segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Traços da Lei

Traços da Lei (Brasil, 2013) – Nota 5,5
Direção – Alessandro Luz Braz
Elenco – Alessandro Luz Braz, Gabriela Ramos, Elaine Baldanza, Jackson Junior, Binho Chaveiro.

Marlon das Neves (Alessandro Luz Braz) é um policial civil que investiga uma rede de pedofilia no subúrbio do Rio do Janeiro. Em meio ao trabalho, ele se envolve com a policial militar Carla (Gabriela Ramos). 

Esta produção independente de baixo orçamento foi filmada durante um ano e meio sem verba pública, apenas com apoio de pequenas empresas e dos envolvidos e lançada diretamente no Youtube. 

As interpretações são amadoras, assim como algumas cenas em que pedófilos são espancados que foram filmadas com a imagem distorcida e ângulos estranhos para esconder a falta de talento dos atores para luta. 

O roteiro explora clichês do gênero, como o protagonista que sofre com o passado e que precisa decidir entre seguir a lei ou fazer justiça com as próprias mãos. 

O filme vale como curiosidade e pelo esforço dos envolvidos em fazer cinema com pouco dinheiro. 

A mesma produtora está filmando um novo longa policial que deverá ser lançado em 2017.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Ruína Azul

Ruína Azul (Blue Ruin, EUA / França, 2013) – Nota 7,5
Direção – Jeremy Saulnier
Elenco – Macon Blair, Devin Ratray, Amy Hargreaves, Kevin Kolack, Eve Plumb, David W. Thompson.

Um solitário (Macon Blair) que mora em um carro velho e sobrevive de pequenos furtos, é avisado por uma policial, que aparentemente o conhece, sobre o caso de um detento que fora libertado após cumprir pena por duplo assassinato. Sem dizer palavra alguma, o sujeito decide procurar o ex-presidiário para se vingar. 

Este interessante e violento longa explora a clássica premissa da justiça pelas próprias mãos de uma forma detalhista. Aos poucos, o espectador descobre a motivação da vingança, como ela afetou a vida do solitário andarilho e de algumas pessoas ao seu redor. 

Apesar de várias cenas violentas, a narrativa é sóbria, quase calculista, assim como a vingança planejada pelo protagonista. 

O diretor e roteirista Jeremy Saulnier se mostra extremamente promissor, com ótimo domínio da parte técnica e da narrativa. Seu trabalho seguinte foi o ainda mais violento “Sala Verde”. Agora é esperar para conferir se Saulnier confirmará seu talento nos próximos trabalhos.

sábado, 14 de janeiro de 2017

A Estalagem Maldita

A Estalagem Maldita (Jamaica Inn, Inglaterra, 1939) – Nota 6,5
Direção – Alfred Hitchcock
Elenco – Charles Laughton, Maureen O’Hara, Robert Newton, Leslie Banks, Marie Ney.

Cornwal, litoral da Inglaterra, 1819. Após a morte dos pais, a jovem irlandesa Mary (Maureen O’Hara) chega na região para viver com os tios em um hotel chamado “Jamaica Inn”. 

Rapidamente ela descobre que o tio (Leslie Banks) utiliza o local para esconderijo de ladrões e assassinos que formam uma gangue especializada em causar naufrágios para roubar as cargas dos navios. 

A princípio, Mary acredita que possa ser ajudada por Sir Pengallan (Charles Laugton), o magistrado da cidade. Ela não imagina que o homem é o líder por trás da quadrilha. 

Produzido há quase oitenta anos, este longa é uma obra menor na carreira de Hitchcock, fruto ainda de seus trabalhos da chamada “fase inglesa” da carreira. 

Visto hoje, várias sequências filmadas em estúdio se mostram estranhas, assim como as interpretações que são caricatas, com exceção de uma bem jovem Maureen O’Hara, que já vivia uma personagem forte, o que repetiria várias vezes em sua carreira. 

