domingo, 21 de janeiro de 2018

Cores do Destino

Cores do Destino (Upstream Color, EUA, 2013) – Nota 5
Direção – Shane Carruth
Elenco – Amy Seimetz, Shane Carruth, Andrew Sensenig, Thiago Martins.

Um sujeito (Thiago Martins) faz experiências com larvas. Na sequência, ele ataca uma mulher (Amy Seimetz) e a faz engolir uma larva. Numa espécie de transe, a mulher que se chama Kris se torna submissa ao ladrão, que rouba seus pertences e dinheiro. 

Nos dias posteriores, Kris continua sofrendo com estranhas sensações. Ela procura ajuda com um excêntrico criador de porcos (Andrew Sensenig). Aparentemente curada, Kris tenta seguir a vida ao conhecer Jeff (o diretor Shane Carruth), com quem inicia um relacionamento, mas novos fatos e sensações atrapalham sua vida. 

Shane Carruth é um destes malucos que de tempos em tempos aparecem no cinema. Ele é um matemático que abandonou a carreira para se aventurar no cinema. Carruth dirige, escreve, produz, filma e atua, ou seja, ele é o dono do filme. 

Em 2004 ele chamou atenção do cinema independente com a complexa ficção “Primer”, mas estranhamente ficou os nove anos seguintes sem filmar. Na minha opinião, seu retorno neste “Cores do Destino” é uma grande decepção. O que “Primer” tinha de complexo e fazia o espectador ficar grudado nos diálogos malucos, aqui isso se perde na trama cansativa e no ritmo extremamente lento, lembrando muito os últimos filmes de Terrence Malick, aqueles em que ele exagera na “viagem”. 

É uma pena, eu esperava algo bem melhor depois de ter gostado muito de “Primer”.   

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Star Wars - Comentários Rápidos


Guerra nas Estrelas (Star Wars, EUA, 1977) – Nota 9
Direção – George Lucas
Elenco – Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Peter Cushing, Anthony Daniels, Kenny Baker, Peter Mayhew, James Earl Jones.

Por mais que as novas gerações chamem este clássico de “Episódio IV – Uma Nova Esperança”, sou do tempo em que o filme era apenas “Guerra nas Estrelas”. O longa é um marco não só pela qualidade, mas também por ser o pioneiro em utilizar o sucesso para vender produtos agregados a marca. Todo o tipo de quinquilharia foi vendida, como álbuns de figurinhas, bonecos que hoje valem muito para colecionadores e até um robô réplica do personagem R2-D2. Hoje esta prática é comum, em muitos casos o marketing é mais bem feito do que o filme, que passa a ser apenas um produto. 

Após a enorme bilheteria que fez “Tubarão’ de Spielberg em 1975, Lucas percebeu que as pessoas esperavam filmes mais leves do que a maioria do trabalhos dos anos setenta. Como ele tinha há muito tempo o esboço do roteiro e conseguiu um certo crédito para produzir o filme após ter chamado a atenção com “Loucuras de Verão” (“American Graffiti’), estavam abertas as portas da série mais lucrativa da história do cinema. 

O Império Contra Ataca (Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back, EUA, 1980) – Nota 10
Direção – Irvin Kershner
Elenco – Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Alec Guinness, Anthony Daniels, David Prowse, Peter Mayhew, Kenny Baker, Frank Oz, James Earl Jones.

Na minha opinião esta sequência é o melhor filme da franquia, considerando as duas primeiras trilogias. O universo da trama é expandido para vários planetas, os efeitos especiais e as maquiagens eram o que de melhor existia na época e os carismáticos personagens são desenvolvidos de forma mais ampla, sem contar as cenas de ação e suspense, incluindo o gancho que deixou os fãs ansiosos por mais três anos.

O Retorno de Jedi (Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi, EUA, 1993) – Nota 8
Direção – Richard Marquand
Elenco – Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Alec Guinness, Ian Diarmid, Anthony Daniels, David Prowse, Peter Mayhew, Kenny Baker, Frank Oz, James Earl Jones.

