sábado, 19 de agosto de 2017

Tudo em Família

Tudo em Família (The Family Stone, EUA, 2005) – Nota 5,5
Direção – Thomas Bezucha
Elenco – Diane Keaton, Dermot Mulroney, Sarah Jessica Parker, Claire Danes, Craig T. Nelson, Luke Wilson, Rachel McAdams, Tyrone Giordano, Brian White, Elizabeth Reaser.

Meredith (Sarah Jessica Parker) é uma típica mulher de Nova York. Sempre preocupada com o trabalho e com a aparência, ela se mostra insegura quando seu namorado Everett (Dermot Mulroney) a convida para conhecer seus pais durante os festejos de final de ano. 

Ao chegar na casa dos sogros, ela logo se sente julgada pela família de estilo liberal. Os poucos dias de convivência resultarão em discussões e lavagem de roupa suja. 

A premissa de mostrar conflitos familiares já foi explorada dezenas de vezes pelo cinema. O diferencial de qualidade está quando se une bom elenco, personagens próximos da realidade e roteiro afiado. Infelizmente, nesse longa pouca coisa se salva. 

Os personagens são caricatos e o roteiro totalmente clichê, incluindo um forçado final feliz e uma patética sequência que beira o pastelão. Entre os familiares temos a mãe liberal, o pai observador, o irmão gay, o outro irmão irresponsável, a irmã rebelde e outra irmã caxias. 

O resultado é uma total perda de tempo para o espectador.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Mia Madre

Mia Madre (Mia Madre, Itália / França / Alemanha, 2015) – Nota 7,5
Direção – Nanni Moretti
Elenco – Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti, Beatrice Mancini.

Margherita (Margherita Buy) é uma cineasta famosa trabalhando em seu novo filme e tendo de lidar com um excêntrico ator americano (John Turturro) que se enrola todo para falar em italiano. Seu irmão Giovanni (Nanni Moretti) é um engenheiro que aparenta não estar feliz com a carreira. 

Os dois reavaliam as próprias vidas ao terem de lidar com a doença da mãe (Giulia Lazzarini), uma professora inteligente, adorada pelos ex-alunos, mas que a cada dia fica mais próxima da morte. 

O diretor, produtor e roteirista Nanni Moretti é especialista em dramas sobre pessoas comuns e perdas. Em filmes como “Caos Calmo”, onde ele apenas é o roteirista e em “O Quarto do Filho”, a dor pela perda é o ponto principal. Aqui, o sentimento dos irmãos é pela iminente perda, focando no sofrimento das pessoas que convivem com familiares que tem pouco tempo de vida. 

O roteiro explora a ainda as frustrações pessoais, principalmente da personagem de Margherita Buy, que não consegue manter um relacionamento. 

É um filme sensível que atinge principalmente quem já passou pela situação de perder um pai ou um mãe. Ver um familiar sofrer é tão difícil quanto aceitar a partida do mesmo.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Splice - A Nova Espécie & A Experiência


Splice – A Nova Espécie (Splice, Canadá / França / EUA, 2009) – Nota 6
Direção – Vincenzo Natali
Elenco – Adrien Brody, Sarah Polley, Delphine Chaneac, Brandon McGibbon, David Hewlett, Simona Maicanescu, Abigail Chu.

Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) são um casal de cientistas que conseguiram desenvolver em laboratório uma nova criatura a partir da mistura de células de diversos animais. A corporação que financia o projeto espera conseguir uma nova proteína para alimentar gado, enquanto o sonho do casal é testar células humanas no experimento. Mesmo proibidos pela empresa, eles decidem seguir o projeto em paralelo e conseguem um aparente sucesso. Uma estranho bebê é gerado, dando início a uma série de consequências inesperadas e bizarras.

O diretor Vincenzo Natali é especialista em filmes B de ficção. Seu melhor trabalho é o ótimo “Cubo”. Aqui, a trama lembra os longas de ficção dos anos cinquenta, em que experimentos bizarros resultam em criaturas que fogem ao controle dos cientistas. O roteiro explora a discussão sobre até que ponto a ciência pode chegar e por incrível que pareça, discute ainda a questão de ter ou não filhos. As cenas de suspense e os efeitos da criatura são competentes. O filme perde pontos pela narrativa irregular e por alguns furos no roteiro.

Indicado para quem curte o gênero.

A Experiência (Species, EUA, 1995) – Nota 6,5
Direção – Roger Donaldson
Elenco – Ben Kingsley, Michael Madsen, Forest Whitaker, Alfred Molina, Marg Helgenberger, Natasha Henstridge, Michelle Williams.

Um centro de observação espacial recebe uma mensagem desconhecida do que seria um código genético alienígena. Acreditando ser algo útil para o avanço da ciência, o governo americano financia um projeto para criar um ser híbrido. O cientista Xavier Fitch (Ben Knigsley) consegue sucesso no projeto, resultado em uma garotinha (Michelle Williams). 

Ao perceber que existe algo de errado com a criação, eles tentaram neutralizar a criatura, que foge em busca de um parceiro para acasalar. Ela consegue “tomar” o corpo de uma bela mulher (Natasha Henstridge) e se torna uma ameaça para o governo, que envia um grupo liderado pelo mercenário Preston Lennox (Michael Madesen) para caçar a criatura. Junto com Preston seguem um cientista (Alfred Molina), um sensitivo (Forest Whitaker) e uma bióloga (Marg Helgenberger). 

Mesmo com falhas no roteiro, alguns absurdos e uma história clichê semelhante a uma caçada a um serial killer, esta mistura de ficção e terror fez sucesso na época, principalmente no mercado de dvd. Além de clichê, a trama é basicamente de um filme B disfarçada pelos efeitos especiais que hoje parecem envelhecidos, mas que na época eram de primeiro linha, inclusive a criatura desenvolvida pelo famoso H. R. Giger, criador da sinistra ameaça de “Alien – O Oitavo Passageiro”. Vale destacar a beleza e a nudez de Natasha Henstridge e o elenco recheado de rostos conhecidos, inclusive uma ainda adolescente Michelle Williams. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Toda Prova

A Toda Prova (Haywire, Irlanda / EUA, 2011) – Nota 6,5
Direção – Steven Soderbergh
Elenco – Gina Carano, Channing Tatum, Ewan McGregor, Michael Douglas, Michael Fassbender, Antonio Banderas, Michael Angarano, Bill Paxton, Mathieu Kassovitz.

Mallory Kane (a lutadora de MMA Gina Carano) é uma ex-agente de operações especiais do governo que trabalha para uma empresa privada de segurança internacional. 

Uma missão para resgatar um dissidente chinês termina em traição e Mallory escapa por pouco de ser assassinada. A partir daí, ela precisa descobrir quem planejou sua morte. 

A aparente complexidade do roteiro esconde uma previsível trama de vingança. Os personagens também são mal desenvolvidos e a protagonista Gina Carano se destaca apenas pela beleza e a destreza nas cenas de lutas, que por sinal são o melhor do filme. 

A estranha trilha sonora que parece ter saído direto de algum filme de baixo orçamento dos anos setenta é outra coisa que incomoda. 

Levando em conta também os coadjuvantes famosos e a direção de Steven Soderbergh, o filme fica abaixo do esperado.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Espaço Entre Nós

O Espaço Entre Nós (The Space Between Us, EUA, 2017) – Nota 6
Direção – Peter Chelsom
Elenco – Asa Butterfield, Gary Oldman, Carla Gugino, Britt Robertson, Janet Montgomery.

A primeira expedição em direção a Marte parte com cinco astronautas homens e uma mulher (Janet Montgomery). Para surpresa geral, a mulher descobre que está grávida durante a viagem. Ela dá luz chegando na colônia em Marte, mas acaba falecendo. O fato abala o cientista responsável pela viagem (Gary Oldman), mesmo com ele tendo ficado na Terra. Ele decide esconder a história da imprensa e abandona o trabalho em seguida. 

Dezesseis anos depois, o adolescente Gardner (Asa Butterfield) continua vivendo na colônia em Marte, mas sonha em voltar para Terra e encontrar seu pai, sujeito que ele conhece apenas por uma foto e sequer sabe o nome. Ao mesmo tempo, Gardner conversa por uma espécie de internet espacial com a jovem Tulsa (Britt Robertson), que vive em Oklahoma com o pai beberrão. 

