sexta-feira, 22 de maio de 2015

Adoradores do Diabo & A Sétima Profecia


Adoradores do Diabo (The Believers, EUA, 1987) – Nota 7
Direção – John Schlesinger
Elenco – Martin Sheen, Helen Shaver, Harley Cross, Robert Loggia, Elizabeth Wilson, Harris Yulin, Lee Richardson, Richard Masur, Jimmy Smits.

Após perder a esposa em um acidente doméstico, o psiquiatra Cal Jamison (Martin Sheen) decide mudar para Nova York com o filho pequeno Chris (Harley Cross). Cal começa a trabalhar como psiquiatra na polícia e tenta recomeçar a vida com Jessica (Helen Shaver), a dona do apartamento que ele alugou na nova cidade. 

Tudo vai bem até um passeio pelo Central Park, quando Chris encontra restos de um ritual de santeria (a macumba brasileira), inclusive com um gato morto sem cabeça. Poucos dias depois, em seu trabalho, Cal atende um jovem policial (Jimmy Smits) que foi encontrado ao lado de uma criança morta com sinais de ritual e que está falando frases sem sentido. Os dois episódios dão inicio a fatos estranhos que passam a aterrorizar Cal, Jessica e Chris, este último podendo ser alvo de fanáticos assassinos. 

O diretor inglês John Schlesinger (“Perdidos na Noite” e “Maratona da Morte”) comandou aqui seu único trabalho voltado para o terror, com algumas cenas mais fortes, porém bem diferente dos filmes do gênero dos anos oitenta. Aqui o ponto principal é o terror psicológico criado pelo roteiro de Mark Frost, que era conhecido por ter escrito episódios da famosa série policial “Hill Street Bues” e que ficaria famoso três anos depois ao assinar o roteiro de “Twin Peaks” em parceria com David Lynch. 

Existe a história ou lenda, de que a mãe do diretor Schlesinger faleceu logo depois do filme terminado e ele teria acreditado em uma maldição. É mais uma das várias histórias de maldição ligadas a filmes de terror. 

A Sétima Profecia (The Seventh Sign, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Carl Schultz
Elenco – Demi Moore, Michael Biehn, Peter Friedman, Jurgen Prochnow, Lee Garlington, Akousa Busia.

Em várias partes do mundo estão ocorrendo fatos inexplicáveis, sempre tendo como testemunha uma figura desconhecida (Jurgen Prochnow). A Igreja envia o padre Lucci (Peter Friedman) para investigar os fenômenos. Aos poucos, o padre desconfia que estas manifestações sejam as sete profecias descritas nos Antigo Testamento, que antecedem o apocalipse com a chegada do anticristo. 

As pistas levam o padre até o casal Quinn, que pode ser o elo final da profecia. Com uma gravidez complicada, a esposa Abby (Demi Moore) espera o primeiro filho ao lado marido Russell (Michael Biehn), a princípio, sem imaginar o terror que pode se transformar sua vida. 

Misturando misticismo e religião em um roteiro previsível, este longa utiliza parte da premissa do clássico “O Bebê de Rosemary” para tentar assustar o público através da sugestão e do clima de suspense, criando uma luta entre o bem e o mal. 

É um filme razoável, com cara de produção de B e que tem como destaque Demi Moore na auge da beleza.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Sonhos à Deriva

Sonhos à Deriva (Rudderless, EUA, 2014) – Nota 7,5
Direção – William H. Macy
Elenco – Billy Crudup, Anton Yelchin, Felicity Huffman, William H. Macy, Selena Gomez, Laurence Fishburne, Miles Heizer.

O publicitário Sam (Billy Crudup) espera o filho Josh (Miles Heizer) em um bar para comemorar um novo contrato que fechou no trabalho, quando vê pela televisão a notícia de que um atirador fez várias vítimas na universidade onde o jovem estuda. Separado da esposa (Felicity Huffman), Sam perde totalmente o rumo com a morte do filho. 

A história pula dois anos a frente. Agora Sam mora em um barco e trabalha como pintor em um bairro de subúrbio. Quando a ex-esposa, que está de mudança, lhe entrega as coisas do filho, Sam descobre vários CDs em que o jovem cantava músicas de sua própria autoria. Pouco tempo depois, Sam vai com dois colegas de trabalho a um bar com música ao vivo e tem uma ideia. No dia seguinte ele volta com um violão e decide tocar uma música do filho. O público não dá atenção, porém o jovem Quentin (Anton Yelchin) fica empolgado, se aproxima de Sam querendo saber se ele tem outras músicas e se deseja tocar junto. É o início de uma inusitada amizade entre dois sujeitos que precisam encontrar o caminho na vida. 