O fechamento da trilogia inicial resulta em outro ótimo filme, mesmo sendo um pouco inferior aos dois anteriores. Novamente a parte técnica é fantástica e a trama esconde o famoso segredo revelado na luta entre Luke e Darth Vader. Sobraram algumas críticas para o clima festivo no final e a participação dos Ewoks, provavelmente criados na trama para atrair também as crianças com um pouco menos de idade. O que os fãs não imaginavam é que teriam de esperar mais dezesseis para retomada da franquia.

Episódio I – A Ameaça Fantasma (Star Wars: Episode I - The Phantom Menace, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – George Lucas
Elenco – Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmind, Samuel L. Jackson, Hugh Quarshie, Frank Oz, Terence Stamp.

A ideia original de George Lucas eram três trilogias, sendo que por falta de dinheiro e tecnologia na época, ele preferiu filmar nos anos setenta o que seria a segunda trilogia. Aqui, Lucas buscou a ideia original da saga para filmar a vida de Darth Vader e Obi Wan Kenobi antes da Federação se tornar o Império e iniciar a guerra contra a Aliança Rebelde. Apesar de ser considerado por muitos como o filme mais fraco da saga, ainda assim é um espetáculo de qualidade. Os pontos negativos são a atuação do menino Jake Lloyd e o irritante personagem Jar Jar Binks.

Episódio II – Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II - Attack of the Clones, EUA, 2002) – Nota 7 Direção – George Lucas Elenco – Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Christopher Lee, Samuel L. Jackson, Frank Oz, Ian McDiarmind, Temuera Morrison, Daniel Logan, Jack Thompson, Jimmy Smits, Pernilla August.

O nível desta sequência é semelhante ao filme anterior. As cenas de ação são bem legais, ao mesmo tempo em que o romance entre Anakin e Padmé está longe de cativar. O ponto alto é ver o pequeno Yoda lutando. Assim como o garotinho Jake Lloyd foi fraco para o papel de Anakin quando criança, o canastrão Hayden Christensen mantém o nível baixo de interpretação.

Episódio III – A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith, EUA, 2005) – Nota 7,5 Direção – George Lucas Elenco – Ewan McGregor,Natalie Portman, Hayden Christensen, Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson, Jimmy Smits, Frank Oz, Anthony Daniels, Christopher Lee, Temuera Morrison, Bruce Spense, Keisha Castle Hughes.

Este é com certeza o melhor filme desta trilogia. O tom mais sombrio permeia o longa à espera do “nascimento” de Darth Vader. A história é melhor amarrada do que os dois filmes anteriores, explorando bastante a questão política, além é claro da crise que acompanha Anakin. Esta segunda trilogia fica longe da primeira na qualidade e principalmente no carisma dos personagens.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Columbus

Columbus (Columbus, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Kogonada
Elenco – John Cho, Haley Lu Richardson, Michelle Forbes, Rory Culkin, Parker Posey.

Um famoso arquiteto sul-coreano passa mal na cidade de Columbus em Ohio e termina em coma profundo. Seu filho Jin (John Cho) volta de Seul para acompanhar o pai. 

Enquanto espera a evolução do quadro de saúde do pai, Jin cruza o caminho de Casey (Haley Lu Richardson), uma jovem que trabalha na biblioteca da cidade e que adora arquitetura. 

Sem muita explicação, os dois criam um laço de amizade e descobrem um pouco mais do outro durante passeios pela cidade, sempre visitando edifícios marcantes em termos de arquitetura. 

O videomaker sul-coreano Kogonada estreou na direção neste simpático filme independente que bebe na fonte de obras como “Antes do Amanhecer” e “Encontros e Desencontros”. Semelhante ao primeiro temos os ótimos diálogos entre os protagonistas enquanto perambulam pela pacata Columbus. Do segundo a semelhança está na melancolia destes diálogos e nas tristezas e frustrações que os personagens carregam. 

John Cho deixa de lado os papéis em comédia para encarnar um sujeito que vive um momento de crise, enquanto a jovem Haley Lu Richardson demonstra com competência o sofrimento de alguém que não sabe qual caminho seguir. 

