domingo, 20 de abril de 2014

A Perseguição

A Perseguição (The Grey, EUA, 2011) – Nota 7
Direção – Joe Carnahan
Elenco – Liam Neeson, Frank Grillo, Dermot Mulroney, Dallas Roberts, Joe Anderson, Nonso Anozie, James Badge Dale, Ben Bray.

Após cumprir o tempo de trabalho em uma empresa petrolífera no Alasca, um grupo de homens ganha folga. A viagem de volta que começa com piadas e brincadeiras, se transforma em pesadelo quando o avião apresenta um defeito e cai no meio das montanhas geladas. 

Oito sujeitos sobrevivem e o destino faz com que Ottway (Liam Neesom) se torne o líder, pois sua especialidade é ser um atirador de elite que trabalha matando animais selvagens que possam atacar os trabalhadores. Feridos e perdidos no meio do nada, Ottway percebe rapidamente que além da falta de água e comida, o perigo maior pode estar nos lobos que vivem na região. Não demora para os animais começarem a atacar, fazendo com o que grupo de homens tenha de se deslocar para tentar sobreviver. 

O diretor Joe Carnahan surgiu com o interessante policial “Narc” e deixou a expectativa de que poderia evoluir na carreira, porém isso não aconteceu. Seus trabalhos posteriores foram o péssimo “A Última Cartada” e o exagerado “Esquadrão Classe A”, este último também protagonizado por Liam Neeson, além de ter sido despedido da produção de “Missão Impossível III” após entrar em conflito com o astro Tom Cruise. 

Este “A Perseguição” é um trabalho um pouco melhor do diretor, mesmo sendo um filme de ação e violência, a narrativa é sóbria e o roteiro tem um razoável desenvolvimento dos personagens ao criar uma história de vida para cada um deles.

Alguns exageros como a cena do penhasco não atrapalham o resultado, destacando ainda as belas paisagens geladas onde se passa quase todo o filme.

sábado, 19 de abril de 2014

Exótica

Exótica (Exotica, Canadá, 1994) – Nota 7
Direção – Atom Egoyan
Elenco – Bruce Greenwood, Mia Kirshner, Don McKellar, Elias Koteas, Arsinée Khanjian, Sarah Polley, Victor Garber.

Francis (Bruce Greenwood) é um solitário fiscal da alfândega que diariamente visita a boate Exotica e paga para jovem stripper Cristina (Mia Kirshner) dançar especialmente para ele. Este fato causa ciúmes em Eric (Elias Koteas), o DJ que narra a apresentação das garotas da boate e que tem dificuldade em aceitar o fim da relação com Cristina. No meio deste aparente triângulo surge ainda Thomas (Don McKellar), o dono de uma loja de animais que para aumentar seus lucros trafica espécies exóticas. Francis tem ainda uma estranha relação com a sobrinha (Sarah Polley) e o irmão (Victor Garber), este que vive numa cadeira de rodas. 

O diretor Atom Egoyan é um egípcio descendente de armênios radicado no Canadá que chamou atenção da crítica com o longa “Calendário” de 1993 e que em seguida comandou este curioso “Exótica”, trabalho que tem boas ideias, mas deixa um pouco a desejar com a frieza da narrativa. 

É interessante a escolha de mostrar algumas cenas do passado fazendo com que o espectador descubra aos poucos a teia que envolve quase todos os personagens. 

O título que dá nome a boate onde se passa grande parte da trama, serve também para rotular as atitudes dos personagens e os animais comercializados por Thomas. 

Como informação, a libanesa Arsinée Khanjian é figura presente em quase todos os trabalhos de Egoyan.     

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gosto de Cereja

Gosto de Cereja (Ta'm e guilass, Irã / França, 1997) – Nota 6
Direção – Abbas Kiarostami
Elenco – Homayoun Ershadi, Abdolrahman Bagheri, Afshin Khorshid Bakhtiari, Safar Ali Moradi, Mir Hossein Noori.

Um sujeito de meia-idade (Homayoun Ershadi) vaga com seu carro pelas ruas de uma cidade e por uma área rural em meio ao deserto, sempre à procura de alguém que aceite fazer “um trabalho” que ele hesita em contar. O homem puxa conversa com diversas pessoas e oferece carona para algumas que aceitam, porém se assustam quando descobrem o que ele realmente deseja. 

Para quem não assistiu não contarei o desejo do protagonista, situação que não tem uma explicação profunda, provavelmente pela escolha do diretor iraniano Abbas Kiarostami em fazer com que o público fique sem informações para julgar a atitude do homem. 

Nos anos noventa, o cinema iraniano se torna queridinho da crítica mundial com filmes como “Através das Oliveiras” do próprio Kiarostami, “O Balão do Branco” de Jafar Panahi e “Filhos do Paraíso” de Majid Majidi, porém são longas com temáticas diferentes das produções ocidentais e uma narrativa própria, algumas vezes lenta e estranha. 