Esta ficção é mais um exemplo de uma boa premissa desperdiçada. A questão das implicações de marketing sobre a imagem da Nasa e também de saúde para manter o jovem em Marte são interessantes, mas infelizmente o filme se perde completamente quando o protagonista viaja para Terra. São situações absurdas e grandes furos no roteiro, lembrando o estilo de muitas aventuras adolescentes dos anos oitenta, em que a única preocupação era a correria. O roteiro ainda guarda uma surpresa que o cinéfilo mais atento descobrirá logo no início do filme. 

É uma pena, além da premissa, o longa desperdiça também a ótima produção e o bom elenco.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Garota Desconhecida

A Garota Desconhecida (La Fille Inconnue, Bélgica / França, 2016) – Nota 7,5
Direção – Jean Pierre & Luc Dardenne
Elenco – Adele Haenel, Jeremie Renier, Olivier Bonnaud, Louka Minella, Olivier Goumert, Fabrizio Rongione.

Jenny Davin (Adele Haenel) é uma jovem médica que está prestes a trocar o pequeno consultório na periferia de Liege na Bélgica, por um trabalho em uma clínica que atende a classe alta. 

Poucos dias antes da mudança, Jenny não atende uma pessoa que toca a campainha após o consultório estar fechado. No dia seguinte, a polícia a procura informando que uma jovem desconhecida morreu próximo ao local, provavelmente assassinada. Abalada por acreditar que teria salvo a vida da mulher se a atendesse, Jenny decide investigar para tentar descobrir a identidade da vítima. 

Os irmãos Dardenne são cineastas autorais como Michael Haneke e Gaspar Noé por exemplo. O cinema da dupla foca sempre em pessoas comuns que vivem situações complicadas envolvendo temas atuais. 

Aqui, o roteiro foca em duas questões principais: A exploração dos imigrantes no submundo das cidades européias e a dúvida dos jovens em escolher seguir a carreira que deseja ou almejar apenas o dinheiro. 

A protagonista vive este dilema ao conhecer os dois lados da carreira analisando em qual deles seu trabalho seria mais útil e também onde ela seria mais feliz. 

É interessante também ver um trabalho que praticamente não existe mais em nosso país, o do médico dedicado que atende com preço popular e interesse nos pacientes, além de ainda fazer visitas em casa. É algo simples que infelizmente se perdeu por aqui em troca do lucro fácil através de consultas caras e impessoais. 

Como informação, coadjuvantes como Jeremie Renier, Olivier Goumet e Fabrizio Rongione são parceiros habituais dos irmãos Dardenne.

domingo, 13 de agosto de 2017

A Hora da Vingança & A Floresta Petrificada


A Hora da Vingança (Deadline – U.S.A., EUA, 1952) – Nota 8
Direção – Richard Brooks
Elenco – Humphrey Bogart, Ethel Barrymore, Kim Hunter, Ed Begley, Warren Stevens, Paul Stewart, Martin Gabel.

Ed Hutcheson (Humphrey Bogart) é o editor do jornal “New York Day”, conhecido por ser um veículo de notícias totalmente independente. A morte do proprietário e fundador do jornal coloca a sucessão da empresa nas mãos das duas filhas que desejam vendê-la para um concorrente e de sua viúva (Ethel Barrymore) que a princípio não se manifesta contra a venda. 

Sabendo que o comprador seria um concorrente alinhado a políticos e que o jornal perderia sua essência, Ed faz de tudo para tentar mudar a ideia das herdeiras, ao mesmo tempo em que investiga um mafioso (Martin Gabel) que teria assassinado sua amante para esconder o pagamento de suborno a um senador. 

Sessenta e cinco anos após ser produzido, o tema deste longa escrito e dirigido por Richard Brooks (“Os Profissionais”, “A Sangue Frio”) continua extremamente atual. A fusão de veículos de imprensa com o objetivo de criar um monopólio, pressionar e boicotar os profissionais que prezam a verdade utilizando até mesmo de violência e a família que se preocupa apenas com o dinheiro deixado pelo patriarca ignorando seu legado são situações atuais, além é claro da corrupção envolvendo políticos e autoridades. Hoje é cada vez mais difícil existirem profissionais como o corajoso protagonista vivido por Humphrey Bogart. 

É um belo filme sobre liberdade de imprensa.  

A Floresta Petrificada (The Petrified Forest, EUA, 1936) – Nota 6,5
Direção – Archie Mayo
Elenco – Leslie Howard, Bette Davis, Humphrey Bogart, Dick Foran, Genevieve Tobin, Joe Sawyer, Porter Hall, Charley Grapewin, Paul Harvey.

Gabrielle (Bette Davis), seu pai Jason (Porter Hall) e seu avô (Charley Grapewin) são os donos de um pequeno restaurante de beira de estrada no meio do deserto de Nevada. A vida tranquila e isolada da família muda completamente em apenas um dia. A chegada de um escritor inglês (Leslie Howard) que viaja sem rumo desperta uma paixão em Gabrielle e posteriormente a “visita” de uma quadrilha de assaltantes liderada por Duke Mantee (Humphrey Bogart) transforma o local em alvo da polícia. 

Produzido há mais de oitenta anos, este longa mistura algumas situações ingênuas com diálogos afiados e um final explosivo. As atuações teatrais de Leslie Howard e Bette Davis podem incomodar um pouco, assim como a locação quase toda filmada com fundo falso. Por outro lado, vale destacar os personagens do avô falastrão vivido por Charley Grapewin e um Humphrey Bogart como vilão antes de se tornar astro. 

É um filme que vale como curiosidade para quem curte obras antigas.

sábado, 12 de agosto de 2017

The Fall

The Fall (The Fall, Inglaterra, 2013 a 2016)
Direção – Allan Cubitt
Elenco – Gillian Anderson, Jamie Dornan, John Lynch, Aisling Franciosi, Niamh McGrady, Bronagh Waugh, Stuart Graham, Colin Morgan, Archie Panjabi.

Em Belfast na Irlanda do Norte, duas mulheres na casa dos trinta anos são encontradas mortas por estrangulamento. A polícia inglesa envia a investigadora Stella Gibson (Gillian Anderson, a Dana Scully de “Arquivo X”) para cuidar do caso. As poucas pistas levam a acreditar que os crimes sejam obra de um meticuloso serial killer. 

Em paralelo, o roteiro detalha a vida e as obsessões do assassino. Paul Spector (Jamie Dornan) é casado, pai de um casal de filhos pequenos e trabalha como uma espécie de assistente social aconselhando pessoas. A investigação e alguns novos crimes resultam num verdadeiro jogo de gato e rato entre polícia e assassino. 

Esta competente série policial tem dezessete episódios de uma hora cada, divididos em três temporadas. O roteiro acerta em não esconder a identidade do assassino e principalmente por explorar sua obsessão em detalhes, assim como desenvolve também de forma correta a protagonista vivida por Gillian Anderson. Assim como o assassino, ela também é detalhista e obcecada em resolver o caso. Em várias sequências suas emoções vem à tona, deixando de lado a frieza que demonstra para os homens a sua volta. 

O desenvolvimento dos coadjuvantes também é competente, com destaque para o chefe de polícia (John Lynch), para a esposa do assassino (Bronagh Waugh) e para a adolescente rebelde que se apaixona pelo psicopata (Aisling Franciosi). Todos terão suas vidas marcadas para sempre em consequência dos crimes. 

A grande falha da série é a duração de uma hora para cada episódio. Muitas sequências como interrogatórios, depoimentos e discussões são longas, passando a impressão de que o roteiro precisava se estender para preencher o tempo programado. Isso termina cansando um pouco. 

Destaque também para o tenso e ao mesmo tempo melancólico episódio final.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Quase 18

Quase 18 (The Edge of Seventeen, EUA / China, 2016) – Nota 7,5
Direção – Kelly Fremon Craig
Elenco – Hailee Steinfeld, Woody Harrelson, Kyra Sedgwick, Blake Jenner, Haley Lu Richardson, Hayden Szeto, Alexander Calvert, Eric Keenleyside.