É um filme contemplativo em alguns momentos, que explora a bela arquitetura da cidade. 

O longa é indicado também para quem aprecia histórias humanas, com personagens próximos da realidade.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O Nascimento de uma Nação

O Nascimento de uma Nação (The Birth of the Nation, EUA / Canadá, 2016) – Nota 6,5
Direção – Nate Parker
Elenco – Nate Parker, Armie Hammer, Penelope Ann Miller, Jack Earle Haley, Mark Boone Junior, Colman Domingo, Aunjanue Ellis, Aja Naomi King, Roger Guenveur Smith, Esther Scott, Gabrielle Union.

Virginia, século XIX. Quando criança, o escravo Nat Turner (Nate Parker) viu seu pai matar um capitão do mato e fugir para nunca mais voltar. Adulto e sabendo ler, Nat se torna um pregador da bíblia para os escravos. 

Seu dono (Armie Hammer), aproveita o talento de Nat para lucrar. Ele o leva para pregar sobre obediência para escravos de outros fazendeiros e assim receber dinheiro pelo trabalho de Nat. As injustiças e a violência que Nat presencia, aos poucos o empurra para tomar uma atitude drástica. 

O ator Nate Parker, que é nascido na Virginia, estreou aqui como diretor levando às telas um roteiro escrito por ele mesmo baseado numa história real. A premissa é semelhante a outros filmes sobre a escravidão americana, criando sequências de violência física e psicológica de forma crua e levando o espectador a odiar praticamente todos os personagens brancos. Até mesmo aqueles que demonstram alguma simpatia pelos escravos, em algum momento agem de forma odiosa. 

Por mais que a escravidão seja um dos maiores horrores da história da humanidade, a forma como Parker retrata o protagonista é extremamente pretensiosa. Desde a primeira cena quando Nat é um garoto, a narrativa faz um paralelo do personagem com um Messias, situação que fica ainda mais exagerada na parte final, quando a comparação com Cristo fica totalmente clara. 

Este exagero também se apresenta em algumas sequências com luzes, claridades, rituais e sonhos. Por mais que Parker mostre talento para dominar a câmera e criar cenas de violência com competência, o resultado deixa a desejar.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

London

London (London, Inglaterra / EUA, 2005) – Nota 7
Direção – Hunter Richards
Elenco – Chris Evans, Jason Statham, Jessica Biel, Joy Briant, Kelli Garner, Isla Fisher, Louis C.K., Dane Cook, Paula Patton, Kat Dennings.

Depressivo e viciado em cocaína, Syd (Chris Evans) fica louco quando descobre que sua ex-namorada London (Jessica Biel) fará uma festa de despedida antes de mudar de cidade para morar com um novo namorado. 

Mesmo sem ser convidado, ele decide ir ao apartamento. Antes disso, Syd passa em um bar para comprar drogas com um desconhecido chamado Bateman (Jason Statham) e termina por levar o sujeito para festa. 

Com medo de enfrentar London, Syd fica boa parte da festa no enorme banheiro do apartamento cheirando cocaína com Bateman. Duas amigas (Joy Briant e Kelly Garner) também passam pelo local enquanto Syd conversa sobre sexo, drogas e relacionamentos. 

O roteiro escrito pelo diretor Hunter Richards explora o clichê da dor da separação através de diálogos desesperados e turbinados pelo uso da droga. Enquanto o protagonista conta sua versão dos fatos que levaram ao fim do relacionamento, vemos em flashback sequências em que ele e a garota London se mostram apaixonados, transam e discutem por besteiras. 

As conversas no banheiro entre Syd e Bateman são impagáveis, principalmente aquela em tem como ponto principal a diferença de idade entre os personagens, com destaque para Jason Statham interpretando um papel de verdade, bem longe dos brucutus de filmes de ação que costuma viver. 

É um filme que pode cansar quem não gosta de muitos diálogos, mas por outro lado resulta numa obra curiosa sobre como a geração atual se relaciona. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Dunkirk

Dunkirk (Dunkirk, Inglaterra / Holanda / França / EUA, 2017) – Nota 9
Direção – Christopher Nolan
Elenco – Fionn Whitehead, Kenneth Branagh, Tom Hardy, Mark Rylance, Cillian Murphy, Tom Glynn Carney, Barry Keoghan, Jack Lowden, James D’Arcy.