Este “Gosto de Cereja” ao mesmo tempo em que faz pensar sobre a vida, principalmente na sequência em que um velho homem cita a história do sabor da cereja, por outro lado apresenta uma narrativa lenta tornando o filme cansativo deixando a impressão de que nada acontece. 

Mesmo tendo vencido a Palma de Ouro em Cannes, ainda prefiro outras produções iranianas como o citado “Filhos do Paraíso” e o recente “Procurando Elly”. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O Expresso do Amanhã

Expresso do Amanhã (Snowpiercer, Coréia do Sul / EUA / França / República Tcheca, 2013) – Nota 7,5
Direção – Joon Ho Bong
Elenco – Chris Evans, Jamie Bell, Kang Ho Song. Tilda Swinton, Ah Sung Ko, John Hurt, Luke Pasqualino, Alison Pill, Ed Harris, Octavia Spencer, Ewen Bremner.

Para combater o aquecimento global, vários países lançaram na atmosfera uma espécie de produto químico com o objetivo de esfriar o planeta, porém o resultado foi o congelamento da Terra e a morte de todas as espécies. Os únicos sobreviventes foram resgatados por um expresso construído por um sujeito chamado Wilford. O excêntrico milionário construiu também uma via férrea que passa atravessa todo o planeta. O expresso gera sua própria energia e nunca para. 

O que poderia ser oásis em meio ao caos, na realidade se torna uma sociedade extremamente autoritária. Na primeira classe que fica nos vagões da frente, a elite aproveita uma vida fútil de luxo, enquanto nos últimos vagões os pobres se espremem em pequenos espaços, se alimentam de uma estranha barra de proteínas gosmenta e são vigiados por guardas armados. 

Neste contexto, Curtis (Chris Evans) espera o momento certo para iniciar uma revolução, sendo apoiado pelo líder veterano e debilitado Gilliam (John Hurt), que por sua vez recebe bilhetes de uma pessoa não identificada que oferece informações para ajudar a revolução. Um determinado bilhete cita que a chave para tomar o expresso está em um sujeito especialista em segurança que está preso (Kang Ho Song). 

O diretor coreano Joon Hon Bong comandou três filmaços em seu país natal, os policiais “Memórias de um Assassino” e “Mother – A Busca Pela Verdade”,  além da ficção “O Hospedeiro”. O sucesso destes trabalhos criou uma enorme expectativa com este longa com cenário pós-apocalíptico e elenco internacional. 

O filme dividiu a crítica, sendo inferior aos outros trabalhos do diretor, mas fica longe de ser ruim, principalmente pela originalidade do estilo e a trama que cria um microcosmos do mundo dentro do expresso. A divisão de classes, o preconceito, a violência, os líderes manipuladores, o culto cego e quase religioso ao tal de Wilford, entre várias outras situações demostram todos os defeitos que existem na sociedade atual, que aumentam de intensidade em momentos de crise. 

Vale ressaltar que o estilo do diretor gera cenas e personagens estranhos, como a “chefe” interpretada por Tilda Swinton e a sequência dentro do vagão da escola que lembra o colorido exagerado dos filmes de Wes Anderson. 

O longa fez grande sucesso na Coréia do Sul, porém a distribuição nos EUA e na América Latina ficou por conta de Harvey Weinsten, que entrou em conflito com Joon Ho Bong exigindo que fossem feitos cortes, principalmente nas cenas com personagens orientais, fato que atrasou a estreia do filme até que se chegasse a um acordo. 

Finalizando, os pontos positivos do elenco são o coreano Kang Ho Song, parceiro do diretor em “Memórias de um Assassino” e “O Hospedeiro” e o surpreendente Chris Evans, que mesmo continuando a ser o Capitão América, parece ter a intenção de variar papéis em filmes sérios, tendo aqui um ótimo desempenho, assim como teve interpretando um assassino psicopata no pouco visto “O Homem de Gelo” de 2012.     

terça-feira, 15 de abril de 2014

Trapaça

Trapaça (American Hustle, EUA, 2013) – Nota 8
Direção – David O. Russell
Elenco – Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Louis C. K., Jack Huston, Michael Peña, Shea Whigham, Alessandro Nivola, Elisabeth Rohm, Paul Herman, Said Taghmaoui, Robert De Niro.

Em meados dos anos setenta, Irving Rosenfeld (Christian Bale) é o dono de uma de rede de lavanderias que aumenta seus rendimentos com a venda de pinturas falsas. Quando ele conhece a bela Sydney (Amy Adams), surge uma enorme paixão entre os dois. A garota se torna sua amante, já que Irving está casado com a complicada Rosalyn (Jennifer Lawrence) e juntos passam a enganar investidores desesperados por dinheiro. 

