com garotas e até receberem cantada de uma mulher de meia idade, a dupla cruza o caminho de duas prostitutas em um restaurante japonês. A experiente Regina (Odete Lara) e a sentimental Mara (Norma Bengell), seguem com os amigos para o apartamento de Luisinho, local especial para estes encontros, onde fazem sexo, discutem sobre a vida, dinheiro, amores e frustrações. 

O diretor Walter Hugo Khouri marcou sua carreira por dramas existenciais, com destaque para este ótimo longa. Mesmo se passando em São Paulo e mostrando a noite da cidade durante os cortes das cenas, o filme na verdade é intimista, tendo as sequências no apartamento como as mais importantes e principalmente focando no desenvolvimento dos personagens e nos diálogos. 

O vazio existencial de cada personagem é colocado à prova durante esta noite, como as aventuras extraconjugais que se transformaram monótonas para Luisinho, a falta de objetivo na vida de Nelson, a resignação de Regina em relação a vida que escolheu ou a procura de Mara por um amor. 

Em determinada cena, Nelson diz ao ver uma bela garota com o namorado “tudo que é diferente tem dono”, frase que explica o sentimento dos personagens em busca de algo mais, mesmo sem saber o que. 

Vale destacar ainda algumas sequências sensuais de muito bom gosto, que com certeza causaram polêmica na época.  

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Clube da Lua

Clube da Lua (Luna de Avellaneda, Argentina / Espanha, 2004) – Nota 7,5
Direção – Juan José Campanella
Elenco – Ricardo Darin, Eduardo Blanco, Mercedes Moran, Valeria Bertuccelli, Silvia Kutika, José Luís Lopez Vazquez, Daniel Fanego.

Fundado nos anos cinqüenta, o Clube Luna de Avellaneda teve seus dias de glória com grandes festas e bailes, porém quarenta anos depois vive uma enorme crise, assim como a economia da Argentina. Com poucos sócios ainda pagando mensalidades, Roman (Ricardo Darin) e Amadeo (Eduardo Blanco) lutam para manter o local funcionando e assim dar um pouco de divertimentio para muitas pessoas do bairro, principalmente idosos e crianças. A crise financeira do clube é semelhante aos problemas pessoais da dupla, que sofrem com casamentos falidos e o desemprego. 

Quando um velho conhecido da dupla, hoje empresário, surge com a proposta de transformar o clube em um cassino e dar emprego no local as pessoas do bairro, a complicada situação se transforma num dilema de consciência. Aceitar o fechamento do clube onde vivem desde criança e seguir em frente ou ainda lutar por algo que para muitos moradores é como um se fosse um objeto antigo sem valor algum. 

Após o grande sucesso de “O Filho da Noiva” em 2001, o diretor Juan José Campanella se aventurou nos Estados Unidos dirigindo alguns episódios de seriados como “Law & Order” e “Ed”, até retornar a Argentina e reencontrar os atores Ricardo Darin e Eduardo Blanco para comandar este sensível drama com toques políticos e personagens sonhadores. 

É um longa que se sustenta pelos ótimos personagens e pelo roteiro, que coloca em choque o presente capitalista contra o sentimentalismo do passado. 

Além dos dois filmes citados, o diretor Campanella e o astro Ricardo Darin trabalharam juntos ainda em “O Mesmo Amor, a Mesma Chuva” e o premiado “O Segredo dos Seus Olhos”.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Homem do Braço de Ouro

O Homem do Braço de Ouro (The Man with the Golden Arm, EUA, 1955) – Nota 8
Direção – Otto Preminger
Elenco – Frank Sinatra, Eleanor Parker, Kim Novak, Arnold Stang, Darren McGavin, Robert Strauss.

Em Chicago, Frankie Machine (Frank Sinatra) é um talentoso crupiê que acaba preso no lugar de Schwiefka (Robert Strauss), o chefão que comandava a jogatina clandestina onde ele trabalhava. Na prisão, Frankie consegue se livrar do vício da heroína e após cumprir a pena, volta para casa com o objetivo de refazer a vida trabalhando com baterista, porém a influência das pessoas que vivem ao seu redor se torna um grande obstáculo. 