O ótimo ator William H. Macy tinha no currículo como diretor apenas um filme para tv nos anos oitenta e aqui surpreende ao entregar uma sensível história de perda, amizade e esperança. É interessante também a surpresa que o roteiro revela na metade do filme, que dá a dimensão real da tragédia enfrentada por Sam e por sua ex-esposa. 

Por sinal, a interpretação de Billy Crudup é um dos pontos altos do longa, voltando a um papel de músico, assim como no ótimo “Quase Famosos”, mesmo que aqui seja uma forma de renascer, não uma diversão. O jovem Anton Yelchin também defende bem o papel do confuso Quentin. Por sinal, os dois atores aparentemente cantam e tocam algumas músicas. 

A ótima trilha sonora com músicas que misturam rock e melancolia é outro grande acerto. 

É um filme pequeno que merece ser descoberto.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O Preço do Amanhã

O Preço do Amanhã (In Time, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Andrew Niccol
Elenco – Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy, Vincent Kartheiser, Alex Pettyfer, Olivia Wilde, Johnny Galecki, Yaya daCosta, Matt Bomer.

Em um futuro distante, as pessoas estão programadas para envelhecer até os vinte e cinco anos. Após completar esta idade, “nasce” um relógio sob a pele do braço dando apenas mais um ano de vida para a pessoa. As pessoas estão separadas em zonas. Os pobres vivem nos guetos e precisam trabalhar muito para receber um pagamento diário e sobreviver por mais dia, enquanto os ricos moram em uma zona especial chamada “New Greenwich” e vivem rodeados de seguranças para garantir seu tempo de vida. 

Neste contexto, Will Salas (Justin Timberlake), que luta diariamente para conseguir horas a mais para pagar as despesas e sobreviver, salva um sujeito deprimido (Matt Bomer) e aparentemente rico, que decide doar um século de sua vida para o jovem, antes de cometer suicídio. Com o tempo de uma pessoa rica, Will decide entrar em New Greenwich, onde se envolve com a jovem rebelde e milionária Sylvia (Amanda Seyfried), ao mesmo tempo em que tem de fugir dos guardiões do tempo liderados por Raymond Leon (Cillian Murphy), que acreditam que Will roubou o tempo do suicida. 

A premissa do roteiro escrito pelo diretor neozelandês Andrew Niccol pode ser destacada pela clássica frase “tempo é dinheiro”, que se mostra de forma literal no futuro criado aqui. Niccol, dos interessantes “Gattaca – A Experiência a Genética” e “O Senhor das Armas”, utiliza citações e simbolismos para fazer uma crítica a divisão de classes, ao capitalismo, a ganância e até ao controle das massas, porém estas boas ideias se perdem em meio ao roteiro que deixa algumas pontas soltas, como a história do pai do personagem de Justin Timberlake e sua relação com o guardião vivido por Cillian Murphy, além da falta de explicação para a motivação do suicida. 

Era uma história com potencial para render um grande, mas que resultou numa ficção comum, que dá ênfase as cenas de ação e as soluções fáceis.  

terça-feira, 19 de maio de 2015

Dirigindo no Escuro

Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending, EUA, 2002) – Nota 6,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Woody Allen, Téa Leoni, Treat Williams, Mark Rydell, Debra Messing, George Hamilton, Tiffani Thiessen, Peter Gerety, Mark Webber, Jodie Markell.

Val Waxman (Woody Allen) é um diretor de cinema que foi famoso e hoje está com a carreira praticamente acabada. Uma nova chance surge quando sua ex-esposa Ellie (Téa Leoni) convence seu atual marido Ed (Treat Williams) a contratar Val para dirigir sua nova produção, um remake milionário de um filme de época. Mesmo sem confiar em Val, Ed aceita o pedido da esposa e entrega a direção para o sujeito. 

Assim que começam as filmagens, Val subitamente perde a visão. Após vários exames, os especialistas dizem que a cegueira é psicológica. Val pensa em desistir do trabalho, porém seu empresário Al (o também diretor Mark Rydell) o convence a continuar dirigindo o filme e esconder o problema da equipe e dos produtores. 

A premissa é de uma comédia rasgada, porém o estilo de Woody Allen é bem diferente. Seus filmes são baseados em diálogos irônicos e situações constrangedoras, além é claro, dos conflitos de relacionamento com mentiras e traições. 