É um filme que hoje vale apenas como curiosidade cinematográfica para os fãs do diretor. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Lenny, O Show Deve Continuar & Star 80


Lenny (Lenny, EUA, 1974) – Nota 7,5
Direção – Bob Fosse
Elenco – Dustin Hoffman, Valerie Perrine, Jan Miner, Stanley Beck.

No início dos anos sessenta, o comediante Lennie Bruce (Dustin Hoffman) ganha fama na vida noturna ao falar de temas tabus como sexo, drogas e preconceito em um show de stand up. A língua solta do comediante também chama a atenção das autoridades, resultando em prisões e processos por ser acusado de desrespeitar os chamados “bons costumes”.

O falecido diretor e coreógrafo Bob Fosse escolheu contar a história real de Lenny Bruce como se fosse um documentário. A vida Lenny é mostrada em flashback desde o início de carreira quando era considerado um imitador medíocre, passando pelo complicado relacionamento com sua esposa Honey (Valerie Perrine) que era stripper, até chegar ao sucesso e aos problemas com as autoridades e com as drogas. Tudo isto é intercalado com depoimentos da esposa, do seu agente (Stanley Beck) e de sua mãe (Jan Milner).

Várias sequências são dos shows de Lennie, que era um sujeito complicado e ao mesmo tempo a frente do seu tempo em relação a falar abertamente sobre tudo. Ele falava há cinquenta anos, sem pudor algum, o que os comediante atuais falam.

O filme e a história de Lennie beiram a depressão. Ele parece angustiado até mesmo nos momentos de felicidade. Vale destacar a atuação exuberante de Dustin Hoffman e a melancolia de Valerie Perrine, que protagoniza algumas cenas ousadas para época. O filme é todo em preto e branco.

O Show Deve Continuar (All That Jazz, EUA, 1979) – Nota 7
Direção – Bob Fosse
Elenco – Roy Scheider, Jessica Lange, Ann Reinking, Leland Palmer, Bem Vereen, Cliff Gorman, Sandahl Bergman, John Lithgow, Max Wright.

Joe Gideon (Roy Scheider) é um famoso diretor de cinema e coreógrafo que trabalha na edição de seu último filme e nos ensaios de um novo musical. Abusando de bebidas, cigarros, drogas e sexo, Joe sofre um infarto que o deixa à beira da morte. Enquanto luta para sobreviver, ele relembra sua vida através de memórias que se transformam em números musicais e conversas com as mulheres de sua vida. 

Este longa é um registro quase autobiográfico da vida e carreira de Bob Fosse. Tendo dirigido apenas cinco filmes e trabalhado como coreógrafo em vários outros, Fosse foi um sujeito que viveu no limite e que faleceu aos sessenta anos em 1987. 

O longa fez grande sucesso, tendo sido indicado para nove Oscars e vencido em quatro categorias. Para quem gosta de musicais ousados, o filme é uma ótima pedida. Para meu gosto, é um filme apenas interessante. 

Star 80 (Star 80, EUA, 1983) – Nota 7
Direção – Bob Fosse
Elenco – Mariel Hemingway, Eric Roberts, Cliff Robertson, Carroll Baker, Roger Rees, David Clennon, Josh Mostel.

No final dos anos setenta, Dorothy Stratten (Mariel Hemingway) é uma jovem canadense que sonha em se tornar modelo e atriz. Seu namorado Paul Snider (Eric Roberts) vê a chance de lucrar investindo na carreira da garota, que logo consegue trabalhos, inclusive posando para a revista Playboy comandada pelo milionário Hugh Hefner (Cliff Robertson). 

A grande chance de alavancar a carreira de atriz surge quando um renomado cineasta (Roger Rees) a contrata para um filme. O que seria um sonho realizado, se transforma em terror quando seu namorado passa a acreditar que está sendo traído. A obsessão do sujeito levará a uma tragédia. 

Baseado na história real da atriz e modelo Dorothy Stratten, este longa foi o último trabalho do diretor Bob Fosse. O filme foca nos bastidores da fama e na paixão doentia de Paul Snider pela jovem. Na vida real, o cineasta com quem Stratten teria tido um caso foi Peter Bogdanovich, que a dirigiu na comédia “Muito Riso e Muita Alegria” de 1981. O roteiro não cita o nome de Bogdanovich, provavelmente para evitar algum processo. 