Schwiefka deseja que Frankie volte a trabalhar como crupiê, enquanto seu antigo fornecedor de drogas (Darren McGavin) reaparece, sem contar que sua esposa Zosch (Eleanor Parker) é uma inválida manipuladora que utiliza a culpa para mantê-lo no casamento, enquanto na verdade Frankie é apaixonado pela bela vizinha (Kim Novak). 

Este drama pesado dirigido por Otto Preminger (“Anatomia de um Crime”, “Setembro Negro”) foi o primeiro grande filme de Hollywood que abordou o tema das drogas de modo direto e sabe-se lá como conseguiu ser liberado pelo Código Hayes, que na época proibia os produtores e diretores de utilizarem temas, cenas ou diálogos que fossem considerados contra a moral e os bons costumes. 

Para o cinéfilo resultou um grande filme, com provavelmente a melhor atuação da carreira do cantor Frank Sinatra, que para muitos foi injustiçado por ter perdido o Oscar para Ernest Borgnine por “Marty”. 

As cenas em que o personagem de Sinatra usa drogas podem ser consideradas corajosas para época e com certeza a polêmica ajudou a tornar o longa um sucesso. 

Além do ótimo elenco e da direção de Preminger, vale destacar a bela trilha sonora de Elmer Bernstein que explora o jazz, gênero musical típico de Chicago.   

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Palmeiras 100 Anos


Como nossa torcida canta em todos os jogos, "São 100 de História, de Lutas e de Glórias", que estão sendo festejados de todas maneiras, com lançamento de livros, documentários, festas e homenagem a jogadores e treinadores que honraram nosso manto, mas principalmente deve servir de exemplo para nossos dirigentes pacificarem o clube e o colocarem novamente no caminho das vitórias. O sofrimento dos últimos anos contrasta com nosso história vitoriosa de 100 anos, uma trajetória que resultou em uma torcida gigantesca, apaixonada, exigente e que sempre está ao lado do clube, na alegria e nos momentos difíceis.

É o momento da virada, do renascimento de um clube que nasceu para ser protagonista.

Parabéns Palmeiras!!! Parabéns Palestrinos!!! Parabéns Evair, Marcos, Ademir da Guia, Dudu, Rivaldo, Oswaldo Brandão, Junqueira, Oberdan Cattani, Edmundo, Mazzola. Julinho Botelho, Zinho, Tonhão, Velloso, Valdir Joaquim de Moraes, Heitor, César Maluco, Nei, Leivinha, Waldemar Fiúme, Waldemar Carabina, Jair Rosa Pinto, Euller, Jorginho Putinatti, Luís Pereira, Lima, Felipão, Alex, Djalminha e tantos outros que derramaram suor e sangue pelo clube.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Loosies

Loosies (Loosies, EUA, 2011) – Nota 6
Direção – Michael Corrente
Elenco – Peter Facinelli, Jaimie Alexander, Michael Madsen, Vincent Gallo, William Forsythe, Joe Pantoliano, Marianne Leone, Christy Carlson Romano.

Bobby (Peter Facinelli) é um jovem batedor de carteiras e celulares que trabalha para o receptador Jax (Vincent Gallo). Bobby, que vive com a mãe (Marianne Leone), precisa pagar uma dívida deixada pelo pai que faleceu, por isso foi obrigado a aceitar o trabalho de ladrão pé-de-chinelo. 

Com uma boa lábia, Bobby também costuma enganar garotas que se encantam pelo seu charme. Sua vida muda quando ele reencontra Lucy (Jaimie Alexander), uma garçonete com quem transou uma vez e que diz estar grávida. Para piorar ainda mais a situação, o jovem está sendo procurado por um policial (Michael Madsen), de quem ele roubou a carteira e o distintivo. 

Este longa foi um projeto pessoal do ator Peter Facinelli (das séries “A Sete Palmos” e “Damages”), que também produziu e assinou o roteiro. 