Aqui, a crítica de Allen se volta também para os bastidores do cinema, retratando os tipos que cercam este ambiente. Além do produtor poderoso de Treat Williams e do agente de Mark Rydell, temos o puxa-saco (George Hamilton) preocupado com o orçamento, a atriz (Tiffany Thiessen) que quer transar com o diretor, a namorada burra do diretor (Debra Messsing) que ganha uma ponta no filme, o câmera temperamental e o sujeito que deseja recriar até mesmo o Central Park em estúdio. 

Apesar de render alguns diálogos engraçados, o filme fica abaixo da qualidade de outros trabalhos de Allen. Algumas coisas não funcionam, como o filho do diretor que surge na parte final e até mesmo a premissa da falta de visão não convence totalmente. As quase duas horas de duração também deixam o filme um pouco cansativo. 

É um filme indicado apenas para os fãs de Woody Allen.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A Lei de Cada Dia & Assassinato em Primeiro Grau


O diretor Marc Rocco faleceu com apenas quarenta e seis anos em 2009, deixando uma carreira de quatro filmes. Seu dois primeiros trabalhos foram comédias românticas adolescentes sem grande impacto, que não davam pistas de que Rocco poderia ter talento para algo mais.

Seus dois filmes seguintes foram dramas fortes que resultaram em gratas surpresas para o público. 

Nesta postagem comento estes dois trabalhos.

A Lei de Cada Dia ou Por Onde a Vida Te Leva (Where the Day Takes You, EUA, 1991) – Nota 7,5
Direção – Marc Rocco
Elenco – Dermot Mulroney, Lara Flynn Boyle, Sean Astin, Balthazar Getty, Laura San Giacomo, Ricki Lake, Will Smith, James LeGros, Peter Dobson, Kyle MacLachlan, Nancy McKeon, Adam Baldwin, Rachel Ticotin, Alyssa Milano, David Arquette, Leo Rossi, Stephen Tobolowsky, Christian Slater.

Vários jovens que fugiram de casa tentam sobreviver pelas ruas de Los Angeles. Liderados informalmente por King (Dermot Mulroney), que vive nas ruas desde criança, os jovens dormem embaixo de um viaduto ao lado de uma rodovia e durante o dia lutam para conseguir dinheiro através de esmolas, pequenos roubos e prostituição. Entre os jovens temos a bela Heather (Laura Flynn Boyle), o nervosinho Little J (Balthazar Getty), o drogado Greg (Sean Astin), a gordinha Brenda (Rickie Lake), o veterano Crasher (James LeGros) e o cadeirante Manny (Will Smith). 

O roteiro escrito pelo próprio diretor Marc Rocco, foca no complicado problema dos adolescentes que fogem de casa por causa de abuso de familiares ou do vício em drogas. 

A trama é intercalada por uma entrevista do personagem de Dermot Mulroney com uma assistente social interpretada por Laura San Giacomo, que tenta tirar do jovem respostas sobre sua vida, seus sentimentos, sonhos e a dureza da vida nas ruas. 

É uma história sobre uma triste realidade, que conforme os letreiros no final do longa, a cada menos de trinta segundos, um adolescente foge de casa nos Estados Unidos, pelo menos era este cálculo em 1991. 

Vale destacar ainda o elenco recheado de jovens que ficariam famosos, como Dermot Mulroney, Sean Astin (“Senhor dos Anéis”), Laura Flynn Boyle, David Arquete (“Pânico”) e Will Smith no seu primeiro papel no cinema.

Assassinato em Primeiro Grau (Murder in the First, EUA, 1995) - Nota 8
Direção – Marc Rocco
Elenco – Kevin Bacon, Christian Slater, Gary Oldman, Embeth Davidtz, William H. Macy, Stephen Tobolowsky, Brad Dourif, R. Lee Ermey, Mia Kirshner, Kyra Sedgwick.

Henri Young (Kevin Bacon) rouba alguns trocados em uma agência dos correios e termina preso. Ao invés de receber uma pena leve, o homem é enviado para temida prisão de Alcatraz. Inconformado com a injustiça, Henri tenta fugir e falha. A tentativa desperta a ira no diretor do presídio (Gary Oldman), um sádico que para vingar a audácia de Henri, o envia para a solitária, onde o homem fica preso por mais de três anos, além de ser torturado. 