Ao completar dezessete anos, Nadine (Hailee Steinfeld) entra numa grande crise quando sua melhor amiga Krista (Haley Lu Richardson) começa a namorar com seu irmão Darian (Blake Jenner). 

Narrado pela protagonista, o longa mostra em flashbacks como desde criança Nadine teve dificuldades em conviver com o irmão e principalmente com a mãe (Kyra Sedgwick), fato que piorou após a morte do pai. Com esta introdução, o roteiro explora as crises e dificuldades enfrentadas por Nadine no dias atuais. 

Este simpático longa tem como destaques principais a atuação espontânea da jovem Hailee Steinfeld e o roteiro escrito pela diretora estreante Kelly Fremon Craig, que acerta no tom ao explorar as crises da adolescência de uma forma realista, sem apelar para piadas ofensivas ou personagens caricatos. 

Não chega a ser um alívio cômico, mas mesmo assim as pitadas engraçadas ficam a cargo de Woody Harrelson como o veterano professor de história. 

É um filme que mostra como uma história bem contada e personagens próximos da realidade são os pilares para um bom drama. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Jolene & À Procura de Mr. Goodbar


Jolene (Jolene, EUA, 2008) – Nota 7,5
Direção – Dan Ireland
Elenco – Jessica Chastain, Dermot Mulroney, Frances Fisher, Theresa Russell, Rupert Friend, Zeb Newman, Chazz Palminteri, Denise Richards, Michael Vartan.

Este longa é baseado num livro de E. L. Doctorow, que acompanha uma verdadeira saga de vida da protagonista Jolene vivida com brilhantismo e ousadia por uma então desconhecida Jessica Chastain, que estreava no cinema após alguns trabalhos na tv.

A trama detalha a vida da orfã Jolene dos quinze aos vinte e cinco anos, passando por quatro cidades, vários relacionamentos, crises e tragédias. Por mais que algumas passagens sejam um pouco exageradas, o longa prende atenção pela fluidez da narrativa e pelas mudanças da protagonista. As roupas e as atitudes mudam em cada segmento, como se a difícil vida de orfã tivesse feito com que a jovem fosse obrigada a se adaptar as novas situações.

Um ponto interessante são as contradições nas atitudes de Jolene. Ela varia entre o frescor adolescente, a ingenuidade em algumas situações, se transforma em manipuladora em outras e sabe muito bem usar sua sexualidade para conquistar o que deseja. Esta complexa personalidade é o que dá vida ao filme.

À Procura de Mr. Goodbar (Looking for Mr. Goodbar, EUA, 1977) – Nota 7,5
Direção – Richard Brooks
Elenco – Diane Keaton, Tuesday Weld, William Atherton, Richard Gere, Richard Kiley, Alan Feinstein, Tom Berenger, Priscilla Pointer, Julius Harris, LeVar Burton.    

Theresa (Diane Keaton) é uma jovem estudante de pedagogia que se envolve com seu professor. Ele se torna o primeiro homem de sua vida. Ao se formar e iniciar sua carreira como professora, Theresa é dispensada pelo amante que é casado. A partir daí, ela decide sair de casa para morar sozinha e aproveitar a liberdade curtindo bares noturnos e relações com desconhecidos. 

Com cenas ousadas de sexo e nudez para a época, este longa tem como ponto principal mostrar de forma crua como as mulheres estavam aproveitando a liberdade sexual nos anos setenta. A protagonista explora esta situação com coragem, desejo e até mesmo de forma ingênua. Ela entra em conflito com o pai moralista, é confidente da irmã que sempre escolhe homens errados e ela mesma enfrenta amantes abusivos e mentirosos. 

Mesmo com uma narrativa datada, algumas cenas noturnas repetitivas e um final que pode ser considerado um castigo, o longa é ousado e retrata um novo mundo que a geração anterior tinha dificuldades em aceitar. É acima de tudo um filme marcante, mesmo com seus defeitos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos

A Mulher Mais Odiada dos Estados Unidos (The Most Hated Woman in America, EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – Tommy O’Haver
Elenco – Melissa Leo, Josh Lucas, Juno Temple, Michael Chernus, Brandon Mychal Smith, Adam Scott, Vicent Kartheiser, Rory Cochrane, Alex Frost, Sally Kirkland, Ryan Cutrona, José Zuñiga.

Texas, 1995. A ativista fundadora da organização dos “American Atheists” Madalyn Murray O’Hair (Melissa Leo), seu filho Garth (Michael Chernus) e a neta Robin (Juno Temple) são vítimas de sequestro. 

Conhecida e odiada por sua luta contra as imposições das religiões, seu desaparecimento é tratado com desprezo pela polícia e pela imprensa, que acreditam ser uma jogada de marketing da mulher. 

Apenas um funcionário da sua organização (Brandon Mychal Smith) luta para provar que a família foi sequestrada, nem mesmo Bill (Vincent Kartheiser), filho mais velho de Madalyn que havia se afastado da família acredita na história. 

Baseado numa bizarra história real, este longa se divide em duas narrativas. A principal se passa em 1995 focando no sequestro e a segunda em flashbacks que seguem dos anos sessenta quando Madalyn começou sua luta, até os anos noventa. 

São muitos detalhes e situações que foram condensados em apenas uma hora e meia. Vários fatos vem à tona sem grandes explicações, a narrativa parece correr para fechar a trama em um tempo pré-determinado. O filme não chega a ser ruim, mas fica claro que faltou um roteiro melhor detalhado para a complexa história. 

Determinada, manipuladora e com uma personalidade forte, a protagonista era uma mulher que vivia entre polêmicas e contradições, criando uma oportunidade para Melissa Leo entregar uma ótima interpretação. 

Finalizando, o filme é uma produção da Netflix.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Acordo & Rápida Vingança


O Acordo (Snitch, EUA / Emirados Árabes Unidos, 2013) – Nota 7
Direção – Ric Roman Waugh
Elenco – Dwayne Johnson, Barry Pepper, Jon Bernthal, Susan Sarandon, Michael Kenneth Williams, Rafi Gavron, Melina Kanakaredes, Benjamin Brett, Lela Loren, David Harbour, Harold Perrineau.

Para ajudar um amigo, o jovem Jason (Rafi Gavron) recebe em casa um pacote com muitos comprimidos de ecstasy e termina preso por agentes federais. A única chance de Jason diminuir sua pena é ajudar os agentes e a promotora (Susan Sarandon) a prender algum outro traficante, ou seja, repetir o que o amigo fez com ele. Jason se nega a fazer o acordo. Para tentar cumprir o acordo no lugar do filho, seu pai John (Dwayne Johnson) decide se infiltrar em uma quadrilha de traficantes e ajudar os agentes a realizarem uma grande prisão.

Inspirado em uma história real, este longa surpreende por causa do roteiro bem amarrado, da boa narrativa e até pela atuação de Dwayne Johnson, que aqui interpreta um sujeito comum, diferente dos brutamontes violentos que está acostumado a viver. Lógico que o filme tem algumas boas cenas de ação e violência, com destaque para a perseguição na estrada entre um caminhão e vários carros. O filme ainda tem bons coadjuvantes, como o ex-detento que auxilia o protagonista vivido por Jon Bernthal e o sempre assustador Michael Kenneth Williams novamente interpretando um traficante.

Para quem gosta do gênero, o longa é uma boa opção.

Rápida Vingança (Faster, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – George Tillman Jr
Elenco – Dwayne Johnson, Billy Bob Thornton, Oliver Jackson Cohen, Carla Gugino, Maggie Grace, Adewale Akinnuoye Agbaje, Matt Gerald, Moon Bloodgood, Courtney Gains, Mike Epps, Tom Berenger, Xander Berkeley, John Cirigliano.

Após cumprir pena por assalto, um sujeito (Dwayne Johnson) sai da cadeia em busca de vingança pela morte do irmão. Ele tem uma lista com quatro nomes para serem eliminados. Após assassinar o primeiro da lista, um matador profissional (Oliver Jackson Cohen) é contratado por um desconhecido para eliminar o ex-presidiário. O terceiro elo da trama segue um policial viciado em drogas (Billy Bob Thorton) e sua parceira (Carla Gugino) que são encarregados de investigar o primeiro assassinato. 