Dunkirk, França, 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de soldados ingleses e franceses ficam encurralados pelo exército alemão na praia de Dunkirk (Dunquerque na França) à espera de navios para levá-los a Inglaterra. 

Esta história serviu como ponto de partida para o diretor Christopher Nolan escrever o roteiro explorando três narrativas em paralelo. A primeira tem como protagonista o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead), que enfrenta diversos obstáculos para tentar voltar a Inglaterra. A segunda acompanha dois pilotos ingleses (Tom Hardy e Jack Lowden) numa batalha aérea contra aviões alemães que tem como alvo os soldados na praia. A última narrativa segue um barco comandado por um civil e seu filho (Mark Rylance e Tom Glynn Carner), que partiram da Inglaterra para Dunkirk com objetivo de resgatar soldados. 

As histórias que se cruzam são até previsíveis, mas isso não atrapalha o filme. A parte técnica é fantástica, com o detalhe de que muitas cenas foram filmadas na água, situação extremamente complicada e que aqui resultam em sequências perfeitas, emocionantes e assustadoras. 

Alguns críticos reclamam de que os alemães jamais aparecem para o confronto cara a cara, fato comum aos filmes do gênero. Na minha opinião foi uma ótima escolha de Nolan. Não mostrar os rostos dos inimigos transformam os ataques em algo ainda mais assustador, como na cena em que alguns jovens soldados ficam presos em um pequeno barco que se torna alvo das balas inimigas. 

A palavra que define este longa de guerra é “sensacional”.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Medo e Obsessão

Medo e Obsessão (Land of Plenty, EUA / Alemanha / Canadá, 2004) – Nota 6,5
Direção – Wim Wenders
Elenco – John Diehl, Michelle Williams, Richard Edson, Wendell Pierce, Shaun Toub, Burt Young, Bernard White.

Dois anos após os ataques de 11 de Setembro, o veterano do Vietnã Paul (John Diehl) espiona pessoas de origem árabe na periferia de Los Angeles. 

Com um velho furgão repleto de equipamentos de vigilância, Paul acredita ser um agente que está fazendo a sua parte para defender o país de novos ataques. 

Quando sua sobrinha Lana (Michelle Williams) retorna ao país após viver como missionária na Cisjordânia e o procura para reatar os laços familiares, nasce uma estranha relação de amizade entre pessoas com visões de mundo extremamente opostas. 

A carreira do diretor alemão Wim Wenders varia entre filmes com temáticas políticas e sociais, além de documentários. Excluindo os documentários, sua obra-prima é “Asas do Desejo”, com uma menção honrosa para o doloroso “Paris, Texas”, porém depois dos anos noventa seus trabalhos são no máximo razoáveis. 

Este “Medo e Obsessão” parte da interessante premissa das consequências dos atentados de 11 de Setembro, junto com os traumas de quem lutou no Vietnã e ainda focando no lado miserável de Los Angeles, em que moradores de rua tentam sobreviver no dia a dia. 

A paranoia do protagonista em procurar ameaças se perde na verborragia do mesmo conversando solitariamente com seu gravador e numa investigação bizarra. A ideia de mostrar que os atentados afetaram americanos e árabes é desenvolvida de forma simplória, assim como a questão social da crise financeira e do desemprego nos Estados Unidos, situação relatada de forma rasa no trabalho da personagem de Michelle Williams em um abrigo. 

No final fica claro que a premissa é mais interessante do que a realização.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Trainspotting I e II


Trainspotting: Sem Limites (Trainspotting, Inglaterra, 1996) – Nota 9      
Direção – Danny Boyle
Elenco – Ewan McGregor, Ewen Brenmer, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Kevin McKidd, Kelly Macdonald, Peter Mullan, James Cosmo, Eileen Nicholas.