Ao ser libertado e jogado no páteo com outros presos, Henri mata o sujeito que delatou sua fuga. Podendo ser condenado a morte, ele é defendido por um jovem advogado (Christian Slater), que deseja provar que os anos na solitária foram um abuso do diretor e a causa para o desequilíbrio emocional de Henri. 

Este ótimo drama faz uma forte crítica ao sistema penal americano da época, principalmente o tratamento dado aos presos. O filme se divide entre o sofrimento do personagem de Kevin Bacon na solitária, com o julgamento, que é um verdadeiro embate em o jovem interpretado por Christian Slater e o promotor de William H. Macy. Outro ponto alto do filme é o elenco, com destaque para Bacon, Slater, Macy e o quase sempre sinistro Gary Oldman. 

Para quem gosta de drama sobre injustiça, esta é uma ótima opção.

domingo, 17 de maio de 2015

Delírios de um Anormal

Delírios de um Anormal (Brasil, 1978) – Nota 4
Direção – José Mojica Marins
Elenco – José Mojica Marins, Jorge Peres, Magna Miller, Jaime Cortez.

O conceituado psiquiatra Hamilton (Jorge Peres) começa a imaginar que sua esposa Tânia (Magna Miller) será levada por Zé do Caixão (José Mojica Marins), sendo a escolhida para ter seu filho. Aos poucos, Hamilton vai enlouquecendo, tendo alucinações terríveis. Para tentar ajudá-lo, outros psiquiatras chamam José Mojica Marins para um espécie de terapia de choque, mostrando para Hamilton que Zé do Caixão é apenas um personagem. 

O longa em si é um colcha de retalhos com cenas de diversos outros filmes de Mojica, mas existe uma explicação. Nos anos setenta, a única forma de fazer um filme no Brasil era com dinheiro público e para isso existia a Embrafilme, que na época era dominada por cineastas do chamado “Cinema Novo”, que viam no filmes de terror de Mojica algo inferior, que não merecia ser financiado. 

Sem este dinheiro e com dificuldade de conseguir outras fontes para produzir seus filmes, principalmente porque mesmo nos sucessos Mojica deixou de ganhar muito dinheiro (esta história está muito bem detalhada no livro “Maldito” de André Barcinski), o resultado aqui é quase um protesto cinematográfico.

Para tristeza de seus fãs e do cinema, Mojica ficou mais trinta anos esperando um financiamento decente para concluir um novo longa de terror. Neste meio tempo, ele produziu filmes pornográficos nos anos oitenta e dos noventa em diante se tornou esta figura curiosa que utilizou seu personagem Zé do Caixão em programas de TV como o Cine Trash até mesmo nas Noites de Terror do antigo Playcenter em São Paulo. 

Uma pena, o maior diretor do gênero terror do nosso país ficar tanto tempo afastado das telas.

sábado, 16 de maio de 2015

Sniper Americano

Sniper Americano (American Sniper, EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Clint Eastwood
Elenco – Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Jake McDorman, Kevin Lacz, Kyle Gallner, Keir O’Donnell, Sammy Sheik, Eric Close, Mido Hamada.

Considerado o maior atirador de elite da história americana, Chris Kyle (Bradley Cooper) tem sua vida muito bem retratada neste drama de guerra dirigido por Clint Eastwood. 

Kyle era um cowboy de rodeio quando decidiu se alistar para ser um Navy Seal após os atentados de 11 de Setembro, impulsionado pelo patriotismo exacerbado do país e dele próprio, fato mostrado em flashbacks de sua infância, quando fora influenciado pelo discurso bélico do pai. A partir daí, o roteiro acompanha os quatro “tours” que Kyle faz como soldado ao Iraque, enfrentando situações absurdas e se tornando uma verdadeira máquina de matar. 

O roteiro também acompanha suas idas e vindas para casa e como a violência da guerra afetou sua vida familiar, principalmente seu casamento com Taya (Sienna Miller). Infelizmente, o roteiro deixa de lado seu relacionamento com o irmão (Keir O’Donnell), fato mostrado rapidamente em uma sequência no aeroporto. 

Para muitos, o que incomoda no filme é o aparente teor nacionalista da história, que na minha opinião se mostra um reflexo do pensamento e da vida do personagem principal, mesmo sendo um valor distorcido pela violência. Assim como milhares de jovens que estavam sem rumo na vida, Chris Kyle abraçou a vida militar como um modo de fazer parte de algo importante. Em seu pensamento a ideia seria defender o país do terrorismo, mesmo que os verdadeiros interesses da invasão ao Iraque tenham sido políticos e financeiros. 