O golpe perfeito se transforma em problema quando o agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper) consegue prender a dupla em flagrante. Para se safarem da cadeia, o casal de amantes é obrigado a se aliar ao agente para auxiliar numa operação do FBI com o objetivo de prender corruptos. O problema aumenta quando o ambicioso agente percebe que pode prender pessoas poderosas com o ajuda do casal, dando início a uma intrincada teia de mentiras. 

Criando uma trama de ficção utilizando como premissa a história real de uma operação do FBI para prender congressistas corruptos nos anos setenta, este longa de David O. Russell é outro bom trabalho do diretor de “O Vencedor”, “Três Reis” e “O Lado Bom da Vida”. 

Copiando o estilo Scorsese ao aumentar um pouco o grau dos dramas e da violência, chegando muito próximo de uma sátira aos filmes sobre golpes, Russell acerta no tom da trama rocambolesca, onde todos os personagens são picaretas, tendo como única exceção o engraçado agente do FBI interpretado por Louis C. K. 

A cena inicial em que o personagem de Christian Bale esconde sua calvície, é uma prévia dos segredos que os personagens tentam esconder sem muito sucesso. O protagonista ainda tenta esconder a amante da esposa, que por sinal o manipula como uma criança, enquanto a personagem de Amy Adams se faz passar por uma inglesa de classe e o agente de Bradley Cooper que tenta se mostrar durão, na verdade mora com a mãe e não assume a relação com a noiva. 

O elenco inteiro tem boas atuações, na minha opinião tendo como grandes destaques Christian Bale, mas uma vez em um papel marcante e a jovem Jennifer Lawrence como a desequilibrada esposa do protagonista, sem contar a beleza e sensualidade de Amy Adams. Vale citar ainda a pequena e divertida participação de Robert De Niro, quase como uma homenagem a Scorsese, com certeza a grande inspiração do diretor Russell.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Clube de Compras Dallas

Clube de Compras Dallas (Dallas Byers Club, EUA, 2013) – Nota 8
Direção – Jean Marc Vallée
Elenco – Matthew McConaughey, Jennifer Garner, Jared Leto, Denis O’Hare, Steve Zahn, Michael O’Neill, Dallas Roberts, Griffin Dunne, Kevin Rankin.

Em 1985, o eletricista e cowboy de rodeios Ron Woodroof (Matthew McConaughey) descobre estar com AIDS e recebe a notícia de que teria apenas mais trinta dias de vida. Sujeito rude e teimoso, Ron não aceita o diagnóstico e decide pesquisar sobre a doença. Ele encontra matérias sobre uma droga chamada AZT que combateria a doença. Ao procurar o hospital para participar dos testes, Ron tem o pedido negado. Ele ainda consegue comprar o remédio de um enfermeiro que rouba o produto do hospital, até ser informando sobre um médico no México que estaria prolongando a vida do doentes com um tratamento diferente. Ron viaja para o México e encontra o Dr. Vass (Griffin Dunne), com quem cria um canal clandestino de importação de remédios e assim inicia o chamado “Clube de Compras Dallas”, uma espécie de organização que vende para os doentes medicamentos que ainda não foram aprovados pelo governo. 

Baseado na história real de Ron Woodroof, este longa do canadense Jean Marc Vallée tem como um dos pontos principal a narrativa sóbria, que não apela para as cenas dramáticas pesadas comuns aos filmes sobre doenças. Esta escolha acertada se casa perfeitamente com a magnífica interpretação de Matthew McConaughey, que lhe rendeu o merecido Oscar de Melhor Ator. A transformação física do ator (McConaughey aparece extremamente magro e com o rosto de uma pessoa doente), passando pelo transformação de caráter do personagem e a forma como ele enfrenta médicos, governo e o preconceito, são dignas de um grande ator. 

Vale destacar ainda Jared Leto como o homossexual Rayon, que se torna amigo do personagem de McConaughey e por consequência um dos motivos da mudança de valores do protagonista. 

O bom roteiro também dispara críticas ao controle de medicamentos do governo e a ligação deste com as grandes indústrias farmacêuticas, que consideram o lucro mais importante do que curar pessoas.   

sábado, 12 de abril de 2014

Caminhos da Violência & Os Donos do Amanhã


Caminhos da Violência (Dudes, EUA, 1987) – Nota 6
Direção – Penelope Spheeris
Elenco – Jon Cryer, Daniel Roebuck, Flea, Lee Ving, Catherine Mary Stewart.

Grant (Jon Cryer), Biscuit (Daniel Roebuck) e Milo (Flea) são punks que estão cansados das dificuldades em viver em Nova York e que decidem atravessar o país num velho fusca para chegarem em Los Angeles. No meio do caminho, em pleno oeste americano, os amigos entram em conflito com um grupo de caipiras que odeiam punks. A confusão termina com o assassinato de Milo. Os dois amigos que sobreviveram decidem procurar vingança como se estivessem no velho oeste, caçando os assassinos um a um. 