Periferia de Edimburgo, Escócia. Mark Renton (Ewan McGregor) é um jovem viciado em heroína que compartilha seu vício e o prazer por loucuras com um grupo de amigos. Spud (Ewen Bremner), Sick Boy (Jonny Lee Miller), Tommy (Kevin McKidd) e o maluco Begbie (Robert Carlyle), além da jovem namorada Diane (Kelly Macdonald). 

Baseado em um livro de Irvine Welsh, este é com certeza o filme mais marcante sobre o efeito das drogas em jovens sem rumo. Por mais que tenham situações dramáticas, o foco da trama é mostrar a loucura do vício misturando desespero, violência, escatologia e até comédia. O ritmo alucinante de várias sequências pontuadas por uma ótima trilha sonora, junto com a narração cínica do protagonista vivido por Ewan McGregor elevam o filme a máxima potência. 

O grande acerto do filme e do livro é mostrar a euforia causada pelas drogas e também o outro lado, as consequências pesadas desta escolha. Tudo isso ganha pontos pelos ótimos personagens, cada um com suas características e maluquices próprias. 

É um filme que incomoda e que com certeza não agrada a muita gente, mas por outro lado é uma obra obrigatória para o cinéfilo que curte longas ousados.

T2 Trainspotting (T2 Trainspotting, Inglaterra, 2017) – Nota 7,5
Direção – Danny Boyle
Elenco – Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Robert Carlyle, Anjela Nedyalkova, Kelly Macdonald, James Cosmo.

Vinte anos após ir embora da Escócia, Mark Renton (Ewan McGregor) volta para Edimburgo com o objetivo de reencontrar os amigos e tentar acertar as pendências do passado. 

Simon “Sick Boy” (Jonny Lee Miller) é dono de um decadente bar e tenta ganhar um dinheiro extra extorquindo homens que se encontram com a prostituta Veronika (Anjela Nedyalkova), sua namorada. Spud (Ewen Bremner) continua viciado em drogas e sofre por ter sido expulso de casa pela ex-esposa que ficou com o filho do casal. O psicopata Begbie (Robert Carlyle) está preso sem chance de conseguir sair, por isso planeja fugir. 

Diferente do original em que os personagens levavam a vida a mil por hora, nesta sequência o clima é de fim de festa. Isso não é ruim para o filme, pelo contrário, o roteiro mostra as consequências dos excessos na vida de cada um deles. O pensamento dos jovens que acreditam ter a vida inteira pela frente se transforma em melancolia na meia-idade, quando os sonhos se despedaçaram e a alegria das drogas se transformou numa vida vazia. 

Mesmo voltado muito mais para o drama, esta sequência tem bons momentos e alguns até engraçados, como o bizarro karaokê dos protestantes e os flashbacks em que os personagens relembram a juventude ao passarem por alguns locais da cidade. 

Ao final destes dois filmes, fica a mensagem de que podemos escolher como viver, mas também somos responsáveis pelas consequências destas escolhas.  

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Obsessão

Obsessão (The Paperboy, EUA, 2012) – Nota 5
Direção – Lee Daniels
Elenco – Matthew McConaughey, Zac Efron, Nicole Kidman, John Cusack, Macy Gray, David Oyelowo, Scott Glenn, Ned Bellamy, Nealla Gordon.

O jornalista Ward Jansen (Matthew McConaughey) retorna para sua cidade natal na Flórida após receber cartas de uma mulher chamada Charlotte (Nicole Kidman) que alega que seu namorado (John Cusack) foi condenado a morte por um crime que não cometeu. 

Ao lado de outro jornalista (David Oyelowo), Ward decide investigar o caso com a ajuda de seu irmão caçula Jack (Zac Efron). Não demora para os jornalistas encontrarem inconsistências no processo e também para Jack se apaixonar pela volúvel Charlotte. 

Entre o sensível “Preciosa” e o interessante “O Mordomo da Casa Branca”, o diretor Lee Daniels entregou esta verdadeira bomba. O roteiro escrito pelo diretor explora a clássica história do jornalista idealista que tenta resolver um crime, porém a forma como algumas situações se resolvem são fáceis demais. 