Não se pode deixar de destacar o talento de Clint Eastwood nas ótimas sequências de ação repletas de violência e suspense, assim como a complexa interpretação de Bradley Cooper, que consegue passar todos os sentimentos de seu personagem, seja na frieza demonstrada nos combates, nos diálogos com a esposa e na falta de palavras quase constrangedora na cena em que um soldado o agradece por ele ter salvo sua vida. 

Assim como em “Guerra ao Terror”, este filme leva o espectador ao meio do conflito no Iraque de uma forma violenta e realista.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

As Duas Faces de Janeiro

As Duas Faces de Janeiro (The Two Faces of January, Inglaterra / França / EUA, 2014) – Nota 7
Direção – Hossein Amini
Elenco – Viggo Mortensen, Oscar Isaac, Kirsten Dunst, Daisy Bevan, David Warshofsky.

Atenas, 1960, Rydal (Oscar Isaac) é um jovem americano que vive na cidade trabalhando como guia turístico. Enganando e seduzindo jovens turistas que visitam as ruínas gregas para ganhar alguns trocados, Rydal vê uma grande chance de lucrar ao se aproximar do casal Chester (Viggo Mortensen) e Colette (Kirsten Dunst). 

A diferença de idade entre o casal, faz Rydal acreditar que a jovem está com o sujeito apenas pelo dinheiro e que também poderá conquistá-la. O que ele não imagina, é que o casal fugiu dos Estados Unidos após Chester dar um golpe em diversos investidores. Quando um detetive particular (David Warshofsky) entra em cena, a vida dos três personagens mudará completamente. 

Baseado em um livro de Patricia Highsmith, a trama tem semelhanças com “O Talentoso Ripley”, também baseado em obra da autora. 

O foco principal do roteiro está na relação de mentiras e desconfiança que surge entre os três personagens principais. É um filme em que personagem algum é inocente. 

O roteiro ainda toca no tema das diferenças entre o novo e o velho, seja na relação do casal ou na disputa entre os dois sujeitos. 

Apesar da aparente frieza da narrativa em algumas passagens, o filme tem bons momentos de suspense, como as sequências no aeroporto, na alfândega e nas ruínas de Creta. 

A fotografia explora bem os cenários naturais de Atenas, da Ilha de Creta e de Istambul. 

É um filme indicado para quem gosta de tramas contidas, focadas em personagens.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Hora do Espanto 1985, 1988 & 2011


A Hora do Espanto (Fright Night, EUA, 1985) – Nota 7,5
Direção – Tom Holland
Elenco – Chris Sarandon, William Ragsdale, Roddy McDowall, Amanda Bearse, Stephen Geoffreys, Jonathan Stark, Dorothy Fielding, Art Evans.

O adolescente Charley Brewster (William Ragsdale) leva uma vida normal em um bairro de subúrbio, até que um novo vizinho muda para a casa ao lado. Entre os móveis da mudança do sujeito, está um estranho caixão. Intrigado, Charley passa a vigiar o vizinho metido a galã (Chris Sarandon), que sempre recebe jovens bonitas em sua casa. Numa determinada noite, assistindo na tv o programa trash do “caçador de vampiros” Peter Vincent (Roddy McDowall), Charley vê o sujeito morder o pescoço de uma garota e passa a acreditar que ele é um vampiro. Com ajuda da namorada (Amanda Bearse) e de um amigo maluco (Stephen Geoffreys), Charley invade a casa do vizinho para provar sua teoria, dando início a um jogo de rato com o sujeito. 

Este divertido longa pode ser um considerado um dos maiores clássicos de terror dos anos oitenta, que foi lançado durante o auge do gênero e se tornou um grande sucesso. São vários pontos positivos, desde a história simples que modernizava o mito dos vampiros, passando pela clima de suspense e finalizando com os personagens carismáticos, mesmo longe de serem interpretados grandes atores. O vampiro Chris Sarandon sempre foi um canastrão e provavelmente por isso se mostra perfeito para o papel. O veterano Roddy McDowall, que estava marcado pelo papel de Caesar em “O Planeta dos Macacos”, tem aqui seu último grande momento da carreira como o medroso Peter Vincent. Já o casal principal se mostra inexpressivo, com William Ragsdale e Amanda Bearse comprovando a falta de talento no decorrer da carreira. 