O roteiro explora a clássica trama de vingança através de uma roupagem moderna, com sequências estilosas em câmera lenta e ângulos inusitados, além de guardar um segredo para o final, mesmo não sendo tão surpreendente assim. Por outro lado, o filme tem uma narrativa irregular e vários furos no roteiro. O romance entre o matador de aluguel e a bela Maggie Grace também parece algo deslocado do resto da trama. 

É uma diversão passageira, razoável e esquecível.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Homem das Mil Caras

O Homem das Mil Caras (El Hombre de Las Mil Caras, Espanha, 2016) – Nota 8
Direção – Alberto Rodriguez
Elenco – José Coronado, Eduard Fernandez, Carlos Santos, Marta Etura, Christian Stamm, Emilio Gutierrez Caba.

No final dos anos oitenta, Francisco “Paco” Paesa (Eduard Fernandez) comandou uma investigação que desmantelou parte do grupo terrorista basco ETA. Mesmo assim, pouco tempo depois, Paco foi tratado com desprezo pelo governo espanhol. 

A chance de vingança surge quando um político chamado Luis Roldan (Carlos Santos) se vê envolvido em um grande caso de corrupção. Roldan contrata os serviços de Paco para fugir do país junto com a esposa (Marta Etura) e lavar seu dinheiro sujo. É o início de uma rocambolesca história real que transformou Roldan no espanhol mais procurado do mundo na época. 

A trama é narrada em off pelo personagem de Jesus Camões (José Coronado), um piloto de avião que era parceiro de Paco e que utilizava sua facilidade em viajar pelo mundo para auxiliar o amigo a esconder o foragido Roldan. 

O diretor Alberto Rodriguez é responsável por dois outros ótimos filmes espanhóis. O violento “Grupo7” e o também complexo “Pecados Antigos, Longas Sombras”. O talento do diretor em envolver o espectador através de uma narrativa fluente sem apelar para a ação é o grande trunfo deste trabalho. Ele aproveita imagens de telejornais verdadeiros da época da fuga de Roldan para mostrar como a imprensa e as autoridades espanholas estavam perdidas, enquanto o inteligente Paco armava um verdadeiro jogo de xadrez para manter o “cliente” a salvo. 

Para quem gosta do gênero, este longa é uma ótima opção.

domingo, 6 de agosto de 2017

Charada

Charada (Charade, EUA, 1963) – Nota 6,5
Direção – Stanley Donen
Elenco – Cary Grant, Audrey Hepburn, Walter Matthau, James Coburn, George Kennedy, Ned Glass, Dominique Minot.

Ao voltar para Paris após férias nos Alpes Suíços, Regina Lampert (Audrey Hepburn) se surpreende ao ser informada que seu marido foi assassinado. A surpresa não é tanto pela perda do marido, a quem ela pensava em pedir o divórcio, mas por descobrir que ele tinha em mãos 250 mil dólares que desapareceram. 

No velório, Regina é abordada por três estranhos (James Coburn, George Kennedy e Ned Glass) que estão à procura do dinheiro. Ela termina por pedir ajuda a um novo flerte, o americano Peter Joshua (Cary Grant), além de ser abordada também por um agente da CIA (Walter Matthau). 

Por mais que a história cheia de mistérios e algumas mortes lembre as obras de Hitchcock, o longa perde pontos pela insistência do roteiro em inserir diálogos engraçadinhos e cenas de humor. O filme intercala sequências românticas bobas, como Cary Grant tomando banho de roupa, com uma interessante perseguição pela estação de metrô. Esta mistura não convence. Vale destacar a trilha sonora de Henry Mancini, a produção caprichada e o elenco. 

Compreendo que muitos críticos adorem o filme, principalmente por ter a cara do cinema clássico dos anos sessenta, mas para em meu gosto o resultado é apenas razoável.

sábado, 5 de agosto de 2017

O Sétimo Continente

O Sétimo Continente (Der Siebente Kontinent, Áustria, 1989) – Nota 6
Direção – Michael Haneke
Elenco – Birgit Doll, Dieter Berner, Leni Tanzer.

Georg (Dieter Berner) é engenheiro e sua esposa Anna (Birgit Doll) oftalmologista. Junto com a filha pequena Evi (Leni Tanzer), eles aparentam ser a família perfeita. 

Os primeiros vinte minutos mostram a rotina familiar. No que seria o segundo ato, o espectador começa a presenciar os pequenos problemas e algumas atitudes estranhas de cada integrante da família. 

Georg se aproveita de um problema do chefe idoso e acaba sendo promovido, mas em momento algum demonstra felicidade. Anna também parece sofrer sem especificar o porquê. A situação fica mais complicada quando Evi finge na escola estar cega, como se enviasse uma mensagem para a falta de atenção dos pais. 

O terceiro ato foca na aparente decisão dos pais em se mudar para Austrália, quando na realidade é o início da decadência final da família. 

O diretor austríaco Michael Haneke estreou nos cinemas com este longa perturbador. Vale citar que ele tinha vários trabalhos anteriores para tv. Por mais que a crítica adore o filme e história seja cruel, a narrativa extremamente lenta prejudica bastante o resultado. 

O roteiro de Haneke faz uma crítica à vida moderna, em que muitas pessoas mesmo tendo um bom trabalho e uma família estruturada, sofrem por um vazio existencial quase impossível de ser preenchido. A forma como Haneke  aborda a situação é extremista. 

Vale citar com certo destaque as cartas que o casal escreve para os pais do marido tentando explicar como eles se sentem. 

Mesmo entendendo e até gostando do estilo cru do diretor, este primeiro trabalho por mais que seja impactante como história, termina sendo arrastado como cinema. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um Divã Para Dois & Kinsey


Um Divã Para Dois (Hope Springs, EUA, 2012) – Nota 6,5
Direção – David Frankel
Elenco – Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell, Jean Smart, Becky Ann Baker, Elisabeth Shue, Mimi Rogers.

Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) estão casados há trinta e um anos. Os filhos saíram de casa e eles levam uma aparente vida tranquila, até que Kay começa a questionar a falta de interesse do marido, tanto em conversar, como no apetite sexual. Ela praticamente obriga Arnold a tirar uma semana de férias e viajar para a pequena Hope Springs, local onde o famoso terapeuta Dr. Feld (Steve Carell) atende casais em crise. As sessões com o doutor revelam frustrações dos dois lados, colocando o casamento em perigo.

A proposta do roteiro em desnudar uma relação desgastada pelo tempo de convivência é interessante. Com certeza, muitos casais verão nos protagonistas reflexos de suas próprias vidas. Vários diálogos durante as sessões abordam os problemas sexuais do casal de forma crua.

Ao mesmo tempo que a proposta é boa, o filme peca por ser um pouco cansativo e previsível, inclusive na escolha do final. O personagem de Steve Carell também se mostra comum demais. Suas abordagens com o casal são básicas, com opiniões que qualquer pessoa poderia dar. É um filme indicado para quem gosta de discussões sobre relacionamentos.&nbsp

Kinsey – Vamos Falar de Sexo (Kinsey, EUA / Alemanha, 2004) – Nota 7
Direção – Bill Condon
Elenco – Liam Neeson, Laura Linney, Chris O’Donnell, Peter Sarsgaard, Timothy Hutton, John Lithgow, Tim Curry, Oliver Platt, Dylan Baker, William Sadler, Julianne Nicholson, Veronica Cartwright, John McMartin.

Criado em uma família religiosa com um pai que era pastor (John Lithgow), o tímido Alfred Kinsey (Liam Neeson) passa a ser interessar pelo estudo do sexo ao conhecer sua futura esposa Clara (Laura Linney) na universidade durante os anos quarenta. Sua curiosidade o leva a coletar dados de pessoas sobre todo o tipo de atividade sexual, resultando no controverso livro "Sexual Behavior in the Human Male" lançado em 1948.