O pior mesmo são as várias sequências de extremo mal gosto e os personagens que variam entre irritantes e asquerosos. A tentativa de inserir uma pitada de racismo na trama também não funciona. 

O único ponto interessante é a narração sóbria da cantora Macy Gray, que interpreta a empregada da casa dos Jansens. 

É um filme para passar longe. 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Dark

Dark (Dark, Alemanha, 2017)
Direção – Baran Bo Odar
Elenco – Oliver Masucci, Karoline Eichhorn, Jordis Triebel, Louis Hoffman, Maja Schone, Andreas Pietschmann, Daan Lennard Liebrenz.

Na pequena cidade de Winden no interior da Alemanha, o suicídio de um homem e o desaparecimento de um adolescente são os pontos de partida da série mais complexa dos últimos anos. 

Criada pelo diretor Baran Bo Odar, do ótimo “Invasores: Nenhum Sistema Está a Salvo”, em parceria com Jantje Friese, esta série foi escrita para quebrar a cabeça do espectador. Fica difícil até escrever uma sinopse.

Alguns críticos comparam a série com "Stranger Things" por causa da premissa do desaparecimento de um adolescente, porém esta é muito mais complexa e com uma trama totalmente adulta e sombria. 

Os ingredientes da trama incluem outros desaparecimentos de crianças, viagem no tempo, conflitos familiares, traições, uma usina nuclear e até uma ligação ainda indefinida com a tragédia de Chernobyl na antiga União Soviética. 

A quantidade enorme de personagens é outro fator que deixa o espectador maluco. Vários deles são interpretados por dois ou até três atores, pois a trama se passa em três épocas diferentes. As histórias estão interligadas por acontecimentos em 1953, 1986 e 2019. 

Estes personagens estão divididos e também misturados em quatro famílias que tem seus destinos modificados pelo caos. 

Um dos pontos positivos é que o roteiro responde várias perguntas durante os dez episódios, diferente de séries que enrolam o espectador. Lógico que ganchos foram deixados para uma segunda temporada, que tomara seja tão instigante como a primeira.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Assassin's Creed

Assassin’s Creed (Assassin’s Creed, EUA / França / Inglaterra / Hong Kong / Taiwan / Malta, 2016) – Nota 6
Direção – Justin Kurzel
Elenco – Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson, Charlotte Rampling, Michael Kenneth Williams, Matias Varela, Khalid Abdalla.

Após ser executado na prisão, Callum Lynch (Michael Fassbender) ressuscita em um laboratório futurista comandado por Rikkin (Jeremy Irons) e sua filha, a cientista Sofia (Marion Cotillard). 

Lynch descobre que foi poupado da morte para servir como cobaia de uma máquina criada por Sofia, que através do DNA consegue acessar memórias dos ancestrais da pessoa. 

O objetivo de Rikkin e Sofia é descobrir onde Aguilar (Michael Fassbender em papel duplo), ancestral de Lynch, escondeu a maçã de Adão e Eva em 1492 durante uma batalha entre a sociedade dos assassinos contra os templários. 

Baseado no famoso game, este longa divide a trama em duas narrativas (péssima no presente e interessante no passado) e erra feio na trama absurda. As cenas no laboratório, os diálogos fracos e os coadjuvantes inseridos na trama sem muito explicação detonam a narrativa dos dias atuais. 

Por outro lado, as boas sequências de ação no passado ajudam a salvar um pouco o filme, caso contrário resultaria numa gigantesca bomba. 

É um filme indicado apenas como curiosidade para os fãs do game.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O Poder de Alguns

O Poder de Alguns (The Power of Few, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Leone Marucci
Elenco – Christopher Walken, Christian Slater, Anthony Anderson, Tione Johnson, Q’oriana Kilcher, Jordan Prentice, Devon Gearhart, Jesse Bradford, Nicky Whelan, Moon Bloodgood, Navid Negahban, Juvenile, Derek Richardson.

Na periferia de uma decadente cidade, vários personagens se cruzam culminando em uma tragédia. 