Utilizando a simples premissa do ladrão que deseja mudar de vida quando descobre que será pai, diálogos engraçadinhos e com alguns personagens curiosos como o picareta interpretado por Vincent Gallo e o dono da joalheira vivido por Joe Pantoliano, fica a impressão de que objetivo era criar um pequeno filme cult, porém o resultado não passa do razoável. Algumas situações como as cenas do policial de Michael Madsen e a reviravolta final não convencem. 

Como curiosidade, o “Loosies” do título é uma gíria para venda avulsa de cigarros, hábito do protagonista, que ainda faz um trocadilho com o nome da namorada Lucy.

domingo, 24 de agosto de 2014

Bienal do Livro de SP - Bagunça Total

Visito a Bienal do Livro de SP desde 2000, são pelo menos oito edições e jamais havia presenciado a bagunça que ocorreu neste final de semana no Anhembi. Até mesmo na edição realizada alguns anos atrás no Centro de Exposições Imigrantes, que fica num local de difícil acesso e bem longe do centro houve esta confusão.

Estou acostumado com aglomerações, sou frequentador assíduo de estádios de futebol desde os anos oitenta e conheço bem como funcionam eventos com grande público, porém não imaginava ver algo semelhante em uma feira de livros.

Todos os anos de Bienal eu e minha esposa vamos logo no primeiro sábado, chegamos mais ou menos uma hora antes de abrirem as portas para o público e nunca tivemos grandes problemas em entrar. É sempre a mesma rotina, enquanto eu compro meu ingresso e entro na fila para entrada, minha esposa que é professora, retira sua credencial. Considerando um grande números de pessoas, este procedimento demora em torno de trinta minutos. Ontem a situação foi bem diferente.

Ao chegar por volta das nove horas, ficamos presos na entrada do estacionamento em meio a dezenas de automóveis. Depois de trinta minutos chegamos até a cancela e pagamos extorsivos R$ 40,00 para estacionar. Não demorou para percebermos um número enorme de pessoas, pelo menos metade de garotas adolescentes. Este fluxo de pessoas criou uma "massa" que se aglomerava em frente a entrada tentando entrar na base do empurrão, enquanto outra parte ficava na fila que dava voltar no páteo. Resumindo, entre comprar ingressos e entrar demorei duas horas, não desisti porque enquanto estava na primeira fila minha esposa conseguiu entrar. Conversamos por telefone e disse para ele visitar os stands enquanto eu ficaria na fila de entrada.

Quando entrei encontrei um verdadeiro caos. Os stands totalmente lotados, filas enormes para os caixas e em alguns locais era impossível andar pelo corredor porque alguma "estrela" da literatura estava dando autógrafos e uma multidão tentava chegar perto a todo custo.

Para comer era necessário enfrentar filas enormes, sendo que os espaços foram utilizados por franquias conhecidas que cobravam um valor bem acima do normal, sem contar que as mesas eram poucas e a maioria das pessoas sentavam no chão. Decidimos comprar salgados, que por sinal tinha um preço "salgado" e uma qualidade duvidosa.

Promover a cultura e despertar o gosto pelos livros nas crianças e nos jovens é fundamental, bem diferente de transformar um evento deste tipo numa balada, onde pelo menos metade das pessoas que estavam ali queriam chegar perto de algum "ídolo" fabricado.

Os organizadores citarem que não estavam esperando tanta gente é chamar os visitantes de idiota, com certeza eles alcançaram o objetivo de alavancar o lucro do evento, sem investir numa mínima estrutura de organização.

Infelizmente o custo desta ganância estragou o passeio de um grande número de pessoas, muitas delas que dificilmente terão vontade de voltar a Bienal daqui a dois anos.

Finalizando, depois de menos de duas horas deixamos o evento sem comprar livro algum.

sábado, 23 de agosto de 2014

Tudo por Justiça

Tudo por Justiça (Out of the Furnace, EUA / Inglaterra, 2013) – Nota 7
Direção – Scott Cooper
Elenco – Christian Bale, Woody Harrelson, Casey Affleck, Willem Dafoe, Zoe Saldana, Forest Whitaker, Sam Shepard, Tom Bower.