O roteiro escrito pelo diretor Bill Condon detalha a vida do polêmico Alfred Kinsey, que para muitos foi considerado um sujeito corajoso que abriu a discussão para um assunto que era tabu, enquanto outros o viam como um charlatão que falsificou dados e que teria utilizado a pesquisa para encobrir a realização de seus desejos sexuais. Seus detratores o acusaram até mesmo de pedofilia, pois os dados das pesquisas citavam também experiências com adolescentes.&nbsp

O filme fica em cima do muro. Kinsey é descrito como um sujeito estranho, que não demonstra suas emoções e que trata o sexo como algo banal, encorajando seus pupilos e assistentes a experimentarem novidades e depois coletarem seus dados. O próprio Kinsey se fez de cobaia, inclusive em uma relação homossexual. As interpretações sóbrias de Liam Neeson e Laura Linney são os destaques do elenco. É um filme interessante, mesmo não mostrando toda a verdade sobre a vida de Kinsey. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Círculo

O Círculo (The Circle, Emirados Árabes Unidos / EUA, 2017) – Nota 6,5
Direção – James Ponsoldt
Elenco – Emma Watson, Tom Hanks, Karen Gillan, John Boyega, Ellar Coltrane, Bill Paxton, Glenne Headly, Patton Oswalt.

A jovem Mae (Emma Watson) fica eufórica quando sua amiga Annie (Karen Gillan) consegue para ela uma entrevista na maior empresa de tecnologia do mundo chamada The Circle. Mae é aprovada e começa a trabalhar no setor de atendimento. 

Ela se surpreende com a grandiosidade da empresa, com a importância que os colaboradores dão para o relacionamento interpessoal, para o interesse de algumas pessoas em ajudar seu pai (Bill Paxton) que sofre com um doença degenerativa e pelo carisma do fundador Eamon Bailey (Tom Hanks). Ao mesmo tempo em que Mae percebe que os produtos da empresa visam um domínio global, ela se deixa levar pelo ego e pelas vantagens pessoais. 

O roteiro escrito pelo diretor James Ponsoldt apresenta uma premissa interessantíssima. A crítica as grandes empresas de tecnologia (Google e Facebook principalmente) que visam um controle exagerado das informações é extremamente atual, porém o problema é que o roteiro se perde à partir do momento em que se transforma numa espécie de Big Brother. Surgem as alfinetadas contra os patrulheiros virtuais, o perigo da exposição exagerada e outras situações relacionadas ao assunto, mas sem qualquer tipo de aprofundamento. 

Voltando a primeira parte do longa, um ponto extremamente bem pensado é a forma como a protagonista é tratada assim que começa a trabalhar. Quem trabalha ou trabalhou em uma grande empresa com certeza presenciou ou até sentiu na pele a pressão exercida para “fazer parte do time”, muitas vezes disfarçada de sorrisos e palavras de apoio, quando na verdade o objetivo é “domar” o colaborador, evitando qualquer tipo de questionamento ou rebeldia. 

O elenco não se destaca. A bela Emma Watson não chega a comprometer, mas não também não brilha, enquanto Tom Hanks parece apenas se divertir enquanto espera receber o cachê pelo trabalho. 

Finalizando, se nossas urnas eletrônicas são merecidamente questionadas, imagine se algum dia nosso voto fosse computado direto pelo perfil do Facebook ou do Google? En determinado momento o roteiro coloca a possibilidade em discussão, fato que parece absurdo, mas que não é impossível ocorrer no futuro.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Cura

A Cura (A Cure for Wellness, EUA / Alemanha, 2016) – Nota 6,5
Direção – Gore Verbinski
Elenco – Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Ivo Nandi, Adrian Schiller, Celia Imrie.

Após ser promovido em uma grande empresa de investimentos, Lockhart (Dane DeHaan) é chamado pelos conselheiros e recebe um misto de proposta e chantagem.

Descobriram que ele fraudou investimentos, porém ao invés de denunciá-lo para polícia, eles oferecem uma saída diferente e aparentemente bem menos traumática. 

Lockhart precisará buscar o CEO da empresa que foi passar algum tempo em uma espécie de SPA nos Alpes Suíços e decidiu abandonar o cargo. O conselho precisa da assinatura do homem para confirmar uma fusão. 

Acreditando ser uma missão simples, Lockhart segue até o local, um enorme castelo medieval onde pessoas ricas se hospedam com o objetivo de se “curar” da vida louca da cidade. Não demora para o jovem descobrir que existe algo sinistro naquele local e que será extremamente difícil sair de lá. 

O longa tem algumas semelhanças na locação e no clima com o muito superior “Ilha do Medo” de Martin Scorsese, inclusive com o protagonista Dane DeHaan lembrando um pouco o astro Leonardo DiCaprio. 

Infelizmente as semelhanças ficam por aí. A longa duração (quase duas horas e meia) deixa o filme cansativo e esconde uma trama previsível. As atuações também não são das melhores, inclusive com coadjuvantes que são abandonados no meio da trama. 

Por outro lado, o filme ganha pontos pela produção caprichada e as belas locações. O castelo onde se passa quase toda a história é sensacional. 

É um longa que ficou abaixo do esperado.  

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Terra Tranquila

Terra Tranquila (The Quiet Earth, Nova Zelândia, 1985) – Nota 6
Direção – Geoff Murphy
Elenco – Bruno Lawrence, Alison Routledge, Pete Smith, Anzac Wallace.

Ao acordar em um dia qualquer, o cientista Zac Hobson (Bruno Lawrence) descobre que está sozinho no mundo. Ele segue até seu local de trabalho, um observatório onde era desenvolvido um projeto secreto. 

Sem saber se o projeto foi a causa da catástrofe e o porquê dele estar vivo, Zac decide aproveitar o mundo como se fosse seu parque de diversões particular. Após encontrar uma sobrevivente (Alison Routledge) e outro sujeito também vivo (Pete Smith), Zac começa a questionar se vale a pena viver no mundo que restou. 

Tratado como cult por muitos cinéfilos, este longa neozelandês explora a premissa dos clássicos B “Mortos Que Matam” e “A Última Esperança da Terra”, incluindo questionamentos filósoficos, principalmente colocando na mesa a discussão sobre a necessidade do homem em se relacionar com outras pessoas. 

Infelizmente o filme é cansativo. A primeira parte enquanto o personagem visita o observatório é interessante e cria até um certo suspense. O filme se torna bizarro quando o protagonista começa a explorar a cidade e se perde totalmente na parte final quando o roteiro se volta para a loucura. 

A obra abriu as portas de Hollywood para o diretor Geoff Murphy, que teria sucesso apenas em seu primeiro trabalho americano, o western “Jovem Demais Para Morrer”. 

No final, fica claro que a fama de cult é maior do que a qualidade do longa.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Espiã

A Espiã (Zwartboek, Holanda / Alemanha / Inglaterra / Bélgica, 2006) – Nota 8,5
Direção – Paul Verhoeven
Elenco – Carice van Houten, Sebastian Koch, Thom Hoffman, Halina Reijn, Waldemar Kobus, Derek de Lint, Christian Berkel, Dolf de Vries, Michiel Huisman, Matthias Schoenaerts, Johnny de Mol.

Israel, 1956. Entre um grupo de turistas que visita um Kibutz, uma mulher (Halina Rejn) reconhece a professora que está dando aula para crianças e a chama pelo nome, Ellis de Vries (Carice Van Houten). As duas conversam rapidamente enquanto a excursão não segue seu caminho, mas fica clara a relação de amizade que existia no passado. 

Depois deste rápido prólogo, Ellis fica pensativa e a história volta para 1944 na Holanda, em meio a Segunda Guerra Mundial. A partir daí, conheceremos a história de Ellis, que na verdade se chama Rachel Stein e pertencia a uma família judia que queria fugir do país antes de serem capturados pelos nazistas, porém uma série de situações coloca a então jovem no meio da Resistência Holandesa.

Durante muitos anos, o diretor Paul Verhoeven e o roteirista Gerard Soeteman coletaram histórias verdadeiras sobre a luta dos holandeses contra o nazismo. O resultado é este ótimo longa que mistura drama, espionagem e ação através de um complexo roteiro repleto de reviravoltas e traições. 

Por mais que o diretor Paul Verhoeven tenha sido elogiado pelo recente “Elle”, este “A Espiã” é um filme mais sólido e que tem a cara do diretor. As habituais cenas de violência e o toque de sacanagem com cenas de nudez estão presentes, com um detalhe, nada disso é gratuito, tudo faz parte do terrível contexto em que se passa a história. 