O filme fracassou nas bilheterias, mas rendeu boas críticas para a atuação de Eric Roberts, que na época era um ator promissor, mas que infelizmente se tornou um “operário” do cinema.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Spectral

Spectral (Spectral EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Nic Mathieu
Elenco – James Badge Dale, Emily Mortimer, Max Martini, Bruce Greenwood, Clayne Crawford, Cory Hardrict, Gonzalo Menendez, Ursula Parker, Stephen Root.

Um soldado das Forças Especiais Americanas é assassinado por algo aparentemente sobrenatural durante uma Guerra Civil na Moldávia. Uma espécie de espectro é captado pelos óculos especiais utilizado pelo soldado. 

Para tentar entender o que aconteceu, um general (Bruce Greenwood) convoca o engenheiro que criou os óculos para analisar a imagem. Clyne (James Badge Dale) fica surpreso ao ver a imagem. Com o auxílio de uma agente da CIA (Emily Mortimer) e de um grupo de soldados liderados pelo Capitão Sessions (Max Martini), Clyne instala uma câmera de maior potência em um tanque e juntos seguem para o campo de batalha com o objetivo de filmar novamente a criatura. É o início de uma terrível batalha. 

Esta produção da Netflix resulta num eficiente longa de ação, ficção e terror, que tem como ponto principal as eletrizantes cenas de ação. A parte técnica muito bem trabalhada é um complemento, incluindo os cenários da cidade destruída e a imagem da “ameaça” que ataca os soldados. 

O roteiro também não compromete, criando até mesmo uma explicação interessante para o que ocorreu, fato revelado na parte final. 

É basicamente um filme pipoca que agradará aos fãs do gênero. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Café Society

Café Society (Café Society, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Woody Allen
Elenco – Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Steve Carell, Blake Lively, Corey Stoll, Jeannie Berlin, Ken Stott, Sari Lennick, Stephen Kunken, Parker Posey, Paul Schneider, Sheryl Lee.

Nos anos trinta, Bobby (Jesse Eisenberg) viaja de Nova York para Los Angeles com o objetivo de conseguir trabalho com seu tio Phil (Steve Carell), que é um importante agente de atores em Hollywood. 

Bobby começa como uma espécie de office boy do tio, que aos poucos o apresenta para os famosos em grandes festas. A vida na alta sociedade não seduz Bobby, que fica mais interessante na jovem secretária do tio, Vonnie (Kristen Stewart). Em paralelo, seu irmão Ben (Corey Stoll) faz carreira como gângster em Nova York, inclusive utilizando um clube noturno como fachada. 

O olhar crítico de Woody Allen para Hollywood mais uma vez é um dos pontos principais neste simpático longa, além é claro do carinho que demonstra pelos tempos passados. A Hollywood dos anos trinta é mostrada como um local de glamour e futilidades, assim como o paralelo que é feito com submundo novaiorquino, onde bandidos e celebridades se divertiam nos mesmos locais. 

Como é habitual nos filmes de Allen, o roteiro explora ainda os desencontros do amor, as traições e as piadas sobre judaísmo e família. 

A boa química entre Jesse Eisenberg e Kristen Stewart é outro destaque, assim como a interpretação de um contido Steve Carell. 

É mais um bom filme de Allen, indicado principalmente para seus fãs.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sob a Sombra do Mal & Terror nas Sombras


Sob a Sombra do Mal (Bad Influence, EUA, 1990) – Nota 6,5
Direção – Curtis Hanson
Elenco – Rob Lowe, James Spader, Lisa Zane, Christian Clemenson, Marcia Cross, Kathleen Wilhoite.