A diretora Penelop Spheeris começou a carreira com o documentário “O Declínio da Civilização Ocidental”, que mostrava a cena punk nos Estados Unidos nos anos oitenta, movimento que ela mesma fazia parte. Seus filmes seguintes continuaram a mostrar o submundo, seja novamente do mundo punk em “Suburbia” ou da violência juvenil em “Jovens Assassinos”. 

Este “Caminhos da Violência” mistura os dois temas, colocando como protagonistas dois jovens punks sem perspectiva de vida, que enfrentam o preconceito por serem diferentes e que após se tornarem vítimas de um ato de violência, despejam toda a sua revolta contra o mundo também através da violência, como sendo o último recurso de defesa. 

Analisando hoje, o elenco é extremamente curioso. O comediante Jon Cryer, marcado pela série “Two and Half Man”, era um astro adolescente nos anos oitenta, tendo feito até par com Demi Moore na comédia romântica “Um Caso Muito Sério”. O gordinho Daniel Roebuck é conhecido hoje por pequenas participações em séries como “Lost” e “The Walking Dead”. O terceiro amigo que aparece apenas no início do filme, é interpretado pelo estranho Flea, baixista da banda “Red Hot Chilli Peppers”. 

Longe de ser um grande filme, vale como curiosidade sobre uma época em que jovens revoltados e sofridos abraçavam o Movimento Punk como uma forma de enfrentar o sistema.

Os Donos do Amanhã (Class of 1984, Canadá, 1982) – Nota 6,5
Direção – Mark L. Lester
Elenco – Perry King, Merrie Lynn Ross, Timothy Van Patten, Roddy McDowall, Michael J. Fox, Stefan Arngrim, Lisa Langlois.

O professor de música Andrew Norris (Perry King) começa a dar aulas numa violenta escola pública. Não demora para entrar em conflito com o jovem Peter (Timothy Van Patten), líder de uma gangue que trafica drogas no colégio e aterroriza os demais alunos. O que inicia como uma discussão escolar comum, se torna um violento conflito entre o obsessivo professor e o jovem que age como um psicopata. 

Diferente dos filmes que geralmente colocam um professor idealista como protagonista e no final o sujeito consegue transformar os rebeldes em jovens responsáveis, aqui a trama é completamente o contrário, mesmo com o professor tendo vários alunos ao seu lado, o conflito com os rebeldes se torna extremamente violento. Esta violência que deve ter chocado na época, hoje infelizmente faz com que o tema do filme seja atual, já que diariamente vemos notícias de violência dentro das escolas. 

O protagonista Perry King fez praticamente toda sua carreira na tv, enquanto a curiosidade fica para a carreira do ator Timothy Van Patten. O jovem com jeito de galã que aqui interpreta o vilão, não conseguiu se firmar como ator e abraçou a carreira de diretor. Hoje Van Patten é reconhecido por ter comandado diversos episódios de séries como “The Sopranos” e Boardwalk Empire”. Finalizando, o longa ainda tem um adolescente Michael J. Fox como um aluno perseguido pela gangue.  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

007 Permissão Para Matar

007 Permissão Para Matar (Licence to Kill, Inglaterra / EUA, 1989) – Nota 7,5
Direção – John Glen
Elenco – Timothy Dalton, Carey Lowel, Robert Davi, Talisa Soto, Everett McGill, Desmond Llewellyn, Anthony Zerbie, Frank McRae, David Hedison, Wayne Newton, Benicio Del Toro, Anthony Stark, Pedro Armendariz Jr, Robert Brown.

Durante o casamento do agente da CIA Felix Leiter (David Hedison), capangas do narcotraficante Franz Sanchez (Robert Davi) assassinam a noiva como vingança pela prisão do chefão. Em paralelo, o próprio Sanchez é resgatado enquanto está sendo transportado para a cadeia. James Bond (Timothy Dalton) é um dos convidados do casamento que testemunha a noiva do amigo ser assassinada. 

Pouco tempo depois, não contente em matar a mulher, Sanchez sequestra e também mata Felix Leiter. O crime causa revolta em Bond, que é proibido de agir pelo serviço secreto inglês. Bond não aceita a situação, pede demissão, tem sua licença para matar revogada e assume o risco de investigar e se infiltrar no grupo criminoso de Sanchez em busca de vingança. 

O segundo e último filme com Timothy Dalton no papel de James Bond é com certeza o longa mais polêmico da série. O filme anterior era correto, mas foi criticado por não apresentar novidades e pelo pouco carisma de Dalton. 

