terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um Grito de Liberdade

Um Grito de Liberdade (Cry Freedom, Inglaterra, 1987) – Nota 8
Direção – Richard Attenborough
Elenco – Kevin Kline, Penelope Wilton, Denzel Washington, Josette Simon, John Matshikzia, John Thaw, Kevin McNally.

Na África do Sul, em meados dos anos setenta durante o terrível Apartheid, Donald Woods (Kevin Kline) é o editor de um jornal considerado liberal, mas que condena a ação do ativista político Steve Biko (Denzel Washington), um dos líderes pelos direitos dos negros no país. 

Quando Biko é processado pelo governo e obrigado a ficar sob custódia em sua própria casa, Woods consegue autorização para entrevistá-lo. O que Woods imaginava ser apenas uma entrevista, se transforma em amizade e muda completamente a sua vida. Biko mostra para Woods as atrocidades cometidas pelo governo, que começa a ver de forma diferente o país em que vive. Quando Biko é assassinado na prisão e o governo divulga que ele cometeu suicídio, Woods decide escrever um livro contando a verdade, mas para isso precisa fugir do país com a família. 

O também ator Richard Attenborough marcou sua carreira de diretor com filmes longos e grandiosos como “Uma Ponte Longe Demais” e biografias como “Chaplin” e “Gandhi”, que assim como este “Um Grito de Liberdade”, se encaixam nos dois estilos. 

Na época desta produção, o opressivo regime do Apartheid ainda existia na África do Sul, sendo totalmente abolido apenas em 1994, deixando antes um rastro de sangue, ódio e violência que até hoje gera conseqüências na sociedade sul-africana. 

O filme tem um roteiro didático baseado no livro do próprio Donald Woods, mas que é perfeito ao retratar a tomada de consciência do jornalista através dos diálogos com Biko e pela escolha de mostrá-lo como uma pessoa comum que tomou uma posição extremamente difícil, colocando em risco até mesmo sua família. As dúvidas e o medo de Woods ficam claro em suas decisões e principalmente na complicada fuga com sua a família. 

A força do longa está também nas interpretações de Kevin Kline e Denzel Washington. Kline estava na melhor fase da carreira e seria premiado no ano seguinte pelo papel de coadjuvante na ótima comédia “Um Peixe Chamado Wanda”, enquanto Washington teve aqui seu primeiro trabalho de destaque no cinema.  

4 comentários:

Fernando Terroso disse...

Achei bem interessante a historia do filme, por acaso é baseado em fatos reais ?

Hugo disse...

Fernando - Isso mesmo, o filme é baseado em fatos reais. Na época do lançamento do filme, se falou muito sobre Steve Biko.

Abraço

Amanda Aouad disse...

O que mais me impressiona é ele ter sido lançando ainda durante o regime do Apartheid. Um filme corajoso que vai além do cinema, se tornando um importante registro histórico.

bjs

Hugo disse...

Amanda - Na época, a pressão pelo fim do Apartheid era grande no mundo inteiro, inclusive com a África do Sul sendo boicotada por outras pessoas.

O filme foi mais um forma de pressionar o país, que se seguiu com muitos artistas apoiando a causa, como Peter Gabriel que fez a música "Biko" que se tornou sucesso mundial.

Vi o filme no cinema na época.

Bjos