O outro destaque fica por conta de Stephen Geoffreys como o agitado Ed “Devil”, personagem que se transforma em vampiro. Geoffreys era um rosto conhecido em filmes adolescentes nos anos oitenta e considerado talentoso pelos críticos, porém sabe-se lá porque, no início dos anos noventa ele abandonou a carreira normal e foi trabalhar como ator pornô em filmes gay. Uma decisão totalmente estranha, que entrou para as histórias curiosas do cinema. 

Como informação, o diretor Tom Holland faria outro clássico do terror oitentista, o cultuado “Brinquedo Assassino”.

A Hora do Espanto 2 (Fright Night Part 2, EUA, 1988) – Nota 6
Direção – Tommy Lee Wallace
Elenco – William Ragsdale, Roddy McDowall, Traci Lind, Julie Carmen, Jonathan Gries, Brian Thompson.

Quatro anos após o incidente com o vampiro, Charley (William Ragsdale) faz de tudo para esquecer o que ocorreu, até mesmo sessões de terapia. Ele está com uma nova namorada (Traci Lind) e deseja recomeçar uma vida normal. Peter Vincent também quer esquecer que vampiros existem. O terror recomeça quando o carro de Charley é perseguido por uma gangue e um dos integrantes tenta morder seu pescoço. A gangue tem como líder uma bela mulher (Julie Carmen), mas que mais se tarde se revelará irmã do vampiro morto por Charley e Peter. 

As sequências de filmes de sucesso se tornaram comuns nos anos oitenta, muitas delas produzidas a toque de caixa e com péssima qualidade, porém em alguns casos houve uma capricho maior. Aqui, a sequência é apenas razoável, os problemas principais estão na falta de originalidade da trama e na perda dos personagens de Chris Sarandon e Stephen Geoffreys. 

O lado excêntrico ficou apenas no personagem de Roddy McDowall, que infelizmente não consegue segurar o filme sozinho. Os produtores até tentaram ressuscitar o personagem de Geoffreys,  mas o ator não aceitou voltar ao papel. O filme ainda tem um interessante clima de suspense e alguma sensualidade com a personagem de Julie Carmen. 

O longa chegou a fazer algum sucesso, mas não o suficiente para outra sequência. 

A Hora do Espanto (Fright Night, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Craig Gillespie
Elenco – Anton Yelchin, Colin Farrell, Imogen Poots, Christopher Mintz Plasse, Toni Collette, David Tennant, Dave Franco, Chris Sarandon.

Charley Brewster (Anton Yelchin) é um adolescente que mora com a mãe (Toni Collette) em uma casa de subúrbio em Las Vegas e namora com a bela Amy (Imogen Potts). Quando um sujeito (Colin Farrell) muda para a casa ao lado e tenta se aproximar da mãe de Charley, a princípio o jovem parece não se importar, porém ao ser procurado por seu antigo amigo Ed (Christopher Mintz Plasse), tudo se modifica. Ed alega que o vizinho de Charley é um vampiro, pois algumas pessoas desapareceram após a chegada do homem no bairro. Os dois decidem investigar e rapidamente despertam a atenção do sujeito. Para ajudar na caçada, Charley procura Peter Vincent (David Tennant), um excêntrico mágico especializado em shows de ocultismo. 

Para quem não assistiu ao original, esta nova versão chega a ser divertida. O roteiro modificou várias situações, as cenas de ação são corretas e o jovem Anton Yelchin segura bem o papel principal, assim como o carismático Christopher Mintz Plasse como o maluco Ed. 

O filme perde na comparação com o original em alguns aspectos. O clima de suspense do original era bem mais legal, como se fosse um filme B, assim como os personagens de Roddy McDowall e Chris Sarandon eram mais interessantes que as versões de David Tennant e Colin Farrell. Por sinal, Sarandon aparece em uma ponta neste novo filme. 

Mesmo sendo razoável, o resultado é uma refilmagem desnecessária. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O Jogo da Imitação

O Jogo da Imitação (The Imitation Game, Inglaterra / EUA, 2014) – Nota 8
Direção – Morten Tyldum
Elenco – Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Rory Kinnear, Allen Leech, Mark Strong, Charles Dance, Matthew Beard.

Com uma narrativa dividida em três épocas distintas, este ótimo filme é uma biografia de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um criptologista que foi fundamental para os aliados vencerem a Segunda Guerra, além de ter deixado um trabalho que serviu como base para criação do computador. 