Tentando mudar o estilo, os produtores e o diretor John Glen optaram por um roteiro com foco numa ameaça real e atual ao colocar como inimigo um chefão do tráfico, deixando de lado os vilões exagerados com planos para dominar ou destruir o mundo. Junte a isso uma dose cavalar de violência que seguia o estilo dos grandes sucessos do anos oitenta e um novo 007 que deixa o jeito clássico de lado para se tornar um vingador frio. 

Estas escolheram tiveram um preço, ao mesmo tempo em que resultaram num bom filme de ação, muitos fãs da série que não gostavam de Dalton odiaram a mudança no personagem e infelizmente o longa fracassou nas bilheterias. A inesperada bilheteria ruim e as críticas dos fãs fizeram com os produtores decidissem procurar outro ator para o papel, com o objetivo de dar um novo fôlego a série. 

Estas mudanças deixaram Bond longe das telas por seis anos, até o lançamento de “007 Contra GoldenEye” em 1995, longa que marcou a estreia de Pierce Brosnan no papel do agente secreto. 

Depois de vinte e cinco anos, este “007 Permissão Para Matar” continua sendo um bom filme que merece ser reconhecido pelos fãs do personagem.   

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Comando Para Matar

Comando Para Matar (Commando, EUA, 1985) – Nota 7,5
Direção – Mark L. Lester
Elenco – Arnold Schwarzenegger, Rae Down Chong, Vernon Wells, David Patrick Kelly, Alyssa Milano, Dan Hedaya, James Olson, Bill Duke.

John Matrix (Arnold Schwarzenegger) é um agente de operações especiais aposentado, que vive isolado com a filha em uma casa nas montanhas. Quando um general (James Olson) o visita solicitando que ele retorne a ativa, um grupo de mercenários que seguiu o militar ataca a casa de Matrix e sequestra sua filha adolescente (Alyssa Milano). O fato dá início a uma violenta caçada, em que Matrix seguirá o rastro da filha até o pequeno país de Valverde no Caribe. 

Com certeza um dos filmes mais violentos da história, este longa com uma trama absurda e sequências de ação exageradas pode ser um clássico trash do gênero dos anos oitenta. 

Schwarzenegger vai matando um a um os mercenários em sequência absurdas, começando com a perseguição com o jipe que desce a montanha pelo barranco, passando pelas cenas no shopping, a fuga do avião, até a sequência final onde sozinho enfrenta um verdadeiro exército. Com um detalhe, em boa parte do filme ele leva consigo a pobre aeromoça interpretada pela sumida Rae Dawn Chong. 

Para quem gosta do gênero, é impossível não se divertir e até dar risada com a famosa sequência em que Schwarzenegger fala para um dos bandidos antes de matá-lo: “Eu disse que te mataria por último, pois eu menti”.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Rastros de Violência & O Sentido do Medo


Rastros de Violência (Officer Down, EUA, 2013) – Nota 6
Direção – Brian A. Miller
Elenco – Stephen Dorff, James Woods, Dominic Purcell, Walton Goggins, Stephen Lang, Elisabeth Rohm, David Boreanaz, Tommy Flanagan, Oleg Taktatov, Richard Brooks, Johnny Messner.

O detetive David Callahan (Stepher Dorff) tenta reconstruir sua vida após ter sido baleado por um bandido e sobrevivido graças a ação de um desconhecido. Callahan era viciado em drogas, bebidas e cliente assíduo de uma boate, mas após o ocorrido decidiu tratar melhor a esposa e a filha. 

Tudo muda novamente quando Callahan é procurado por um sujeito que diz ter salvo sua vida e que em troca deseja que o detetive se vingue de um sujeito (Walton Goggins) que teria estuprado e assassinado sua filha, que por coincidência trabalhava como dançarina na boate que Callahan frequentava. O detetive decide investigar por conta própria e assim se envolve numa emaranhado de mentiras. 

O longa utiliza a clássica história do policial que tenta se redimir dos erros e não percebe que está sendo manipulado, mas infelizmente o resultado é apenas razoável por causa do roteiro confuso. Os vários flashbacks que mostram o passado do detetive terminam por confundir ainda mais a trama, até o final com uma falsa lição de moral causada pelo remorso.  

O Sentido do Medo (Absence of the Good, EUA, 1999) – Nota 5,5
Direção – John Flynn
Elenco – Stephen Baldwin, Robert Knepper, Shawn Huff, Tyne Daly, Allen Garfield, Silas Weir Mitchell.

O detetive Caleb Barnes (Stephen Baldwin) perdeu o filho de cinco anos vítima de um tiro acidental disparado por outro garoto na escola. Sua esposa Mary (Shawn Huff) está muito deprimida e não quer ajudar médica. Para complicar ainda mais a  situação, ele e o parceiro Glenn (Robert Knepper) precisam capturar um serial killer que age assassinando pessoas diversas, sem um padrão aparente. 