Michael (James Spader) é um jovem funcionário de uma corporação que demonstra insegurança ao disputar uma promoção com um colega de trabalho inescrupuloso. Uma discussão em um bar o aproxima de Alex (Rob Lowe), que o defende. O novo amigo se torna uma espécie de conselheiro para Michael. Ele leva o jovem para curtir a noite, influencia o fim do noivado do rapaz e o pressiona a se defender no trabalho. Aos poucos, o nível de perigo das atitudes de Alex aumenta, assustando Michael que não sabe como se livrar do sujeito.

O roteiro escrito por David Koep (“Missão Impossível”, “O Quarto do Pânico”) explora um típico tema adolescente, em que um amigo mais forte e esperto manipula o nerd inseguro. Aqui a trama vai além, a manipulação chega a um ponto em que se transforma em caso de polícia.

Na época, Rob Lowe e James Spader eram atores promissores, que chegaram até a se tornar astros, porém Rob Lowe levou uma bela queda na carreira quando um vídeo íntimo com duas garotas veio a público no início dos anos noventa.

É um filme razoável, com todo o estilo dos anos oitenta.

Terror nas Sombras (The New Kids, EUA, 1985) – Nota 6
Direção – Sean S. Cunningham
Elenco – Shannon Presby, Lori Loughlin, James Spader, John Philbin, Eric Stoltz, Tom Atkins, Page Price.

Os irmãos Loren (Shannon Presby) e Abby (Lori Loughlin) vão morar com os tios em uma pequena cidade da Califórnia após a morte de seus pais em um acidente. Não demora para o irmão conseguir uma namorada (Page Price) e Abby também um namorado (Eric Stoltz). Os problemas surgem quando o traficante Eddie (James Spader) se sente atraído por Abby. Ao lado de alguns amigos violentos, Eddie começa a aterrorizar Abby, que precisa ser defendida pelo irmão, criando um perigoso conflito. 

Este é um dos vários filmes produzidos nos anos oitenta que exploravam a violência entre jovens. O ponto principal é a crescente tensão da narrativa que segue até o explosivo clímax. 

O filme tem algumas curiosidades. O diretor Sean S. Cunningham é conhecido por ser o criador da franquia “Sexta-Feira 13”, isso quando a palavra franquia sequer era utilizada no cinema. O longa original foi o único sucesso da carreira do diretor. 

O elenco tem James Spader e Eric Stoltz que ficariam famosos nos anos oitenta e noventa e que até hoje estão na ativa. A bela Lori Loughlin também era um rosto conhecido na época, tendo seu papel mais importante no seriado “Full House”. Enquanto isso, o protagonista Shannon Presby não fez carreira. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma Repórter em Apuros

Uma Repórter em Apuros (Whiskey Tango Foxtrot, EUA, 2016) – Nota 7,5
Direção – Glenn Ficarra & John Requa
Elenco – Tina Fey, Margot Robbie, Martin Freeman, Alfredo Molina, Christopher Abbott, Billy Bob Thornton, Nicholas Braun, Josh Charles, Stephen Peacocke, Sheila Vand.

Em 2003, Kim Baker (Tina Fey) é a editora de um programa de notícias de um canal de tv em Nova York. Ela decide trocar a vida tranquila ao aceitar um trabalho como repórter de campo para cobrir a Guerra no Afeganistão. O que seria um trabalho de três meses se transforma em três anos no meio do conflito. 

Baseado numa história real descrita em livro pela verdadeira Kim Baker, este surpreendente longa enfoca o trabalho e a vida dos repórteres que arriscam a própria vida em busca da notícia. 

O título nacional explora a presença de Tina Fey como protagonista para tentar vender este drama de guerra como se fosse uma comédia. Por mais que a história seja contada com bom humor intercalando sequências mais fortes e um pouco de drama pessoal, o filme está muito longe de ser uma comédia. 

O roteiro acerta ao mostrar um Afeganistão perigoso, pobre e atrasado, porém ao mesmo tempo humanizando os personagens, sem apelar para o clichê de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. Como exemplos, vemos o político afegão interpretado por Alfred Molina e o guia vivido por Christopher Abbott. 