Numa pequena cidade americana, Russell Baze (Christian Bale) leva uma vida comum, trabalhando em uma usina sem grandes sonhos ou perspectivas. Ele mora com a noiva (Zoe Saldana) e visita diariamente o pai que está muito doente. Diferente de Russell, seu irmão Rodney (Casey Affleck) não aceita seguir o destino medíocre da família, além de carregar traumas pelo que presenciou na Guerra do Iraque. 

Um trágico acontecimento mudará a vida de Russell, ao mesmo tempo em que Rodney se envolverá em lutas clandestinas com a ajuda do agiota John Petty (Willem Dafoe), fato que o levará a conhecer o violento traficante Harlan DeGroat (Woody Harrelson). 

Com um elenco afiado, que tem ainda Forest Whitaker como um policial e Sam Shepard como o tio dos irmãos Baze, este longa de Scott Cooper (“Coração Louco”) tem como ponto principal o desenvolvimento dos personagens, que vivem entre a escolha de uma vida correta e muitas vezes injusta ou arriscar tudo, inclusive a própria vida em busca de dinheiro ou justiça. 

Todos os personagens são fortes, porém o destaque maior fica para um cínico e assustador Woody Harrelson, que mostra quem é logo na cena inicial, que a princípio parece estar deslocada da trama, mas que com o desenrolar da história pode ser considerada uma prévia da tragédia anunciada. 

É um longa indicado para o cinéfilo que gosta de histórias cruas, daquelas que passam longe de um final feliz.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Um Ato de Liberdade

Um Ato de Liberdade (Defiance, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Edward Zwick
Elenco – Daniel Craig, Liev Schreiber, Jamie Bell, Alexia Davalos, Allan Corduner, Mark Feuerstein, Tomas Arana, Jodhi May, Iddo Goldberg, Iben Hjele, Martin Hancock, Ravil Isyanov, George MacKay.

Em 1941, o exército alemão invadiu a região onde hoje está a Bielorússia, saqueando as cidades e perseguindo os judeus. Os que não foram assassinados acabaram como prisioneiros e enviados para campos de concentração. No meio deste caos, os irmãos Bielski fugiram para a floresta após terem os pais assassinados. Outros judeus seguiram o mesmo caminho para escapar dos nazistas e aos poucos foram se juntando aos irmãos e criando uma vila que ser tornaria uma espécie de refúgio. 

O líder do grupo foi o mais velho dos irmãos Bielski, Tuvia (Daniel Craig) que tinha um conflito com Zus (Liev Schreiber). Enquanto Tuvia queria manter a paz, Zus tinha o objetivo de se vingar dos nazistas, nem que para isso tivesse de entrar para o exército russo. Os outros irmãos eram o jovem Asael (Jamie Bell) e o garoto Aron (George Mackay)

Baseado numa história real, este longa tem todo o estilo do diretor Edward Zwick, apresentando uma parte técnica impecável (fotografia, figurinos, cenários e boas cenas de ação), ao mesmo tempo em que tem uma narrativa fria e alguns momentos descartáveis como os romances inseridos na trama. 

A premissa é ótima, tendo algumas semelhanças com o superior “Caminho da Liberdade” do australiano Peter Weir. Nas mãos de um diretor como Spielberg ou mesmo Weir, com certeza renderia um grande filme, com Zwick resultou numa obra correta, porém nada mais que isso.   

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Ela

Ela (Her, EUA, 2013) – Nota 8
Direção – Spike Jonze
Elenco – Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Olivia Wilde, Matt Letscher, Rooney Mara, Chris Pratt.

Num futuro próximo, Theodore (Joaquin Phoenix) trabalha em uma empresa escrevendo cartas para pessoas que não tem tempo ou criatividade para escrever mensagens para seus pares ou amigos. Na verdade, Theodore cria o texto e dita para o computador que escreve por ele. 

Solitário após ter se separado da namorada (Rooney Mara), Theodore tem dificuldades em lidar com seus sentimentos e se relacionar com as pessoas. Os poucos que se aproximam dele é um colega de trabalho que admira seu talento de escritor (Chris Pratt) e o casal Amy (Amy Adams) e Charles (Matt Letscher), que tenta lhe arrumar uma nova namorada. 