Este drama policial feito para TV tem como ponto interessante a motivação dos crimes do maníaco, mas o restante é um amontoado de clichês, com o policial durão traumatizado por uma tragédia pessoal, a obsessão em pegar o serial killer e os conflitos da investigação. 

O resultado é semelhante a um episódio de seriado policial com longa duração.

domingo, 6 de abril de 2014

O Ataque

O Ataque (White House Down, EUA, 2013) – Nota 6,5
Direção – Roland Emmerich
Elenco – Channing Tatum, Jamie Foxx, James Woods, Maggie Gyllenhaal, Jason Clarke, Richard Jenkins, Joey King, Nicolas Wright, Jimmi Simpson, Michael Murphy, Rachelle Lefevre, Lance Reddick, Matt Craven, Jake Webber, Peter Jacobson.

John Cale (Channing Tatum) trabalha como segurança do Porta-Voz da Casa Branca (Richard Jenkins), mas tem como objetivo entrar para o Serviço Especial que faz segurança para o presidente Sawyer (Jamie Foxx). No dia em que Cale tem uma entrevista decisiva na Casa Branca para tentar o emprego, um grupo de mercenários invade o local em busca do presidente. Durante a invasão, Cale perde o contato com a filha Emily (Joey King), que ele levou para conhecer a Casa Branca. Ao procurar a garota e fugir dos mercenários, Cale encontra o presidente e se torna a única esperança de salvar o sujeito. 

De tempos em tempos os grandes estúdios de Hollywood insistem em lançar produções simultâneas com o mesmo tema. Filmes como “Impacto Profundo” e “Armageddon” ou “Tombstone” e “Wyatt Earp” são exemplos. 

Este “O Ataque” é extremamente semelhante ao superior “Invasão a Casa Branca”, duas produções que transformam a Casa Branca num palco de guerra, utilizam clichês a exaustão e tem como protagonistas personagens que precisam mostrar seu valor. 

Alguns detalhes em “Invasão a Casa Branca” são melhores, como o elenco, as cenas de ação menos exageradas e principalmente o roteiro e a direção que levam o filme mais a sério, com um narrativa sem frases de efeito, escorregando apenas no final patriótico, fato comum neste tipo de longa. 

Este “O Ataque” irrita em alguns momentos por causa das falas engraçadinhas em meio as cenas de ação, muitas delas com o mocinho escapando de tiros de metralhadora e pelo roteiro ruim, principalmente na confusa explicação da motivação dos ataques, sem contar a fraca surpresa após o climax. 

É o típico filme de ação do alemão Roland Emmerich, daqueles para se assistir sem preocupações com roteiro, interpretações ou cenas de ação exageradas.

sábado, 5 de abril de 2014

Perigo por Encomenda & Quicksilver - O Prazer de Ganhar


Separados por vinte e seis anos, estas duas produções tem como protagonistas personagens que largaram uma carreira formal pelo prazer de trabalhar de bicicleta pelas ruas de uma grande cidade. Mesmo sendo filmes irregulares, os dois deixam nas entrelinhas a mensagem de que ser feliz fazendo o gosta é melhor do que ganhar muito dinheiro sendo infeliz.

Perigo por Encomenda (Premium Rush, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – David Koepp
Elenco – Joseph Gordon Levitt, Michael Shannon, Dania Ramirez. Wolé Parks, Aasif Mandvi, Jamie Chung, Christopher Place, Henry O.

Wilee (Joseph Gordon Levitt) abandonou a faculdade de direito para trabalhar como entregador, desafiando os limites do trânsito com sua bicicleta sem freios. Seu jeito arriscado de viver está afastando sua namorada Vanessa (Dania Ramirez), que é cortejada por um rival de Wilee no trabalho (Wolé Parks). Quando Wilee é chamado pela colega de quarto de sua namorada, a chinesa Nima (Jamie Chung), para entregar um envelope em Chinatown, sua vida começa realmente a correr perigo, pois ele passa a ser perseguido por um detetive corrupto (Michael Shannon), que deseja conseguir a todo custo as informações contidas no envelope. 

O diretor e roteirista David Koepp (“Ecos do Além”, “A Janela Secreta” e a série “Hack”) apresenta uma interessante premissa, ao criar uma trama policial repleta de perseguições com bicicletas em Nova York durante um dia ensolarado. 

A primeira hora do filme prende a atenção pela ritmo ágil da narrativa e a correria pela cidade, sempre dando ênfase as “rotas de fuga”, seja através dos mapas digitais no celular do personagem de Joseph Gordon Levitt ou no traçado que surge na tela sobre a imagem da cidade. O problema surge na meia-hora final, após a trama chegar na sequência que é mostrada na cena inicial, algo comum nas produções atuais, o diretor começa o longa com uma imagem que poderia ser o climax, mas que na realidade é algo que ocorre no meio da história. No caso deste filme o problema está nesta escolha. 

