quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um Dia de Fúria

Um Dia de Fúria (Falling Down, EUA, 1993) – Nota 8,5
Direção – Joel Schumacher
Elenco – Michael Douglas, Robert Duvall, Barbara Hershey, Rachel Ticotin, Tuesday Weld, Frederic Forrest, Michael Paul Chan, Lois Smith, Raymond J. Barry, D. W. Moffett.

Num dia quente no meio de um terrível engarrafamento, o desempregado William Foster (Michael Douglas) abandona seu carro e resolve ir a casa da ex-esposa (Barbara Hershey) para ver a filha. A questão é o sujeito resolveu enfrentar todos os problemas do dia a dia sem medo e questionar coisas que parecem normais, mas que na realidade são grandes absurdos a que nos acostumamos. Isso irá gerar diversos conflitos que chamará a atenção da polícia, com o detetive Prendegarst (Robert Duvall) em seu último dia de trabalho tentando descobrir quem é o homem que surtou, ao mesmo tempo que precisa cuidar da esposa depressiva (Tuesday Weld).

Mesmo sendo difícil enquadrar este longa num gênero, no fundo ele é um drama extremamente inteligente ao mostrar a loucura que vivemos nas grandes cidades já há algum tempo, pois o filme já tem dezessete anos.

O personagem de Michael Douglas é o protótipo do perdedor, um sujeito de meia idade que perdeu o emprego burocrático de vários anos, não conseguiu manter a família e tem horário marcado para ver o filha, sendo triste até na aparência, vestindo camisa branca, calça social, grandes óculos e cabelo escovinha. A sua revolta nesta dia é violenta mas podemos compreender os motivos. As situações que ele passa com certeza irritariam qualquer um e mostram como as relações humanas estão cada vez mais complicadas, em virtude de dinheiro, preconceito e regras absurdas. Tenho certeza que todos já passaram por alguma das situações que ele enfrenta, como o dono de mercearia mal educado, que vê as pessoas como inimigas ou o atendente de fast food passivo-agressivo, que trata o cliente como idiota com um sorriso no rosto.

Percebo que principalmente na cultura americana a pressão para que a pessoa seja uma “vencedora” (bom emprego, esposa bonita, dinheiro, etc) vem desde a infância e isso ajuda a entender porque as vezes alguma pessoa com problemas psicológicos surta e ataca ex-companheiros de trabalho, principalmente os chefes ou casos mais extremos como o massacre de Columbine . Infelizmente esta cultura está cada mais forte aqui no Brasil, é só analisar o aumento da violência entre jovens.

No final, este filme é uma crítica profunda ao sistema em que vivemos.

3 comentários:

Mateus, O Indolente disse...

Eu só vi uma cena desse filme, uma em que Douglas reage a um assalto e dá uma surra nos ladrões, haha.

Parece um bom filme, mas tudo vindo de JS me assusta...

Abraço.

O Cara da Locadora disse...

Um Dia de Fúria é um clássico louco de sessão da tarde. Realmente, se você parar pra pensar em todas as situações que ele passa durante o filme, são umas coisas bizarras que a gente se acostumou a aceitar.
E o jeito que ele lida com elas é hilário e chocante.
Quem não lembra da cena do fast-food? Hehehe.
Um ótimo filme...

Hugo disse...

Mateus - Apesar dos altos e baixos, Joel Schumacher tem alguns bons filmes, este é um grande exemplo.

Nespoli - São situações ridículas que o personagem de Douglas passa e extravasa toda sua raiva contra o sistema.

Abraço