A trama principal se passa durante a Segunda Guerra, quando Turing foi convocado para trabalhar num projeto secreto que tinha como objetivo quebrar os códigos da máquina alemã Enigma. Os alemães enviavam mensagens criptografadas utilizando a máquina e a cada vinte e quatro horas trocavam os códigos, o que tornava praticamente impossível decifrar as mensagens. Diferente de seus colegas, que tentavam decifrar as mensagens através da matemática pura, Turing acreditava que a única chance de sucesso seria construir outra máquina, o que a princípio faz com que ele entrasse em conflito com os parceiros e com seu superior (Charles Dance). 

As outras duas narrativas intercalavam a vida de Turing na adolescência, enquanto estudava em um colégio interno e alguns anos depois da guerra, quando ele é investigado por um policial (Rory Kinnear), que suspeita de algo estranho após a casa do criptologista ter sido assaltada. 

A corrida contra o tempo para quebrar o código da máquina gera bons momentos, principalmente as discussões entre Turing e as pessoas que trabalhavam ao seu redor, porém outro ponto principal do filme é a estranha personalidade do protagonista. Turing fala o que pensa, leva tudo ao pé da letra e tem uma enorme dificuldade em lidar com as pessoas, com exceção da amizade que cria com Joan Clarke (Keira Knightley), que se torna seu elo com o mundo normal. 

A interpretação de Benedict Cumberbatch (“12 Anos de Escravidão”) é perfeita na obsessão em alcançar seus objetivos e na solidão que o acompanha boa parte da vida por ser uma pessoa diferente. Esta complexa personalidade faz lembrar o personagem de Russel Crowe em “Uma Mente Brilhante”, mesmo que o contexto e os problemas enfrentados sejam bem diferentes. 

Como informação, o diretor norueguês Morten Tyldum comandou também o ótimo drama “Headhunters”, filme pouco conhecido que merece ser descoberto.  

terça-feira, 12 de maio de 2015

This is England'88

This is England’88 (This is England’88, Inglaterra, 2011) – Nota 8
Direção – Shane Meadows
Elenco – Thomas Turgoose, Vicky McClure, Joe Gilgun, Andrew Shim, Rosamund Hanson, Stephen Graham, Jo Hartley, Andrew Ellis, Michael Socha, Chanel Cresswell, Danielle Watson, Johnny Harris.

Na véspera do Natal de 1988, os amigos que eram skinheads até a metade da década, agora precisam lidar com os problemas da vida adulta. Lol (Vicky McClure) está sofrendo de depressão pós-parto em consequência dos abusos que sofreu do pai, pelo assassinato do mesmo e pela separação de Woody (Joe Gilgun), que agora tem nova namorada e tenta levar uma vida normal, longe dos amigos. O garoto Shaun (Thomas Turgoose) está na universidade e ensaiando para protagonizar uma peça de teatro no dia de Natal, porém está dividido entre a namorada Smell (Rosamund Hanson) e a atração por sua parceira de peça. 

Estas duas histórias são o foco principal da terceira parte da ótima série “This is England”, que começou com um longa em 2006 e teve uma sequência como uma minissérie de quatro episódios em 2010. O longa original (clique para ler a resenha) misturava drama, violência e política, incluindo a divisão do movimento skinhead entre aqueles que eram contra o sistema e o grupo que defendia o nacionalismo atacando as minorias. 

As duas sequências são mais voltadas para o drama pessoal de cada personagem, principalmente conflitos familiares. A minissérie de 2010 (“This is England’86”) é marcada também por drogas, abuso sexual e violência. 

O merecido sucesso rendeu um quarto episódio que irá ao este ano como “This is England’90”, continuando a história deste grupo de personagens complicados e sofredores.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Cowboys & Aliens

Cowboys & Aliens (Cowboys & Aliens, EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Jon Favreau
Elenco – Daniel Craig, Harrison Ford, Sam Rockwell, Olivia Wild, Adam Beach, Paul Dano, Clancy Brown, Noah Ringer, Keith Carradine, Walton Goggins, Abigail Spencer, Ana de la Regueira, Julio Cedillo.

No velho oeste, um sujeito (Daniel Craig) acorda no meio do deserto, com um estranho bracelete no pulso e sem lembrar o próprio nome. Ele segue para o cidade mais próxima, onde rapidamente entra em conflito com o folgado Percy Dolarhyde (Paul Dano), filho do coronel Woodrow Dolarhyde (Harrison Ford), o maior fazendeiro da região. Os dois brigões acabam presos pelo xerife (Keith Carradine), que decide enfrentar o coronel, porém antes de iniciar o conflito, a cidade é atacada por naves pilotadas por estranhas criaturas. 