Entre eles temos dois moradores de rua (Christopher Walken e Jordan Prentice), um adolescente (Devon Gearhart), uma dupla de policiais (Christian Slater e Nicky Whelan), dois bandidos (Anthony Anderson e Juvenile) perseguindo um sujeito (Jesse Bradford), uma motoqueira que faz entregas (Q’oriana Kilcher) e por fim uma enigmática menina (Tione Johnson). 

O roteiro escrito pelo diretor Leone Marucci inicia suas histórias as duas horas da tarde, mostrando o que aconteceu com cada personagem desde esta hora até o momento da tragédia. Tanto as histórias, quanto os personagens são irregulares, incluindo ainda o roubo de um artefato religioso. 

Os personagens mais interessantes são os moradores de rua, com o veterano Christopher Walken roubando o filme em diálogos malucos com o baixinho Jordan Prentice. A garotinha vivida por Tione Johnson é outra que se destaca. Vale citar ainda a agitada trilha sonora e algumas boas cenas de ação.

Infelizmente, o final tenta passar uma mensagem de paz, algo completamente diferente do que é mostrado durante todo o filme. Isso faz o longa perder pontos. 

Esqueça também o título nacional que passa a impressão de algo paranormal.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Detroit em Rebelião

Detroit em Rebelião (Detroit, EUA, 2017) – Nota 8
Direção – Kathryn Bigelow
Elenco – John Boyega, Anthony Mackie, Jacob Latimore, Algee Smith, Will Poulter, Ben O’Toole, Jack Reynor, Kaitlyn Dever, Hannah Murray, Malcolm David Kelley.

Detroit, 1967. Uma operação policial em uma casa noturna de um bairro pobre da cidade dá início a um confronto entre a população negra e a polícia praticamente toda composta por brancos. 

Durante cinco dias, o conflito se alastra por grande parte da cidade, resultando em prisões, feridos e mortes. 

O roteiro de Mark Boal se baseia em fato real e divide a história em três partes. A parte inicial explora o início dos confrontos misturando filmagens reais da época com a apresentação de vários personagens. Temos um grupo musical, um segurança de loja e três policiais racistas.

O segundo ato é o mais dramático e explosivo. Uma determinada situação leva os policiais racistas e alguns soldados do exército a invadirem um motel dando início a uma violenta abordagem. A parte final foca nas consequências do que ocorreu no motel e infelizmente faz a narrativa esfriar.

O ponto alto do longa é sem dúvida o longo segundo ato dentro do motel. A violência física e psicológica chega a um ponto insuportável, ainda mais sabendo que aquilo realmente ocorreu.

Os destaques do elenco ficam para John Boyega como o segurança que se torna um agente passivo da tragédia e para o cruel policial interpretado por Will Poulter.

Mesmo com a irregularidade da narrativa na parte final, a força da história e os dois primeiros atos tornam este longa uma obra obrigatória.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Encarcerado

Encarcerado (Starred Up, Inglaterra, 2013) – Nota 7,5
Direção – David Mackenzie
Elenco – Jack O’Connell, Ben Mendelsohn, Rupert Friend, Sam Spruell, Peter Ferdinando.

Ao completar dezenove anos de idade, Eric Love (Jack O’Connell) é transferido do reformatório para uma prisão de adultos, local onde reencontra o pai Neville (Ben Mendelsohn). 

Violento e revoltado por ter sido criado como órfão, Eric não demora para arrumar confusão na cadeia. Enquanto seu pai se preocupa com as consequências dos atos de Eric, um assistente social (Rupert Friend) tenta fazer o jovem participar de um grupo de presos que desejam mudar de vida. 

Como é normal aos filmes de prisão, vemos aqui uma violenta história desenvolvida de forma crua com personagens que vivem em meio ao inferno. Por mais que alguns detentos queiram paz e o local tenha um chefão (Peter Ferdinando) que deseja tranquilidade para comandar seus negócios sujos, a violência sempre vem à tona. 

O ator Jack O’Connell, que ficaria famoso no ano seguinte com o drama “Invencível”, desenvolve uma interpretação furiosa, mostrando todo o ódio que seu personagem carrega. 

É um filme forte, com cenas violentas e personagens marginais.