segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Made in Britain & This is England


Neste postagem comento sobre dois filmes ingleses produzidos com vinte e quatro anos de diferença, porém com uma temática semelhante. Os dois trabalhos se passam no início dos anos oitenta, quando o desemprego cresceu na Inglaterra e muitos skinheads se ligaram ao Partido National Front que pregava o ódio aos estrangeiros que estariam roubando os empregos do verdadeiros ingleses.

Made in Britain (Mad in Britain, Inglaterra, 1982) – Nota 7
Direção – Alan Clarke
Elenco – Tim Roth, Bill Stewart, Terry Richards.

Trevor (Tim Roth) é um skinhead que depois de comparecer várias vezes a um tribunal em virtude de diversos problemas, entre eles roubo, vandalismo e agressão, recebe a última chance para tentar se recuperar antes de ser julgado como adulto e enviado a um reformatório. Ele é levado a uma espécie de casa de correção, onde o administrador do local, Peter Clive (Alan Clarke) tenta de todas as maneiras entender o rapaz e fazer com que ele aceite que o mundo tem regras, porém sua atitude violentA e racista parece não ter como mudar. 

Este filme de curta duração (71 minutos) foi uma produção da tv inglesa, feita numa época em que o país passava por uma grande recessão e este fato ajudou a aumentar a violência entre os jovens e o aparecimento dos neonazistas atacando imigrantes e negros.

O ótimo ator Tim Roth estreou nas telas com este papel difícil e sua interpretação mostra todo o potencial que ele comprovou posteriormente em outros trabalhos.

This is England (This is England, Inglaterra, 2006) – Nota 8
Direção – Shane Meadows
Elenco – Thomas Turgoose, Stephen Graham, Jo Hartley, Andrew Shim, Joe Gilgun, Vicky McClure.

Inglaterra, 1983, o solitário garoto Shaun (Thomas Turgoose) sofre com a morte do pai nas Guerras das Malvinas e após ouvir uma piada sobre o assunto de um colega na escola, inicia uma briga. Voltando triste para casa, Shaun cruza com um grupo de adolescentes skinheads e Woody (Joe Gilgun), o líder do grupo, acaba acolhendo o garoto que passa a fazer parte da turma. Tudo parece bem até a chegada de Combo (Stephen Graham), um skinhead que estava preso e diferente dos jovens amigos de Shaun, Combo é um nacionalista ligado ao partido National Front, que prega a expulsão dos estrangeiros da Inglaterra. 

O diretor e roteirista Shane Meadows retrata aqui uma época complicada na Inglaterra, o início dos anos oitenta, quando o país era comandado pela conservadora Ministra Margareth Thatcher, que deu prioridade a Guerra das Malvinas e esqueceu da classe trabalhadora, gerando um nível de desemprego altíssimo.

Esta situação transformou o movimento skinhead, que havia surgido nos anos sessenta associado a cultura jamaicana, principalmente aos gêneros musicais como ska e reggae, em um movimento nacionalista e violento contra as minorias. 

O resultado é um drama forte e ao mesmo tempo sensível, que vai além da polêmica sobre o tema. O sucesso fez com que em 2010 o filme tivesse uma continuação produzida para a tv em quatro episódios, utilizando o mesmo elenco e a história se passando três anos depois, em 1986 durante a Copa do Mundo do México.


3 comentários:

O Narrador Subjectivo disse...

Dois grandes filmes, Alan Clarke é muito subestimado! Ainda bem que há gente a ver Made In Britain e por ai fora :D Cumprimentos

http://onarradorsubjectivo.blogspot.com/

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Não conheço. Valeu a dica,Hugo.

O Falcão Maltês

Hugo disse...

Narrador - São dois ótimos filmes. Este é o único filme que assisti de Alan Clarke, apesar de que no Brasil "Rita, Sue e Bob Too!" fez algum sucesso no circuito independente nos anos oitenta.

Antonio - Valeu pela visita.

Abraço