A solidão de Theodore começa a diminuir quando ele adquire um novo programa de computador que promete agir como uma pessoa de verdade. Rapidamente ele cria um laço com a voz feminina do programa que se autodenomina Samantha (voz de Scarlett Johansson). Inteligente e divertida, “a voz” desperta um forte sentimento em Theodore, dando inicio a uma inusitada relação. 

O cinema de Spike Jonze é algo estranho e ao mesmo tempo extremamente criativo, como comprovam os ótimos “Quero Ser John Malkovich” e “Adapatação”. Neste “Ela”, o diretor e roteirista cria uma história de amor que pode ser considerada também uma crítica a dificuldade cada vez maior que o ser humano tem em se relacionar, muitas vezes substituindo o contato física pela relação virtual. 

O cenário aparentemente absurdo inventado por Jonze não está longe de se tornar real, hoje já vemos pessoas que se apaixonam a distância, apenas pela voz, foto ou troca de textos na internet, sem nunca ter encontrado o parceiro. 

É curioso comparar como Jonze descreve o relacionamento do personagem de Joaquin Phoenix com a voz como sendo muito mais verdadeiro que a relação fria entre os personagens de Amy Adams e Matt Letscher. 

O sucesso do filme também deve ser creditado a mais uma ótima interpretação de Joaquin Phoenix, ator que não tem medo de se arriscar em papéis que fogem do lugar comum. 

O resultado é um filme diferente, com um ritmo que chega a ser lento em alguns momentos e uma história que agradará ao espectador que curte experiências cinematográficas diferentes.  

sábado, 16 de agosto de 2014

Robocop (1987, 1990, 1993 & 2014)


Robocop (Robocop – O Policial do Futuro, EUA, 1987) – Nota 8
Direção – Paul Verhoeven
Elenco – Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Ronny Cox, Kurtwood Smith, Miguel Ferrer, Robert DoQui, Ray Wise, Paul McCrane, Jesse D. Goins, Del Zamora.

Em Detroit, num futuro próximo,  a megacorporação OCP falha ao testar um robô policial que seria a solução para diminuir a criminalidade na cidade. Para não perder um contrato milionário, a OCP decide criar um policial meio homem, meio robô. Para isso é necessário conseguir um “voluntário”, que surge quando o policial Murphy (Peter Weller) é baleado por uma gangue de traficantes e considerado morto. O policial é utilizado como cobaia e transformado em “Robocop”, que se torna o grande sucesso da empresa. O que eles não imaginavam é que alguns fatos fizessem com que a consciência humana de Murphy fosse reativada e suas memórias viessem à tona, fazendo com que o sujeito decida resolver seus problemas por vontade própria. 

Além das ótimas e violentas cenas de ação, especialidade de Verhoeven, o que ajudou no sucesso do longa foi o interessante roteiro que critica a ganância das corporações, a mídia, a corrupção e até o uso da ciência para fins de enriquecimento. 

Mesmo longe de ser um grande ator, o rosto duro de Peter Weller é perfeito para o policial robô, assim como estão competentes os vilões, com Ronny Cox como um dos cabeças da OCP, o puxa-saco sarcástico de Miguel Ferrer e o violento líder da gangue feito por Kurtwood Smith. 

Algumas cenas são clássicas, como o “fuzilamento” do policial Murphy e a sequência do bandido que derrete no ácido. 

Clássico absoluto dos anos oitenta.   

Robocop 2 (Robocop 2, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – Irvin Kershner
Elenco – Peter Weller, Nancy Allen, Daniel O'Herlihy, Belinda Bauer, Tom Noonan, John Glover, Roger Aaron Brown, Gabriel Damon, Mark Rolston.

Um ano após os acontecimentos do filme original, a cidade de Detroit está ainda mais violenta, principalmente pela chegada de uma droga chamada Nuke, que vicia rapidamente deixando os usuários alucinados e violentos. 