É um filme interessante para quem gosta do tema e na minha opinião, sendo ainda o melhor trabalho da dupla Glenn Ficarra e John Requa.  

domingo, 8 de janeiro de 2017

Evocando Espíritos

Evocando Espíritos (The Haunting in Connecticut, EUA / Canadá, 2009) – Nota 6
Direção – Peter Cornwell
Elenco – Virginia Madsen, Kyle Gallner, Martin Donovan, Elias Koteas, Amanda Crew, Sophie Knight, Ty Wood.

Em meados de 1987, Sara (Virginia Madsen) e seu marido Peter (Martin Donovan) lutam para salvar o filho adolescente Matt (Kyle Gallner) que sofre de câncer. 

Para ficarem mais perto do hospital onde o garoto faz o tratamento, Sara aluga um velho casarão em Connecticut, levando ainda o casal de filhos pequenos e uma sobrinha (Amanda Crew), enquanto Peter viaja durante a semana para trabalhar. 

Não demora para Matt começar a ver fantasmas de pessoas que morreram na casa. Aos poucos, os fantasmas passam a aterrorizar toda a família. 

O longa segue o gênero das adaptações para o cinema de histórias reais sobre fenômenos sobrenaturais, porém sem o mesmo sucesso de obras como “Sobrenatural” e “Invocação do Mal”. O roteiro é previsível e ainda explora coincidências um pouco forçadas como a entrada em cena de um padre (Elias Koteas). 

Para o cinéfilo acostumado ao gênero, nem mesmo as cenas de suspense assustam. Por sinal, as cenas mais sinistras são as que mostram o passado da casa. 

Durante os créditos finais, são mostradas fotos que deixam em dúvida se foram feitas para o filme ou se são realmente da casa verdadeira. 

O longa teve um continuação em 2013 considerada ainda pior. Não assisti para comparar.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Imperium

Imperium (Imperium, EUA, 2016) – Nota 6,5
Direção – Daniel Ragussis
Elenco – Daniel Radcliffe, Toni Collette, Tracy Letts, Sam Trammell, Nestor Carbonell, Chris Sullivan, Seth Numrich, Pawel Szajda, Devin Druir, Burn Gorman.

Nate Foster (Daniel Radcliffe) é um jovem agente do FBI sem experiência alguma em missões de campo. Mesmo assim, sua inteligência acima da média chama a atenção da agente Angela Zamparo (Toni Collette), que investiga grupos que pregam a supremacia racial. 

Ela acredita que mesmo sem experiência, Nate seria o sujeito ideal para se infiltrar nestas organizações e descobrir o plano de um provável ataque terrorista interno. O jovem acaba aceitando a perigosa missão. 

O explosivo tema já rendeu grandes filmes como “A Outra História Americana”. Aqui, a premissa se mostra melhor que o filme. O primeiro erro foi escalar Daniel Radcliffe para o papel principal. Ele funciona como o jovem nerd do início do filme, porém fica difícil vê-lo como agente infiltrado em meio a neonazistas e skinheads. 

O roteiro também foca em pelo menos três grupos racistas diferentes, situação que seria para deixar dúvida em relação ao grupo que teria o plano de ataque, porém esta escolha faz com que a trama fique confusa. Além disso, alguns pulos no tempo sem muita explicação e a facilidade com que o protagonista passa pelos três grupos são outros pontos negativos. 

Mesmo não sendo um filme ruim, o resultado fica bem abaixo do potencial da história. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Exame

Exame (Exam, Inglaterra, 2009) – Nota 7
Direção – Stuart Hazeldine
Elenco – Luke Mably, Jimi Mistry, Nathalie Cox, Pollyanna McIntosh, Adar Beck, Gemma Chan, Chukwudi Iwuji, John Lloyd Fillingham, Colin Salmon.

Quatro homens e quatro mulheres disputam uma vaga de emprego em uma grande corporação. Colocados em uma sala com estilo futurista e ao mesmo tempo com mesas e cadeiras escolares, eles recebem uma folha de papel com o seu número de candidato e ouvem um sujeito (Colin Salmon) explicar algumas regras aparentemente sem sentido. 