É no mínimo curiosa a premissa de fazer um filme de ficção no velho oeste, o que por si só tornaria o longa interessante, o problema é que o roteiro, que passou pelas mãos de várias pessoas, resulta numa história previsível, repleta de clichês. 

A narrativa é ágil, os efeitos especiais são de primeira, mas mesmo assim algumas cenas de ação não convencem, como a luta dos cowboys contra os alienígenas na parte final. 

O carisma do trio principal (Daniel Craig, Harrison Ford e Sam Rockwell) é um ponto positivo, além de alguns bons coadjuvantes, como o índio de Adam Beach e o pastor de Clancy Brown, aqui em papel diferente dos vilões que está acostumado a interpretar. 

É mais um filme que entrega bem menos do que promete.

domingo, 10 de maio de 2015

Relatos Selvagens

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, Argentina / Espanha, 2014) – Nota 8,5
Direção – Damian Szifron
Elenco – Ricardo Darin, Leonardo Sbaraglia, Dario Grandinetti, Oscar Martinez, Maria Marull, Walter Donado, Erica Rivas, Diego Gentile.

Um filme dividido em episódios e com pitadas de humor negro e nonsense, seria uma receita perfeita para um grande fracasso, porém o trabalho do diretor e roteirista Damian Szifron resulta numa ótima surpresa. 

As seis histórias, sendo a primeira uma espécie de prólogo, focam nos defeitos dos seres humanos e nos problemas da sociedade que transformam a vida atual em um verdadeiro inferno. 

A proposta é mostrar como seria o mundo se as pessoas levassem seus sentimentos e suas ações até as últimas consequências. Vingança, ganância, mentira, traição e violência são os ingredientes principais. 

Para não estragar a surpresa, vou destacar apenas o local onde se passa cada história, que por sinal, parecem seguir um curioso caminho, como se fosse uma viagem do espectador. 

O prólogo se passa em um avião, a segunda história em uma lanchonete de beira de estrada, a terceira ocorre com dois carros na estrada, a seguinte se passa em Buenos Aires com uma trama totalmente urbana. A quinta trama tem como local a casa de um milionário e a última em um casamento. 

Apesar das seis tramas seriam ótimas e inteligentes, fica claro que as três últimas histórias são mais bem trabalhadas, além de serem um pouco mais longas. 

O resultado é mais um grande filme do cinema argentino. 

sábado, 9 de maio de 2015

Missão Babilônia

Missão Babilônia (Babylon A.D., França / Inglaterra, 2008) – Nota 5,5
Direção – Mathieu Kassovitz
Elenco – Vin Diesel, Michelle Yeoh, Mélanie Thierry, Lambert Wilson, Mark Strong, Charlotte Rampling, Gerard Depardieu.

Na Rússia, em um futuro próximo, o mercenário Toorop (Vin Diesel) é procurado pelo sinistro Gorsky (Gerard Depardieu), que lhe oferece muito dinheiro para cumprir uma perigosa missão. Toorop terá de transportar uma jovem (Mélanie Thierry) até Nova York. A garota, que vive em um convento na Mongólia, será acompanhada por uma freira (Michelle Yeoh), que a trata como filha. 

O trio inicia a viagem através de o Estreito de Behring para chegar ao Canadá e posteriormente entrar nos Estados Unidos. O problema é que eles passam a ser perseguidos por desconhecidos e ainda tem de enfrentar os percalços da viagem por um mundo à beira do caos. Logo, Toorop percebe que a garota tem algo de diferente, mas não consegue descobrir qual é o segredo e  nem porque estão sendo perseguidos. 

O ator Mathieu Kassovitz entregou bons trabalhos como diretor em “O Ódio” e “Rios Vermelhos”, mas escorregou feio em Hollywood no fraco “Na Companhia do Medo”. Este “Missão Babilônia” se mostra outro filme ruim, com um roteiro maluco que mistura religião, ciência, política e apocalipse sem muita consistência. 

A viagem dos protagonistas apresenta soluções inverossímeis para os problemas enfrentados, assim como a explicação para o segredo da garota não convence, chegando até o péssimo final. Muitas cenas de ação também sofrem pelos cortes exagerados, ficando quase impossível acompanhar as lutas. 

Infelizmente, o longa tem uma boa premissa totalmente desperdiçada.