Mesmo levando em conta o fracasso de “Showgirls”, a carreira de Verhoeven é extremamente sólida, desde sua primeira fase holandesa nos anos setenta e início dos oitenta, passando pelos trabalhos em Hollywood (“Robocop”, “Conquista Sangrenta”, “O Vingador do Futuro”, “Instinto Selvagem”) até a volta ao seu país natal. 

Vale destacar a belíssima produção de época, as cenas de ação eletrizantes e o ótimo elenco. A belíssima e desinibida Carice van Houten está ótima no papel principal, assim como o holandês Derek de Lint como o líder da resistência e os alemães Sebastian Koch e Christian Berkel interpretando oficiais nazistas. 

É um grande filme para quem gosta de cinema de ação com conteúdo. 

domingo, 30 de julho de 2017

Felizes Dezesseis

Felizes Dezesseis (Sweet Sixteen, Inglaterra / Alemanha / Espanha, 2002) – Nota 7,5
Direção – Ken Loach
Elenco – Martin Compston, William Ruane, Annmarie Fulton, Michelle Abercromby, Michelle Coulter, Gary McCormack.

Em Greenock, na Escócia, Liam (Martin Compston) é um adolescente que termina expulso de casa pelo avó e o padrasto que são traficantes. Ele vai morar com a irmã (Annmaria Fulton) que vive com um filho pequeno. 

Ao lado do amigo Pinball (William Ruane), Liam vende cigarros para juntar dinheiro com o objetivo de conseguir um lugar para morar com a mãe (Michelle Coulter) que está prestes a sair da cadeia. Percebendo a chance de ganhar mais, os amigos roubam as drogas do padrasto de Liam e iniciam seu próprio negócio ilegal, mesmo sabendo que as consequências podem ser graves. 

O diretor inglês Ken Loach é especialista em filmes com críticas sociais. O foco aqui é a vida sem perspectivas de um adolescente que cresceu em meio a uma família de pequenos criminosos. O destaque fica para a atuação sincera de Martin Compston, que mesmo sem ser ator até aquele momento, foi escolhido pelo diretor por ter nascido na cinzenta Greenock. A obsessão de seu personagem em reunir a família é o combustível para algumas loucuras. 

É um drama seco, que aborda a vida dura de pessoas comuns que precisam lidar com a marginalidade ao seu redor.  

sábado, 29 de julho de 2017

O Candidato

O Candidato (Kandidaten, Dinamarca, 2008) – Nota 6,5
Direção – Kasper Barfoed
Elenco – Nikolaj Lie Kaas, Ulf Pligaard, Laura Christensen, Tuva Novotny, David Dencik, Kim Bodnia.

Um ano após seu pai ter falecido em um suspeito acidente automobilístico, o advogado Jonas Bechmann (Nikolaj Lie Kaas) se candidata a vaga de trabalho deixada pelo pai em um grande escritório de advocacia. 

Como Jonas acredita que a morte do pai esteja ligada a um caso de condenação de um grande criminoso, um dos sócios do escritório (Ulf Pilgaard) diz que não poderá contratá-lo. 

Após uma noite de bebedeira com um amigo, Jonas se vê envolvido em um crime e numa posterior chantagem. Para salvar sua vida e da namorada (Tuva Novotny), ele precisa descobrir quem o está chantageando. 

O roteiro explora a clássica premissa do sujeito comum que precisa encontrar respostas em meio a uma conspiração. Por mais que seja interessante, o desenrolar da trama deixa a desejar. Ela é ao mesmo tempo confusa e previsível. Não é difícil entender quem está por trás da conspiração, a questão é que o roteiro dá várias voltas para chegar ao mesmo lugar. É um filme que ficou no meio do caminho. Faltou aquele algo a mais. 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Viagem ao Centro da Terra & O Mundo Perdido


Viagem ao Centro da Terra (Journey to the Center of the Earth, EUA, 1959) – Nota 8
Direção – Henry Levin
Elenco – James Mason, Pat Boone, Arlene Dahl, Diane Baker, Thayer David, Peter Ronson.

Edimburgo, Escócia, 1880. Após receber o título de Sir, o professor Oliver Lindenbrook (James Mason) é presenteado por seu aluno Alec McEwan (Pat Boone) com uma rocha vulcânica que o jovem encontrou em Londres. Ao analisar a pedra, Lindenbrook acidentalmente descobre um objeto dentro dela com o nome do cientista Arne Saknussemm, que anos atrás havia desaparecido em uma expedição na Islândia que tinha o objetivo de chegar ao centro da Terra.

Lindenbrook e McEwan decidem fazer o mesmo caminho de Saknussemm. Na Islândia, eles se juntam a um morador local (Peter Ronson) e a viúva de outro cientista (Arlene Dahl). Ao adentrar em um vulcão extinto, o grupo encontrará diversas surpresas.

Clássico da sessão da tarde, este longa é uma da melhores adaptações de Jules Verne para o cinema. Com uma belíssima fotografia em Panavision, efeitos especiais de qualidade levando em consideração a época em que foi produzido e cenas de ação extremamente criativas, temos aqui um ótimo filme de aventuras.

Por sinal,  algumas cenas de ação foram copiadas ou utilizadas como inspiração em filmes posteriores. Entre elas, vemos uma cena com uma pedra gigante rolando atrás dos personagens igual em “Os Caçadores da Arca Perdida”, a clássica sequência em que uma ponte (de pedra ou madeira) desaba e até a cena do local fechado que é inundado com os personagens escapando por um pequeno buraco no minuto final. Hoje são cenas clichês, mas na época eram inéditas.

Vale destacar o elenco encabeçado pelo clássico ator inglês James Mason e pelo famoso cantor americano Pat Boone. Como curiosidade, a atriz Arlene Dahl, que ainda está viva com mais de noventa anos, é mãe do ator canastrão Lorenzo Lamas da série “Renegade”.   

O Mundo Perdido (The Lost World, EUA, 1960) – Nota 6
Direção – Irwin Allen
Elenco – Michael Rennie, Jill St. John, David Hedison, Claude Rains, Fernando Lamas, Richard Haydn, Jay Novello, Vitina Marcus, Ian Wolfe.

Em Londres, o professor Challenger (Claude Rains) é ridicularizado por seus colegas ao afirmar que em sua viagem pela Amazônia descobriu um local onde ainda existem dinossauros. Para provar sua afirmação, ele monta uma expedição que segue em direção a Amazônia. O grupo é composto por seu rival professor Summerle (Richard Haydn), o jovem jornalista Ed Malone (David Hedison), a bela Jennifer Holmes (Jill St. John) e o aventureiro Lord Roxton (Michael Rennie). 

Baseado em um livro de Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, este longa dirigido por Irwin Allen peca pelos efeitos especiais precários, alguns até bizarros como uma aranha verde gigante e pela ingenuidade dos diálogos.

Algumas situações também são bobinhas, como o violão do guia vivido pelo argentino Fernando Lamas que teima em aparecer em sequências sem explicação ou a roupa rosa da personagem de Jill St. John, que serve apenas como enfeite feminino na trama. É um filme que infelizmente envelheceu mal. 

Vale citar que Irwin Allen ficaria famoso nos anos sessenta ao produzir séries marcantes de ficção como “O Túnel do Tempo”, “Perdidos no Espaço” , “Terra de Gigantes” e “Viagem ao Fundo do Mar”. Nos anos setenta, Allen voltaria a cena como diretor e produtor de filmes catástrofes como “O Destino do Poseidon” e o clássico “Inferno na Torre”.  

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Jardim das Aflições

O Jardim das Aflições (Brasil, 2017) – Nota 7,5
Direção – Josias Teófilo
Documentário

O filósofo e escritor Olavo de Carvalho é o personagem principal deste documentário baseado em seu livro “O Jardim das Aflições”. 

Odiado pela esquerda brasileira, que inclusive fez campanha contra o doc, Olavo vive há muitos anos no estado da Virginia nos Estados Unidos. O doc mostra um pouco da rotina de Olavo com a família e sua vida tranquila em uma casa simples numa área rural. 

Além da questão familiar, o foco principal é dar espaço ao escritor para descrever sua maneira de ver a vida e o mundo, além de expor seu pensamento em relação aos problemas brasileiros, principalmente a questão política e a disseminação da ideologia socialista, a qual ele é um grande crítico.