O homem sai da sala e deixa apenas um segurança armado com ordem de desclassificar o candidato que não seguir as regras. A partir daí, mesmo sem entender o que devem fazer, o grupo de pessoas inicia uma verdadeira batalha de egos, mentiras e manipulações para tentar vencer a disputa. 

O roteiro escrito pelo diretor Stuart Hazeldine faz um crítica as chamadas “dinâmicas de grupo” comuns aos processos seletivos das grandes empresas, criando uma disputa bizarra em várias momentos, incluindo toques de ficção em relação ao mercado explorado pela corporação.

Fica claro que o objetivo do longa é mostrar como o ser humano é egocêntrico. Logo no início, um personagem cita que este tipo de disputa pode fazer emergir o melhor ou o pior de cada pessoa. 

O cinéfilo mais atento com certeza não se surpreenderá com a pequena reviravolta no final envolvendo um personagem. 

Mesmo utilizando apenas um cenário, o longa não é cansativo e prende a atenção do início ao fim.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Sete Homens e um Destino (1960 e 2016)


Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven. EUA, 1960) – Nota 10
Direção – John Sturges
Elenco – Yul Brynner, Steve McQueen, Eli Wallach, Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn, Brad Dexter, Horst Buccholz.

Um pequeno vilarejo mexicano é atacado por uma quadrilha liderada pelo temível Calvera (Eli Wallach). Sem ter como se defender, os moradores seguem para a fronteira com os Estados Unidos para contratar pistoleiros. Eles encontram Chris Adams (Yul Brynner) e Vin Tanner (Steve McQueen), que aceitam o desafio, mesmo sabendo que os pobres fazendeiros pouco podem oferecer em troca. No caminho até o vilarejo, eles convocam outros cincos pistoleiros (Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn, Brad Dexter e Horst Buchholz) para o confronto. 

Clássico absoluto do gênero, este longa é uma versão de “Os Sete Samurais”, clássico japonês de Akira Kurosawa. Além da história sobre lealdade e justiça, o filme tem vários destaques como o elenco recheado de astros, a bela fotografia, as cenas de ação e a trilha sonora marcante, que por muitos anos foi tema de uma marca de cigarros e que é reconhecida até hoje. 

Um dos pontos em que este filme se mostra superior a atual refilmagem é o vilão Calvera, interpretado com maestria e cinismo por Eli Wallach.  

Como triste informação, Robert Vaughn era o último ator do elenco principal que estava vivo. Ele faleceu há pouco mais de um mês.   

Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, EUA, 2016) – Nota 8
Direção – Antoine Fuqua
Elenco – Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung Hun Lee, Manuel Garcia Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett, Luke Grimes, Peter Sarsgaard, Matt Bomer, Cam Gigandet.

Bart Bogue (Peter Sarsgaard) é o dono de uma mina de ouro nos arredores da pequena Rose Creek. Para conseguir as terras dos pequenos fazendeiros locais, Bogue e sua quadrilha, ou melhor, quase um exército de mercenários, oferece uma miséria como pagamento. Alguns fazendeiro reagem e terminam assassinados. Para tentar manter sua terras, uma viúva (Haley Bennett) e um jovem (Luke Grimes) seguem para outra cidade em busca de ajuda. 

Eles cruzam o caminho do caçador de recompensas Chisolm (Denzel Washington), que aceita o desafio de defender os fazendeiros. Chisolm busca alguns parceiros para a missão quase impossível. Um vigarista (Chris Pratt), um assassino (Ethan Hawke), um especialista em facas (Byung Hun Lee), um fugitivo mexicano (Manuel Garcia Rulfo), um índio comanche (Martin Sensmeier) e um grandalhão (Vincent D’Onofrio). 

Eu penso que clássicos absolutos jamais deveriam ser refilmados, mas como o que vale é a busca pela bilheteria, com certeza estes remakes continuarão existindo. Neste caso fui surpreendido. O diretor Antoine Fuqua consegue recriar a história de forma divertida, explorando os clichês do gênero com inteligência e entregando ótimas cenas de ação. Até mesmo os diálogos são corretos, sem apelar para as piadinhas que muitos diretores gostam. Os personagens também são bem desenvolvidos, inclusive com as motivações pessoais para a missão. 