Se até aquele momento o diretor brinca com o tempo dos acontecimentos, mostrando algumas sequências fora da ordem cronológica para dar uma sensação de complexidade a trama, a partir desta cena o absurdo toma conta do filme. As sequências finais que envolvem o depósito da polícia e a chegada em Chinatown se mostram forçadas e repletas de furos. Fica a sensação de que algumas perseguições a menos e um final mais bem trabalhado resultaria num longa muito melhor. 

Quicksilver – O Prazer de Ganhar (Quicksilver, EUA, 1986) – Nota 5,5
Direção –Tom Donnelly
Elenco – Kevin Bacon, Jami Gertz, Paul Rodriguez, Rudy Ramos, Laurence Fishburne.

Jack Casey (Kevin Bacon) é um corretor que após fazer um investimento arriscado perde uma fortuna na Bolsa de Valores. Falido e deprimido com a carreira, Jack decide mudar a vida de forma radical e começa a trabalhar como entregador para uma empresa que utiliza bicicletas para fugir do trânsito de San Francisco. A escolha de Jack é reprovada por seus pais e pela namorada. No novo emprego ele faz amizade com Hector (Paul Rodriguez) e se envolve com Terri (Jami Gertz), fato que o faz entrar em conflito com outro entregador, o estranho Voodoo (Laurence Fishburme assinando ainda como Larry). 

Em parte o roteiro tenta fazer uma crítica ao mundo dos yuppies em prol da liberdade de escolha de cada um, mostrando que a felicidade está acima da riqueza. Por outro lado, a narrativa é irregular e os conflitos enfrentados pelos personagens são totalmente previsíveis, no estilo dos filmes da Sessão da Tarde. 

Vale destacar a sequência de corrida de bicicletas entre os personagens de Bacon e Fishburne e a presença de Jami Gertz, atriz teve alguns bons papéis anos oitenta (“A Encruzilhada”, “Os Garotos Perdidos”) e que nos últimos vinte anos se transformou em mera coadjuvante de seriados.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Serra Pelada

Serra Pelada (Brasil, 2013) – Nota 7
Direção – Heitor Dahlia
Elenco – Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Wagner Moura, Sophie Charlotte, Matheus Nachtergaele.

No início de 1980, alguns poucos garimpeiros encontram ouro no local conhecido como Serra Pelada no interior do Pará. O fato é divulgado pela mídia para todo o Brasil, dando início a uma verdadeira corrida do ouro. 

Neste cenário, o professor desempregado Joaquim (Júlio Andrade) deixa a esposa grávida em São Paulo e junto com o amigo Juliano (Juliano Cazarré) segue para o garimpo com objetivo de enriquecer. Não demora para a dupla comprovar que existe muito ouro no local, mas também descobrir que estão em uma região praticamente sem lei, onde terão de enfrentar a violência dos garimpeiros concorrentes e também de sujeitos poderosos. 

O garimpo de Serra Pelada foi um dos acontecimentos mais malucos da história do Brasil das últimas décadas, fato que por si só teria potencial para render um grande filme, mas infelizmente o roteiro do diretor Heitor Dahlia em parceria com Vera Egito é totalmente previsível, o que faz o longa perder pontos. A trama segue a cartilha das produções policiais de Hollywood, com direito a traições e reviravoltas que qualquer cinéfilo descobrirá bem antes de acontecer. 

Por outro lado, a produção é caprichada, com direito a uma ótima reconstituição da vila onde os garimpeiros gastavam seus ganhos com bebida e prostitutas e do próprio garimpo em Serra Pelada, misturando cenografia com imagens reais dos anos oitenta. 

O elenco e o desenvolvimento dos personagens também apresentam altos e baixos. A atuação de Juliano Cazarré é exagerada em alguns momentos, enquanto Júlio Andrade, que narra a história também, atua com competência, mesmo que seu personagem se transforme quase num coadjuvante em boa parte do filme. 

A atriz global Sophie Charlotte surpreende em um papel difícil, inclusive nas cenas mais ousadas, enquanto o grande destaque fica por conta da pequena participação de Wagner Moura, que também é um dos produtores do filme, como o cínico e violento Lindo Rico. O ator rouba a cena em todas as vezes que aparece, seja na sequência do bar, na conversa em um corredor com o personagem de Júlio Andrade e na cena em que humilha um delegado. 

Entre erros e acertos, o resultado é um filme mediano que infelizmente não explorou todo o potencial do tema.  

segunda-feira, 31 de março de 2014

Todomundo & O Que Era Aquilo?