Quem nunca ouviu Olavo falar e conhece seu nome apenas pelas críticas dos esquerdistas, o imagina como um radical maluco. O doc mostra outra coisa, um sujeito inteligente, com ideias atuais e que incomoda por ser firme em suas posições contra o socialismo e contra a classe política. 

Diferente de filmes chapa-branca produzidos com dinheiro da Lei Rouanet, este doc foi bancado através de Crowdfunding, sem um tostão de verba pública. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Cadillac Records

Cadillac Records (Cadillac Records, EUA, 2008) – Nota 7
Direção – Darnell Martin
Elenco – Adrien Brody, Jeffrey Wright, Columbus Short, Gabrielle Union, Beyoncé Knowles, Eamon Walker, Mos Def, Emmanuelle Chriqui, Cedric the Entertainer, Norman Reedus, Jay O. Sanders, Vincent D’Onofrio, Isiah Whitlock Jr, Eric Bogosian.

Chicago, 1941. Leonard Chess (Adrien Brody) é o dono de um ferro-velho que decide mudar de ramo e abre uma bar noturno em um bairro de negros. Muddy Waters (Jeffrey Wright) saiu do Mississippi com o sonho de se tornar músico. O destino faz com que os dois cruzem o caminho e iniciem uma parceria que resulta na Chess Records, gravadora que se transformaria no berço do Blues e do Rock’n Roll.

O roteiro detalha a história da dupla e da gravadora durante pelo menos vinte anos, período em que nomes como Little Walter (Columbus Short), Howlin Wolf (Eamon Walker), Etta James (Beyoncé Knowles) e Chuck Berry (Mos Def) se tornaram famosos.

O filme segue o estilo das adaptações de biografias, mostrando o início da carreira, a chegada do sucesso e do dinheiro, as mulheres e os problemas familiares, financeiros e com drogas. Tudo isso intercalado por ótimas músicas.

Pela grande quantidade de informações e o longo período em que se passam os acontecimentos, algumas situações são mostradas rapidamente, sem que isso atrapalhe a agradável narrativa.

A história é narrada em off por Willie Dixon, personagem de Cedric the Entertainer.

Para quem gosta de Blues e do Rock em seus primórdios, este longa é uma boa pedida

terça-feira, 25 de julho de 2017

Unacknowledged

Unacknowledged (Unacknowledged, EUA, 2017) – Nota 7,5
Direção – Michael Mazzola
Documentário

Narrado pelo ator Giancarlo Esposito, este documentário foca no trabalho do físico e ufólogo Steven M. Greer em levar ao público provas da visita de extraterrestres em nosso planeta e como a tecnologia trazida por eles é explorada pelos governos, principalmente o americano. 

O doc vai além do estilo comum de mostrar objeto estranhos voando, a proposta de Greer e os depoimentos de autoridades e de pessoas que trabalharam para empresas ligadas aos governo americano é mostrar o porquê do interesse em manter o fato escondido da população. 

As pessoas ouvidas aqui citam que a tecnologia que o governo americano tem acesso através do estudo destas naves que caíram em nossa planeta seria capaz de resolver situações como a fome no mundo e a produção de energia limpa, entre outras soluções. 

Por mais que quem assista o doc seja cético, muito do que é citado pode realmente estar acontecendo. É um doc indicado para quem tem curiosidade sobre o tema.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Cápsula

Cápsula (Capsule, Inglaterra, 2015) – Nota 7,5
Direção – Andrew Martin
Elenco – Edmund Kingsley, Lisa Greenwood.

Em 1962, o governo britânico enviou de forma secreta um foguete espacial para navegar pela órbita da Terra. Guy Taylor (Andrew Martin) era um experiente piloto de avião que foi treinado para missão. 

Pouco tempo antes do previsto para retornar à Terra, o foguete apresenta alguns defeitos e muda de rota. Guy perde o contato com a sala de comando durante algum tempo. Neste período, o serviço espacial russo entra em contato com Guy e o pressiona a mudar novamente a direção da nave. 

Por incrível que pareça, esta maluca história é baseada em fato real ocorrido na primeira viagem espacial britânica. O grande acerto do diretor Andrew Martin é fazer o espectador manter o interesse pela história explorando o cenário único do interior foguete durante quase todo o filme.

O protagonista é mostrado em close e conversa com outros personagens apenas pelo rádio. Com estes diálogos e com a pressão que o astronauta enfrenta, o filme cresce em tensão, inclusive nas cenas em que Guy sonha com a esposa que o espera na Terra. 

O surpreendente final é outro ponto positivo. 

É basicamente um filme B. 

domingo, 23 de julho de 2017

A Hora Final & By Dawn's Early Light


A Hora Final (On The Beach, EUA, 1959) – Nota 6,5
Direção – Stanley Kramer
Elenco – Gregory Peck, Ava Gardner, Fred Astaire, Anthony Perkins, Donna Anderson.

Em 1964, uma guerra nuclear destruiu grande parte do planeta. A princípio, a Austrália não foi afetada, porém a previsão é que a nuvem radioativa chegue até a região em alguns meses. Para analisar a situação, o governo australiano envia um submarino americano que escapou da guerra. Comandado por Lionel Towers (Gregory Pecky), o submarino segue até os EUA para determinar o tamanho da destruição. Logo, o cientista que acompanha a expedição (Fred Astaire) chega a conclusão que a vida na Terra será dizimada em pouco tempo.

O diretor Stanley Kramer deixou uma carreira marcada por obras críticas, sempre focando em temas que eram atuais naquele momento. O racismo e o preconceito foram os temas de “O Vento Será Tua Herança”, “Acorrentados” e de “Adivinhe Quem Vem Para Jantar?”, enquanto o nazismo e as suas consequências estão em “Julgamento em Nuremberg” e “A Nau dos Insensatos”. O foco aqui era o medo de uma guerra nuclear, situação que perdurou durante quase toda a Guerra Fria entre EUA e União Soviética.

O diretor não toma lado algum, a questão principal era mostrar o absurdo que seria um guerra nuclear. Infelizmente o roteiro perde muitos pontos e tempo ao focar em dois romances. O primeiro entre o protagonista vivido por Gregory Pecky e a belíssima e avançada Ava Gardner. O segundo na crise que se instala no casamento entre Anthony Perkins e Donna Anderson por causa do possível fim do mundo. A parte final quando os personagens tentam viver da melhor forma seus últimos dias é um pouco deslocada do resto da trama, resultando num pacifismo ingênuo. No final fica a impressão de que assistimos um filme mais romântico do que dramático.

By Dawn’s Early Light (By Dawn’s Early Light, EUA, 1990) – Nota7
Direção – Jack Sholder
Elenco – Powers Boothe, Rebecca De Mornay, James Earl Jones, Martin Landau, Darren McGavin, Rip Torn, Jeffrey DeMunn, Peter MacNicol, Glenn Withrow, Ronald William Lawrence, Kieran Mulroney, Nicolas Coster, Ken Jenkins, Daniel Benzali.

Um míssil nuclear é enviado da Turquia em direção a União Soviética. Ninguém sabe exatamente quem fez o lançamento. O presidente soviético responde ao ataque enviando mísseis em direção a Washington e outras bases militares americanos. Antes do conflito se tornar fatal para o mundo, o mesmo presidente soviético entra em contato com o presidente americano (Martin Landau) tentando negociar um cessar fogo. Sem saber até que ponto é verdadeira a proposta soviética e pressionado por militares, o presidente americano precisa decidir se aceita o cessar fogo ou se revida o ataque contra o inimigo. 

Mesmo com este telefilme tendo sido produzido pela HBO numa época em que a tensão entre americanos e russos havia diminuído muito e o bloco soviético está começando a se desintegrar na Europa, o resultado é surpreendente e assustador. A trama faz uma previsão das consequências se algum país ou terrorista detonasse um artefato nuclear. 

O roteiro cria algumas interessantes reviravoltas, mostrando autoridades que querem parar a tragédia, enquanto outras entendem ser a chance de destruir o inimigo. A reação também de um grupo de pilotos encarregados de bombardear Moscou é extremamente humana. Quatro homens e uma mulher entram em conflito entre eles mesmos sobre cumprir ou não a ordem. Deixando de lado as limitações de uma produção para tv, este longa vale a sessão para quem tem interesse no tema.

sábado, 22 de julho de 2017

Mal do Século

Mal do Século (Safe, Inglaterra / EUA, 1995) – Nota 6
Direção – Todd Haynes
Elenco – Julianne Moore, Xander Berkeley, Peter Friedman, April Grace, James LeGros, Steven Gilborn.