Vale destacar que o roteiro é assinado por Nic Pizzolatto, responsável pela sensacional série “True Detective”. 

O original ainda é superior, mas felizmente esta refilmagem também é um ótimo longa.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

JFK - A História Não Contada

JFK – A História Não Contada (Parkland, EUA, 2013) – Nota 7,5
Direção – Peter Landesman
Elenco – Paul Giamatti, James Badge Dale, Billy Bob Thornton, Ron Livingston, Marcia Gay Harden, Colin Hanks, Zac Efron, David Harbour, Jason Douglas, Tom Welling, Gil Bellows, Mark Duplass, Kat Steffens, Jackie Earle Haley, Glenn Morshower, Jeremy Strong, Rory Cochanre.

O roteiro escrito pelo diretor Peter Landesman é baseado em um livro que descreve as consequências do assassinato de John F. Kennedy para várias pessoas que estavam ao redor do ocorrido, além de situações de “bastidores”. 

Vemos o desespero dos homens do serviço secreto que fazem de tudo para salvar o presidente e o medo de que o crime fosse parte de uma ataque maior, algo que não ocorreu. A câmera segue também a tentativa da equipe médica do hospital Parkland (Colin Hanks, Zach Efron e Marcia Gay Harden) em manter Kennedy vivo. 

É mostrada também a crise que ocorre no escritório do FBI em Dallas, quando descobrem que um agente (Ron Livingston) estava investigando Lee Harvey Oswald, mas não acreditava que o sujeito pudesse ser perigoso. 

O roteiro explora ainda outras duas narrativas. A tristeza do empresário Abraham Zapruder (Paul Giamatti) por ter filmado o assassinato e a frieza de Robert Oswald (James Badge Dale), irmão de Lee Harvey, que tenta lidar com a situação da uma forma digna, mesmo sabendo que sua família seria praticamente amaldiçoada. Por sinal, a cena do funeral de Lee Harvey é de uma tristeza impar. 

A proposta do longa é extremamente interessante, deixando claro que o assassinato mexeu diretamente com a vida de muitas pessoas que foram testemunhas do ocorrido. E como é normal em todos os filmes sobre o tema, sempre fica a dúvida se Lee Harvey agiu sozinho ou ainda se ele foi realmente o assassino. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Poder Paranormal

Poder Paranormal (Red Lights, Espanha / EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – Rodrigo Cortés
Elenco – Cillian Murphy, Sigourney Weaver, Robert De Niro, Toby Jones, Joely Richardson, Elizabeth Olsen, Craig Roberts, Leonardo Sbaraglia.

Margareth Matheson (Sigourney Weaver) é uma professora universitária especializada em desmascarar falsos paranormais. Seu braço-direito é o físico Tom Buckley (Cillian Murphy). 

Quando o famoso paranormal Simon Silver (Robert De Niro) decide voltar a se apresentar após trinta anos afastado dos holofotes, causando um enorme barulho na mídia, Buckley pressiona Margareth para juntos investigarem o sujeito, que eles acreditam ser um tremendo picareta. Margareth fica apreensiva por ter entrado em conflito com o paranormal no passado. 

Este razoável suspense com pitadas de drama apresenta uma premissa extremamente interessante. A ideia de questionar a veracidade da paranormalidade é por si só material para render um bom filme. Infelizmente o diretor espanhol Rodrigo Cortés se enrola na narrativa e na falta de explicação para algumas situações que são jogadas na tela. A reviravolta final não chega a ser uma grande surpresa, mas também não compromete, o problema está no desenvolvimento da trama. 

O intrigante personagem de Robert De Niro também poderia ser melhor trabalhado. Como comparação, o argentino Leonardo Sbaraglia é mais marcante ao interpretar um estridente e desonesto paranormal em apenas duas sequências. 

O resultado é um filme esquecível, que desperdiça uma ótima premissa.