Robocop tenta combater as várias gangues que traficam o produto, que é distribuído por um maluco chamado Cain (Tom Noonan). Em paralelo, a corporação que criou Robocop está prestes a falir. A chance de salvar a empresa surge através de uma cientista (Belinda Bauer), que tem o projeto de criar um novo Robocop, ainda mais forte e violento que o original. 

O sucesso do filme de Verhoeven gerou esta inevitável sequência que apresenta uma trama fraca que serve apenas como escada para as cenas de ação. Toda a critica embutida no roteiro do primeiro filme inexiste aqui, o que vemos são violentas sequências de ação e diálogos engraçadinhos que resultam num filme pipoca sem conteúdo, daqueles que divertem sem se exigir muito. 

Como curiosidade, o roteiro foi escrito por Frank Miller, o homem do cult “Sin City”. E como informação, este foi o último longa do diretor israelense Irwin Kershner, que deixou como grande trabalho da carreira o melhor filme da série “Star Wars”, o clássico “O Império Contra Ataca”.  

Robocop 3 (Robocop 3, EUA, 1993) – Nota 4
Direção – Fred Dekker
Elenco – Robert John Burke, Nancy Allen, CCH Pounder, Rip Torn, Mako, John Castle.

Para evitar a falência, a corporação OCP é vendida para um grupo japonês liderado por Kanemitsu (Mako), que tem como principal objetivo levar adiante o projeto de transformar a decadente Detroit na futurista Delta City. Para isso, a OCP cria uma espécie de grupo paramilitar liderado por um sádico (John Castle), que tem a missão de expulsar os moradores de algumas áreas, que por seu lado tentam defender suas casas. No meio da disputa surge Robocop (Robert John Burke), que se une aos moradores para enfrentar a corporação. Percebendo o problema em que se meteu, Kanemitsu envia um robô policial made in Japão para enfrentar Robocop. 

O roteiro absurdo foi novamente escrito por Frank Miller, agora em parceria com o diretor Fred Dekker, que por seu lado tinha no currículo o terror cult “A Noite dos Arrepios” e o péssimo “Deu a Louca nos Monstros”. A dupla conseguiu enterrar a carreira do personagem no cinema, pelo menos até 2014. Algumas decisões malucas deixaram o filme ainda pior, como trocar a mão do Robocop por uma metralhadora e até fazer o personagem voar. 

O ator Peter Weller desistiu de voltar ao papel alegando que estava com problemas na coluna e que não poderia usar a armadura do personagem. Sendo verdade ou não, ele se livrou de uma grande bomba, que caiu no colo de Robert John Burke, ator que não se firmou como protagonista, fazendo carreira como coadjuvante em seriados de tv.

Robocop (Robocop, EUA, 2014) – Nota 7
Direção – José Padilha
Elenco – Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish, Jackie Earle Haley, Michael K. Williams, Jennifer Ehle, Jay Baruchel, Marianne Jean Baptiste, Samuel L. Jackson, Aimee Garcia.

José Padilha merece os elogios pela coragem de estrear em Hollywood aceitando comandar a refilmagem de um longa que é um verdadeiro ícone pop. O “Robocop” do holandês Paul Verhoeven foi um dos filmes de ação e ficção mais importantes da década de oitenta, o que num mundo perfeito não seria necessário um remake. O resultado desta nova versão fica no meio do caminho, longe de ser ruim, mas também inferior ao original. 

As mudanças não trama são normais, algumas interessantes como a importância do canastrão âncora de tv interpretado por Samuel L. Jackson, enquanto outras escolhas são ruins, como a previsível sequência final. Os problemas surgem também em alguns personagens que não convencem, como o vilão de Michael Keaton e o executivo engraçadinho de Jay Baruchel, este totalmente deslocado no meio da trama. 

Além de Samuel L. Jackson, o destaque fica por conta do cientista interpretado por Gary Oldman, além das cenas de ação e dos ótimos efeitos especiais. O protagonista Joel Kinnaman deixa a impressão de ser um ator sem carisma, ainda mais fraco que Peter Weller, protagonista do original. Weller pelo menos tinha uma voz marcante e um rosto duro, quase como um vilão. 

Para quem gosta do original, este remake diverte mas deixa um sabor de repeteco.