Subúrbio de San Fernando Valley, Califórnia, 1987. Carol White (Julianne Moore) é uma dona de casa que aparentemente leva uma vida tranquila e confortável ao lado do marido (Xander Berkeley) e do enteado pré-adolescente. 

Sem motivo específico, Carol começa a ter ataques de pânico, demonstrando também desânimo e falta de apetite sexual. Ao lado do marido, ela inicia uma via sacra por médicos em busca da causa de seu problema. Sem respostas claras, ela decide procurar terapias alternativas, até encontrar um guru (Peter Friedman) que comanda um retiro no deserto. 

A premissa do roteiro escrito pelo diretor Todd Haynes deixa a impressão de que a proposta seria mostrar o sofrimento de pessoas que desenvolvem doenças psicossomáticas, muitas vezes para preencher o vazio da própria vida, mesmo que essa aparente ser perfeita. 

O problema do roteiro é que a história parece rodar, rodar e não sair do lugar. Mesmo quando a trama segue para o retiro no deserto, a história não avança. A narrativa fria é outro ponto negativo. No final, a trama não se aprofunda ou sequer cita a questão da síndrome do pânico. 

É um filme estranho, daqueles que o espectador precisa entrar no clima criado pelo diretor.   

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Regras da Atração & Segundas Intenções


Regras da Atração (The Rules of Attraction, EUA, 2002) – Nota 7
Direção – Roger Avary
Elenco – James Van Der Beek, Shannyn Sossamon, Ian Somerhalder, Kip Pardue, Jessica Biel, Clifton Collins Jr, Thomas Ian Nicholas, Jary Baruchel, Kate Bosworth, Eric Stoltz, Swoosie Kurtz, Faye Dunaway, Fred Savage.

Anos oitenta, Escola de Artes Camden. O jovem Sean Bateman (James Van Der Beek) é um pequeno traficante que se aproveita de sua aparência para conquistar e dispensar garotas. Quando começa a receber bilhetes de uma admiradora secreta, Sean imagina que a garota seja a bela Lauren (Shannyn Sossamon), que está guardando a virgindade para seu namorado (Kip Pardue) que está viajando. Sean também é alvo de Lara (Jessica Biel) e do bissexual Paul (Iam Somerhalder). 

Esta ciranda de desejos, traições e sexo é baseada numa obra de Bret Easton Ellis, escritor famoso por retratar o lado decadente dos jovens de classe alta americana. Por sinal, na obra de Ellis, o jovem Sean Bateman é irmão mais novo de Patrick Bateman, personagem principal de “Psicopata Americano”. Os dois personagens são frios, egoístas e amorais, quase como uma metáfora das mudanças de comportamento dos jovens à partir dos anos oitenta, quando a satisfação pessoal e a ambição se tornaram obrigatórias. 

O ator James Van Der Beek tentava aqui mudar sua imagem ao aceitar um papel completamente oposto ao protagonista certinho da série “Dawson’s Creek” que ele interpretava na época. Sua atuação é competente, assim com Ian Somerhalder como o afetado Paul e a curiosidade de ver o outrora astro infantil Fred Savage no papel de um drogado. Vale destacar ainda a ótima trilha sonora com músicas dos anos oitenta.

Segundas Intenções (Cruel Intentions, EUA, 1999) – Nota 7
Direção – Roger Kumble
Elenco – Ryan Phillippe, Sarah Michelle Gellar, Reese Witherspoon, Selma Blair, Sean Patrick Thomas, Joshua Jackson, Louise Fletcher, Christine Baranski, Swoosie Kurtz, Eric Mabius.

Os jovens Kathryn (Sarah Michelle Gellar) e Sebastian (Ryan Phillippe) se tornaram quase irmãos quando seus pais se casaram pela segunda vez. Vivendo em Manhattan, ricos e amorais, eles fazem uma aposta após Kathryn ser abandonada pelo namorado que a trocou pela ingênua Cecile (Selma Blair). Kathryn desafia Sebastian a seduzir Cecile. Ele aceita, mas aumenta a proposta. Sebastian diz que seduzirá também a jovem Annette (Reese Witherspoon), conhecida por ser virgem e que se conseguir o intento, terá direito de ir para cama com sua "irmã" Kathryn, que por seu lado aceita receber o carro do “irmão” caso ele não tenha sucesso no plano. 

O roteiro escrito pelo diretor Roger Kumble é uma adaptação moderna da famosa obra “Ligações Perigosas”, que rendeu dois ótimos filmes de época no final dos anos oitenta. O ponto principal da história é a total falta de caráter dos protagonistas, que brincam com a vida das pessoas ao seu redor. Para eles não basta ter uma vida de luxo, o prazer está também em manipular as pessoas. 

O elenco de jovens em início de carreira na época tem ótimas atuações, por sinal, Ryan Phillippe e Sarah Michelle Gellar tem provavelmente seus melhores momentos no cinema. A então coadjuvante Reese Witherspoon é quem mais sucesso obteve na sequência da carreira.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O Cidadão Ilustre

O Cidadão Ilustre (El Ciudadano Ilustre, Argentina / Espanha, 2016) – Nota 8
Direção – Gaston Duprat & Mariano Cohn
Elenco – Oscar Martinez, Dady Brieva, Andrea Frigerio, Nora Navas, Manuel Vicente.

Vivendo há quase quarenta anos na Europa, o escritor argentino Daniel Mantovani (Oscar Martinez) recebe um convite para visitar sua cidade natal, a pequena Salas no interior do país. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Mantovani aceita o convite e decide viajar sem avisar a imprensa. 

Desde a confusa viagem de carro entre Buenos Aires e Salas, Mantovani enfrenta tudo o que ele sempre quis manter distância. A princípio tratado como celebridade na pequena cidade, aos poucos ele precisa lidar com bajuladores, pedidos de ajuda, inveja e até com um antigo amigo (Dady Brieva) que se casou com sua ex-namorada de adolescência (Andrea Frigerio). 

Os diretores Gaston Duprat & Mariano Cohn focaram na hipocrisia da classe emergente no interessante “O Homem do Lado”. Aqui, o ponto principal é mostrar que a aparente hospitalidade das pessoas nas cidades pequenas é uma lenda, na verdade os defeitos e preconceitos são iguais em qualquer lugar. 

O protagonista é tratado com respeito enquanto suas atitudes agradam as pessoas. A partir do momento em que diz não em algumas situações, ele se torna persona non grata. É como se ele fosse obrigado a doar vários pedaços de si mesmo para as pessoas da cidade. 

Vale destacar ainda o ótimo Oscar Martinez como o protagonista que precisa ter jogo de cintura para lidar com várias situações complicadas. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Juventude em Fúria

Juventude em Fúria (Hesher, EUA, 2010) – Nota 6,5
Direção – Spencer Susser
Elenco – Joseph Gordon Levitt, Devin Brochu, Rainn Wilson, Piper Laurie, Natalie Portman, Brendan Hill, John Carroll Lynch.

TJ (David Brochu) é um adolescente que sofre pela perda da mãe e pela apatia do pai (Rainn Wilson), que entrou em depressão após a morte da esposa. 

Enfrentando também problemas com um colega de escola, TJ cruza o caminho do jovem maluco Hesher (Joseph Gordon Levitt), que sem ter onde morar, se muda para a casa do garoto. 

A estranha relação que se cria inclui ainda a avó de TJ (Piper Laurie) e uma solitária jovem que trabalha como caixa de supermercado (Natalie Portman). 

O enganoso título nacional passa a impressão de ser um filme sobre violência de gangues ou algo do gênero, porém o longa é basicamente um drama independente sobre personagens perdidos na vida, com um roteiro que explora suas frustrações e insere pitadas de violência, além de algumas cenas exageradas. 

Os destaques do elenco ficam para o maluco interpretado por Joseph Gordon Levitt e a participação de Natalie Portman, que na época tinha vinte e nove anos de idade e um rosto de dezesseis.