Nesta postagem comento dois documentários sobre futebol com abordagens bem diferentes entre si e produzidos com mais de trinta anos de diferença.

Todomundo (Brasil, 1980) – Nota 8
Direção – Thomaz Farkas
Documentário

Nos anos setenta e oitenta, o futebol brasileiro viveu o auge na questão de público nos estádios. Os grandes clássicos e as partidas decisivas atraíam multidões, eram jogos com públicos de cem mil pessoas. Em São Paulo, até mesmo as equipes do interior lotavam seus estádios cada vez que jogava contra um clube da capital. Era uma época completamente diferente e inesquecível para quem gosta de futebol e vivenciou aqueles momentos em que este esporte era algo realmente popular, bem diferente dos dias atuais, onde os estádios estão sendo substituídos pelas arenas e os ingressos com preços absurdos afastam o público.

Este documentário dirigido pelo fotógrafo e produtor húngaro Thomaz Farkas, que viveu grande parte de sua vida no Brasil, é um fantástico registro histórico, ao mostrar todos os detalhes que cercavam uma grande partida de futebol. A câmera de Farkas capta a chegada das torcidas, o trabalho da polícia, os cânticos e as reclamações dos torcedores, as entrevistas dos jogadores e a festa que acontecia nas arquibancadas. Papel picado, rolos de papel higiênico, faixas e bandeiras tremulando davam um colorido todo especial ao futebol, enquanto hoje vemos cada mais vez um triste processo de higienização das arquibancadas, tanto pela proibição destes adereços, quanto pelo novo público, hoje quase todo da classe média. Já o chamado “povão” foi deixado de lado na nova ordem do futebol. O doc deixa isso bem claro ao mostrar os rostos daquela época, em sua maioria pessoas simples que tinham no futebol seu lazer principal.

Finalizando, outro detalhe interessante é que poucos torcedores iam ao estádio com a camisa do time, diferente dos dias de hoje em quase a totalidade dos frequentadores vestem a camisa do clube de coração.

O documentário está disponível no Youtube.

O Que Era Aquilo? (Brasil, 2013) – Nota 7,5
Direção – André Patroni, Kleomar Carneiro e Paulo Henrique Higa
Documentário 

Em 6 de março de 1982, no estádio Morenão (Pedro Pedrossian) em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, Operário e Vasco da Gama jogavam pelo campeonato brasileiro quando no meio do primeiro tempo uma luz muito forte surgiu nos céus chamando a atenção do público e até dos jogadores, que começaram a olhar para o alto. Grande parte das vinte e quatro mil pessoas que assistiram ao jogo viram a luz, resultando na aparição de OVNI com o maior número de espectadores da história, fato que aumenta a credibilidade do evento, como cita no documentário o famoso ufólogo Ademar José Gevaerd, editor da revista UFO e um dos maiores especialistas do mundo no assunto. 

O documentário foca este evento na primeira parte através de depoimentos de várias pessoas, inclusive jogadores que participaram da partida e que até hoje não entendem o que era aquela luz. O doc mostra ainda cenas do jogo que foi transmitido ao vivo para o Rio de Janeiro, porém como na época as emissoras de tv utilizavam apenas uma câmera para transmissão de partidas de futebol, não existiam celulares e nem máquinas fotográficas digitais, o fenômeno não foi captado. 

A segunda parte do doc muda foco para a decadência do futebol no Estado do Mato Grosso do Sul. Nos anos setenta a ditadura utilizou o futebol como instrumento de propaganda política através de uma integração nacional, fazendo com que todos os Estados tivessem equipes no campeonato nacional, chegando ao absurdo de noventa e seis times no torneio de 1979. A partir da criação do Clube dos Treze em 1987, os maiores times do país pressionaram o CBF para diminuir o número de participantes para apenas dezesseis clubes. Nos anos seguintes ocorreram várias mudanças, até chegarem a vinte times na primeira divisão. Se por um lado isso fortaleceu os clubes grandes que recebem milhões em direitos de tv e patrocínios, os clubes menores e outros que eram grandes nos seus Estados foram deixados de lado e entraram em decadência. 

Os diretores do doc fazem uma ligação irônica dizendo que a luz do OVNI levou o futebol sul matogrossense para o espaço, já que o Operário era uma equipe forte até meados dos anos oitenta e hoje sequer disputa o campeonato regional. 

Como opinião pessoal, considero um absurdo um país continental como o Brasil ter um campeonato nacional com apenas vinte clubes, deixando de fora vários Estados como Pará, Mato Grosso do Sul e quase todo o nordeste, locais onde o povo adora futebol. A longo prazo isso pode ser um tiro no pé, pois quem acompanha futebol percebe que a cada ano o público é menor no estádios e muitos garotos hoje preferem torcer para times do exterior do que para as equipes brasileiras. 

Este doc também está disponível no Youtube.